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EPISODE · Dec 19, 2018 · 59 MIN

Os Fenícios

from Estado da Arte

É a mais trágica ironia da literatura histórica que dos aclamados inventores do alfabeto não tenhamos mais que uns traços e sequer seu nome. Tal qual a denominação grega “fenícios” ou a hebreia “cananeus”, sugerindo a púrpura dos seus mantos imperiais vendidos a bom preço, o que sabemos deles vem de outros, sejam seus dominadores egípcios, assírios, babilônios, persas, macedônios, selêucidas e romanos, sejam seus clientes egípcios, assírios etc. até os romanos, além de amoritas, celtas, ibéricos, berberes, desde a Era do Bronze ao nascimento de Cristo, como se, cravada numa cruz traçada no Levante entre a Ásia a Europa e a África, a Fenícia fosse uma Fênix às avessas, sempre viva em meio a povos morrendo e renascendo das areias da Mesopotâmia às águas da Bretanha. Nascidos de nômades sírio-palestinos, ergueram na terra libanesa metrópoles sobre promontórios rochosos de onde se lançaram ao mar com sede de ouro, os primeiros a poder conclamar o Mediterrâneo “mare nostrum”. Sua língua ressuscitou nas letras gregas, aramaicas, latinas, não como uma lingua franca hegemônica imposta por um império, mas como as línguas francas, maleáveis e polivalentes de marinheiros, mercadores, colonos. Extraída de seus cedros legendários, sua cultura comercial logrou um comércio cultural dos mais lucrativos da História. E foram generosos: além do alfabeto ao mundo, deram a Israel (pagando com sangue) sua Terra Prometida e o maior rival de seu Deus: EL, o Senhor de Canaã, cognato do árabe Alláh, o “benevolente e misericordioso”, das divindades aramaicas e acádias, os elim e ilú, e dos lohim que vivem em El’ohim ou El’Shaddai o todo poderoso Deus sem nome hebraico. Foram os ídolos abominados pelos profetas: os Ba’als, as Astartes e Molochs devoradores de bebês em sacrifícios que chocaram israelitas, gregos e romanos – ainda que os últimos tivessem por lei executar bebês deformados, e os primeiros se não imolaram seus filhos foram tentados, a ponto de Moisés, segundo a Torah, criminalizar a prática invocando a ira de YAHWEH (o qual aliás impediu o sacrifício do Pai de Israel, Isaac, por seu pai Abraão sob as ordens dele, o Deus de Israel, que segundo os cristãos sacrificou seu Filho pelas mãos dos israelitas sob o império de Roma). Como a Ele deram a ela, Roma, seu arqui-inimigo, Aníbal descendo os Alpes com tropas de elefantes, e seu triunfo épico nas guerras púnicas, mas também sua história de amor mais trágica e bela, entre a rainha Dido de Cartago e o Pai da Nação, Eneias de Troia, bem como a mais trágica e torpe de Israel, entre um monarca judeu e uma canaanita, esposa de um general executado para ocultar o filho bastardo, por sua vez sacrificado por YAHWEH para retaliar o adultério. Mas como duas Fênix, o Rei Davi e Betsabá, Rainha Mãe de Israel, renasceram do pó com a maior das graças, um coração arrependido, e um filho, Salomão, raiz da linhagem real do carpinteiro José, pai do bastardo Jesus, e da linhagem bastarda de Maria, Rainha dos Céus e mãe do Deus cujo sangue versado na cruz e na eucaristia é tingido do púrpura imperial fenício. Convidados Adriana Ramazzina, coordenadora da pós-graduação em Arqueologia e História antiga da Universidade Santo Amaro. Cristina Kormikiari, professora de Arqueologia clássica da Universidade de São Paulo. Rodrigo Araújo de Lima, doutorando do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. O post Os Fenícios apareceu primeiro em Estado da Arte.

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Das denkt Deutschland – Über Meinung und Medien WELT Wie unterscheidet sich die Generation Z tatsächlich vom Rest der Bevölkerung? Wendet sich die Politik von den Menschen ab, oder die Menschen sich von der Politik? Und tickt die Bevölkerung in Ost- und Westdeutschland immer noch unterschiedlich?In "Das denkt Deutschland" sprechen Thorsten Thierhoff, Geschäftsführer des Meinungsforschungsinstitutes forsa, und WELT-Chefredakteur Ulf Poschardt jede Woche über das Auseinanderdriften von öffentlicher und veröffentlichter Meinung. Anhand von konkreten Themen und auf Basis von empirischen Befragungsdaten widmen sie sich in jeder Folge den aktuellen Debatten."Das denkt Deutschland - Über Meinung und Medien" erscheint jeden Mittwoch um 16 Uhr – überall da, wo es Podcast gibt und auf welt.de/dasdenktdeutschland. Ein Podcast von forsa und WELT. Alben für die Ewigkeit audiowest, Freddy Kappen, Stephan Kleiber, Dieter Kottnik Es gibt Alben, die sind etwas Besonderes. Da ist nicht einfach nur Musik drauf – sondern Musik, die bleiben wird. Vielleicht für immer. Es sind Alben, die die Geschichte der Rock- und Popmusik um entscheidende Entwicklungen bereichert haben. Die nicht nur Erfolg, sondern auch Wirkung haben. Und hier stellen wir sie vor.Bei uns könnt Ihr zeitlose Klassiker der Musikgeschichte kennenlernen. Oder sie noch einmal neu erleben und sozusagen ein zweites Mal kennenlernen. Ihr erfahrt die Geschichten, die hinter diesen Alben stecken: Wann und wo sind sie entstanden? Was lässt sie hervortreten aus der Menge? Warum sind sie so, wie sie sind? Und was ist das Besondere an ihnen? Und: Natürlich spielen wir auch Musik. Jede Menge sogar — denn darum geht‘s ja bei uns. Efecto Doppler RTVE Ciencia, arte, música, activismo, fotografía, ensayo y cultura pop. Desciframos la realidad y un mundo en cambio constante desde otras perspectivas. Be-Tales, un grande racconto sui Beatles Radio Beckwith Una canzone dei Beatles al giorno. Storie e approfondimenti sull'intramontabile parabola dei Fab Four. Scritto e condotto da Gigi Giancursi.

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This episode was published on December 19, 2018.

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É a mais trágica ironia da literatura histórica que dos aclamados inventores do alfabeto não tenhamos mais que uns traços e sequer seu nome. Tal qual a denominação grega “fenícios” ou a hebreia “cananeus”, sugerindo a púrpura dos...

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