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Devocional Diário CHARLES SPURGEON

C. H. Spurgeon nos leva a refletir sobre as maravilhas do amor de Deus. Destacando versículos bíblicos para cada dia do ano, Spurgeon os comenta de modo piedoso, submisso e encorajador, oferecendo-nos a nutrição que a nossa alma necessita.

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    3 de setembro | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    3 de Setembro. Ó amado de minha alma. (Cântico dos Cânticos 1.7)É maravilhoso podermos dizer, sem qualquer "se" ou "mas", a respeito do Senhor Jesus: "Ó amado de minha alma". Muitos podem dizer apenas que esperam estar amando o Senhor Jesus; eles acham que O amam. Todavia, somente uma experiência superficial e insignificante se contentaria em permanecer neste ponto. Não podemos nos contentar com uma esperança superficial de que Jesus nos ama e com uma confiança infrutífera de que nós O amamos. Os santos do passado geralmente falavam sem "mas", "se", "espero que"; falavam com determinação e clareza. Paulo disse: "Sei em quem tenho crido" (2 Timóteo 1.12). "Sei que o meu Redentor vive" – foram palavras de Jó (19.25). Obtenha um conhecimento positivo do seu amor por Jesus, e não fique satisfeito até que possa falar de seu interesse nEle como uma realidade, a qual você tornou incontestável por ter recebido o testemunho do Espírito Santo e o selo dele em sua alma, por meio da fé. Em todos os casos, o verdadeiro amor por Jesus é uma obra do Espírito Santo, e deve ser colocado no coração por Ele. Ele é o Administrador do amor, mas a razão lógica de nosso amor por Jesus reside nEle mesmo.Por que amamos a Jesus? Porque Ele nos amou primeiro (ver 1 João 4.19) e se entregou por nós (ver Tito 2.14). Temos vida por meio da morte de Jesus e paz, por intermédio do sangue dele. Embora fosse rico, Ele se tornou pobre por nos amar (ver 2 Coríntios 8.9). Por que amamos a Jesus? Por causa da excelência do seu ser. Somos tomados por um senso da beleza de Jesus, uma admiração de seus encantos, e uma consciência de sua infinita perfeição! A grandeza, a bondade e a amabilidade de Jesus se combinam para cativar a alma, num resplandecente fulgor até que ela se encontre de tal modo dominada pelo amor, que venha a exclamar: "Sim, ele é totalmente desejável" (Cântico dos Cânticos 5.16). Este é um amor bendito -um amor que prende o coração com laços mais macios do que seda e mais firmes do que a rocha!

  2. 365

    2 de setembro | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    2 de Setembro. A sogra de Simão achava-se acamada, com febre; e logo lhe falaram a respeito dela. (Marcos 1.30)Esta breve consideração na casa do apóstolo e pescador é muito interessante. A princípio, observamos que as alegrias familiares e os cuidados da família não constituíam um impedimento ao pleno ministério de nosso Senhor. De fato, desde que elas forneciam uma oportunidade de testemunho pessoal da graciosa obra do Senhor para a própria carne e sangue de alguém, podiam até instruir o professor melhor do que qualquer disciplina terrena. Alguns podem se manifestar contra o casamento, mas o verdadeiro cristianismo e a vida familiar se harmonizam bem juntos. Provavelmente a casa de Pedro era uma habitação simples de pescador, mas o Senhor da glória entrou nela, se hospedou e realizou um milagre ali. Se este pequeno livro estiver sendo lido em alguma casa humilde, este fato deve encorajar os que nela habitam a buscar a companhia do Rei Jesus. Deus habita mais em casas humildes do que em mansões de ricos. Jesus está olhando para você agora, desejando mostrar-se gracioso. A enfermidade havia entrado na casa de Simão, e a febre em uma intensidade mortal tinha prostrado a sogra dele. Logo que Jesus entrou naquela casa, falaram-Lhe a respeito daquela triste aflição. Ele se apressou a chegar ao leito da paciente. Você tem alguma doença em sua casa? Descobrirá que Jesus é o melhor de todos os médicos. Busque-O imediatamente, contando-Lhe tudo a respeito da enfermidade. Se é algo que diz respeito a algum dos filhos de Deus, então, é importante para o Senhor Jesus. Observe que Ele curou logo a senhora enferma. Ninguém pode curar como Jesus. Podemos não estar certos de que o Senhor removerá todas as doenças daqueles que amamos, pois sabemos que a oração da fé, mais do que por qualquer outra coisa neste mundo, será acompanhada por restauração. Nos casos em que isto não aconteça, temos de nos sujeitar à vontade dAquele por meio de Quem a vida e a morte são determinadas. O amável coração de Jesus quer ouvir nossas tristezas. Derrame-as em seu ouvido paciente.

  3. 364

    1 de setembro | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    1 de Setembro. Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória. (Salmos 73.24)O salmista sentiu necessidade de orientação da parte de Deus. Ele acabara de descobrir a tolice de seu coração e, a fim de não ser por ele constantemente desviado, o salmista resolveu que dali em diante o conselho de Deus o guiaria. Um senso de nossa própria tolice é um grande passo em direção a nos tornarmos sábios, visto que nos leva a confiar na sabedoria do próprio Senhor. O cego se apoia nos braços de seu amigo e chega em casa com segurança. De modo semelhante, devemos nos entregar implicitamente à orientação divina, sem duvidarmos de coisa alguma e certos de que, embora não O vejamos, sempre é seguro confiar no Deus que vê tudo.Tu me guias é uma bendita expressão de confiança. O salmista estava certo de que o Senhor não cessaria esta obra de condescendência. Esta é uma palavra para você, crente; descanse nela. Tenha certeza de que o seu Deus será o seu conselheiro e amigo. Ele o guiará e dirigirá todos os seus caminhos. Na palavra escrita de Deus, você encontra esta certeza em parte cumprida, pois a Bíblia é o conselho dele para você. Somos felizes por termos a Palavra de Deus sempre a nos guiar! O que seria do marinheiro sem sua bússola? O que seria do crente sem a Bíblia? Ela é o mapa seguro que o livra das areias movediças de destruição e o conduz ao céu de salvação -o mapa desenhado e marcado por Aquele que conhece todo o caminho. Ó Deus bendito, que confiemos em Ti para nos guiar até o fim!Contemplando esta orientação por toda a vida, o salmista antecipa uma recepção divina no final -"Depois me recebes na glória". Que pensamento maravilhoso para você, crente! Deus mesmo o receberá na glória -sim, você! Crente perambulante, instável e sem orientação, Deus o levará, seguro, à glória, no final! Esta é a sua porção, viva este dia nesta porção, e se complicações lhe cercarem, prossiga, na força deste texto, direto para o trono.

  4. 363

    31 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    31 de Agosto. No meu braço esperam. (Isaías 51.5)Em tempos de aflições severas, o crente não tem nada neste mundo em que possa confiar; por isso, ele é impulsionado a refugiar-se exclusivamente em seu Deus. Quando seu navio está afundando e nenhum livramento humano pode ajudar, o crente tem de se entregar de modo singelo e completo à providência e ao cuidado de Deus. Feliz tempestade a que faz um homem naufragar numa rocha como estai Ó, abençoado furacão que conduz a alma a Deus somente! Às vezes não há comunicação com nosso Deus, por causa da multidão de nossos amigos. Mas quando um crente se encontra tão incapacitado, sem amigos e sem auxílio, que não tem onde encontrar socorro, ele corre aos braços de seu Pai, sendo ali envolvido com alegria e felicidade. Quando está carregado de problemas tão urgentes e tão singulares que ele não pode contar a mais ninguém, exceto a Deus, deve ser grato por eles. Nesse tempo o crente aprenderá mais de seu Pai do que em qualquer outra época.Ó crente fustigado por tempestades, uma aflição bendita está impulsionando-o aos braços de seu Pai! Agora, ao poder confiar somente em seu Deus, ponha nEle toda a sua fé. Não desonre o seu Mestre e Senhor, por dúvidas e temores indignos; pelo contrário, seja firme na fé, dando glória a Deus. Mostre aos ricos quão rico você é em sua pobreza, quando o Senhor Deus é Aquele que o ajuda. Mostre aos fortes quão forte você é em sua fraqueza, quando os braços eternos são o seu amparo (ver Deuteronômio 33.27). Agora é o tempo das proezas da fé. Você deve ser forte e bastante corajoso. Assim como temos certeza de que Deus criou os céus e a terra, assim também podemos estar certos de que Ele glorificará a Si mesmo na fraqueza do crente e magnificará o seu poder em meio à aflição deste. A majestade da abóbada celeste seria arruinada, se o céu fosse amparado por uma simples coluna visível, e a fé do salvo perderia a sua glória se descansasse em qualquer coisa perceptível aos olhos carnais. Que o Espírito Santo lhe dê descanso em Jesus neste último dia do mês.

  5. 362

    30 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    30 de Agosto. Espera pelo SENHOR. (Salmos 27.14)Parece ser fácil esperar, mas às vezes, muitos anos têm de se passar, antes de aprendermos a esperar. É mais fácil avançarmos gradual e constantemente do que permanecermos quietos. Existem horas de perplexidade, em que o espírito mais disposto, que deseja com ansiedade servir ao Senhor, não sabe que direção tomar. Então, o que fazer? Se atormentará pelo desespero? Retornará por covardia, correrá para a direita, em temor, ou avançará apressadamente, em presunção? Não, deve simplesmente esperar.Espere em oração. Invoque a Deus, apresentando o seu caso diante dele. Conte-Lhe sua dificuldade e clame pelo cumprimento da promessa de ajuda. Estando em dilema entre um dever e outro, é mais agradável ser humilde como uma criança, esperando no Senhor com simplicidade de alma. Com certeza, as coisas sucedem bem para nós quando sentimos e conhecemos nossa própria loucura e quando estamos sinceramente dispostos a ser guiados pela vontade de Deus. Espere em fé. Expresse ao Senhor a sua inabalável confiança nEle. Esperar sem fé e confiança é um insulto ao Senhor. Creia que, mesmo se Ele lhe mantiver esperando por longo tempo, virá no tempo certo. A visão se cumprirá e não tardará. Espere em calma paciente, não se rebelando por estar passando por aflição; antes, bendizendo a Deus pela aflição. Jamais murmure como o fizeram os filhos de Israel contra Moisés. Nunca deseje voltar ao mundo, mas aceite a situação como ela é, colocando-a, de todo o seu coração, sem qualquer vontade pessoal, nas mãos de seu Deus da aliança, confessando-Lhe: "Senhor, faça-se a tua vontade e não a minha. Eu não sei o que fazer. Cheguei ao extremo. Mas, esperarei até que Tu dividas o mar ou faças retroceder os meus inimigos. Aguardarei mesmo que me mantenhas esperando por muitos dias, porque o meu coração está firmado tão-somente em Ti, Ó Deus. Meu espírito espera em Ti, na plena convicção de que serás minha alegria e salvação, meu refúgio e torre forte".

  6. 361

    29 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    29 de Agosto. Compadece-te de mim, ó Deus. (Salmos 51.1)Quando William Carey estava sofrendo de uma doença grave, perguntaram-lhe: "Se esta doença for mortal, que passagem da Bíblia o senhor deseja escolher como texto do sermão de seu culto fúnebre?" Ele respondeu: "Sinto que uma criatura tão insignificante e miserável como eu não é digna de ter algo declarado a seu respeito. Mas, se um sermão fúnebre tem de ser pregado, que seja a respeito das palavras: 'Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões"' (Salmos 51.1). Neste mesmo espírito de humildade, William Carey ordenou, em seu testamento, que a seguinte inscrição, e nada mais, fosse gravada na lápide de seu túmulo:WILLIAM CAREY nascido em 17 de agosto de 1761 - falecido em... Um verme, indigno, desamparado e pecador, Em teus braços amáveis, eu me atiro.Somente no fundamento da graça, o mais experiente e o mais honrado dos santos pode se aproximar de seu Deus. Os mais excelentes dentre os homens estão cônscios de que, em seu melhor, são apenas homens. Barcos vazios flutuam rápidos, mas navios carregados são lentos na água; meros professos de fé podem se vangloriar, mas os verdadeiros filhos de Deus clamam por misericórdia, reconhecendo sua indignidade. Precisamos da compaixão do Senhor para as nossas boas obras, orações, pregação, contribuição e coisas mais puras. O sangue não foi aspergido apenas nas ombreiras das casas dos israelitas, mas também no santuário, no propiciatório e no altar. Visto que o pecado se introduz em todas as nossas coisas mais santas, o sangue de Cristo precisa ser aspergido sobre elas, a fim de purificá-las da corrupção. Se é necessário que a misericórdia seja exercida em nossas obras, o que dizer de nossos pecados? Como é doce lembrar que a misericórdia inesgotável espera, a fim de ser graciosa para nós, a fim de restaurar nossas apostasias e fazer se alegrarem nossos ossos quebrados!

