PODCAST · arts
Podcast do Desassossego
by João Inácio de Paiva
O «Livro do Desassossego» em lo-fi.(NOVA MORADA: anchor.fm/desassossego.)~{Música: «The Road» (Punk Rock Opera, 2018)}
Episodes
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Olá, ouvinte.
O Podcast do Desassossego tem nova morada — anchor.fm/desassossego — e um bom vizinho — anchor.fm/poesiacrua. Saúde!
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169. Releio lúcido, demoradamente ...
Tudo quanto fazemos, na arte ou na vida, é a cópia imperfeita do que pensámos em fazer.
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167. Estou num dia em que me pesa ...
Tudo é nós, e nós somos tudo; mas de que serve isto, se tudo é nada?
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166. Se considero com atenção a vida ...
Cães e homens, gatos e heróis, pulgas e génios, brincamos a existir, sem pensar nisso (que os melhores pensam só em pensar) sob o grande sossego das estrelas.
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165. Tudo quanto não é a minha alma é para mim ...
O que sofre sofre só.
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164. A inacção consola de tudo.
Imaginar é tudo, desde que não tenda para agir.
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163. A experiência directa é o subterfúgio ...
Narrar é criar, pois viver é apenas ser vivido.
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162. Tudo quanto de desagradável nos sucede na vida ...
A vida deve ser, para os melhores, um sonho que se recusa a confrontos.
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161. Nada me pesa tanto no desgosto ...
Mas os termos "dever cívico", "solidariedade", "humanitarismo", e outros da mesma estirpe, repugnam-me como porcarias que despejassem sobre mim de janelas.
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160. Todo o dia, em toda a sua desolação ...
Tudo para nós, está em nosso conceito do mundo; modificar o nosso conceito do mundo é modificar o mundo para nós, isto é, é modificar o mundo, pois ele nunca será, para nós, senão o que é para nós.
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159. Duas vezes, naquela minha adolescência ...
São sempre cataclismos do cosmos as grandes angústias da nossa alma.
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157. Criar dentro de mim um Estado ...
Há metáforas que são mais reais do que a gente que anda na rua.
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155. Como há quem trabalhe de tédio ...
O devaneio, em que naturalmente se perde quem não pensa, perco-me eu nele por escrito, pois sei sonhar em prosa.
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154. Quem sou eu para mim?
Como tudo cansa se é uma coisa definida!
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152. Pasmo sempre quando acabo qualquer coisa.
Este livro é a minha cobardia.
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151. Lento, no luar lá fora da noite lenta ...
Como parabéns do alto a quem não ouve, há uma paz triste na luz dura da lua.
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150. A persistência instintiva da vida ...
Irmãos na comum insciência, modos diferentes do mesmo sangue, formas diversas da mesma herança — qual de nós poderá renegar o outro?
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149. Muitos têm definido o homem ...
Falhei, como a natureza inteira.
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148. O homem perfeito do pagão ...
A natureza é a diferença entre a alma e Deus.
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147. Todo esforço, qualquer que seja ...
Só um baixo fim vale a pena, porque só um baixo fim se pode inteiramente efectuar.
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145. Quanto mais alto o homem ...
Com estas psicologias metafísicas se consolam os humildes como eu.
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144. Depois dos dias todos de chuva ...
Sim, o que eu sou fora insuportável, se eu não pudesse lembrar-me do que fui.
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143. Tenho mais pena dos que sonham o provável ...
Durmo sobre os cotovelos onde o corrimão me dói, e sei de nada como um grande prometimento.
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141. PAISAGEM DE CHUVA
Em cada pingo de chuva a minha vida falhada chora na natureza.
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140. Acontece-me às vezes, e sempre que acontece ...
Escrevo como quem dorme, e toda a minha vida é um recibo por assinar.
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139. Há muito tempo que não escrevo.
Há muito tempo que não sou eu.
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138. Há uma erudição do conhecimento ...
O universo não é meu: sou eu.
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137. ... a hiperacuidade não sei se das sensações ...
(Talvez não seja mais em mim que a máquina de revelar quem não sou.)
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136. O peso de sentir!
O peso de ter que sentir!
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135. As coisas mais simples, mais realmente simples ...
E odeio sem ódio todos os poetas que escreveram versos, todos os idealistas que fizeram ver o seu ideal, todos os que conseguiram o que queriam.
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134. Busco-me e não me encontro.
Deus fez da minha alma uma coisa decorativa.
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133. ... o mundo, monturo de forças instintivas ...
Negar o mundo, virar-se dele como de um pântano a cuja beira nos encontrássemos.
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131. Não tendo que fazer, nem que pensar em fazer ...
E uma das latas caiu, como o Destino de toda a gente.
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130. Penso, muitas vezes, em como eu seria ...
É que a banalidade é uma inteligência e a realidade, sobretudo se é estúpida ou áspera, um complemento natural da alma.
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129. O moço atava os embrulhos de todos os dias ...
O apocalipse tinha passado.
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128. Repudiei sempre que me compreendessem.
Ser compreendido é prostituir-se.
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127. Não me indigno, porque a indignação ...
Tomar o sonho por real, viver demasiado os sonhos deu-me este espinho à rosa falsa de minha sonhada vida: que nem os sonhos me agradam, porque lhes acho defeitos.
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126. Tenho grandes estagnações.
Seja como for, deixo que seja.
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125. Não fizeram, Senhor, as vossas naus ...
Fitei, Senhor, esse abismo que se não pode ver.
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124. (Chapter on Indifference or something like that)
Toda a alma digna de si própria deseja viver a vida em Extremo.
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123. Sou curioso de todos, ávido de tudo ...
Sou metade sonâmbulo e a outra parte nada.
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122. A ideia de viajar nauseia-me.
Quando se sente de mais, o Tejo é Atlântico sem número, e Cacilhas, outro continente, ou até outro universo.
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121. Como todo o indivíduo de grande mobilidade ...
Abomino a vida nova e o lugar desconhecido.
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