PODCAST · education
TIC, Educação e Web
by Jorge Borges
A Tecnologia ao serviço da Educação
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Por que o mapa engana
Em setembro de 2026, a Assembleia-Geral da ONU aprovou uma resolução histórica para promover o uso de mapas que representem fielmente o tamanho real dos continentes, combatendo a distorção da tradicional projeção de Mercator. Esta decisão, impulsionada pelo Togo e pelo Grupo Africano, incentiva a adoção de alternativas como a projeção Equal Earth em contextos educativos e digitais para corrigir a sub-representação visual de África. O texto destaca que a escolha de um mapa não é um ato neutro, funcionando antes como uma ferramenta de pensamento crítico e literacia mediática. No contexto escolar português, o artigo propõe utilizar este caso prático para ensinar os alunos a questionar a objetividade das representações geográficas e a influência destas na nossa perceção do mundo. A iniciativa sublinha que, embora o mapa de Mercator seja útil para a navegação, a sua escala desproporcional reforça preconceitos que as Nações Unidas pretendem agora mitigar através de uma cartografia mais equitativa.
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511
A mentira visual do nosso mapa-múndi
Durante quatro séculos e meio, qualquer aluno que abrisse um mapa-múndi viu a Gronelândia quase do tamanho de África, sem que ninguém alguma vez lhe tivesse dito que isso era falso. Na sexta-feira, dia 4 de setembro de 2026, a Assembleia-Geral das Nações Unidas votou para começar a mudar isso. A resolução não reescreve fronteiras nem obriga ninguém a nada — mas dá à escola portuguesa um exemplo concreto, recente e visualmente evidente de uma ideia que a Cidadania e Desenvolvimento tenta ensinar há anos: nenhuma representação do mundo é neutra, nem sequer a que está pendurada na parede da sala de aula desde sempre.
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510
Menos ecrãs não é a resposta: o que a APA recomenda às escolas sobre tecnologia educativa
Nos últimos dez anos, a discussão sobre tecnologia nas escolas costuma reduzir-se a uma única pergunta: quantas horas de ecrã são demasiadas? A American Psychological Association acaba de publicar um relatório que muda a pergunta. Não é quanto tempo, dizem os autores — é o quê, para quê, com quem e em vez de quê. E há uma frase que resume todo o argumento: uma criança pode estar completamente entretida com uma aplicação e não estar a aprender nada com ela.
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509
Tempo de ecrã é uma métrica vazia
O relatório da American Psychological Association (APA), juntamente com a cobertura da Wired e da Chalkbeat, propõe uma mudança de paradigma sobre a tecnologia educativa. Em vez de focar apenas no tempo de ecrã, as fontes defendem que a eficácia pedagógica depende da qualidade da atividade e do que esta substitui no quotidiano dos alunos. O documento sublinha que o entusiasmo ou entretenimento com uma aplicação não garantem a aprendizagem real, sendo necessário avaliar a retenção de conhecimento fora do ambiente digital. Existe uma recomendação de cautela redobrada com a inteligência artificial generativa, que pode polir resultados imediatos mas prejudicar o desenvolvimento do pensamento independente. O papel dos adultos e educadores continua a ser essencial para mediar estas ferramentas e evitar distrações desnecessárias. Em suma, as fontes apelam a decisões escolares baseadas em evidência científica e não em promessas de marketing tecnológico.
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508
Ler o mundo em múltiplos formatos: multiliteracias na era da inteligência artificial
A definição de «saber ler» já mudou pelo menos sete vezes desde 1946 — do decifrar ao emancipar, do texto único às multiliteracias. Uma conferência que Ana Paula Ferreira e Jorge Borges apresentam esta semana em Seia percorre essa história para chegar a uma pergunta muito concreta para qualquer sala de aula portuguesa: que parte do pensamento dos alunos estamos, hoje, dispostos a delegar a uma máquina?Um aluno pode passar, no mesmo minuto, de uma legenda a um vídeo, de um parágrafo a uma palavra pesquisada, de uma nova janela a uma pergunta feita a um assistente de inteligência artificial — e receber, em segundos, uma síntese que nunca chegou a construir sozinho. Nenhuma destas mudanças é, em si, um problema; o problema é que a escola continua, muitas vezes, a fazer a estes alunos as mesmas quatro perguntas de sempre sobre um texto, quando aquilo que têm hoje à frente já não é bem um texto — é um ecossistema informacional inteiro, com autores, algoritmos e modelos de linguagem a decidir, a cada instante, o que lhes aparece primeiro.