  7. 360

    28 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    28 de Agosto. Azeite para a luz. (Êxodo 25.6)“O minha alma, quanto precisas deste azeite! A tua lâmpada não brilhará continuamente sem ele. Se a luz se apagar e o azeite tiver acabado, o pavio queimado fumegará e isto será uma transgressão. Você não possui nenhuma fonte de óleo brotando em sua natureza humana. Portanto, tem de ir aos que vendem e, então, comprar, ou, como as virgens néscias, você terá de clamar: "Nossas lâmpadas estão-se apagando" (Mateus 25.8). Nem mesmo as lâmpadas consagradas podem dar luz sem azeite. Apesar de brilharem no tabernáculo, elas precisavam ser abastecidas. Embora não lhes sobreviessem ventos fortes, elas tinham de ser colocadas em ordem, e a sua necessidade é igualmente grande. Até nas melhores circunstâncias, você não pode dar luz, por mais uma hora, se não lhe for dado o azeite fresco da graça.Nem todo óleo pode ser usado no serviço do Senhor. Nem o petróleo, que flui tão abundantemente do solo, nem o óleo de peixes, nem o óleo extraído de nozes seriam aceitos. Apenas o excelente azeite de oliveira foi escolhido. A graça fingida da bondade natural ou a graça imaginária das mãos de sacerdotes ou das cerimônias religiosas nunca serão proveitosas ao verdadeiro santo de Deus. Ele sabe que o Senhor não se agradaria de rios de tais azeites. O verdadeiro filho de Deus corre até ao Getsêmani, a prensa de azeite, e recebe o seu suprimento dAquele que ali foi oprimido. O azeite da graça do evangelho é puro. Por conseguinte, a luz que esse óleo alimenta é clara e resplandecente. Nossas igrejas são o candelabro de ouro do Senhor Jesus. Se elas têm de ser luz neste mundo de trevas, precisam ter abundância deste azeite santo.Oremos por nós mesmos, pelos ministros do evangelho e por nossas igrejas, a fim de que nunca falte azeite para a sua luz. Verdade, santidade, alegria, conhecimento e amor são todos raios desta luz sagrada. Mas não podemos refleti-los em público, se não recebermos pessoalmente o azeite de Deus, o Espírito Santo.

  8. 359

    27 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    27 de Agosto. Até quando não crerá em mim? (Números 14.11)Empenhe-se, com todo o cuidado, para manter-se longe do monstro da incredulidade. Ela desonra a Cristo. Se O insultarmos, tolerando a incredulidade, Ele afastará sua presença visível. É verdade que a incredulidade é uma erva daninha cujas sementes nunca podemos tirar inteiramente do solo, mas devemos tirar a raiz com zelo e perseverança. Entre as coisas detestáveis, a incredulidade é a que mais devemos odiar. A sua natureza injuriosa é extremamente maligna: aqueles em quem ela se manifesta e os que a praticam são todos prejudicados por ela. Em seu caso, ó crente, a incredulidade é a coisa mais ímpia, visto que as misericórdias de seu Senhor, no passado, aumentam a sua culpa ao duvidar dele no presente. Quando você desconfia do Senhor Jesus, Ele pode clamar: "Eis que farei oscilar a terra debaixo de vós, como oscila um carro carregado de feixes" (Amós 2.13). Duvidar do Senhor Jesus é o mesmo que colocar em sua cabeça uma coroa de espinhos muitíssimo agudos. É bastante cruel da parte de uma esposa desconfiar de seu esposo fiel e amável.O pecado de incredulidade é desnecessário, tolo e sem justificativa. O Senhor Jesus nunca nos deu o menor motivo para suspeitas e sente-se triste quando duvidam dele aqueles aos quais demonstra afeição e veracidade. Jesus é o Filho do Altíssimo e tem riquezas ilimitadas. É vergonhoso duvidar do Onipotente e desconfiar do Todo-Suficiente.Os celeiros do céu não se esgotarão pelo saciar de nossa fome. Se Cristo fosse apenas um depósito de água, logo acabaríamos com a plenitude dele. Mas quem pode secar uma fonte? Ele tem suprido as necessidades de miríades de espíritos; e nenhum deles tem se queixado de escassez de recursos nEle. Lance fora esse traidor chamado incredulidade, pois seu único alvo é destruir os laços de comunhão e fazer-nos lamentar um Salvador ausente. Morte ao traidor chamado incredulidade! Meu coração o abomina!

  9. 358

    26 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    26 de Agosto. Estabeleceu para sempre a sua aliança. (Salmos 111.9)O povo do Senhor se deleita na aliança. A aliança é uma fonte inesgotável de consolação para eles, enquanto o Espírito Santo os leva à sala do banquete e tremula a sua bandeira sobre eles. O povo do Senhor se deleita em contemplar a antiguidade da aliança, lembrando que, antes de o sol conhecer seu lugar ou os planetas percorrerem suas órbitas, os interesses dos santos foram assegurados em Cristo Jesus. Eles têm prazer singular em lembrar a segurança da aliança enquanto meditam nas "fiéis misericórdias prometidas a Davi" (Isaías 55.3). Deleitam-se em celebrá-la como assinada, selada e ratificada em todas as coisas. A aliança sempre faz com que o coração do povo de Deus se dilate em regozijo, ao pensarem sobre a imutabilidade dela - uma aliança que nem o tempo, nem a eternidade, nem a vida, nem a morte jamais serão capazes de anular; uma aliança tão antiga quanto a eternidade e tão firme como a Rocha dos Séculos.O povo de Deus se regozija em festejar a plenitude da aliança, pois têm nela a provisão de todas as coisas. Deus é o quinhão deles; Cristo é o companheiro deles; o Espírito Santo é o consolador deles; a terra é a hospedaria deles; e o céu, o lar deles. O povo de Deus vê na aliança uma herança reservada para toda alma que possui a salvação. Seus olhos reluziram quando viram-na na Bíblia como uma mina de ouro; mas, oh, como a alma deles se alegrou quando perceberam que, no testamento de seu divino Parente, a aliança lhes foi deixada como herança! E, de modo especial, o povo de Deus encontra prazer em contemplar a graciosidade da aliança. Eles percebem que a lei se tornou nula porque era uma aliança de obras, dependente de méritos. Mas entendem que esta aliança é permanente, devido ao fato que o seu fundamento é a graça; graça, a condição; graça, a força; graça, o baluarte; graça, o alicerce; graça, a pedra angular. A aliança é um tesouro de riquezas, um armazém de alimentos, uma fonte de vida, um depósito de salvação, um título de paz e um abrigo de regozijo.

  10. 357

    25 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    25 de Agosto. O seu fruto é doce ao meu paladar. (Cântico dos Cânticos 2.3)Nas Escrituras, a fé é referida como uma virtude que envolve todos os sensos. É visão: "Olhai para mim e sede salvos" (Isaías 45.22). É ouvir: "Ouvi, e a vossa alma viverá" (Isaías 55.3). É olfato: "Todas as tuas vestes recendem a mirra, aloés e cássia" (Salmos 45.8); "Suave é o aroma dos teus unguentos, como unguento derramado é o teu nome" (Cântico dos Cânticos 1.3). É um toque espiritual. Por esta fé a mulher veio por trás e tocou a orla da veste de Cristo, e por esta fé apalpamos a boa palavra da vida. A fé, igualmente, é o paladar do espírito: "Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca" (Salmos 119.103). Jesus disse: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos" (João 6.53). Este saborear é a fé em uma de suas mais sublimes operações. Ouvir é uma das primeiras realizações da fé. Ouvimos a voz de Deus não somente com o ouvido físico, mas também com o ouvido espiritual. Nós a ouvimos como a Palavra de Deus, crendo que ela é realmente a Palavra de Deus. Este é o ouvir da fé. Em seguida, nossa mente considera a verdade que nos foi apresentada; isto significa que entendemos a verdade ouvida, percebemos o seu significado. Isto é o ver da fé. Depois, descobrimos a preciosidade dela; nós a admiramos e percebemos quão agradável é a sua fragrância. Isto é o cheirar da fé. Então, nos apropriamos das misericórdias preparadas para nós em Cristo. Isto é a fé em seu tocar. Em consequência, seguem as alegrias – paz, deleite e comunhão – é a fé em seu paladar. Qualquer um destes atos de fé é salvador. Escutar, na alma, a voz de Cristo como a própria voz de Deus nos salvará. O que nos proporciona verdadeira alegria é o aspecto da fé segundo o qual Cristo é recebido por nós e tornado o alimento de nossa alma, por entendimento interno e espiritual de sua doçura e preciosidade. Quando estamos no exercício deste aspecto da fé, assentamo-nos com grande deleite à sombra de Cristo e descobrimos que o seu fruto é doce ao nosso paladar.

  11. 356

    24 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    24 de Agosto. Subirá diante deles o que abre caminho. (Miquéias 2.13)Visto que o Senhor Jesus foi adiante de nós, as coisas são muito diferentes do que seriam se Ele nunca o houvesse feito. Ele venceu todo inimigo que obstruía o caminho. Anime-se agora, tímido guerreiro. Cristo não somente andou pelo caminho, mas também aniquilou os seus inimigos. Você teme o pecado? Cristo o pregou em sua cruz. Você teme a morte? Ele foi a morte da morte. Você tem medo do inferno? Cristo o fechou para a entrada de qualquer de seus filhos. Eles nunca hão de ver o abismo de perdição. Sejam quais forem os inimigos diante do crente, todos já foram vencidos.Existem leões, mas os seus dentes estão quebrados. Existem serpentes, mas as suas presas foram arrancadas. Existem rios, mas eles têm pontes e são transponíveis. Há chamas, mas usamos roupas incomparáveis, que nos fazem invulneráveis ao fogo. A espada forjada contra nós está embotada. Os instrumentos de guerra que o inimigo está preparando contra nós já perderam sua mira. Deus removeu, na pessoa de Cristo, todo o poder que alguma coisa poderia ter contra nós.Crente, você pode seguir alegremente a sua jornada, pois todos os seus inimigos foram vencidos de antemão. O que você fará a não ser marchar a fim de capturar as vítimas? Eles estão derrotados; estão dominados. Tudo que você tem a fazer é dividir o despojo. É verdade que você estará constantemente engajado em um combate, mas a sua luta será contra um inimigo derrotado. Você está pisoteando-o. Ele pode tentar ferir você, todavia, a força dele não será suficiente para realizar seus desígnios perniciosos. A sua vitória é certa, e seu tesouro será sem medida. Proclame afama do Salvador, em alto som Ele leva o nome maravilhoso e bom; Um doce nome, que lhe é adequado, Que destrói o inimigo, a morte, o inferno e o pecado.

  12. 355

    23 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    23 de Agosto. Nunca mais se ouvirá nela voz de choro. (Isaías 65.19)Os glorificados não choram mais, porque desapareceram todas as causas de lamento. No céu, não existe amizade interrompida nem perspectivas frustradas. Pobreza, zombaria, perseguição, fome, perigo são desconhecidos no céu. Nenhuma dor aflige; nenhum pensamento de morte ou privação entristece. Os glorificados nunca mais choram, porque estão completamente santificados. Nenhum coração de incredulidade os impulsiona a se afastarem do Deus vivo (ver Hebreus 3.12). Eles se encontram sem culpa diante do trono de Deus, plenamente conformados à imagem de Cristo. Com razão eles param de chorar, pois não mais pecam. Os glorificados não lamentam mais, porque se lhes findou todo o temor de mudanças. Eles sabem que estão seguros por toda a eternidade. O pecado está do lado de fora; e eles, no próprio céu. Habitam em uma cidade que nunca será abalada. Os glorificados se aquecem na luz de um sol que nunca se põe. Bebem de um rio que jamais secará e colhem frutos de uma árvore que nunca murcha. Enquanto durar a eternidade, juntamente com ela existirão a imortalidade e a felicidade dos glorificados. Eles estão para sempre com o Senhor. Não choram mais, porque todos os seus desejos se cumpriram. Não é possível que desejem algo que já não tenham. Olhos, ouvidos, coração e mão; julgamento, imaginação, esperança, desejo, e todas as faculdades estão completamente satisfeitas. Embora sejam imperfeitas as nossas ideias a respeito do que Deus tem preparado para os que O amam, sabemos o suficiente, por meio da revelação do Espírito Santo, para reconhecer que os santos na glória são supremamente benditos. O gozo de Cristo, que é uma infinita plenitude de deleite, está neles. Eles se banham no mar da bem-aventurança, o qual não tem fundo, nem porto. Esse mesmo descanso repleto de gozo está preparado para nós, e pode não estar distante. Em breve, as lágrimas de tristeza serão transformadas em pérolas de bem-aventurança eterna. "Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras" (1 Tessalonicenses 4.18).

  13. 354

    22 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    22 de Agosto. Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, se encontrardes o meu amado, que lhe direis? Que desfaleço de amor. (Cântico dos Cânticos 5.8)Esta é a linguagem do crente almejando companheirismo com Jesus: ele desfalece de amor por seu Senhor. As almas cheias da graça divina jamais estão completamente tranquilas, exceto quando se encontram bem próximas de Cristo. Quando estão distantes dele, tais almas perdem a sua paz. Quanto mais perto estiverem de Cristo, tanto mais desfrutarão da perfeita calma celestial. Quanto mais próximo o coração estiver dele, tanto mais repleto estará não somente da paz, mas também da vida, fortaleza e alegria, visto que todas estas coisas dependem da comunhão permanente com o Senhor Jesus.O que o sol significa para o dia; a lua, para a noite, e o orvalho, para a flor – tudo isso é Cristo para nossa alma. O que é o pão para o faminto; a roupa, para o despido; a sombra de uma grande rocha, para o viajante em uma terra fatigante – tudo isso é Cristo para nossa alma. Portanto, se conscientemente, não somos um com Ele, não é de admirar que nosso espírito clame com as palavras do cântico: "Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, se encontrardes o meu amado, que lhe direis? Que desfaleço de amor". Este sério anelo por Jesus tem uma bênção que o atende: "Bem-aventurados os que têm fome e sede e justiça" (Mateus 5.6). Supremamente benditos são aqueles que têm sede do Justo. Bendita, é esta sede pois vem de Deus. Se eu não tiver a desabrochada bem-aventurança de ser saciado, a buscarei no doce momento em que brota, momento de vazio e avidez, até ser satisfeito com Cristo. Se eu não me alimentar de Jesus, a próxima porta ao céu será ter fome e sede dele. Existe santidade nessa sede, porque é uma sede que resplandece entre as bem-aventuranças de nosso Senhor. Mas a bênção envolve uma promessa. Pessoas que têm essa fome serão fartas com o que desejam. Se Cristo nos leva a anelarmos por Ele, com certeza Ele mesmo satisfará esses anelos. Quando Cristo vier realmente a nós, quão agradável será esse encontro!

