EPISODE · Jun 4, 2025 · 59 MIN
Os Vikings
from Estado da Arte
Ouça o podcast: Spotify | Deezer | Apple Podcasts No ano de 793 depois de Cristo, os céus do litoral norte da Inglaterra se encheram de relâmpagos, tornados e dragões, então se seguiu uma grande fome, e finalmente “horrendas incursões de pagãos destruíram a igreja de Deus na ilha de Lindisfarne com roubos e massacres ferozes”. Foi assim, ao menos segundo as crônicas anglo-saxãs, que os vikings inauguraram três séculos de invasões, conquistas e colonizações. Até hoje os vemos como guerreiros super-masculinos navegando em navios em forma de dragão com capacetes com chifres, peles de animais e machados reluzentes em busca de saques, assaltos, pilhagens, estupros, sequestros, chacinas, escravizações. Assim como nossa sociedade mantém uma relação ambígua com a violência, somos a um tempo atraídos e repelidos pelos vikings. Simpatizamos com suas vítimas, mas admiramos sua força, coragem e virilidade, e, de um modo geral, prevalece a imagem positiva da jovialidade, ousadia, aventura e exploração. Com efeito, os vikings batalharam da Inglaterra e França até Portugal e Espanha; navegaram por rios do Báltico ao Mar Negro; comercializaram em Constantinopla e Bagdá, conectando-se com a China e a Índia através da Rota da Seda; colonizaram a Islândia; e exploraram a América 500 anos antes de Colombo. Eles aterrorizaram os povos medievais, mas também catalizaram grandes transformações culturais, religiosas e políticas. A destruição criativa detonada na Escandinávia teve um caráter caleidoscópico. Considere Cnut, o Grande, que foi rei da Dinamarca, Noruega, Inglaterra e parte da Suécia. Ou Harald Hardrada (literalmente, “o Durão”), filho do rei da Noruega; meio-irmão de Olaf, o Santo; genro de Yaroslav, o Sábio, da Rússia; cunhado dos reis da Hungria e da França; exilado, pirata, poeta, mercenário, general do Império Bizantino, que lutou no mediterrâneo, reconquistou seu trono e quase subjugou a Inglaterra. Aos poucos, os chefes tribais escandinavos foram se tornaram súditos de reis e fiéis da Igreja universal. Quando os conquistadores foram conquistados pela fé de monges e freiras, a era viking acabou e nasceram os reinos da Dinamarca, Suécia e Noruega. Mas seus descendentes na Normandia conquistaram a Inglaterra e a Sicília; e suas dinastias em Kiev inauguraram aquela que se tornaria a maior nação do planeta: a Rússia. E a mistura de masculinidade, aventura e coragem em suas sagas e mitos continuam a energizar nosso imaginário, das óperas de Wagner aos romances de Tolkien, de filmes a séries e videogames. Como os vikings se tornaram o primeiro povo pré-moderno a matar e morrer nos quatro continentes? O que a sua jovialidade expansiva tem a ver com a introversão torturante de um Hamlet ou um Kierkegaard? E como os descendentes desses bárbaros ferozes construíram nações que hoje são modelos exemplares de regimes social-democratas igualitários, civilizados e pacíficos? Convidados Hélio Pires: pesquisador do Instituto de Estudos Medievais da Universidade Nova de Lisboa e autor de No Tempo dos Vikings. Lukas Grzybowski: professor de História Medieval da Universidade Estadual de Londrina e autor de The Christianization of Scandinavia in the Viking Era. Santiago Barreiro: professor de História Medieval da Universidade de Buenos Aires e tradutor das sagas nórdicas. Referências “Vikings” em História da Civilização. Vol. IV. A Idade da Fé (The Story of Civilization), de Will Durant. Vikings: A história definitiva dos povos do norte (Children of Ash and Elm: a history of the Vikings, de Neil Price. Mitos do norte pagão: Os deuses dos nórdicos, de Christopher Abram. Os Mitos Nórdicos: Um guia para os deuses e heróis, de Carolyne Larrington. O livro da mitologia nórdica, de John Lindow. The Cambridge History of Scandinavia. Vol. 1. From Prehistory to 1520, ed. por Knut Helle. “Vikings” em Medieval Europe. A Short History, de J.M. Bennett e W.C. Hollister. The Vikings, de Else Roesdahl. The Viking World, org. por S. Brink e N. Price. The Vikings. A Very Short History, de Julian D. Richards. The Age of Vikings, de Anders Winroth. The Norsemen in the Viking Age, de Eric Christiansen. The Vikings in History de F. Donald Logan. The Cambridge Introduction to the Old Norse-Icelandic Saga, de M. Clunies-Ross. Eso no estaba en mi libro de Historia de los vikingos, de Losquino Garcia. The Hammer and the Cross, de Robert Ferguson. A History of the Vikings, de Gwyn Jones. Ancient Scandinavia. An Archeological History from First Humans to the Vikings, de Douglas T. Price. The Routledge Research Companion to the Medieval Icelandic Sagas, ed. por A. Jakobsson e S. Jakobsson. A Companion to Old Norse-Icelandic Literature and Culture, ed. por Rory McTurk The Rise of the Scandinavian Kingdoms from the Vikings to the Reformation, de Sverre Bagge. Scandinavia in the Age of Vikings, de Jón Viðar Sigurðsson e Thea Kveiland. Scandinavia in the Middle Ages 900-1550: Between Two Oceans, de Kirsi Salonen e Kurt Villads Jensen. A History of the Vikings, de T.D. Kendrick. Nordens historia: en europeisk region under 1200 år. de Harald Gustafsson. Ilustração: Drakkars vikings criados por Inteligência Artificial. O post Os Vikings apareceu primeiro em Estado da Arte.
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