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507
Multiliteracias na era da IA
Onde se explora a evolução da literacia e o papel fundamental da escola na era da inteligência artificial. Os autores defendem que saber ler hoje ultrapassa a descodificação de texto, exigindo a capacidade de interpretar múltiplos formatos e compreender a mediação algorítmica que molda a informação. É enfatizada a necessidade de alternar entre a leitura rápida de triagem e a leitura profunda, essencial para o pensamento crítico e a construção de conhecimento sólido. O debate centra-se na questão do que o ser humano não deve delegar às máquinas, como o julgamento, a argumentação e a responsabilidade da autoria. Propõe-se que a IA seja utilizada como um objeto de análise crítica e que o ensino se foque na transparência dos processos intelectuais. Em última análise, a missão educativa passa por preparar os alunos para atribuir sentido humano a um mundo digitalmente complexo.
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506
O que são os Gems do Gemini
Os Gems do Google Gemini são assistentes de inteligência artificial personalizados e reutilizáveis, criados para automatizar tarefas repetitivas e atuar como especialistas em áreas específicas. Semelhantes aos GPTs personalizados do ChatGPT, eles permitem guardar instruções detalhadas, definir um tom de voz ou persona e até adicionar bases de conhecimento (como documentos ou links) para que o Gemini responda exatamente como precisa.
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505
O colapso da confiança
Durante quase um quarto de século, uma sala de professores portuguesa pôde dar como garantido que, algures entre uma notícia e a sua partilha nas redes sociais, alguém profissionalizado estava a verificar factos. Essa garantia está a desfazer-se, e não por um único motivo: as grandes plataformas retiraram o apoio institucional a essa função, a inteligência artificial que a devia substituir falha com uma confiança perturbadora, e as alternativas comunitárias, por mais promissoras que sejam, chegam quase sempre depois de o dano estar feito. Para quem ensina Cidadania e Desenvolvimento, Filosofia ou Português, ou simplesmente lida todos os dias com alunos que aprendem sobre o mundo através de um ecrã, esta mudança silenciosa no encanamento da informação importa tanto ou mais do que qualquer conteúdo curricular sobre desinformação.
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504
O colapso da confiança nos factos...
Onde se analisa o colapso da confiança nos factos perante a redução do apoio das plataformas tecnológicas aos verificadores independentes. Os autores examinam a transição dos métodos tradicionais para novas abordagens de verificação, comparando a precisão humana com a rapidez falível da inteligência artificial e o contexto das notas comunitárias. Atualmente, nenhum sistema isolado consegue equilibrar perfeitamente a velocidade, a transparência e a fidedignidade necessárias para combater a desinformação. Argumenta-se que a literacia mediática deve agora incluir a compreensão da governação das plataformas, revelando quem decide o que é verdade. Perante a proliferação de conteúdos gerados por IA, a análise humana permanece indispensável enquanto as ferramentas automáticas não garantirem explicações convincentes. O artigo conclui que a preservação de factos partilhados é essencial para a estabilidade democrática e para a tomada de decisões informadas na era digital.
