PODCAST · religion
Poesias Pe. Alfredo José Gonçalves
by Alfredo José Gonçalves
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Migrantes - Diferentes e Iguais - Volume I
De onde vens, para onde vais? -De onde vens, para onde vais? -Venho de todo lugar, não tenho nome, Sei o que é dor e fome. Busco terra, casa e comida, A Vida! -De onde vens, para onde vais? -Venho de todo lugar, não tenho nome, Sei o que é dor e fome. Busco terra, casa e comida, A Vida! -De onde vens, para onde vai? -Venho do hemisfério sul, Terceiro mundo do planeta. Meu sonho é melhorar, vencer, Viver! -De onde vens, para onde vais? -Venho da crise e do desemprego, Ambos filhos do neoliberalismo. Luto por veredas, um atalho, Trabalho! -De onde vens, para onde vais? -Venho dos porões da clandestinidade, Esquecidos e escuros, imundos e fétidos. Procuro dignidade e paz, a luz do dia, Cidadania! -De onde vens, para onde vais? -Venho da seca e do abandono Conheço saudade e desespero. Busco gestos de amizade, Solidariedade! -De onde vens, para onde vais? -Venho de fora e de longe, Sou negro, amarelo, branco. Que culpa tenho de ser diferente? Sou gente! -De onde vens, para onde vais? -Venho da discriminação, do preconceito. Sei de muros, medos, leis, solidão . Quero um mundo sem fronteiras, Nem bandeiras! -De onde vens, para onde vais? -Venho da resistência e teimosia. Valente e intrépido na travessia. Da luta faço rima e até sátira, Na construção da Grande Pátria! Alfredo J. Gonçalves
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Migrantes - Diferentes e Iguais - Volume I
Abra a porta São pés aos milhares, pisando firmes a estrada, país da dores e esperanças de minha gente cansada. São olhos aos pares, fixos em algum horizonte, jovens irmãos forjando um amanhã diferente. São mãos de muitos calos, porém de ternura e carinho; mãos de todo um povo que da história abre caminho. Corpos famintos, almas sedentas em busca de pão e algo mais; famílias inteiras ao relento; na cidade e no campo, quantos ais. Abra a porta meu irmão, há alguém do lado de fora; solidário estenda a mão, abra a porta sem demora. Abra também o coração, rompa muros e preconceitos; o amor supera toda lei, eis o novo e o maior preceito. Todo homem tem direitos: -terra, trabalho, vida, - toda família quer casa, pra verdadeira cidadania. São Paulo, 22 de dezembro de 1993
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