PODCAST · music
Quilombo Academia - USP
by Jornal da USP
Programa que aborda temas afrodescendentes, indígenas e latinoamericanos por meio da música e dos artistas brasileiros.
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Quilombo Academia: Nara canta a alegria abraçada com a tristeza, na narrativa das composições de Zé Keti e juntos formaram uma parceria representativa da MPB
Nara, foi uma “musa” que rompeu com a bossa nova e deu voz ao samba e sambistas dos morros cariocas. Com a singularidade da delicadeza militante Nara canta anunciado a esperança revolucionara. Na voz militante de Nara Leão as obras de Zé Keti ganham dimensão de um manifesto contra solidão no circo da opressão eurocaucasiana. O afrodescendente Zé Kéti teve uma história cujo destino o premiou com música. Neto do pianista e flautista João Dionizio Santana, e filho do marinheiro Josué Vale da Cruz, que se destacava com seu cavaquinho. As composições de Zé Keti denunciavam a falta de saneamento do Morro, que não permitia a chegada do médico, antes que a pessoa chegasse ao óbito.
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Quilombo Academia: Marisa Monte realça a tamboralidade da sua música realçando-a com um arranjo entre a música popular e a erudita
Marisa interpreta com ternura a imprevisibilidade do amor que em razão da sua polissemia na multiplicidade existencial, não é percebida a monoculturalidade cartesiana da lógica acumulativa do capitalismo eurocaucasiano. Por outro lado, a doçura da levada do samba da Marisa traz uma espontaneidade miscigênica, revelando equilíbrio entre o conteúdo e a forma, cuja sedução estética da corporalidade afrodescendente aponta para abertura na amplitude holística do amor. Rompendo com monismo eurocêntrico.
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Quilombo Academia: a postura crítica de Gonzaguinha é sua principal característica como compositor
Gonzaguinha se colocava em luta nas suas letras e em suas interpretações, entregando-se como uma pessoa que sonha com a esperança como uma expressão da própria vida. Esse compositor se junta às crianças para dar uma resposta idílica e nova sobre o que é a vida, rompendo com geronto patriarcalismo eurocêntrico. Como guerrilheiro dos sonhos, Gonzaguinha nos convoca para a trincheira da alegria, sugerindo que isso é o sentido que nos move à batalha por um amanhã melhor. As canções de Milton Nascimento trazem uma abordagem pedagógica da dor de um amor que se foi deixando uma força de querer amar de novo. Com dialético da esperança, em que se não for possível, não haverá mais sofrimento. Como na compreensão freiriana o ensinamento do amor tem o caminho da liberdade.
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Quilombo Academia: Alaíde Costa apresenta sua africanidade inspirada em diferentes expressões musicais afro diaspóricas.
As canções interpretadas por Alaide Costa trazem sugestões pedagógicas de nuances dialéticas, sugerindo o ensinamento no qual aquilo que se perde enseja dor na medida em que implica também na fragmentação de um pertencimento. Essa possibilidade tem uma orixalidade sofisticada, que se percebe no pensamento do pesquisador Luiz Rufino, no seu livro Pedagogia da Encruzilhada, em que sugere a dialética do orixá Exu, com a significação da palavra e a polissemia da ação. Razão pela qual a interpretação da voz negra de Alaíde Costa tem uma potência que conjuga o místico e o político. João do Vale aborda o sofrimento do sertanejo, esquecido tal qual a possível eco epistemologia, da sabedoria popular. Onde se dá, na canção, a consciência de respeito a biodiversidade, que permitirá percepção da ciência da abelha, da aranha e do sertanejo. Por outro lado, tem um lugar telúrico da alegria dialética, em que a polissemia sagrada da festividade é substancial a herança africana lúdico gregária, quando se tem a voz negra do João do Vale, que revela o jeito real do Brasil.
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Quilombo Academia: o cavaco, a cuíca e o violão demarcam a estética do pagode e do samba de raiz de Almir Guineto e Zeca Pagodinho
Almir Guineto nasceu no Morro do Salgueiro, na cidade do Rio de Janeiro, e sublevou o samba ao introduzir o banjo americano com braço de cavaquinho. O banjo adaptado ao cavaquinho foi uma invenção que deve ser creditada a Almir Guineto e Mussum. Sua genialidade musical o tornou em um fiel sambista brasileiro. Vale lembrar que Almir foi um dos fundadores do grupo Fundo de Quintal. Zeca Pagodinho é um mestre do samba e suas composições são marcadas por demonstrar o mundo da malandragem com muita inteligência e sagacidade. Quando a cultura popular é apropriada pela elite perde a essência; mas, poetas como Zeca Pagodinho e Almir Guineto têm esperança que no futuro a resistência artística inflame à dialética chama de elevação popular.