  14. 353

    21 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    21 de Agosto. Quem dá a beber será desse dentado. (Provérbios 11.25)Este versículo nos ensina a importante lição de que, se desejamos ter, precisamos dar; para acumularmos, temos de espalhar; para nos tornarmos felizes, precisamos fazer os outros felizes; e, para nos mantermos espiritualmente fortes, temos de procurar o bem espiritual de outrem. Enquanto damos de beber a outros, somos nós mesmos desse dentados. Como? Os esforços para sermos úteis trazem à luz as nossas capacidades para a utilidade. Temos capacidades latentes, que são trazidas à luz por meio do exercício. Nossa força para trabalhar está escondida até para nós mesmos, até que nos aventuramos a batalhar nas guerras do Senhor ou a escalar as montanhas da dificuldade. Não sabemos que amável cordialidade possuímos, até que tentamos enxugar as lágrimas da viúva ou consolar a tristeza do órfão. Sempre descobrimos que, em nosso esforço de ensinar os outros, obtemos instrução para nós mesmos. Que preciosas lições alguns de nós temos aprendido, enquanto tentamos ajudar outros. Saímos a ensinar as Escrituras e voltamos envergonhados, reconhecendo que as conhecemos tão pouco. Em nossas interações com santos pobres, aprendemos o caminho do Senhor mais perfeitamente e recebemos um discernimento mais profundo da verdade divina. Dar água aos outros nos torna humildes. Descobrimos quanta graça há onde não tínhamos procurado, e quanto estes santos podem nos ultrapassar em conhecimento. Nossa própria consolação aumenta por trabalharmos em favor de outras pessoas. Esforçamo-nos para animá-los, e a consolação resplandece em nosso próprio coração. À semelhança dos dois homens na neve - um teve seus membros friccionados pelo outro que queria mantê-lo vivo, e ao fazer isto, o que massageava salvou sua própria vida. A viúva pobre de Sarepta ofereceu seu escasso suprimento para satisfazer à necessidade do profeta, e desde aquele dia ela não soube mais o que era passar necessidade. "Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante" (Lucas 6.38).

  15. 352

    20 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    20 de Agosto. O mavioso salmista de Israel. (2 Samuel 23.1)Entre todos os santos cujas vidas são relatadas nas Escrituras, Davi possui o mais admirável, variado e instrutivo caráter. Na história de Davi, encontramos provações e tentações que não encontraremos, como um todo, na história de outros santos de Deus, de épocas passadas. Além disso, Davi é uma figura muito sugestiva da pessoa de nosso Senhor. Davi conheceu todos os tipos de provações. Os reis têm seus problemas; e Davi usava uma coroa. Os camponeses têm suas inquietações; e Davi manejava o seu bordão de pastor. Os viajantes tinham muitas dificuldades; e Davi habitou nas cavernas de En-Gedi. O capitão tem suas dificuldades, e os filhos de Zeruia eram mais fortes que Davi. O salmista também foi provado em suas amizades. O seu conselheiro, Aitofel, o abandonou. "Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar" (Salmos 41.9). Os piores inimigos de Davi eram de sua própria casa; e os filhos foram a sua maior aflição. As tentações de riqueza e pobreza, de honra e humilhação, de saúde e fraqueza, todas elas provaram o seu poder em Davi. Ele tinha tentações externas que incomodavam sua paz, e internas que arruinavam sua alegria. Logo que escapava de uma provação, Davi caía em outra; nem saía de um período de desespero e sobressalto, e era trazido às maiores profundezas, e todos vagalhões de Deus rolavam sobre ele. Talvez, por esta razão, os salmos de Davi são, em todos os lugares do mundo, o deleite dos crentes maduros. Não importa qual seja a nossa condição interior -exultação ou abatimento, Davi retratou com exatidão os nossos sentimentos. Ele foi um mestre hábil do coração humano, porque havia sido ensinado na melhor de todas as escolas -a escola da experiência pessoal sincera. Visto que estamos sendo ensinados nesta mesma escola, enquanto amadurecemos na graça e na idade, apreciamos os salmos de Davi e os consideramos "pastos verdejantes" (Salmos 23.2). Ó minha alma, permite que a experiência de Davi te aconselhe e te fortaleça neste dia.

  16. 351

    19 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    19 de Agosto. Ele se manterá firme e apascentará o povo na força do SENHOR. (Miquéias 5.4)O reino de Cristo na sua igreja é o de um Pastor-Rei. Ele tem supremacia, mas esta se assemelha à superioridade de um Pastor sábio e gentil sobre o seu rebanho necessitado e amável. Cristo ordena e é obedecido espontaneamente pelas bem cuidadas ovelhas, as quais obedecem o amado Pastor com alegria e reconhecem bem a sua voz. Ele governa pela força do amor e pelo poder da bondade. Seu reinado é prático em caráter. É dito: "Ele se manterá firme e apascentará." O grande Cabeça da igreja está engajado ativamente em prover as necessidades de seu povo. Ele não permanece assentado no trono, em um estado de quietude, nem segura o cetro sem utilizá-lo no exercício de seu governo. Não, o Senhor se levanta e apascenta as suas ovelhas. O vocábulo apascentar significa, no original, pastorear, ou seja, fazer tudo o que se espera de um pastor: guiar, vigiar, restaurar, preservar, tomar conta e alimentar. O versículo nos diz: "Ele se manterá firme e apascentará". O profeta não disse: "Ele apascentará de vez em quando e deixará a sua posição", nem: "Num dia Ele nos dará um avivamento e no dia seguinte deixará sua igreja entregue à esterilidade". Os olhos de Cristo nunca cochilam, e suas mãos jamais descansam. Seu coração nunca cessa de bater com amor, e seus ombros jamais se cansam de levar os fardos de seu povo. Seu reinado é completamente poderoso em ação. Ele se alimenta da força de Jeová. Onde quer que Cristo esteja, ali está Deus. E tudo o que Cristo faz é um ato do Altíssimo. Esta é uma verdade repleta de alegria: Aquele que permanece hoje representando os interesses de seu povo é o Deus perante quem todo joelho se dobrará. Somos felizes por pertencermos a este Pastor cuja humanidade se comunica conosco, e cuja divindade nos protege. Adoremo-Lo e prostremo-nos diante dele, como "povo do seu pasto" (Salmos 95.7).

  17. 350

    18 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    18 de Agosto. Vieram estrangeiros e entraram nos santuários da Casa do SENHOR. (Jeremias 51.51)Neste relato, o rosto do povo de Deus ficou coberto de vergonha, visto que era algo terrível estrangeiros se introduzirem no Lugar Sagrado, reservado apenas aos sacerdotes. Em todos os lugares ao nosso redor, vemos causas semelhantes de tristeza. Quantos homens ímpios estão sendo instruídos a fim de entrarem no ministério! Quão temível é o fato de que as mãos estão sendo impostas sobre homens não-convertidos e que entre as mais esclarecidas igrejas evangélicas há frouxidão no que se refere à disciplina. Se todos aqueles que lerem estas palavras, neste dia, colocarem este assunto diante do Senhor, Ele intervirá e afastará o mal que está por vir à sua igreja. Adulterar a igreja equivale a contaminar um poço de água, a derramar água sobre o fogo, a semear pedras em uma terra fértil. Oh! que todos nós tenhamos graça para manter, em nosso próprio viver, a pureza da igreja como uma assembléia de pessoas crentes e não uma comunidade de pessoas não-salvas e não-convertidas! Entretanto, o nosso zelo tem de começar no lar. Examinemos a nós mesmos quanto ao direito de participarmos da ceia do Senhor. Asseguremo-nos de que estamos vestidos com os trajes nupciais, para que nós mesmos não sejamos estrangeiros nos santuários do Senhor. "Muitos são chamados, mas poucos, escolhidos" (Mateus 22.14). "Estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida" (Mateus 7.14). Oh! que tenhamos graça para vir a Jesus corretamente, com a fé dos eleitos de Deus! Aquele que matou a Uzá (ver 2 Samuel 6.3-7) por ter tocado a arca é muito zeloso das ordenanças. Como um crente verdadeiro, posso aproximar-me dos santuários livremente; como um estranho, não devo tocá-los para que não morra. Examinar o próprio coração é o dever de todos os crentes que vêm à mesa do Senhor. "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos" (Salmos 139.23).

  18. 349

    17 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    17 de Agosto. A misericórdia de Deus. (Salmos 52.8)Medite, por um momento, na misericórdia de Deus. Ela é terna. Com um toque gentil e amável, o Senhor cura os corações enfermos e cicatriza suas feridas. Ele é tão gracioso na questão da misericórdia em si, quanto na prática dela. Esta se trata de uma grande misericórdia. Não existe nada pequeno em Deus. A misericórdia dele corresponde ao seu caráter -é infinita. Não é possível medi-la. Ela é tão grande que para grandes pecadores, perdoa pecados grandes, após grande espaço de tempo, e depois, concede grandes favores e privilégios, e nos ergue para grandes alegrias no grande céu do grande Deus. Esta misericórdia é imerecída , assim como deve ser toda verdadeira misericórdia; pois misericórdia merecida é apenas uma designação incorreta do termo justiça. O pecador não tinha qualquer direito à graciosa consideração do Altíssimo. Se o pecador houvesse sido entregue à condenação por causa da ira, somente o amor soberano teria encontrado um motivo para livrá-lo, pois no próprio pecador não havia qualquer motivo. Esta misericórdia é riquíssima. Algumas coisas são grandes mas têm pouca eficácia em si mesmas. A misericórdia de Deus é um encorajamento para espíritos abatidos; uma unção de ouro para feridas que sangram; uma atadura celeste para ossos quebrados; uma carruagem real para pés cansados; e, um abraço de amor para corações trêmulos. A misericórdia de Deus é abundante. Milhões já a receberam. Contudo, em vez de se esgotar, ela continua tão nova, tão repleta e tão espontânea como sempre o foi. Esta misericórdia é infalível, nunca abandonará você. Se ela é sua amiga, estará com você na tentação, para impedi-lo de ceder; também estará com você nas provações, para que você não desfaleça; A misericórdia de Deus estará com você durante toda a sua vida, para ser a luz e a vida de seu rosto. Ainda, esta misericórdia será a alegria de sua alma nos dias em que você estiver às portas da morte, quando todo o conforto terreno estiver se esgotando rapidamente.

  19. 348

    16 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    16 de Agosto. Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome. (Salmos 29.2)A glória de Deus é o resultado de sua natureza e de suas realizações. Ele é glorioso em seu caráter, porque existe nele um estoque inesgotável de tudo o que é santo, puro, bom e amável. As realizações que fluem do seu caráter também são gloriosas. Deus tenciona que estas realizações manifestem às suas criaturas a sua bondade, a sua misericórdia e a sua justiça. Deus também está interessado em que a glória associada a tais realizações seja atribuída apenas a Ele.Em nós mesmos, não existe nada do que podemos nos gloriar pois, quem nos faz diferentes de outros? O que temos que não tenhamos recebido do Deus de toda graça? Portanto, quão cuidadosos devemos ser em andar humildemente diante do Senhor! Visto que no universo há lugar somente para uma glória, no momento em que glorificamos a nós mesmos, nos colocamos em rivalidade para com o Altíssimo! O inseto que só existe há uma hora se glorificará diante do sol, que o esquentou para que nascesse? Se exaltará o vaso de barro, acima do que o moldou sobre a roda? A poeira do deserto contenderá com o redemoinho? As gotas do oceano lutarão contra a tempestade? Todos os retos, "tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome". Talvez, uma das mais difíceis lutas da vida cristã é aprender esta sentença: "Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória" (Salmos 115.1). Esta é uma lição que Deus está sempre nos ensinando e, às vezes, por meio da mais dura disciplina. Se o crente começa a gloriar-se: "Posso todas as coisas", sem acrescentar: "Naquele que me fortalece" (Filipenses 4.13 ARC), logo terá de lamentar: "Eu não sou nada" e afligir-se até ao pó. Quando fazemos algo para o Senhor, e Ele se agrada em aceitar nossas realizações, devemos lançar nossa coroa aos pés dele e confessar: "Não eu, mas a graça de Deus comigo" (1 Coríntios 15.10)!

