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EPISODE · Sep 15, 2006 · 0 MIN

o tempo existe

from caiu na rede é PEIXE · host leticia e luciana

Eu gostaria de conseguir escrever neste espaço todos os dias. Mas o que ando fazendo com o tempo (ou o que o tempo anda fazendo comigo) que não consigo parar todos os dias por alguns minutos que seja? Eu pergunto mas eu mesma posso responder: são nove horas no mínimo dentro de um escritório, com direito a uma pausa de uma hora para almoço, mais três ou quatro horas em sala de aula ou em preparação para a aula, somadas a umas três horas diárias no trânsito (sim - três horas NO MÍNIMO), que já totalizam algo em torno de dezesseis horas. Nas oito horas que restam eu costumo gastar uma hora em banhos, café da manhã e lanche da noite, o que significa que tenho no máximo sete horas para dormir. No entanto, perco uma meia horinha por dia brincando com os cães e mais uma meia hora conversando com o marido. Nas outras seis horas eu tento dormir, mas como não consigo relaxar enquanto não leio uma página pelo menos acabo dormindo umas cinco horas e meia. Conclusão: eu trabalho demais, moro numa cidade com um trânsito infernal, leio muitíssimo pouco (ainda mais se considerarmos a pilha na cabeceira), não escrevo tanto quanto eu gostaria, vejo muito pouco meus amigos, não conheço a cidade como eu deveria e não assisto a todos os filmes que desejo. Mas o que me intrigou é que nesse último feriado de 7 de setembro eu passei quatro dias no alto de uma montanha localizada numa cidade habitada por 4.000 pessoas. Na descida da montanha, já no domingo à noite, me deparei com a igreja da cidade lotada de fiéis durante a missa das seis horas. Na praça em frente à igreja, inúmeras crianças (creio que todas da cidade) brincavam sozinhas no coreto (coreto!), enquanto alguns casais namoravam sentados nos bancos da praça (infiéis, pelo jeito). Ali parecia que o tempo tinha parado. Não havia um carro em movimento. Não havia uma pessoa apressada. Eu poderia jurar que estava em outra dimensão. O problema é que ao mesmo tempo em que eu estava maravilhada com a constatação de que o tempo existe, eu me perguntava como é que alguém poderia viver daquela maneira. Como as pessoas conseguiam, num domingo à noite, simplesmente sentar no banco da praça e ficar olhando para o "nada"? Aquele encantamento, no momento dessa pergunta, se transformou em tristeza, pois percebi que nós, da cidade grande, já nos acostumamos tanto com o fato de que o tempo deixou de existir que quando nos deparamos com ele ficamos assustados, por mais que passemos nossos dias atrás dele. Lu Gerbovic Esse áudio está licenciada sob uma Licença Creative Commons. . . . . . . .

Episode metadata supplied by the publisher feed · Published Sep 15, 2006

Eu gostaria de conseguir escrever neste espaço todos os dias. Mas o que ando fazendo com o tempo (ou o que o tempo anda fazendo comigo) que não consigo parar todos os dias por alguns minutos que seja? Eu pergunto mas eu mesma posso responder: são nove horas no mínimo dentro de um escritório, com direito a uma pausa de uma hora para almoço, mais três ou quatro horas em sala de aula ou em preparação para a aula, somadas a umas três horas diárias no trânsito (sim - três horas NO MÍNIMO), que já totalizam algo em torno de dezesseis horas. Nas oito horas que restam eu costumo gastar uma hora em banhos, café da manhã e lanche da noite, o que significa que tenho no máximo sete horas para dormir. No entanto, perco uma meia horinha por dia brincando com os cães e mais uma meia hora conversando com o marido. Nas outras seis horas eu tento dormir, mas como não consigo relaxar enquanto não leio uma página pelo menos acabo dormindo umas cinco horas e meia. Conclusão: eu trabalho demais, moro numa cidade com um trânsito infernal, leio muitíssimo pouco (ainda mais se considerarmos a pilha na cabeceira), não escrevo tanto quanto eu gostaria, vejo muito pouco meus amigos, não conheço a cidade como eu deveria e não assisto a todos os filmes que desejo. Mas o que me intrigou é que nesse último feriado de 7 de setembro eu passei quatro dias no alto de uma montanha localizada numa cidade habitada por 4.000 pessoas. Na descida da montanha, já no domingo à noite, me deparei com a igreja da cidade lotada de fiéis durante a missa das seis horas. Na praça em frente à igreja, inúmeras crianças (creio que todas da cidade) brincavam sozinhas no coreto (coreto!), enquanto alguns casais namoravam sentados nos bancos da praça (infiéis, pelo jeito). Ali parecia que o tempo tinha parado. Não havia um carro em movimento. Não havia uma pessoa apressada. Eu poderia jurar que estava em outra dimensão. O problema é que ao mesmo tempo em que eu estava maravilhada com a constatação de que o tempo existe, eu me perguntava como é que alguém poderia viver daquela maneira. Como as pessoas conseguiam, num domingo à noite, simplesmente sentar no banco da praça e ficar olhando para o "nada"? Aquele encantamento, no momento dessa pergunta, se transformou em tristeza, pois percebi que nós, da cidade grande, já nos acostumamos tanto com o fato de que o tempo deixou de existir que quando nos deparamos com ele ficamos assustados, por mais que passemos nossos dias atrás dele. Lu Gerbovic Esse áudio está licenciada sob uma Licença Creative Commons. . . . . . . (continued)

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Magnetis Cast Magnetis Investimentos A Magnetis é uma gestora de investimentos que tem a missão de ajudar as pessoas a investir no que importa. Acreditamos que não existe sucesso sem investimento! Aqui você encontrará podcasts relevantes sobre finanças, investimentos e mercado financeiro. Cztery pory roku Polskie Radio S.A. Codziennie w podcaście „Cztery Pory Roku” opowiadamy o ważnych sprawach. Prowadzący i reporterzy są tam, gdzie dzieją się interesujące rzeczy. Przenosimy do podcastu tradycję audycji i nowe spojrzenie na świat, to właśnie są cztery pory roku. Alô, Ciência? Alô, Ciência? “Alô, Ciência?” é um projeto voltado para a divulgação científica. Aqui buscamos discutir temas que sejam transversais ao mundo científico levando sempre em conta sua influência e importância em nossa sociedade. Empowered by Darkness Andrea Medina Hi, I’m Andrea Medina. Though I’m in my early 20s, the history of relational trauma in my family lineage coupled with my own father’s abuse and abandonment, has instilled in me a self-awareness and sensitivity to emotions from a young age. I was born in México and raised in Compton, a community where I didn’t have many mentors or influences that pointed me in the direction of emotional healing work. Still, I went on to publish The Energized Self: A Journey to Interconnected Healing, a book that is half memoir and half conversations with trauma survivors at the age of 22. This same year I began my public speaking journey and my master’s program to become a Marriage and Family Therapist.As I find myself rising to fulfill my soul’s calling today, I am still in the same location where conversations like the ones had in this podcast aren’t common. I’m also faced with a myriad of economic and social challenges that I know listeners will relate to. My goal is that

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This episode was published on September 15, 2006.

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