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Quilombo Academia: a interpretação aguda de Gal Costa mostra a africanidade como símbolo de um humanismo contemporâneo
Gal Costa marca seu repertório com canções que são baseadas na axiologia da negritude na musicalidade. Em seu repertório estão composições que trazem a noção iorubá de eternidade, uma vez que compreende que só morre aquele que não é lembrado. A Adriana Calcanhoto canta, com uma espécie de balanço existencial da afrocircularidade. Como se estivesse sugerido que a polissemia artística do negro é a corporalidade africana. Lembrando que para a cultura bantu, dança e música se confundem.
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Quilombo Academia: as divas Clementina de Jesus e Mariene de Castro apresentam a africanidade com o ritmo Ijexá
Nascida em 1901 Clementina de Jesus da Silva também era conhecida como Tina ou Quelé. Essa cantora brasileira nos deixou uma importante contribuição referente aos cantos tradicionais da cultura negra, pois popularizou os cantos dos escravos e o samba. A cantora Mariene de Castro perpassa, por diferentes ritmos, e baseia-se na musicalidade afrodescendente sua negritude vai paroxismo com a inserção do samba tradicional, dinamizando a melodia com seu canto. A diva aponta a gênese da consciência de biodiversidade na cosmovisão africana primogênita. No seu canto as relações bioexistências são manifestações da orixalidade.
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Quilombo Academia: a tamboralidade na quilombagem do clã do Martinho da Vila e sua herdeira Mart’nalia
O legado da africanidade na Vila Isabel encontra em Martinho da Vila seu principal expoente, trazendo uma tamboralidade negra que aprofunda a humanidade da relação entre, o Brasil e Angola. Essa emergência artística do afrodescendente como sujeito contribuiu, ‘ao meu quase cego ver’, para a superação da excludente institucionalidade diplomática eurocêntrica, que tem, infelizmente, ainda inequívoca restrição racial, contra o negro. A quilombagem do clã de Martinho da Vila dá seu contributo civilizatório, trazendo mais força a consciência de respeito à diversidade, que tem origem egípcio-bantu, sendo a mais antiga civilização da história da humanidade, como protagonismo da Mart’nalia principal herdeira é uma grande cantora, revelando-se também na representatividade das minorias.
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Quilombo Academia: O sentimento, crítico e reflexivo, da irreverência do canto negro de Maria Bethânia, Virgínia Rodrigues e Leci Brandão
A africanidade das interpretações de Bethânia evidencia a orixalidade, composta no sonsigno da alegria, que se encontra na esperança do machado do Xangô, que significa justiça e na mitologia yoruba o Xangô simboliza também o fogo justificando a fogueira como signo da festa as interpretações de Bethânia, que chega à perfeição. O lirismo nas interpretações da diva Virginia Rodrigues sugere Xangô, orixá da justiça, em uma corporalidade procissional, na utópica negra coletiva. Essa ritualidade caracteriza o afoxé, um candombe de rua, onde Xangô segue ovacionado e, dando axé da ética aos presentes, propugnando por amor sem limite. Nas composições de Leci Brandão nota-se à promoção da igualdade racial, e ao respeito às tradições de matriz africana.
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Quilombo Academia: a postura crítica de Gonzaguinha é sua principal característica como compositor
Gonzaguinha era um apaixonado irreparável. Com a sua afrodescendência essencialmente crítica e esperançosa, ele fazia dos sentimentos suas canções. Gonzaguinha se colocava em luta nas suas letras e em suas interpretações, entregando-se como uma pessoa que sonha com a esperança como uma expressão da própria vida. Nos bordões executados com o piano, o músico canta o sonho por dignidade, que é negado pelo euro-hetero-macho-autoritário.