  20. 347

    15 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    15 de AgostoSaíra Isaque a meditar no campo, ao cair da tarde. (Gênesis 24.63)Isaque gastava tempo numa busca admirável. Se aqueles que gastam várias horas na companhia de pessoas ociosas, em leituras frívolas e passatempos inúteis, aprendessem sabedoria, descobririam que envolver-se na meditação é mais interessante do que envolver-se nas vaidades que agora se mostram tão atraentes para eles. Todos nós saberíamos mais, viveríamos mais próximos de Deus e cresceríamos mais profundamente na graça, se passássemos mais tempo a sós. A meditação extrai o verdadeiro alimento das informações que nossa mente obteve de outras fontes. Quando Jesus é o tema, a meditação se torna realmente agradável. Isaque encontrou Rebeca quando estava envolvido em meditações particulares. Muitos têm encontrado o seu mais Amado num momento assim.A escolha de Isaque por um lugar foi bastante admirável. No campo, temos inumeráveis assuntos sobre os quais podemos meditar. Desde o cedro ao hissopo, desde a águia que voa nas alturas ao gafanhoto chilreador, desde a expansão azul do céu à gota de orvalho, tudo está repleto de instrução. Quando os olhos da alma são abertos por Deus, tal ensino resplandece na mente com mais nitidez do que em livros impressos. Nossos quartos não se mostram tão sugestivos nem tão inspiradores como o campo. Não consideremos nada comum ou imundo, mas percebamos que todas as coisas criadas apontam Àquele que as fez; assim, o campo nos revela bastante o Senhor. A escolha de Isaque quanto à hora também foi sábia. O momento do pôr do sol, quando ele arrasta um véu sobre o dia, convém àquele repouso da alma, quando os cuidados terrenos entregam-se às alegrias da comunhão celeste. A glória do sol no poente nos causa admiração, e a solenidade da aproximação da noite desperta nosso temor. Se as atividades deste dia permitirem, será bom, querido leitor, você separar tempo para sair ao campo, à tardinha. Mas, se não for possível, o Senhor também está na cidade; Ele o encontrará em seu quarto ou na rua cheia de pessoas. Seu coração deve sair ao encontro dele.

  21. 346

    14 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    14 de agosto. Me alegraste, SENHOR, com os teus feitos. (Salmos 92.4)Você crê que seus pecados foram perdoados e que Cristo realizou uma completa expiação por eles? Então, que crente alegre você deveria ser! Deveria viver acima das aflições e provações comuns do mundo! Visto que o pecado foi perdoado, importa o que acontece com você agora? Lutero disse: “Quebranta, Senhor, quebranta, pois o meu pecado foi perdoado. Se Tu me perdoaste, quebranta com tanto vigor quanto desejares".Semelhantemente, você pode dizer: "Mande doença, pobreza, perdas, cruzes, perseguição; mande o que quiser, pois tem me perdoado, e minha alma está alegre. Crente, se você está salvo, enquanto se alegra, seja agradecido e amável. Apegue-se àquela cruz que removeu o seu pecado. Sirva Aquele que lhe serviu. O apóstolo Paulo escreveu: "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Romanos 12.1). Não permita que o seu zelo evapore em alguma exuberante explosão musical. Demonstre o seu amor de maneiras expressivas. Ame os irmãos dAquele que o amou. Se, em algum lugar, existe um Mefibosete, que é aleijado, ajude-o por amor a Jônatas. Se você conhece um crente pobre, que está sendo afligido, chore com ele e leve a cruz dele, por amor Àquele que chorou por você e levou os seus pecados sobre si mesmo.Visto que você está generosamente perdoado, vá e conte aos outros as boas-novas de misericórdia perdoadora, por amor a Cristo. Não se contente em possuir esta bênção apenas para si mesmo, mas divulgue amplamente a história da Cruz. Alegria e ousadia santa o tornarão um bom pregador, e todo o mundo será o púlpito no qual você pregará. Santidade transbordante de alegria é o mais poderoso dos sermões, mas somente o Senhor pode lhe dar esse sermão. Peça-o agora, antes que você saia para suas atividades no mundo. Quando nos alegramos nos feitos do Senhor, não precisamos ter medo de viver com intensa alegria.

  22. 345

    13 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    13 de AgostoOs cedros do Líbano que ele plantou. (Salmos 104.16)Os cedros do Líbano constituem um símbolo do crente no fato de que eles devem sua plantação inteiramente ao próprio Senhor. Isto também é verdade no que concerne a todo filho de Deus. Ele não foi plantado por si mesmo, nem pelo homem, e sim por Deus. A misteriosa mão do Espírito de Deus introduziu a semente viva em um coração que Ele mesmo preparou para recebê-la. Todo verdadeiro herdeiro do céu tem o grande Agricultor como Aquele que o plantou. Além disso, os cedros do Líbano não dependem dos homens para serem regados. Eles permanecem firmes sobre a sublime rocha, não regados pela habilidade humana; apesar disso, nosso Pai celestial supre a necessidade deles. Isto é o que acontece com o crente que aprendeu a viver pela fé. Ele não depende dos homens, nem mesmo das coisas temporais; pelo contrário, olha tão-somente para o Senhor, seu Deus, à espera do suprimento contínuo. O orvalho do céu é a sua porção, e o Deus do céu é a sua fonte. Os cedros nada devem ao homem pela sua preservação do vento tempestuoso e do temporal. São árvores de Deus, protegidas e preservadas apenas por Ele. Acontece o mesmo com o crente; ele não é uma planta de estufa, abrigada da tentação, mas permanece firme mesmo na posição mais exposta. Ele não tem qualquer abrigo ou proteção, exceto as imensas asas do Deus eterno, que sempre cobre os cedros que Ele mesmo plantou.Assim como os cedros, os crentes estão cheios de seiva, possuindo vitalidade suficiente para se manterem sempre verdes, inclusive durante a neve do inverno. Finalmente, a condição majestosa e florescente dos cedros se manifesta tão somente para o louvor da glória de Deus. O próprio Senhor tem sido tudo para os cedros. Por isso, Davi apresenta, de modo encantador, esta verdade em um dos salmos: "Louvai ao SENHOR ... árvores frutíferas e todos os cedros" (Salmos 148.7,9). No crente, nada existe que possa magnificar o homem. O crente é plantado, nutrido e protegido pelas mãos do próprio Senhor. A Ele seja dada toda a glória.

  23. 344

    12 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    12 de Agosto. Reina o SENHOR. Regozije-se a terra. (Salmos 97.1)Visto que cremos nesta bendita verdade, não existe qualquer motivo para andarmos em temor. Na terra, o poder do Senhor controla tão prontamente a ira dos ímpios quanto controla a fúria do mar. O seu amor refrigera o pobre com misericórdia, assim como refrigera a terra com chuvas. A glória do Senhor é vista em sua grandeza na queda de impérios e na ruína dos tronos. Em todos os nossos conflitos e tribulações, podemos ver a mão do Rei divino.Deus é Deus; Ele vê e ouve todos os nossos problemas, todas as nossas lágrimas. Alma, não te esqueças, entre as tuas dores. Para sempre, Deus reina sobre tudo.No inferno, os espíritos ímpios reconhecem com pesar a inquestionável supremacia de nosso Deus. Quando têm permissão de rugir, eles o fazem com algemas em seus tornozelos. O freio está na boca do beemote, e o anzol na mandíbula do leviatã. Os dardos da morte estão sob a obstrução do Senhor. E as prisões dos sepulcros têm o poder divino como seu administrador. A terrível vingança do Juiz de toda a terra faz os inimigos esconderem-se e tremerem, assim como os cachorros no canil temem o chicote do caçador.Não temas a morte, nem os ataques de Satanás, Deus defende a quem nEle confia; Alma, não te esqueças, entre as tuas dores. Para sempre, Deus reina sobre tudo.No céu, ninguém duvida da soberania do Rei eterno, mas todos prostram o seu rosto para Lhe prestar honra. Os anjos são a corte de Deus; os redimidos são os favoritos dele; e todos se deleitam em servi-Lo, noite e dia. Oh! que logo cheguemos à cidade do grande Rei! Pela longa noite de tristeza desta vida Ele nos dará paz e alegria. Alma, não te esqueças, entre as tuas dores. Para sempre, Deus reina sobre tudo.

  24. 343

    11 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    11 de Agosto. Ah! Quem me dera ser como fui nos meses passados. (Jó 29.2)Alguns crentes olham o passado com prazer e vêem o presente com insatisfação. Olham para os dias em que passaram em intimidade com o Senhor, como se fossem os mais doces e melhores que já conheceram, mas o presente está vestido num traje escuro de melancolia e monotonia. Antes, eles viviam mais perto do Senhor, agora, porém, sentem que se afastaram dele. Esses crentes dizem: "Ah! Quem me dera ser como fui nos meses passados!" Lamentam terem perdido sua segurança, não ter paz na mente, ou não encontrar gozo nos meios da graça. Lamentam que sua consciência não seja bastante sensível, ou que não possuam tanto zelo pela glória de Deus.Muitas são as causas deste estado de lamentação. Pode ser fruto de negligência na oração, visto que negligenciar a oração em secreto é o começo de todo declínio espiritual. Ou pode ser resultado de idolatria. O coração tem se ocupado mais com outras coisas do que com Deus. As afeições têm sido colocadas nas coisas da terra, em vez de nas coisas do céu. Um Deus zeloso não se contentará com um coração dividido. Ele tem de ser amado em primeiro lugar e com o que é melhor em nós. Deus não permitirá que o fulgor de sua presença resplandeça sobre um coração frio e hesitante. A causa deste estado pode se encontrar em autoconfiança e justiça própria. O orgulho está sempre ocupado no coração, e o ego é exaltado, em vez de humilhar-se aos pés da cruz.Crente, se agora você não é aquilo que era "nos meses passados" , não descanse satisfeito com o desejo de retornar à felicidade anterior; busque imediatamente o seu Senhor e conte-Lhe a sua triste condição. Peça-Lhe graça e força para ajudá-lo a andar mais perto dele. Humilhe-se diante do Senhor Jesus, pois Ele o exaltará, e volte a desfrutar da luz de sua face. Não se assente a queixar-se e a lamentar. Enquanto o Médico Amado viver, existirá esperança e certeza de recuperação para os piores casos.

  25. 342

    10 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    10 de Agosto. Cristo, que é a nossa vida. (Colossenses 3.4)Esta expressão maravilhosamente rica do apóstolo Paulo indica que Cristo é a fonte de nossa vida. "Ele vos deu vida" (Efésios 2.1). Aquela mesma voz que trouxe Lázaro para fora do sepulcro nos ressuscitou, para andarmos em "novidade de vida" (Romanos 6.4). Agora, Ele é a essência de nossa vida espiritual. É por intermédio da vida dele que nós vivemos. Cristo está em nós, a esperança da glória, a causa de nossas ações, o pensamento central que direciona os demais pensamentos.Jesus é o alimento de nossa vida. De que mais o crente pode se alimentar além da carne e sangue de Jesus? "Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça" (João 6.50). Ó cansados peregrinos neste deserto de pecado, vocês nunca conseguirão um bocado que sacie a fome de seus espíritos, a menos que o encontre em Jesus! Ele é a consolação de nossa vida. Todas as nossas verdadeiras alegrias procedem de Cristo. Em tempos de provação, Ele é a nossa consolação. Não existe qualquer outro ser pelo qual valha a pena vivermos, exceto o Senhor Jesus. E a graça dele "é melhor do que a vida" (Salmos 63.3). Cristo é o objetivo de nossa vida. Como o navio se apressa rumo ao porto, assim o crente se apressa rumo ao ancoradouro do coração de seu Salvador. Como a flecha voa até seu alvo, assim o crente voa até o aperfeiçoamento de sua comunhão com Cristo Jesus. Assim como o soldado luta por seu capitão, sendo recompensado quando seu capitão conquista a vitória, assim também o crente luta por Cristo, obtendo o seu triunfo nos triunfos de seu Senhor. "Para mim, o viver é Cristo" (Filipenses 1.21). Cristo é o exemplo de nossa vida. Onde existe a mesma vida no interior, haverá, em grande medida, os mesmos resultados no exterior. Se vivemos em comunhão íntima com o Senhor Jesus, amadureceremos como Ele. Devemos colocá-Lo diante de nós, como nosso modelo divino, pois assim nos esforçaremos para andar nos passos dele, até que Ele se torne a coroa de nossa vida, na glória. Oh, quão seguro, quão honrável, quão alegre é o crente cuja vida é Cristo!

  26. 341

    9 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    9 de Agosto. A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade. (Apocalipse 21.23)No mundo por vir, os habitantes não dependem dos confortos das outras criaturas. Eles não necessitam de outro vestuário. As suas vestes brancas não se desgastam e nunca ficarão manchadas. Eles não precisam de qualquer remédio para curar doenças, pois nunca terão de dizer: "Estou doente". Não têm necessidade de sono para se revigorarem. Não descansam nem de dia nem de noite, mas louvam incansavelmente a Deus, em seu templo. Não precisam de relacionamento social para lhes ministrar consolação. Qualquer felicidade que possam extrair da comunhão com seus companheiros ali não é essencial à bemaventurança deles, pois a comunhão com o Senhor é suficiente para satisfazer aos desejos mais profundos deles.Os habitantes do céu não precisam de professores. Sem dúvida, eles têm comunhão uns com os outros a respeito das coisas de Deus; mas, não requerem isto como forma de instrução; todos "serão ensinados do SENHOR" (Isaías 54.13). Temos recebido esmolas às portas do Rei; mas os crentes no céu se banqueteiam da própria mesa do Rei. Neste mundo, dependemos do braço de amigos; no céu, os crentes dependem apenas de seu Amado. Lá eles encontram tudo que precisam em Cristo Jesus. Aqui contemplamos o alimento que perece e as roupas que podem ser destruídas por traças, mas, lá eles encontram tudo em Deus. Usamos um balde para retirar água do poço, mas lá eles bebem do Manancial e colocam os lábios na água viva. Neste mundo, os anjos nos trazem bênçãos; no porvir, não precisaremos de mensageiros do céu. Não precisaremos de nenhum Gabriel, para nos trazer boas-novas da parte de Deus, pois ali O veremos face a face. Oh, que tempo abençoado será quando descansarmos nos braços de Deus! Que dia glorioso, quando Deus, e não suas criaturas -quando o Senhor Jesus, e não suas obras -será o nosso gozo permanente! Naquele tempo, a nossa alma terá atingido a plenitude da bem-aventurança.

