EPISODE · Feb 11, 2022 · 1H 7M
O Valor do Seu Trabalho
from Job pra Ontem · host MORE GRLS
Em 2017, Emma Stone brilhava em La La Land, filme que, lhe rendeu o Oscar de melhor atriz. Mesmo assim, seu cachê foi 10% menor do que seu colega de elenco, Ryan Gosling. Em um outro episódio recente, a atriz Scarlett Johansson entrou com um processo contra Disney por ter diminuído sua participação nos lucros do filme Viúva Negra. A Disney chamou a atriz de insensível e egoísta, mesmo com o filme batendo recordes de faturamento. Mas o pensamento de que a mulher deve ganhar menos é universal e antigo. E no Brasil o gap salarial é ainda maior. Desde que entraram no mercado de trabalho, as mulheres, em sua condição quebrada, vivem diante de escolhas trágicas entre: serem mães ou serem homens. Escolhas trágicas porque são os únicos caminhos que elas têm que decidir, mesmo não se encaixando em nenhum deles. É como se você fosse em uma feira e tivesse só limões para comprar. Pode ser limão taiti, limão sisciliano, alguns podres, mas só limões. Sendo que você queria mesmo é levar algumas bananas. Com tão poucas escolhas, a mulher acaba se sentindo quebrada, fragmentada. Esse conceito foi criado pela ensaísta norte-americana Laura Kipnis que diz: "Se você é uma mulher moderna, infelizmente existe algo quebrado em você". Para a mulher moderna, tem sempre algo faltando e que não está correto. E isso começou lá atrás, quando ela saiu do ambiente privado. Com os movimentos feministas dos anos 60, as mulheres foram para o mercado de trabalho, antes dominado por homens. Mas não aconteceu o contrário - os homens não assumiram nem uma parcela do espaço privado. Elas acabaram acumulando funções. Vale lembrar que as mulheres que foram para o mercado de trabalho nos anos 60, foram, na maioria, brancas de classe média. As mulheres negras sempre trabalharam. Mas passaram da condição escravizadas, para trabalhos remunerados, subalternos. Então, ao falarmos de mulheres, devemos acrescentar uma camada extra e bem grossa de fragmentação para as mulheres negras. Essas dinâmicas de trabalho reprodutivo e produtivo nos colocam num lugar invisível e geram sofrimento. Normalmente, a responsabilidade da mudança é dada às mulheres. E é uma característica das mulheres que, ao entenderem o problema, tentam fazer de tudo para resolvê-lo. Mas exigir que a mudança parta delas é mais uma vez pedir que coloque ordem na casa. Quem precisa resolver é quem criou o problema e ainda domina o trabalho produtivo. Ou seja, os líderes, que ainda são, na extensa maioria, homens. E agora? Como fazemos para que as mulheres sejam remuneradas de forma justa, não por como são vistas pela sociedade, mas pelo valor real do seu trabalho? Este é um job pra ontem! Áudios: Casa do Saber - Belinda Mandelbaum - https://www.youtube.com/watch?v=KMrBaj33kz4&t=154s Filme - La La Land - https://www.youtube.com/watch?v=b65C_muXajk Filme - Histórias de um casamento - https://www.youtube.com/watch?v=FDFdroN7d0w&t=156s Jornal de Minas -https://www.youtube.com/watch?v=TrgRQtZZSjA Canal GNT - Tulio Custódio - https://www.youtube.com/watch?v=e3oDX-QVQm4&t=1787s Música - Ai que saudade da Amélia - Ataulfo Alves - https://www.youtube.com/watch?v=xVrATS39E9M&t=6 Canal ULC - ULC Students - https://www.youtube.com/watch?v=4ZeowophZe8&t=50s TV Boitempo - Maria Lygia Quartim de Moraes - https://www.youtube.com/watch?v=aT14cSBKd7Q
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