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10
Quilombo Academia: Roberto e Erasmo Carlos, sugere rompimento com a distopia eurocaucasiana
Roberto Carlos, como seu perfil de brasileiro inequivocamente miscigênico, revela a sua africanidade a partir do samba. Essa originalidade intensificou ainda mais a sua irreverente roqueira, dialogando com samba. Isso se deu em um período de total influência da articulação do staccato no samba bossa novista do baiano João Gilberto, que impactou o Roberto. Ele demonstra nuance dessa articulação na sua interpretação. Com essa competência charmosa Roberto canta o carnaval cujo protagonismo é a cultura negra. A maturidade musical de Erasmo Carlos é ‘ao meu quase cego ver’ impregnada de uma bossa nova nostálgica, que se mostra inquietante no pensamento estético desse artista. É provável que uma espécie de retro relação dialógica com a tamboralidade da bossa nova de João Gilberto leva os deuses da jovem guarda a retomar um protagonismo de um grupo de vanguarda musical. A dupla, Erasmo e Roberto, faz uma crônica do gélido imaginário de negação fatalista eurocêntrica ao calor na existencialidade lúdica da vida do sambista.
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Quilombo Academia: A passionalidade vocal da interpretação de Jair Rodrigues celebrizou muitas canções
Jair Rodrigues parece antecipar rap brasileiro, em que a melodia tem a forte influência rítmica, baseada na prosódia das palavras que são acentuadas nas silabas tônicas. Como no ritmo do coco, uma espécie de canção de trabalho nordestino, das regiões praieiras, onde se quebra o coco cantando. A espontaneidade do canto negro de Jair Rodrigues africaniza ainda mais as canções que interpreta.
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Quilombo Academia: Nara Leão ícone da emergente estética marxista carioca, demonstra que o samba do negro empobrecido se tornou referência, para a vanguarda elitizada, da zona sul
Na voz militante de Nara Leão ganha dimensão de um manifesto contra solidão no circo da opressão eurocaucasiana, na compreensão nietzschiana a arte é para a suportar a dureza da vida. Fenômeno próprio da representação artificial/exógena da pequena burguesia, com a aparência apolínea do bom mocismo. Essa crítica é feita com elementos da africanidade distribuídos pela instrumentação musical baseada no ritmo sincopado do samba, que acomoda a voz negra do canto de Nara Leão.
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Quilombo Academia: Guinga e Moacir Santos fazem um irretocável inventário léxico-musical crítico ao comportamento do patriarcalismo eurocaucasiano
As canções interpretadas por Guinga são movidas por uma ética com base nos respeitos à diversidade e à biodiversidade, originadas na cosmovisão egípcio-bantu, que segundo Enrique Dussel é mais antiga civilização da humanidade. Caracterizada por inequívoca nuance de afirmação de minoria vulnerável as canções contribuem para formar um questionamento a lógica acumulativa do euro-hetero-macho-autoritário, que é estranha ao respeito à biodiversidade própria antiga da ética africanidade. As composições de Moacir Santos são um mantra que se unem, nas melodias, instrumental e vocal, permeado por um comportamento jazzístico. Os arranjos de suas canções têm roupagem do xote, com uma seção rítmica pop que é caracterizada na bateria eletrônica. Moacir demonstra a espiritualidade como essência na corporalidade da música negra. Apontando-a no paroxismo do seu arranjo, com erudição de subjacência popular, afrodiaspórica, estado-unidense.
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Quilombo Academia: Rosa Marya faz uma interpretação telúrica na sua virtuosidade sofisticada em proveito da brasilidade miscigênica
A melodia da voz, da Rosa Marya Colin, desenvolve um discurso musical apoiado no ritmo do blues, caracterizado na guitarra, no baixo, na gaita e na bateria, com subjetividade feminista em proveito das minorias vulneráveis. Rosa Marya faz do seu canto uma tribuna erudita, fazendo um inventário da dimensão existencial do matriarcado, na teluricidade mítica afro-ameríndia sugerindo nuance de romantismo dialético, onde a união do amor na praça faz brotar a rosa, que canta a voz de todas marias. Rita Lee explora diferentes gêneros musicais que se interseccionam com a afrodiasporicidade. Rita Lee é uma cantora eclética que abraça diversos gêneros da musicalidade africanidade diaspórica e passeia por diferentes estilos musicais brasileiros os quais retratam a sua africanidade.
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Quilombo Academia: Elis Regina e Maria Rita mãe e filha interpretam a africanidade miscigênica
Elis Regina e Maria Rita são mãe e filha, Elis consolidou-se como interprete da Música Popular Brasileira – MPB embora tenha sido uma interprete eclética, já Maria Rita tem consolidado sua carreira como interprete de samba, mas como sua mãe, também interpreta canções da Música Popular Brasileira. A Pimentinha é reconhecida por sua capacidade inegável de interpretação musical. Maria Rita é filha de Elis com César Camargo Mariano e já interpretou vários clássicos de Elis.