  27. 340

    8 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    8 de Agosto. Tecem teias de aranha. (Isaías 59.5)Contemple uma teia de aranha e veja ali a figura mais sugestiva do hipócrita religioso. A teia é feita com o propósito de apanhar uma presa: a aranha engorda comendo moscas. As pessoas tolas são facilmente enganadas pela confissão altissonante de embusteiros, e mesmo aqueles que são mais criteriosos nem sempre podem escapar. Filipe batizou Simão, o mágico, cuja declaração de fé maliciosa logo foi reprovada pela severa repreensão de Pedro. Costume, reputação, elogio, progresso e outras moscas menores são a pequena caça que os hipócritas apanham em suas redes. Uma teia de aranha é uma maravilha de habilidade. Observe a teia e admire os astuciosos ardis do predador. A religião de um enganador não é igualmente admirável? De que modo o enganador faz com que uma mentira descarada tenha aparência de verdade? Como consegue fazer sua bugiganga corresponder tão bem à finalidade do ouro? A teia sai das entranhas da própria aranha. A abelha extrai das flores a sua cera. A aranha não suga flores, e sim estica a sua teia em qualquer extensão. De modo semelhante, os hipócritas encontram sua consolação e esperança dentro de si mesmos; sua âncora é forjada em sua própria bigorna e seu cabo é torcido pelas suas próprias mãos. Lançam seus próprios alicerces e constroem os pilares de sua própria casa, recusando-se a serem devedores à soberana graça de Deus. Entretanto, uma teia de aranha é bastante frágil. É feita de forma curiosa, com esmero, mas não duradoura. Não pode medir forças com a vassoura de limpeza. O hipócrita não precisa de uma bateria de alta tensão para fazer em pedaços as suas esperanças; uma simples baforada de vento o fará. As teias de aranha dos hipócritas logo ruirão, quando a vassoura de destruição começar sua obra purificadora. Isto nos traz à mente mais uma consideração: essas teias não serão toleradas na casa do Senhor. Ele cuidará para que elas, juntamente com aqueles que as teceram, sejam destruídas para sempre. Ó minha alma, descansa em algo melhor do que uma teia de aranha. Permite que o Senhor Jesus seja o teu eterno lugar de refúgio.

  28. 339

    7 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    7 de Agosto. Os retos te amam. (Cântico dos Cânticos 1.4)Os crentes amam a Jesus com uma afeição mais profunda do que a que ousam tributar a qualquer outro ser. Eles prefeririam perder o pai e a mãe a separarem-se de Cristo. Eles seguram todas as consolações deste mundo com pouca firmeza; mas levam a Jesus trancado no coração deles. Os crentes negam voluntariamente a si mesmos por amor a Jesus; então, eles não poderão ser impelidos a negá-Lo. É somente o amor raso que o fogo da perseguição pode esgotar. O amor do crente verdadeiro é uma fonte mais profunda do que isto.Os homens têm se esforçado para separar o crente do seu Senhor, mas suas tentativas têm se mostrado infrutíferas em todas as épocas. Nem coroas de honra, nem carrancas de ira têm desfeito este nó górdio. Este amor não é uma atração diária que o mundo é capaz de dissolver. Nem homens, nem demônios têm encontrado uma chave que abre esta fechadura.A esperteza de Satanás nunca se mostrou tão ineficiente quanto em suas investidas para romper esta união de dois corações fundidos por Deus. Está escrito: "Os retos te amam"; e nada pode anular esta afirmação. No entanto, a intensidade do amor dos crentes não deve ser julgada pelo que aparenta, e sim por aquilo que o crente anela. Nosso lamento diário é não podermos amar o suficiente. Se tão-somente nosso coração fosse capaz de reter mais e alcançar mais do amor de Cristo. Como Samuel Rutherford, suspiramos e exclamamos: "Oh, se tivéssemos uma quantia de amor que fosse suficiente para rodear a terra, e cobrir o céu – sim, o céu dos céus e dez mil mundos– para que pudéssemos derramar tudo sobre o formoso Cristo". É uma pena que o máximo que conseguimos amar seja como a medida de um palmo, e que nossa afeição seja apenas uma gota num balde, em comparação com o que Ele merece. Oh! se pudéssemos dar todo o amor de nosso coração, em grande medida, Àquele que é "totalmente desejável" (Cântico dos Cânticos 5.16).

  29. 338

    6 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    6 de Agosto. Guarda, a que hora estamos da noite? (Isaías 21.11)Que inimigos estão do lado de fora? Numerosos erros afluem, e outros novos surgem a cada hora. Contra quais heresias devemos nos guardar? Os pecados rastejam a partir de suas emboscadas, quando as trevas reinam. Tenho de subir à torre e vigiar em oração. Nosso Protetor celestial vê antecipadamente todos os ataques que estão prestes a serem lançados contra nós. Quando Satanás deseja o mal para nós, o Senhor Jesus suplica por nós, a fim de que a nossa fé não desfaleça, quando somos peneirados como o trigo (ver Lucas 22.31). Continue, Ó gracioso Guarda, a nos avisar sobre nossos inimigos, e para o bem de Sião não retenha sua paz. "Guarda, a que hora estamos da noite?" Que tempos aguardam a igreja? As nuvens estão se aproximando, ou está tudo claro e bonito? Temos de cuidar da igreja com amor inquietante; e agora que a infidelidade ameaça, observemos os sinais dos tempos e nos preparemos para o conflito. "Guarda, a que hora estamos da noite?" Que estrelas podem ser vistas? Que promessas preciosas são adequadas ao nosso caso, neste momento? Tu soas o alarme, mas também ofereces a consolação. Cristo, a Estrela Polar, está sempre em seu lugar, e todas as estrelas estão seguras na mão direita de seu Senhor.Guarda, quando chegará a manhã? O Noivo se demora. Não existe qualquer sinal do aparecimento do Sol da Justiça? A estrela da manhã não tem surgido como o penhor do dia? Em que momento o dia raiará e as trevas desaparecerão? Ó Jesus, se hoje não vens, pessoalmente, para tua igreja que Te aguarda, então vem em Espírito ao meu coração saudoso e faze-o cantar de alegria.Agora, toda a terra está radiante e feliz com a nova manhã; Mas todo o meu coração está frio, e escuro e triste: Sol da alma, deixa-me contemplar tua alvorada! Vem, Jesus, Senhor, Oh, rápido vem, de acordo com tua palavra.

  30. 337

    5 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    5 de Agosto. Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. (Romanos 8.28)Em alguns assuntos, o crente está absolutamente certo. Por exemplo, o crente sabe que Deus está assentado junto aos passageiros na popa do barco, quando este balança muito. Ele crê que uma mão invisível está sempre no leme do mundo e que, não importando para onde a providência leve o barco, Jeová é quem o dirige. Este conhecimento tranquilizador prepara o crente para todas as coisas. O crente olha por cima das ondas furiosas; vê o Espírito de Jesus andando por sobre as águas e ouve a sua voz, dizendo: "Sou eu. Não temais!" (Marcos 6.50). O crente também reconhece que Deus é sábio. E, reconhecendo isso, permanece confiante de que em sua vida não pode haver acidentes nem erros. Nada que não deveria acontecer acontecerá. O crente pode dizer: "Se eu tiver de perder tudo o que tenho, será melhor perder do que possuir, se esta for a vontade de Deus. A pior calamidade é a coisa mais sábia e mais bondosa que poderia me acontecer, se Deus assim o ordenasse"."Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus." O crente sabe que estas palavras constituem a realidade. Todas as coisas têm cooperado para o bem dele. Drogas nocivas misturadas em proporções apropriadas produzem cura; os afiados cortes do bisturi limpam o corpo ulceroso e facilitam o restabelecimento. Por conseguinte, crendo que Deus governa todas as coisas, com sabedoria, e que produz o bem a partir do mal, o coração do crente sente-se em segurança. É capaz de enfrentar com tranquilidade cada provação, à medida que surgem. Em espírito de verdadeira resignação, é capaz de orar: "Envia-me o que desejares, meu Deus, contanto que sejas Tu quem o envias. De tua mesa, nunca deste um manjar desagradável a qualquer de teus filhos".Não digas, alma minha: Como pode Deus aliviar meus pesares? Lembra-te que a Onipotência tem servos em todos os lugares. Seu método é sublime; seu coração é um fiel aliado. Deus nunca está adiante de seu tempo e nunca está atrasado.

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    4 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    4 de Agosto. O povo que conhece ao seu Deus se tornará forte. (Daniel 11.32)Todo crente sabe que conhecer a Deus é a melhor e mais sublime forma de conhecimento. Este conhecimento espiritual é uma fonte de fortalecimento para o crente. Fortalece a sua fé. As Escrituras constantemente se referem aos crentes como pessoas iluminadas e ensinadas pelo próprio Senhor. As Escrituras afirmam que os crentes possuem a unção do Santo (ver 1João 2.20) e que o ofício peculiar do Espírito Santo é guiá-los em toda a verdade; tudo para o incremento e a nutrição de sua fé. O conhecimento fortalece o amor, assim como revigora a fé. O conhecimento abre a porta; e, por meio desta porta, vemos nosso Salvador. Ou, empregando outra figura, o conhecimento pinta um retrato do Senhor Jesus. E, quando vemos esse retrato, passamos a amar a Jesus. Pelo menos em algum grau, não podemos amar um Cristo a quem não conhecemos. Se conhecemos pouco das excelências de Jesus, o que Ele fez e o que está fazendo agora por nós, não podemos amá-lo tanto. No entanto, quanto mais conhecemos a Jesus, tanto mais nós O amamos.O conhecimento também revigora a esperança. Como podemos esperar algo, se não temos conhecimento da sua existência? A esperança pode ser o telescópio, mas, até que recebamos instruções, nossa ignorância se coloca na frente da lente, e nada podemos ver. O conhecimento remove o objeto interferente e quando olhamos através da brilhante lente, discernimos a glória a ser revelada e a antecipamos com confiança jubilante. O conhecimento nos fornece razões para sermos pacientes. Como teremos paciência, a menos que saibamos algo da compaixão de Cristo e entendamos o bem que é sair da disciplina na qual nosso Pai celeste nos corrige? Não existe uma única virtude do crente que, nos desígnios de Deus, não será fomentada e trazida à perfeição por meio do conhecimento. Quão importante é que cresçamos não somente em graça, mas também "no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!" (2 Pedro 3.18).

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    3 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    3 de Agosto. O Cordeiro é a sua lâmpada. (Apocalipse 21.23)Com muita quietude, contemple o Cordeiro como a luz do céu. Nas Escrituras, a luz é um símbolo da alegria. A alegria dos santos no céu se resume nos seguintes fatos: Jesus nos escolheu, nos amou, nos comprou, nos purificou, nos vestiu, nos preservou e nos glorificou. Estamos aqui tão-somente devido à pessoa do Senhor Jesus. Cada um destes pensamentos é como um cacho de uvas de Escol. A luz também é a causa da beleza. Nada de belo fica, quando a luz acaba. Sem luz, nenhum brilho resplandece da safira, e a pérola não reflete nenhum raio de esplendor. Portanto, toda a glória dos santos no céu procede do Senhor Jesus. À semelhança dos planetas, os santos no céu refletem a luz do Sol da Justiça. Eles vivem como raios que procedem da esfera central. Se o Senhor se retrair, eles morrem. Se a glória de Cristo for ocultada, a glória deles se acabará. A luz também é um símbolo do conhecimento. No céu nosso conhecimento será perfeito, mas a fonte dele será o próprio Senhor Jesus. Na luz do Cordeiro, as providências ocultas, que nunca entendemos, se nos tornarão evidentes; e simples, tudo o que agora nos confunde. Oh! Que revelações haverá e como glorificaremos o Deus de amor!A luz também significa manifestação. A luz manifesta. Neste mundo "ainda não se manifestou o que haveremos de ser" (1João 3.2). O povo de Deus é um povo encoberto, mas quando Cristo os receber no céu, os tocará com o cetro de seu próprio amor e os mudará à imagem de sua glória manifesta. Eles eram pobres e infelizes mas, que transformação! Foram contaminados pelo pecado; porém, com um toque da mão de Cristo, serão tão resplandecentes como o sol e tão límpidos como o cristal. Oh! que manifestação! Tudo isto procede do Cordeiro exaltado. De tudo o que tiver radiante esplendor Jesus será o centro e a alma. Oh! que estejamos presentes ali, para vê-Lo em sua própria luz, o Rei dos reis e Senhor dos senhores!