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503
Correção Assistida por IA
Nas escolas portuguesas, a discussão sobre inteligência artificial costuma oscilar entre o entusiasmo pelas novas ferramentas generativas e o receio de perder o controlo sobre a avaliação. Ao mesmo tempo, relatórios como o eu kids online 2026 mostram que muitos alunos já usam ia para escrever textos, resumir documentos e tentar obter melhores notas, o que aumenta a pressão sobre a integridade das provas e dos critérios de correção.jfborges+1Neste contexto, a ideia de “correção de testes assistida por ia” pode parecer, à primeira vista, um passo rumo à automatização das notas. No entanto, a proposta que aqui se apresenta segue o princípio oposto: usar a ia apenas para apoiar tarefas mecânicas e repetitivas, preservando a centralidade do julgamento profissional do professor e da transparência perante alunos e famílias.
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502
Correção segura de testes manuscritos com IA
A correção de testes é uma das tarefas mais exigentes e invisíveis do trabalho docente, sobretudo em turmas numerosas. A correção assistida por inteligência artificial pode ajudar a reduzir trabalho repetitivo, desde que a rubrica continue a ser do professor, os dados dos alunos sejam protegidos e a decisão final permaneça humana. Este artigo propõe um modelo prudente, alinhado com o regulamento geral sobre a proteção de dados e com o regulamento europeu de ia, pensado para escolas portuguesas que querem experimentar sem correr à frente da ética e da lei.Guiao_de_apresentacao_-_Correcao_de_testes_assistida_por_IA.pdf+1europa+1
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501
Digitalização e correção de provas | spot
Vídeo curto. Criado com Manus.
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500
Exames nacionais ou avaliação dos professores
Este relatório da OECD analisa a evolução e o funcionamento da certificação do ensino secundário em 38 países, destacando o equilíbrio entre as funções de avaliação de competências e de seleção para o ensino superior ou mercado de trabalho. O texto introduz uma matriz de análise que categoriza 71 certificados com base nos tipos de tarefas, nas condições de realização e nas responsabilidades pela correção. Explora-se a necessidade de os sistemas educativos avaliarem competências mais amplas, como o pensamento crítico e competências socioemocionais, indo além da simples memorização. O documento conclui que o uso combinado de exames externos e avaliações internas é fundamental para garantir a credibilidade, a equidade e a validade dos resultados escolares. Através de dados do PISA, o relatório examina ainda se a prevalência de exames influencia o desempenho e o bem-estar dos estudantes.
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Dois modelos, um só país: o que a OCDE diz sobre a certificação em Portugal
Este relatório da OECD analisa a evolução e o funcionamento da certificação do ensino secundário em 38 países, destacando o equilíbrio entre as funções de avaliação de competências e de seleção para o ensino superior ou mercado de trabalho. O texto introduz uma matriz de análise que categoriza 71 certificados com base nos tipos de tarefas, nas condições de realização e nas responsabilidades pela correção. Explora-se a necessidade de os sistemas educativos avaliarem competências mais amplas, como o pensamento crítico e competências socioemocionais, indo além da simples memorização. O documento conclui que o uso combinado de exames externos e avaliações internas é fundamental para garantir a credibilidade, a equidade e a validade dos resultados escolares. Através de dados do PISA, o relatório examina ainda se a prevalência de exames influencia o desempenho e o bem-estar dos estudantes.
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498
A Fronteira do Respeito: O Conflito entre Pais e Escolas
Recentemente, tem-se verificado um aumento alarmante de comportamentos abusivos por parte de pais contra docentes e diretores escolares na Austrália. Perante este cenário de intimidação e assédio digital, algumas instituições e governos estaduais implementaram medidas punitivas e códigos de conduta que permitem banir encarregados de educação agressivos dos recintos escolares. Esta deterioração da relação deve-se a uma mentalidade de consumo e à facilidade de comunicação imediata, transformando meras discordâncias em conflitos graves. Embora as leis de proteção garantam a segurança no local de trabalho, os especialistas defendem que elas apenas remediam situações extremas de rutura. Para prevenir a violência, é fundamental estabelecer limites de comunicação claros e oferecer apoio organizacional aos professores desde o início do ano letivo. O desafio atual reside em equilibrar a participação ativa das famílias com o direito fundamental dos profissionais da educação a um ambiente laboral seguro e respeitoso.