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Quilombo Academia: a intersecção de gênero na crítica social no canto da Bethânia e Chico
A música de Chico Buarque traz inequívoca intersecção de gênero e raça, mostrando que a pobreza tem cor. Sua arte revela uma construção criativa original, sugerindo seu compromisso com afrodescendência empobrecida. Percebe-se nele uma influência marxista, caracterizada do neorrealismo que foi presente na sintaxe do cinema novo glauberiano, em que o negro foi eleito referencial estético, representando proletariado e o desdobramento de pobreza. Razão pela qual a crítica reflexiva do samba no Chico é uma concorrência para reconstituição da ambiência lúmpen proletário, vista nas ruas, nos becos, nos botequins e nas gafieiras cariocas. A Maria Bethânia tem uma interpretação, calçada na teluricidade crítica e reflexiva, cuja subjacência é os violões de rua do Centro Popular de Cultura, o histórico CPC da UNE. É, neste contexto, que o samba, o bolero e o baião estão presentes no seu repertório, tem o propósito de construir a beleza existencial do empobrecido miscigênico. Fazendo com isso uma afirmação positiva das axiologias multiculturais, configurada na amalgama ibero-ásio-afro-ameríndio. Como forma de luta contra a imposição autoritária da euroheteronormatividade, que determina o euro-hetero-macho-autoritário.
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Quilombo Academia: sofisticada africanidade no canto de Livia Nestrovski e no violão do Guinga
A erudição popular na interpretação de Livia Nestrovski traz, ‘ao meu quase cego ver’, uma insurgência subjetiva, sugerindo aspectos objetivos da realidade. A seu canto buca no mar possibilidade de diálogo com o continente negro. Sua obra tem sugestiva tamboralidade miscigênica a Livia Nestrovski sugere uma dimensão idílica de negritude. Sua musicalidade indica uma africanidade melancolia, que é percebida no dedilhado do violão. É perceptível nela que as notas metaforizam o lamento negro. Fenômeno que estabelece uma relação dialógica com Villa Lobos, que foi influenciado pela afrodiasporicidade. A obra sofisticação musical de Guinga está caracterizada no seu perfeccionismo. As vozes são conjugadas com orquestra de câmara promovem uma circularidade espiral, de possível musicalidade ancestral dos engenhos e das veredas. O dimensionamento erudito popular, visto no Guinga concorreu para criativa construção de um irretocável inventário léxico-musical, sugerindo nuances críticas e reflexivas do comportamento da sedução amorosa no patriarcalismo eurocaucasiano do período colonial, contribuindo para um repensar da persistência eurocolonial, que se percebe no bom mocismo apolíneo, do homem branco com símbolo da perfeição e harmonia, em detrimento dos outros segmentos raciais.
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Quilombo Academia: a competência vocal no canto miscigênico de Elis Regina e sua notável entrega emocional
A inquietude irreverente de Elis Regina sugere compromisso político social com o seu tempo. A Pimentinha demostrava forte insatisfação com os limites impostos as mulheres de sua geração, o que a levava a uma irreverente rebeldia contra o estabelecido e foi um ícone da resistência a ditadura militar.
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Quilombo Academia: Arlindo Cruz é uma figura proeminente do carnaval carioca e iniciou sua carreira participando do grupo Fundo de Quintal
Arlindo Cruz inicia a carreira solo na década de 1990, com o lançamento do seu primeiro álbum denominado Arlindinho. Suas composições têm a negritude presente na tamboralidade do samba e uma percepção que o diálogo é a ponte para a união das pessoas. A genialidade do artista traz a percepção do samba como um território de paz considerando a corporeidade negra, onde a alma é como um tempo de conjugação multidimensional. Cruz traz uma crítica à falsa aparência para imposição do poder pequeno burguês, para seu canto a liberdade da revelação interior está na vida simples dos empobrecidos negros e não brancos. Com o sentimento, crítico e reflexivo, da irreverência do canto negro Leci Brandão chama atenção para engajamento nas lutas para superar os problemas, decorrentes das desigualdades que resultam nas injustiças sociais tratando-se de um posicionamento que tem sido, infelizmente, raro, diante do costume diatópico convencional, que é dado pela alienação de importantes escolas de samba.
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Quilombo Academia: Na erudição popular do canto de Lívia Nestrovski se vê uma expressão da contemporaneidade inclusiva
Atenta as demandas emergentes da sociedade, a musicóloga tem um repertório que populariza o erudito e torna erudito popular. Lívia Nestrovski é de uma nova geração de cantoras que fazem da academia o seu palco e do palco um espaço acadêmico.