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    2 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    2 de Agosto. Aquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade. (Efésios 1.11)Nossa crença na soberania de Deus pressupõe que Ele tem um plano e propósito determinado de salvação. O que seria a criação sem o planejamento de Deus? Há um peixe no mar ou uma ave no céu que tenha sido formado por acaso? Não. Em todo osso, músculo, junta, tendão, glândula e vaso sanguíneo, podemos ver a mão de um Deus que realiza todas as coisas de conformidade com o propósito de sua sabedoria infinita. E o Deus que se mostra presente na criação, regendo todas as coisas, não se mostrará presente na graça? Se o conselho divino governa a velha criação, a nova criação não terá a presidi-la o gênio habilidoso da vontade soberana? Contemple a providência! Quem não sabe que nem mesmo um pardal cai em terra sem o consentimento do Pai? Até os cabelos de sua cabeça estão todos contados. Deus avalia em escalas as montanhas de nossa aflição e pesa em balanças os montes de nossas tribulações. Haverá um Deus na providência e não na graça? Seria a casca determinada por sabedoria e o caroço abandonado a uma perspectiva cega? De modo nenhum!Deus conhece o fim desde o começo. Ele vê, no seu devido lugar, não somente a pedra angular que estabeleceu em cores lindas, no sangue de seu Filho amado, mas também contempla, em sua devida posição, cada uma das pedras eleitas removidas da pedreira da natureza e polidas pela graça dele. Ele vê o todo, da cantoneira à cornija, do alicerce ao teto, do início ao auge. Em sua mente, Deus tem um conhecimento límpido de cada pedra que será colocada no lugar preparado, de quão ampla será a represa e de quando será trazida a última pedra, com gritos de: "Graças, graças a Ti!" Por fim, todos verão com clareza que, em todos os vasos eleitos de misericórdia, Jeová fez com o seu povo o que Ele mesmo quis. Em todos os aspectos da obra da graça, Ele realizou o seu propósito e glorificou o seu próprio nome.

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    1 de agosto | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    1 de agosto.Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas. (Rute 2.2)Crente abatido e atribulado, venha e colha hoje no imenso campo de promessas. Neste campo existem promessas abundantes que satisfarão adequadamente às suas necessidades. Colha esta: "Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega" (Mateus 12.20). Esta promessa é adequada ao seu caso? Talvez você seja uma cana quebrada da qual não pode sair música; uma cana desamparada e mais fraca que a própria fraqueza; uma cana insignificante -apesar disso, o Senhor Jesus não o esmagará; pelo contrário, Ele o revigorará e fortalecerá. Você é semelhante à torcida que fumega. Nenhuma luz ou calor pode emanar de você, contudo, o Senhor Jesus não o apagará. Ele lançará seu doce sopro de misericórdia até lhe colocar em chamas. Você quer apanhar outra espiga? Considere esta: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei" (Mateus 11.28). Que palavras suaves! O seu coração é delicado, e o Senhor o conhece. Por isso, Ele fala de modo tão gentil com você. Você obedecerá ao Senhor e virá a Ele hoje? Colha outra espiga: "Não temas, ó vermezinho de Jacó, povozinho de Israel; eu te ajudo, diz o SENHOR, e o teu Redentor é o Santo de Israel" (Isaías 41.14). Como você pode ficar com medo, se Ele lhe oferece esta maravilhosa segurança? Você pode apanhar milhares de outras espigas preciosas como esta: "Desfaço as tuas transgressões como a névoa e os teus pecados, como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi" (Isaías 44.22); ou esta: "Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã" (Isaías 1.18). O campo de nosso Senhor é bastante rico; contemple os punhados de promessas disponíveis. Elas estão diante de você, ó crente. Apanhe-as, aproprie-se delas, visto que o Senhor Jesus o ordena a apanhá-las. Não tenha medo -somente creia! Colha estas doces promessas, triture-as por meio da meditação e alimente-se delas com alegria!

  35. 332

    31 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    31 de Julho. Eu neles. (João 17.23) Se esta é a união que existe entre nossa alma e a pessoa do Senhor Jesus, quão profundo e amplo é o canal de nossa comunhão com Ele! Não é um canal estreito através do qual um fino fluxo serpenteia seu caminho. É um canal de admirável profundidade e largura; e por meio da sua gloriosa profundidade, pode correr um intenso fluxo de água viva. Veja! Diante de nós Ele abriu uma porta; não sejamos lentos para entrar. Esta cidade de comunhão tem muitas portas de pérola. Cada porta é composta de uma só pérola e está completamente aberta, a fim de entrarmos com a certeza de que seremos bem recebidos. Se existisse apenas um pequeno buraco através do qual falar com Jesus, se­ ria um enorme privilégio impelir uma palavra de companheirismo através dele. Quão abençoados somos nós, porque temos uma entrada tão ampla!Se o Senhor Jesus estivesse bem distante de nós, com muitos mares tempestuosos entre Ele e nós, anelaríamos enviar mensageiros para falar-Lhe de nosso amor e trazer-nos boas notícias da casa de seu Pai. Veja a bondade do Senhor Jesus. Ele construiu sua casa ao lado da nossa; não, ainda mais, Ele vive em nós, habita em corações fracos, para ter contato perpétuo conosco. Quão tolos somos nós, se não vivemos em comunhão habitual com o Senhor Jesus! Quando a jornada é longa, perigosa e difícil, não devemos nos admirar que os amigos raramente encontrem um ao outro. Mas, quando eles vivem juntos, Jônatas esquecerá a Davi? Urna esposa, quando o seu esposo está viajando, talvez passe muitos dias sem conversar com ele; porém, ela jamais poderia se manter separada do esposo, se soubesse estar ele em um dos quartos de sua própria casa. Por que, crente, você não senta à mesa de seu farto banquete?Busque o seu Senhor, pois Ele está bem perto! Abrace-O, Ele é o seu Irmão. Segure-O firmemente, Ele é o seu Esposo. Grave-O em seu coração, pois Ele é a sua própria carne.

  36. 331

    30 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    (30 de Julho) E, caindo em si, desatou a chorar. (Marcos 14.72) Alguns pensam que enquanto Pedro viveu, lágrimas jorravam de seus olhos, quando ele se recordava de como negara o seu Senhor. Talvez seja verdade, porque o pecado dele foi enorme e a graça de Deus realizou, posteriormente, uma obra perfeita nele. Esta experiência é comum a todos os membros da família dos redimidos, de acordo com o grau com que o Espírito de Deus removeu o coração natural, o coração de pedra. Assim como o apóstolo Pedro, lembramos nossa arrogante promessa: "Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim" (Mateus 26.33). Nós engolimos nossas próprias palavras, junto às ervas amargas de arrependimento. Quando pensamos nos votos que declaramos e no que temos realmente cumprido, devemos chorar com profusas lágrimas de tristeza. Ele pensou sobre a sua atitude de negar seu Senhor: o local onde o fez, a razão insignificante para tal horripilante pecado, os juramentos e blasfêmias com os quais buscou confirmar sua falsidade, e a terrível dureza de coração que o levou a fazer tal coisa nova e novamente. Ao lembrarmos de nossos pecados e de sua excessiva malignidade, como podemos continuar em obstinação e apatia? Clamamos nós ao Senhor por nova garantia de amor perdoador? Oh! Que jamais tenhamos olhos insensíveis para com o pecado, a menos que desejemos ser, em breve, consumidos pelas chamas do inferno! Pedro pensou a respeito do olhar amável do Senhor Jesus. O Senhor acompanhou a voz de advertência do galo, com um olhar admoestador de pesar, com­ paixão e amor. Aquele olhar do Senhor nunca saiu da mente de Pedro, enquanto ele viveu, e foi mais eficaz do que milhares de sermões teriam sido sem o Espírito Santo. O apóstolo arrependido choraria, com certeza, quando se lembrasse do completo perdão do Salvador, que o restaurou à sua posição anterior. Pensar que temos ofendido um Senhor tão bom e tão amável é uma razão mais do que suficiente para chorarmos constante­ mente. Ó Senhor, quebranta nosso coração de pedra e faze as lágrimas fluírem.

  37. 330

    29 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    29 de Julho. Todavia, estou sempre contigo. (Salmos 73.23) Todavia – apesar de todo o embrutecimento e ignorância que Davi acabara de confessar a Deus, era verdadeiro e certo que ele fora aceito, perdoado e abençoado pela constante presença de Deus. Plenamente consciente da perda de sua própria posição, e da falsidade e vileza de sua natureza, ainda assim, numa manifestação de fé, ele cantou: "Todavia, estou sempre contigo". Crente, esforce-se para afirmar, em espírito semelhante ao de Davi: "Todavia, visto que eu pertenço a Cristo, estou continuamente com Deus!"Isto significa que estou de contínuo em sua mente. Deus está sempre pensando em mim, para o bem. O Senhor nunca dorme; Ele está vigiando perpetuamente em favor do meu bem­ estar. Estou constantemente nas mãos dEle, de modo que ninguém será capaz de arrancar-me dessas mãos. Estou continuamente no coração dEle, colocado ali como um memorial, tal como o sumo sacerdote levava sempre os nomes das doze tribos de Israel sobre o seu coração. Ó Deus, teu amor sempre me alcança. Deus está sempre fazendo com que a providência trabalhe em favor de nosso bem. Tu me gravaste como um sinete em teu braço. Teu amor "é forte como a morte" (Cântico dos Cânticos 8.6). "As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo" (v. 7). Que graça admirável!Tu me vês em Cristo, embora eu seja detestável em mim mesmo. Tu me contemplas como que vestido com as roupas de Cristo e lavado no sangue dEle. Permaneço aceito na presença dEle, desfrutando continuamente do favor dEle. Nisto se encontra a consolação para a alma provada, afligida e atribulada em seu íntimo. Olhe para a paciência de Jesus. Diga em seu coração: ''todavia"; e receba a paz que esta sentença proporciona-"Todavia, estou sempre contigo".

  38. 329

    28 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    28 de Julho. Eu estava embrutecido e ignorante; era como um irracional à tua presença. (Salmos 73.22)Lembre-se: esta é confissão de um homem segundo o coração de Deus. Ao falar-nos sobre a sua vida interior, Davi escreveu: "Eu estava embrutecido e ignorante". A palavra embrutecido, neste versículo, significa muito mais do que expressamos na linguagem comum. Davi, no terceiro versículo do salmo, escreveu: "Eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos". Isto nos mostra que o embrutecimento sobre o qual ele se referia envolvia pecado. Davi se humilhou chamando-se embrutecido. Este era um embrutecimento pecaminoso, que tinha de ser condenado por causa de sua perversidade e ignorância obstinada, visto que Davi sentira inveja da prosperidade presente dos ímpios e se esquecera do terrível destino que os aguarda.Somos melhores do que Davi, a ponto de nos chamarmos sábios? Confessamos que já atingimos a perfeição e que já fomos tão disciplinados por Deus, a ponto de a vara haver removido toda a nossa obstinação? Na verdade, isto seria orgulho! Se Davi estava embrutecido, quão embrutecidos seríamos nós, em nossa própria opinião, se pudéssemos ver a nós mesmos! Crente, olhe para trás. Pense em suas dúvidas para com Deus, quando Ele se mostrou tão fiel para com você. Em seu clamor embrutecido: "Assim não, meu Pai", lembre de Jesus transpassado em aflição, a fim de lhe dar a maior bênção. Pense nas muitas vezes em que você leu suas orientações no escuro, interpretou erradamente suas dispensações e queixou-se: "Tudo está contra mim", quando elas cooperam para o seu bem! Pense em quão frequentemente você tem escolhido o pecado, por causa dos seus prazeres, quando tais prazeres foram raízes de amargura para você! Com certeza, se conhecemos nosso coração, temos de nos declarar culpados ante a acusação de embrutecimento pecaminoso. Conscientes deste "embrutecimento", façamos da decisão de Davi nossa própria decisão: "Tu me guias com o teu conselho" (Salmos 73.24).28 de JulhoEu estava embrutecido e ignorante; era como um irracional à tua presença. (Salmos 73.22)Lembre-se: esta é confissão de um homem segundo o coração de Deus. Ao falar-nos sobre a sua vida interior, Davi escreveu: "Eu estava embrutecido e ignorante". A palavra embrutecido, neste versículo, significa muito mais do que expressamos na linguagem comum. Davi, no terceiro versículo do salmo, escreveu: "Eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos". Isto nos mostra que o embrutecimento sobre o qual ele se referia envolvia pecado. Davi se humilhou chamando-se embrutecido. Este era um embrutecimento pecaminoso, que tinha de ser condenado por causa de sua perversidade e ignorância obstinada, visto que Davi sentira inveja da prosperidade presente dos ímpios e se esquecera do terrível destino que os aguarda.Somos melhores do que Davi, a ponto de nos chamarmos sábios? Confessamos que já atingimos a perfeição e que já fomos tão disciplinados por Deus, a ponto de a vara haver removido toda a nossa obstinação? Na verdade, isto seria orgulho! Se Davi estava embrutecido, quão embrutecidos seríamos nós, em nossa própria opinião, se pudéssemos ver a nós mesmos! Crente, olhe para trás. Pense em suas dúvidas para com Deus, quando Ele se mostrou tão fiel para com você. Em seu clamor embrutecido: "Assim não, meu Pai", lembre de Jesus transpassado em aflição, a fim de lhe dar a maior bênção. Pense nas muitas vezes em que você leu suas orientações no escuro, interpretou erradamente suas dispensações e queixou-se: "Tudo está contra mim", quando elas cooperam para o seu bem! Pense em quão frequentemente você tem escolhido o pecado, por causa dos seus prazeres, quando tais prazeres foram raízes de amargura para você! Com certeza, se conhecemos nosso coração, temos de nos declarar culpados ante a acusação de embrutecimento pecaminoso. Conscientes deste "embrutecimento", façamos da decisão de Davi nossa própria decisão: "Tu me guias com o teu conselho" (Salmos 73.24).