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497
A maioria do ciberbullying vem dos pais
Assinar um código de conduta para poder continuar a comunicar com a escola. Parece uma medida extrema, mas é já uma realidade em algumas escolas privadas australianas, que passaram a exigir aos pais um compromisso formal de comunicação respeitosa com professores e diretores. A decisão não surgiu do nada: soma-se a leis recentes nos estados de Victoria e da Austrália do Sul que dão aos diretores escolares o poder de proibir a entrada de pais abusivos nas instalações — e de bloquear o contacto por email, telefone ou redes sociais. A Nova Gales do Sul pondera legislação semelhante.
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496
ChatGPT para adolescentes
Onde se detalha o lançamento do ChatGPT for Teens, uma versão da inteligência artificial da OpenAI adaptada para utilizadores entre os 13 e os 17 anos com salvaguardas reforçadas. Os textos explicam o funcionamento do controlo parental, que permite aos responsáveis gerir horários e funcionalidades sem violar a privacidade das conversas dos jovens. É apresentado o programa educativo "IA com cabeça", de Ramón Besonías, composto por cinco sessões destinadas a promover o uso ético e crítico da ferramenta em contexto escolar. A análise foca-se na importância de preparar alunos e famílias antes da chegada da tecnologia à Europa, integrando estas competências no currículo escolar português. Sublinha-se ainda que as barreiras técnicas, como a previsão de idade, devem ser acompanhadas por um diálogo constante para evitar a delegação cognitiva excessiva. No fundo, as fontes defendem que a literacia digital é a defesa mais eficaz para uma navegação segura e consciente no mundo da inteligência artificial.
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495
ChatGPT nas escolas: além do controlo parental
A 18 de agosto de 2026, a OpenAI lançou o ChatGPT for Teens, uma experiência distinta do ChatGPT normal para utilizadores entre os 13 e os 17 anos, com proteções reforçadas e um sistema de controlo parental que já vinha a ser construído desde o final de 2025. Nos Estados Unidos, o Reino Unido, o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia, já está em vigor; segundo a própria OpenAI, a União Europeia segue-se nas próximas semanas. Para um diretor de turma português, a pergunta interessante não é "quando chega", é "o que fazer enquanto ainda não chegou".
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494
Discurso Público
Uma análise da degradação do discurso público e na urgência de uma educação para a cidadania digital. Através da reflexão de Ana Palacio sobre o fenómeno do "zanjismo", os textos explicam como o impacto mediático e o insulto têm substituído o argumento racional e a responsabilidade individual. Esta transição é vista como uma ameaça às democracias liberais, uma vez que o adversário político deixa de ser um interlocutor para se tornar um alvo de desqualificação. Paralelamente, os documentos propõem estratégias para que a escola portuguesa integre a literacia mediática no currículo, promovendo o pensamento crítico. O objetivo final é restabelecer a palavra como ferramenta de persuasão e respeito mútuo em ambientes digitais. Assim, defende-se que a qualidade democrática depende da capacidade dos cidadãos em distinguir a discordância fundamentada do ataque pessoal.
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493
Como o insulto substituiu o argumento
Uma antiga ministra dos Negócios Estrangeiros publica um artigo sobre a crise de Ceuta e, em poucas horas, a caixa de mensagens enche-se de insultos — «traidora», «vendida», ameaças veladas disfarçadas de aviso. O episódio, por si só, não teria interesse nenhum para uma escola portuguesa. Mas a autora, em vez de responder aos insultos, escreveu sobre eles — e o que escreveu interessa tanto a um professor de Filosofia como a um diretor de turma que tenta explicar a um aluno de catorze anos porque é que discordar de alguém online não é o mesmo que insultá-lo.Este artigo parte da leitura direta do texto de opinião «Palabra sin responsabilidad», da jurista e antiga ministra espanhola dos Negócios Estrangeiros Ana Palacio, publicado na sua coluna «Equipaje de mano» no jornal El Mundo, em 8 de agosto de 2026, e partilhado diretamente para este blogue. Cruza as ideias centrais desse texto — a separação entre a palavra e a responsabilidade, o conceito de «zanjismo» e o desenho da conversação pública em torno do impacto — com a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e as Aprendizagens Essenciais de Filosofia e de Português.