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Quilombo Academia: O corpo negro é território, expressando cultura na música de Arlindo Cruz
Arlindo Cruz tem um trabalho musical que traz a percepção do discernimento do corpo negro como território, em que o lugar indica expressões culturais, constituindo produções de sentidos. Arlindo demonstra consciência da luta e a ritualidade da dança negra, que se entrelaçam formando um onirismo utópico no cotidiano popular. Sua canção levanta a espontaneidade doce da alma na negritude, que resiste à acidez da imposição do mercado eurocaucasiano. A canção Meu lugar é um exemplo de um canto do amor na grandeza da alegria dialética, percebida, na amplitude holística da circularidade na roda de samba, que revela existencialidade coletiva, como elemento fundamental da herança lúdica-gregária africana.
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Quilombo Academia: O cânone eurocaucasiano colocado em questão pelo músico Tiganá Santana
Tiganá Santana estudou violão clássico e desde muito jovem já compunha em várias línguas africanas. Esse jovem pesquisador criou e concebeu o seu violão-tambor, na universidade aprofundou os estudos nos idiomas kimbundo de Angola e Kikongo do Congo. Esse multiartista é o único compositor brasileiro a lançar um álbum com canções em idiomas africanos.
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Quilombo Academia: João Gilberto o gênio da tamboralidade do afrodescendente
A consciência miscigênica e a sofisticação da tamboralidade de João Gilberto. Ele revela uma teluricidade artística da Baianidade, com sua originalidade erudita calçada na subjacência de um mundo especial. O fenômeno da bossa nova encontrou no bruxo de juazeiro, o corpo e alma da herança africana.
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Quilombo Academia: A circularidade sagrada da africanidade de Chico Buarque e Virgínia Rodrigues
Chico Buarque interpreta seus sambas com subjetividade baseado nos saberes das circularidades sagradas da africanidade, onde as mitologias lendárias ibero-afro-ameríndia são estranhas ao positivismo eurocêntrico, implicado na lógica acumulativa. Durante um ensaio do Bando de Teatro Olodum na terra dos orixás, Salvador, no ano de 1997 Caetano Veloso ouve pela primeira vez Virginia Rodrigues cantando. Impressionado com a voz de Virginia, Caetano lança para o Brasil e o mundo o seu primeiro álbum intitulado Sol negro. A música de Virginia tem forte influência na música clássica, no samba, no jazz e trás em suas interpretações referências do candomblé e da umbanda.
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Quilombo Academia: A erudição da obra miscigênica de Caetano Veloso é um manifesto em favor do íbero-ásio-afro-ameríndio
Com base nos movimentos sociais Caetano Velos quer reinventar um novo Brasil fenômeno que é percebido na significação do conjunto da sua obra, sugerindo as lutas por igualdade de direitos e reconhecimento cultural do íbero-ásio-afro-ameríndio, como lutas de formação da imagem positiva do afrodescendente. Maria Rita canta sua africanidade miscigênica e tem uma musicalidade, sugestiva para o samba de partido alto cujos arranjos demonstram identificação com a brasilidade miscigênica do samba. Maria Rita sinaliza para o sentido civilizatório da tamboralidade do samba. “Diante da gélida distopia estrutural à logica acumulativa eurocaucasiana, essa jovem diva traz uma interpretação afrodiasporica da utopia, e insiste cantando que o amor livre tem o calor do sorriso no perdão, que me parece próprio do sentido comunal do matriarcalismo da africanidade”.
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Quilombo Academia: Dois gênios musicais no universo mágico da Música Popular Brasileira – MPB
João Gilberto teve a percepção criativa da bossa nova em uma pelada de futebol em juazeiro, onde um dos brincantes lançou a bola para frente, que por qualquer razão foi para o meio campo, isso deu origem ao meio tom, caracterizado no: dois por dois da bossa nova, na genialidade desse bruxo baiano. Com um canto afrodiasporico cirúrgico, Nara Leão fazia uma interpretação, de intelectual orgânica, gramsciana, força da miscigenação racial do seu canto cantava a alegria abraçada com a tristeza, na narrativa dos compositores que foram cronistas dos empobrecidos das favelas cariocas. A sofisticação da tamboralidade no cordofone de João Gilberto é conjugada competência melódica de Nara Leão. João e Nara revelam uma genialidade artística da MPB. Com originalidades eruditas de um mundo especial, onde os deuses da orixalidade convivem com o canto do cotidiano.
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