  39. 328

    27 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    27 de Julho. As suas preciosas e mui grandes promessas. (2 Pedro 1.4) Se você conhece a preciosidade das promessas de Deus e em seu coração goza dessas promessas, separe tempo para me­ ditar nelas. Há promessas que são como uvas no lagar; se você esmagá-las com o pé, o suco escorrerá. Pensar sobre as sagradas palavras frequentemente constitui um prelúdio ao seu cumpri­ mento. Enquanto medita sobre elas, as bênçãos que procura gradualmente virão até você. Muitos crentes sedentos pelo cumprimento da promessa perceberam que a busca pela bênção se destilou amavelmente em sua alma, enquanto meditavam nela. Eles se regozijavam, enquanto eram levados a descansar nas promessas que se encontravam bem próximas ao coração deles. Mas, além de meditar nas promessas, receba as mesmas como a própria Palavra de Deus.Diga à sua alma: "Se eu estivesse lidando com a promessa de um homem, consideraria atentamente as habilidades e o caráter do homem que havia feito uma aliança comigo. Isto também ocorre com as promessas de Deus. Meus olhos não devem permanecer tão fixos na grandeza da misericórdia -que pode me fazer cambalear -como na grandeza dAquele que prometeu - que me alegrará. Ó minha alma, é Deus –o teu Deus, o qual não pode mentir -que fala contigo. Esta promessa dEle que agora está considerando é tão verdadeira quanto a própria existência dEle. Ele é o Deus imutável. Ele não alterou aquilo que seus lábios proferiram, tampouco anulou qualquer das suas afirmações consoladoras. Não Lhe falta poder. É o Criador dos céus e da terra que faz esta promessa. Ele não erra em sabedoria quanto ao tempo em que concederá as bênçãos prometidas, porque sabe quando é melhor dá-las e quando é melhor retêlas. Portanto, visto que esta é a palavra de um Deus tão verdadeiro, tão imutável, tão poderoso, tão sábio, tenho de crer, e crerei, na promessa". Se meditamos nas promessas e levamos em consideração Aquele que prometeu, experimentaremos a doçura delas e obteremos o seu cumprimento.

  40. 327

    26 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    26 de Julho. Reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento. (2 Pedro 1.5)Se você desfruta da elevada graça da total certeza da fé, sob a abençoada influência e assistência do Espírito, faça o que a Escritura lhe diz: "Procurai, com diligência" (2 Pedro 1.10). Assegure-se de que a sua fé seja do tipo correto –isto é, não uma simples crença em doutrinas, e sim uma confiança singela que depende exclusivamente de Cristo. Acrescente cautela diligente à sua coragem. Implore que Deus lhe dê a face de um leão, para que você possa, consciente de estar fazendo o que é certo, avançar com ousadia. Estude bem as Escrituras e obtenha conhecimento, visto que o conhecimento da doutrina tende a confirmar a fé. Procure entender a Palavra de Deus; permita que ela habite ricamente em seu coração (ver Colossenses 3.16).Depois de haver feito isso, acrescente domínio próprio ao seu conhecimento (ver 2 Pedro 1.5,6). Tenha cuidado de seu corpo; seja moderado em seu exterior. Tenha cuidado de sua alma; seja moderado em seu íntimo. Obtenha temperança de lábios, vida, coração e pensamentos. E acrescente a tudo isso, a súplica ao Espírito Santo que Ele lhe dê a paciência que suporta as aflições -e que, uma vez provada, se manifestará preciosa como o ouro (ver Jó 23.10). Vista-se com paciência, a fim de que você não murmure nem fique deprimido em meio às aflições.Quando tiver obtido paciência, almeje a piedade, que é muito mais do que simples religiosidade. Faça da glória de Deus o objetivo de sua vida. Viva à vista dEle, e faça morada perto dEle. Busque companheirismo com Ele, e você será piedoso. À piedade acrescente o amor fraternal. Tenha amor para com todos os crentes. E ao amor fraternal acrescente a caridade que abre os braços a todos os homens e ama a alma de todos eles. Quando você estiver adornado com todas estas jóias, e à proporção em que pratica estas virtudes celestiais, reconhecerá com as mais claras evidências a sua vocação e eleição (ver 2 Pedro 1.10). "Procurai, com diligência", se você deseja encontrar segrança, pois a negligência e as dúvidas andam de mãos dadas.

  41. 326

    25 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    25 de Julho. Ele, porém, deixando as vestes nas mãos dela, saiu, fugindo para fora. (Gênesis 39.12)Ao lutarmos contra determinados pecados, não existe outra maneira de obtermos a vitória, exceto a fuga. Os antigos naturalistas escreveram muito sobre basiliscos, cujos olhos fascinavam suas vítimas e tornavam-nas vítimas fáceis; semelhantemente, o mero contemplar a perversidade nos coloca em solene perigo. Aquele que deseja estar protegido contra atos de peca­ do tem de fugir de ocasiões propícias a tais atos. Temos de fazer uma aliança com nossos olhos, a fim de que nem mesmo contemplemos aquilo que nos causa tentações, pois tais pecados necessitam somente de uma faísca para acendê-los e logo se tornam um fogo enorme. Quem deseja entrar no leprosário e dormir em meio à horrível deterioração ali existente? Somente aquele que deseja se tornar leproso cortejaria, desse modo, a contaminação. Se o marinheiro soubesse como evitar a tempestade, ele faria tudo para não correr o risco de passar por ela. Marinheiros cuidadosos não têm desejo de ver quão perto da areia movediça podem navegar, nem de ver com que frequência podem tocar uma rocha sem que a água entre no barco. Seu alvo é se manter tão distante do perigo quanto for possível e nevegar no meio de um canal seguro. Hoje, talvez eu esteja exposto a grandes perigos. Preciso ter sabedoria de uma serpente para manter-me distante deles e evitá-los. É verdade que eu posso ser um aparente perdedor ao rejeitar más companhias., porém, é melhor deixar a capa do que perder o caráter (ver Gênesis 39.12). Não é necessário que eu seja rico, mas é imperativo que eu seja puro. Nenhum laço de amizade ou correntes que me prendem ao engano da beleza, nenhum momento de talento carnal me afastará da sábia resolução de fugir do pecado. Tenho de resistir ao diabo; assim, ele fugirá de mim (ver Tiago 4.7). E tenho de fugir das concupiscências da carne, pois, do contrário, elas me vencerão. Ó Deus da santidade, preserve seus Josés a fim de que não sejam enfeitiçados por sugestões vis. Que a terrível trindade do mundo, da carne e do diabo nunca nos domine.

  42. 325

    24 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    24 de Julho. Aquietai-vos e vede o livramento do SENHOR. (Êxodo 14.13) Estas palavras contêm o mandamento de Deus para o crente quando este é levado a dificuldades extraordinárias. Ele não pode retroceder, nem seguir adiante. Está encerrado pela direita e pela esquerda. O que deve fazer agora? A mensagem do Senhor para esse crente é: "Aquieta-te". Será ótimo para ele se, em tais ocasiões, ouvir tão-somente a voz do Senhor, visto que surgem outros e maus conselheiros com suas proposições.O desespero sussurra: "Deite-se e morra; desista de tudo". No entanto, Deus almeja que andemos corajosa e alegremente, mesmo em nossos piores momentos, e nos regozijemos em seu amor e fidelidade. A covardia grita: "Retroceda, volte atrás, ao modo de agir do mundo. Você não pode viver como um crente. É muito difícil. Abandone seus princípios". Não importa o quanto Satanás tente incitá-lo a seguir esse modo de viver, você não pode segui-lo, se é um verdadeiro filho de Deus. Sua ordem divina lhe tem dito para ir "de força em força" (Salmos 84.7), e assim você irá, e nem morte ou inferno lhe desviará de seu curso. Se você é chamado a permanecer quieto por algum tempo, esta chamada lhe renovará as forças para um avanço maior no devido tempo. A pressa clama: "Faça alguma coisa. Mexa-se, porque permanecer quieto e esperar é indolência". Devemos agir imediatamente. Devemos agir, é o que pensamos, ao invés de olhar para o Senhor, que não somente fará algo e sim, tudo. A presunção se vangloria: "Se o mar está diante de você, marche nele e espere um milagre". Mas a fé não dá ouvidos à presunção, ao desespero, à covardia ou à pressa. A fé ouve a voz de Deus: "Aquiete-se", mantendo-se inabalável como uma rocha."Aquiete-se" -mantenha a postura de um homem ereto: pronto a agir, esperando novas ordens, enquanto aguarda com alegria e paciência a voz que o orienta. Em breve, Deus lhe dirá, tão claramente quanto Moisés falou ao povo de Israel: "Marchem" (Êxodo 14.15).

  43. 324

    23 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    23 de Julho. Tu mesmo eras um deles. (Obadias 11) Em seu tempo de necessidade, Edom devia bondade fraternal a Israel, mas ao invés disto, os homens de Esaú uniram forças com os inimigos de Israel. Na sentença acima, ênfase especial é colocada na palavra tu, como quando César exclamou para Brutus: 11Até tu, Brutus". Uma ação má pode se tornar pior por causa da pessoa que a praticou. Quando o povo eleito de Deus comete pecado, pecamos com ênfase, visto sermos altamente favorecidos. Se um anjo colocasse a mão em nosso ombro, quando cometemos uma ação errada, ele não precisaria usar outra repreensão além desta: "O que você está fazendo aqui?" Embora sejamos tão perdoados, tão redimidos, tão instruídos e tão abençoados, ousaremos utilizar nossas mãos na prática do mal? De modo nenhum!Alguns minutos de confissão podem ser benéficos para você nesta manhã, amado leitor. Você já se comportou como o ímpio? Em uma festa vespertina, certas pessoas riram por causa de uma piada indecente. Você agiu como eles, e a piada foi completamente inofensiva aos seus ouvidos. Quando palavras desagradáveis foram proferidas a respeito dos caminhos de Deus, você permaneceu em silêncio tímido, parecendo um dos que falaram tais palavras. Quando pessoas mundanas negociavam no mercado e conduziam transações avarentas, não era você como um deles? Quando buscavam a vaidade, não era você tão ganancioso pelo ganho quanto eles?Qualquer diferença poderia ser discernida entre você e eles? Existe alguma diferença? Estamos em contato íntimo. Seja honesto consigo mesmo e assegure-se de que você é uma nova criatura em Cristo Jesus (ver 2 Coríntios 5.17). Quando estiver certo disso, prossiga com vigilância, para que ninguém lhe diga novamente: "Tu mesmo eras um deles". Você não deseja compartilhar da eterna condenação deles; por que ser semelhante a eles? Posicione-se ao lado do povo de Deus e não ao lado do mundo.

  44. 323

    22 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    22 de Julho. Eu sou o vosso esposo. (Jeremias 3.14)O Senhor Jesus Cristo está unido ao seu povo em casamento. Em amor, Ele desposou sua igreja como uma virgem pura, antes mesmo que ela caísse sob o jugo de servidão. Repleto de afeições intensas, Ele trabalhou arduamente pela igreja, assim como Jacó trabalhou por Raquel, até que todo o dinheiro da aquisição fosse pago. Agora, depois de procurá-la por intermédio do Espírito Santo e trazê-la a conhecê-Lo e amá-Lo, Ele espera por aquela hora preciosa em que a bem-aventurança mútua se consumará na ceia das bodas do Cordeiro.O Noivo glorioso ainda não apresentou sua noiva, perfeita e completa, ante a Majestade do céu. Ela ainda não entrou, realmente, no gozo de seus privilégios como esposa dEle e rainha. A noiva ainda é um viajante em um mundo de aflição, um habitante nas tendas de Quedar (ver Salmos 120.5). No entanto, ela é, agora mesmo, a noiva, a esposa de Jesus, amada por Ele, preciosa aos olhos dEle, escrita nas mãos dEle e unida à sua Pessoa. Na terra, o Senhor Jesus realiza para a igreja todos os deveres amáveis de Esposo. Faz provisões abundantes para as necessidades dela, paga todas as dívidas dela, permite que ela utilize o nome dEle e compartilhe de toda a riqueza dEle. O Senhor Jesus não se comportará de modo diferente para com a igreja. Ele nunca falará a palavra "divórcio", visto que "odeia o repúdio" (Malaquias 2.16). A morte pode romper o laço de união conjugal entre os mais amorosos viventes, contudo, não pode destruir os laços deste casamento imortal. No céu, não haverá casamentos; os seus habitantes serão como os anjos de Deus. Apesar disso, existe uma exceção admirável a esta regra, pois no céu, Cristo e sua igreja celebrarão bodas jubilosas. Por ser mais durável esta afinidade, é mais íntima que casamentos terrenos. Embora o amor de um esposo possa ser tão puro e forte, não passa de uma pintura desbotada da chama que arde no coração de Jesus. Sobrepuja toda união humana este apego místico com a igreja, pela qual Cristo deixou seu Pai, e com quem se tornou uma só carne.