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492
O futuro na escola
Sobre um artigo do Wall Street Journal explora as transformações profundas que moldarão o mercado de trabalho nas próximas duas décadas. O texto destaca o papel central da inteligência artificial na automatização de tarefas e na melhoria da produtividade personalizada. Especialistas preveem uma mudança demográfica significativa, com uma força de trabalho envelhecida e a coexistência de cinco gerações diferentes no mesmo ambiente. A liderança evoluirá para valorizar a inteligência emocional e a agilidade em vez da hierarquia tradicional de gestão intermédia. Adicionalmente, as competências técnicas darão lugar a um foco maior em perfis generalistas capazes de resolver problemas complexos com criatividade. Por fim, o acesso democratizado a ferramentas tecnológicas avançadas permitirá que trabalhadores independentes compitam ao mais alto nível global.
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491
A escola prepara para um mundo inexistente
Sobre o artigo «How the World of Work Will Change Over the Next 20 Years», de Tara Weiss, publicado no The Wall Street Journal a 20 de dezembro de 2025 no âmbito da série «USA250: The Story of the World's Greatest Economy», e partilhado diretamente para este blogue em tradução espanhola da agência Reforma. Seleciona, de entre as cinco previsões que o artigo reúne, as que têm mais interesse direto para uma escola portuguesa — a força de trabalho a encolher, o regresso dos generalistas e o papel que a inteligência artificial deixa aos humanos — e cruza-as com o Perfil dos Alunos, a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, o regime dos cursos profissionais e os dados demográficos mais recentes sobre Portugal.
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490
Portugal em 42.º lugar num ranking de impostos: o que um gráfico polémico pode ensinar sobre literacia financeira
Sobre um texto onde Pedro Santa Clara analisa criticamente a elevada carga fiscal em Portugal, sublinhando como o país penaliza os trabalhadores qualificados em comparação com outras capitais mundiais. O autor destaca a desigualdade tributária gerada por benefícios fiscais que favorecem estrangeiros em detrimento de residentes, além da ausência de um teto nas contribuições sociais. Argumenta-se que este sistema funciona como um entrave à retenção de talento, tornando os custos laborais insustentáveis para as empresas e reduzindo os salários líquidos. Para inverter esta tendência de emigração económica, propõe-se uma reforma profunda que inclua a fixação de taxas mais baixas e universais. O objetivo central é tornar o sistema fiscal português competitivo e justo, alinhando-o com as práticas de mercados mais atrativos.
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489
Porque o salário se evapora em Portugal
Este podcast parte de um texto de opinião do economista Pedro Santa Clara, professor catedrático de Finanças na Nova School of Business and Economics e fundador do Instituto Mais Liberdade, partilhado diretamente para este blogue, que usa um gráfico com dados do motor de comparação fiscal cityparity.com, compilados por Skyler Bissell, para defender uma reforma do sistema fiscal português. Todos os valores fiscais citados — taxas de IRS, Taxa Social Única, regime do IFICI e limites do IRS Jovem — foram verificados de forma independente junto de fontes oficiais portuguesas e espanholas antes de serem reproduzidos aqui. As propostas de reforma, pelo contrário, são a posição pessoal do autor, e este artigo assinala-as como tal, cruzando todo o exercício com as Aprendizagens Essenciais de Economia A, o Perfil dos Alunos e o domínio da educação financeira da Cidadania e Desenvolvimento.
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488
A face invisível do métier docente
Este artigo parte da leitura direta e integral de «Fundamentos do métier docente: um glossário» (Brasileiro, Pimenta & Barbosa, Orgs., 2026), obra organizada por três investigadoras da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e partilhada diretamente para este blogue em formato PDF. Seleciona, de entre os quarenta e oito verbetes do livro, os quatro conceitos com mais interesse direto para uma escola portuguesa — métier docente, formação docente, sociedade algorítmica e multiletramentos — e cruza-os com os documentos curriculares já disponíveis às escolas em Portugal.
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487
A face invisível do métier docente
Baseado no livro Fundamentos do métier docente: um glossário que funciona como um guia teórico e pedagógico essencial para educadores, integrando conceitos fundamentais das áreas de Linguagem e Educação. Organizada por Ada Brasileiro, Viviane Pimenta e Gabriele Barbosa, a obra reúne verbetes que exploram desde a alfabetização e o letramento até abordagens críticas como a decolonialidade e a pedagogia progressista. O texto fundamenta-se na perspectiva dialógica de Paulo Freire e Mikhail Bakhtin, defendendo que o ensino deve ser uma prática social emancipatória em vez de uma mera transmissão mecânica de saber. Através da análise de termos como consciência fonológica, análise linguística e comunidades de prática, os autores oferecem recursos para a atualização docente e a melhoria das metodologias em sala de aula. Em suma, as fontes propõem uma reflexão profunda sobre a identidade profissional do professor e a construção de um conhecimento escolar significativo e inclusivo.
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486
A Odisseia de Nolan nasceu nos pincéis
Este podcast parte de um ensaio de história de arte da historiadora Catriona Miller, publicado na DailyArt Magazine a propósito da estreia do filme de Nolan, e segue de perto os exemplos que a autora reúne sobre a receção artística da Odisseia ao longo dos séculos. Cruza-os com as Aprendizagens Essenciais de Português e de Clássicos da Literatura, com o Perfil dos Alunos e com a componente de Cidadania e Desenvolvimento, para propor uma leitura desta tradição visual mais próxima do que interessa a uma aula portuguesa do que a uma crítica de cinema.
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485
A Odisseia: Da Tela ao IMAX
Onde se explora a longa tradição visual da Odisseia, demonstrando como o épico de Homero foi continuamente reinterpretado pela história da arte muito antes do cinema moderno. Através da análise de episódios icónicos, como o encontro com o ciclope ou a astúcia de Penélope, as fontes revelam como diferentes artistas moldaram a narrativa para refletir os valores e preconceitos das suas próprias épocas. O conteúdo destaca que cada representação artística é uma escolha deliberada e não uma ilustração neutra, servindo como uma ferramenta pedagógica essencial. No contexto educativo português, estas obras são propostas como recursos para promover a literacia mediática e o pensamento crítico entre os alunos. Assim, a ligação entre a pintura clássica e as produções contemporâneas ajuda a compreender como a receção da cultura clássica permanece dinâmica e relevante na atualidade.
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484
O paradigma da IA agêntica
Onde se analisa a transição tecnológica dos assistentes de IA reativos para os agentes agênticos, sistemas capazes de planear e executar tarefas complexas com elevada autonomia. Os autores distinguem agência, a capacidade de agir, de autonomia, o grau de independência da intervenção humana, alertando para o fosso de fiabilidade onde estas ferramentas ainda falham frequentemente. No contexto educativo e organizacional, destaca-se o risco do sedentarismo cognitivo, que ocorre quando a delegação excessiva de tarefas atrofia as competências de pensamento crítico dos utilizadores. A governação destes sistemas exige novos modelos de responsabilidade e transparência, reforçando que a delegação operacional não isenta o humano das consequências das ações da máquina. Por fim, propõem-se estratégias de literacia digital para que escolas e instituições integrem estas ferramentas sem comprometer a supervisão ética e a integridade pedagógica.
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483
Agentes de IA na escola: o que muda quando a máquina deixa de esperar por instruções
Um relatório do Laboratório de Inteligência Artificial da Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires (IALAB) descreve a passagem de assistentes de IA que respondem para agentes que planeiam e agem sozinhos. Este artigo isola, desse relatório, o que interessa a uma escola: o que muda quando um aluno deixa de perguntar a uma IA e passa a delegar-lhe uma tarefa inteira — e porque é que a própria literatura técnica já admite que estes agentes falham mais do que a publicidade costuma sugerir.