  45. 322

    21 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    21 de Julho. Afilha de Jerusalém meneia a cabeça por detrás de ti. (Isaías 37.22)Tendo a sua confiança renovada pela Palavra do Senhor, os pobres e temerosos cidadãos de Sião tornam-se ousados e meneiam a cabeça ante as vangloriosas ameaças de Senaqueribe. A fé vigorosa capacita os servos de Deus a olharem com prudente menosprezo os seus inimigos mais arrogantes. Sabemos que nossos inimigos tentam realizar coisas impossíveis. Procuram destruir a vida eterna, que não pode ser destruída enquanto o Senhor Jesus viver. Nossos inimigos procuram conquistar a fortaleza contra a qual as portas do inferno não prevalecerão. Eles recalcitram contra os aguilhões, (ver Atos 9.5 ARC), para sua própria ruína e se precipitam sobre o escudo de Jeová, que está levantado, para seu próprio ferimento. Conhecemos a fraqueza deles. São apenas homens, e estes não passam de vermes. Eles rugem e crescem como as ondas do mar, espumando sua própria vergonha. Quando o Senhor Jesus se levanta, os nossos inimigos são dispersos como a palha ao vento e consumidos pelo fogo como galhos ressecados. A total incapacidade de nossos inimigos causarem dano à obra e à verdade de Deus pode fazer o mais frágil soldado das hostes de Sião desdenhar deles com alegria. Acima de tudo, sabemos que o Altíssimo está conosco. Quando Ele se prepara para a batalha, onde ficam os seus inimigos? Se Ele se aproxima, os cacos de barro (ver Isaías 45.9) não mais contenderão com seu Criador. A sua vara de ferro os despedaçará, como um vaso de oleiro (ver Salmos 2.9), e a própria lembrança deles desaparecerá da terra (ver Jó 18.17). Fora, então, todos os medos! O reino está seguro nas mãos do Rei. Folguemos de júbilo, pois o Senhor reina; e seus inimigos serão como palha lançada no monturo.Tão verdadeiro quanto a própria Palavra de Deus; Nem terra, ou inferno, com toda a sua multidão, contra nós prevalecerão.De zombarias e desprezo somos alvo. Mas Deus está conosco; somos d Ele. E está garantida a vitória do salvo!

  46. 321

    20 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    20 de Julho. O penhor da nossa herança. (Efésios 1.14) Oh! que iluminação, que alegrias, que consolação, que de­ leite de coração tem desfrutado o homem que aprendeu a se alimentar tão-somente de Jesus! Apesar disso, a realização que temos da preciosidade de Cristo é incompleta nesta vida, em seus melhores aspectos. Conforme disse um antigo escritor: "É apenas um prelúdio!" Temos a experiência de que o Senhor é bondoso (ver 1Pedro 2.3), porém ainda não sabemos completa­ mente o quanto Ele é gracioso e bondoso. O que já sabemos da amabilidade do Senhor nos faz anelar por mais.Temos desfrutado das primícias do Espírito, mas elas nos têm feito sentir fome e sede pela plenitude da vindima celestial. Gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção. Aqui somos como Israel no deserto, que tinha apenas um ramo de vide do vale de Escol; lá, estaremos num vinhedo. Aqui, vemos o maná caindo em pequenez, semelhante a uma semente de coentro; na eternidade, porém, comeremos o verdadeiro pão do céu e o fruto do reino.Somos iniciantes na educação espiritual. Embora já tenhamos aprendido as primeiras letras do alfabeto, ainda não podemos ler palavras, nem colocar as sentenças juntas. Mas como disse alguém: "Aquele que esteve no céu por cinco minutos sabe mais que a assembleia geral dos santos na terra". Talvez tenhamos, no momento, muitos desejos que ainda não foram satisfeitos; todavia, em breve todos os nossos desejos serão satisfeitos. Todos os nossos poderes encontrarão o mais doce uso no eterno mundo de alegria. Ó crente, antecipe o céu por alguns anos. No tempo certo, ficaremos livres de todas as aflições e provações. Os olhos agora inundados por lágrimas nunca mais chorarão. Contemplaremos, em êxtase inefável, o esplendor dAquele que se assenta no trono. Ainda mais, nós sentaremos em seu trono. Teremos parte no triunfo do Senhor Jesus. Sua coroa, sua alegria e seu paraíso serão nossos, e seremos co-herdeiros juntamente com Ele, que é o herdeiro de todas as coisas (ver Hebreus 1.2).

  47. 320

    19 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    19 de Julho. O SENHOR, nosso Deus, nos fez ver a sua glória. (Deuteronômio 5.24)O grande intento de Deus em todas as suas obras é a manifestação de sua própria glória. Qualquer objetivo menor que este seria indigno dEle. De que modo a glória de Deus se manifestará a criaturas pecaminosas como nós? Os olhos do homem são tortuosos; são inclinados à contemplação de sua própria glória. O homem possui uma estima sobremodo elevada a respeito de suas próprias capacidades. Ele não está qualificado a contemplar a glória de Deus. Portanto, é evidente que o ego tem de se retirar, a fim de que haja lugar para Deus ser exaltado. Esta é a razão por que Ele permite que seu povo experimente provações e dificuldades. Ao tornar-se cônscio de sua tolice e incapacidade, o povo de Deus estará pronto para contemplar a majestade e a glória dEle, quando se manifestar a fim de prover­lhes livramento.Aquele que está vivendo em sossego e tranquilidade verá pouco da glória do Senhor. Aqueles que navegam em pequenas correntes e em rasos riachos, conhecem pouco do Deus das tempestades, mas aqueles que "fazem tráfico na imensidade das águas, esses vêem as obras do SENHOR e as suas maravilhas nas profundezas do abismo" (Salmos 107.23, 24). Em meio às eleva­ das ondas de aflição, pobreza, tentação e repreensão, conhecemos o poder de Jeová, porque sentimos a insignificância do homem. Por conseguinte, seja agradecido a Deus, se você está sendo guiado por um caminho árduo. Isto lhe proporciona a experiência da grandeza e amabilidade de Deus. Suas dificuldades têm-no tornado rico com um tesouro de conhecimento que não pode ser obtido de qualquer outro modo. Suas provações têm sido a fenda da rocha na qual Jeová o colocou, como fez com seu servo Moisés, a fim de que você possa contemplar a glória dEle, quando esta passar. Louve a Deus, porque você não foi deixado nas trevas e na ignorância em que a prosperidade ininterrupta poderia tê-lo envolvido. Na batalha das aflições, você tem sido capacitado a vencer na glória de Deus, por causa do modo maravilhoso como Ele lida com seus filhos.

  48. 319

    18 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    18 de julho. Marcharão no último lugar, segundo os seus estandartes. (Números 2.31)O arraial de Dã vinha na retaguarda, quando os exércitos de Israel estavam em marcha. Os danitas ocupavam o último lugar. Entretanto, que importância tinha essa posição, visto que eles, assim como as tribos que ocupavam a dianteira, também eram parte autêntica das hostes de Israel? Eles seguiam a mesma abrasadora coluna de nuvem. Comiam do mesmo maná, bebiam da mesma rocha espiritual e peregrinavam em direção à mesma herança.Ó meu coração, vem e anima-te, embora sejas o menor e o último; tens o privilégio de estar no exército e viver como aqueles que lideram o povo. No que diz respeito à honra e estima, alguém precisa estar na retaguarda. Alguém precisa realizar para Jesus, serviços de pouco valor e, por que não eu? Numa vila pobre, no campo, ou numa rua afastada entre pecadores degradados, eu trabalharei marchando no último lugar, segundo meu estandarte. Os danitas ocupavam um lugar bastante útil. Aqueles que caminhavam lentamente precisavam ser ajudados durante a marcha, e os bens perdidos tinham de ser recolhidos na peregrinação. Os espíritos ousados podem avançar apressada­ mente em direção a caminhos inexplorados, a fim de aprenderem novas verdades e ganharem outras almas para Jesus. No entanto, um espírito mais conservador pode estar envolvido em relembrar à igreja a sua antiga fé e em revigorar seus filhos desanimados. A retaguarda é uma posição de perigo. Existem inimigos tanto atrás de nós como adiante. Os ataques podem vir de qualquer direção. Lemos que Amaleque assaltou Israel e matou alguns da retaguarda. O crente maduro encontrará para as suas armas um precioso serviço em auxiliar a alma insegura, vacilante e frágil daqueles que, no que concerne à fé, conheci­ mento e alegria, se encontram na retaguarda. Não podemos deixá-los sem auxílio. Assim, deveria ser trabalho dos crentes preparados, carregar seus estandartes entre a retaguarda. Ó minha alma, esteja em alerta para ajudar cordialmente aqueles que estão na retaguarda.

  49. 318

    17 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    16 de Julho . Colhiam-no, pois, manhã após manhã. (Êxodo 16.21) Trabalhe para manter um senso de completa dependência da boa vontade e prazer do Senhor, para que esteja continua­ mente desfrutando das mais ricas alegrias. Nunca procure viver alimentando-se do velho maná, nem tentando encontrar auxílio no mundo. Tudo precisa vir de Jesus ou você estará arruinado para sempre. Unções antigas não serão suficientes para ungir seu espírito agora. Sua cabeça precisa ter óleo novo derramado sobre ela, óleo proveniente dos chifres de ouro do santuário; pois, de outro modo, ela perderá a sua glória. Hoje, talvez você esteja no cume do monte de Deus, mas Aquele que o colocou ali tem de continuar preservando-o nesse lugar, pois, se Ele não fizer isso, você cairá mais rápido do que jamais sonhou. Se Ele ocultar a face, logo você estará em dificuldades. Se o Salvador assim decidir, não haverá janela através da qual você vê a luz do céu que não possa ser escurecida por Ele num instante. Josué ordenou que o sol permanecesse no céu, mas Jesus pode cobri-lo em escuridão total. Somente Jesus pode completar a alegria do seu coração, a luz dos seus olhos e a força da sua vida.A consolação está nas mãos do Senhor e de acordo com a vontade dEle, elas podem lhe deixar. Ele determinou que sintamos e reconheçamos esta dependência frequente, visto que Ele nos permite orar somente pelo pão diário (ver Mateus 6.11). Ele promete que, "como os teus dias, durará a tua paz" (Deuteronômio 33.25). Não é bom para nós que seja assim, a fim de nos aproximarmos do trono dEle e sermos constantemente lembra­ dos do seu amor? Oh! quão rica é a graça que supre continua­ mente as necessidades e não se restringe por causa de nossa ingratidão! As chuvas preciosas nunca cessam, a nuvem de bênçãos paira continuamente sobre a nossa habitação. Ó Senhor Jesus, prostramo-nos a teus pés, conscientes de nossa total incapacidade de fazermos qualquer coisa sem Ti. E, em qual­ quer favor que somos privilegiados em receber, adoraremos teu bendito nome e reconheceremos teu inexaurível amor.

  50. 317

    16 de julho | Devocional Diário CHARLES SPURGEON

    16 de Julho . Colhiam-no, pois, manhã após manhã. (Êxodo 16.21) Trabalhe para manter um senso de completa dependência da boa vontade e prazer do Senhor, para que esteja continua­ mente desfrutando das mais ricas alegrias. Nunca procure viver alimentando-se do velho maná, nem tentando encontrar auxílio no mundo. Tudo precisa vir de Jesus ou você estará arruinado para sempre. Unções antigas não serão suficientes para ungir seu espírito agora. Sua cabeça precisa ter óleo novo derramado sobre ela, óleo proveniente dos chifres de ouro do santuário; pois, de outro modo, ela perderá a sua glória. Hoje, talvez você esteja no cume do monte de Deus, mas Aquele que o colocou ali tem de continuar preservando-o nesse lugar, pois, se Ele não fizer isso, você cairá mais rápido do que jamais sonhou. Se Ele ocultar a face, logo você estará em dificuldades. Se o Salvador assim decidir, não haverá janela através da qual você vê a luz do céu que não possa ser escurecida por Ele num instante. Josué ordenou que o sol permanecesse no céu, mas Jesus pode cobri-lo em escuridão total. Somente Jesus pode completar a alegria do seu coração, a luz dos seus olhos e a força da sua vida.A consolação está nas mãos do Senhor e de acordo com a vontade dEle, elas podem lhe deixar. Ele determinou que sintamos e reconheçamos esta dependência frequente, visto que Ele nos permite orar somente pelo pão diário (ver Mateus 6.11). Ele promete que, "como os teus dias, durará a tua paz" (Deuteronômio 33.25). Não é bom para nós que seja assim, a fim de nos aproximarmos do trono dEle e sermos constantemente lembra­ dos do seu amor? Oh! quão rica é a graça que supre continua­ mente as necessidades e não se restringe por causa de nossa ingratidão! As chuvas preciosas nunca cessam, a nuvem de bênçãos paira continuamente sobre a nossa habitação. Ó Senhor Jesus, prostramo-nos a teus pés, conscientes de nossa total incapacidade de fazermos qualquer coisa sem Ti. E, em qual­ quer favor que somos privilegiados em receber, adoraremos teu bendito nome e reconheceremos teu inexaurível amor.

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C. H. Spurgeon nos leva a refletir sobre as maravilhas do amor de Deus. Destacando versículos bíblicos para cada dia do ano, Spurgeon os comenta de modo piedoso, submisso e encorajador, oferecendo-nos a nutrição que a nossa alma necessita.

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