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482
Guia de Literacia em IA para Educadores e Professores
Sobre o documento da OECD que serve como um manual prático para docentes integrarem a literacia em inteligência artificial em diversas disciplinas escolares. O guia explora como a tecnologia impacta áreas como as humanidades, ciências e artes, transformando desafios técnicos em oportunidades pedagógicas de pensamento crítico. Através de exemplos concretos, incentiva-se os alunos a questionar a ética, os enviesamentos e o funcionamento dos sistemas automatizados no quotidiano. A estrutura foca-se em capacitar os educadores para que estes orientem os jovens na utilização consciente e responsável de ferramentas digitais. Em última análise, defende que compreender a IA é uma competência essencial para o exercício da cidadania e para o sucesso profissional no futuro.
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481
Onde é que a inteligência artificial cabe no currículo? A OCDE e a Comissão Europeia respondem, disciplina a disciplina
A OCDE e a Comissão Europeia publicaram um guia companheiro do novo Quadro de Literacia em IA, dirigido a professores de seis áreas disciplinares distintas. Este artigo segue esse guia de perto e cruza-o com o Perfil dos Alunos, a autonomia curricular portuguesa e o desafio, muitas vezes esquecido, de ensinar IA numa língua que não é o inglês.
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480
O Ciclo do Aluno: Do Primeiro ao Último Dia
Uma professora norte-americana com 25 anos de sala de aula guarda, todos os anos, os questionários de «conhecer-nos melhor» que os alunos preenchem no primeiro dia de aulas — e não volta a falar deles até ao último dia de aulas, quando os lê em voz alta, sem nunca dizer de quem é cada resposta. O resultado é uma das poucas atividades de fecho de ano que os próprios alunos pedem para repetir. Este artigo segue a proposta, tal como descrita pela sua autora, e cruza-a com o Perfil dos Alunos, a componente de Cidadania e Desenvolvimento e a margem de autonomia curricular já disponível às escolas portuguesas.
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479
Cartas de setembro para salvar junho
Sobre textos que exploram uma estratégia pedagógica de Crystal Frommert, que propõe ligar o primeiro ao último dia de aulas através de um questionário de apresentação. No início do ano, os alunos partilham interesses e objetivos que a docente guarda em segredo, revelando-os apenas no encerramento do ciclo letivo para promover a autorreflexão e a coesão do grupo. Esta atividade surge como uma alternativa eficaz aos dias finais de aulas, combatendo o desinteresse comum nesta fase com momentos de nostalgia e humor. Os artigos adaptam este conceito ao contexto português, integrando-o no Perfil dos Alunos e na componente de Cidadania e Desenvolvimento. O objetivo central é permitir que os estudantes reconheçam o seu próprio crescimento pessoal e emocional ao longo dos meses. Através de cartas ao "eu de junho" ou inquéritos sobre gostos pessoais, cria-se um sentido de fecho simbólico e significativo para a comunidade escolar.
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478
Para que servem as universidades hoje
Dino Di Carlo, professor catedrático e presidente do Departamento de Bioengenharia da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), pergunta-se, num texto de opinião partilhado diretamente com este blogue, se a universidade ainda tem função quando a inteligência artificial já consegue explicar praticamente tudo, a qualquer nível e a qualquer hora. Este artigo acompanha o seu raciocínio e cruza-o com o primeiro diagnóstico nacional sobre IA no ensino superior português, publicado em abril de 2026, e com o modelo de mentoria que já existe, entre nós, na formação inicial de professores.
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477
Universidades na Era da IA
Um professor de bioengenharia da UCLA pergunta-se, num texto de opinião, se a universidade ainda faz sentido quando a IA já explica quase tudo. Este artigo cruza a sua tese com o primeiro diagnóstico nacional sobre IA no ensino superior português e com o modelo de mentoria que já existe, entre nós, na formação de professores.
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476
IA e pensamento crítico
Onde se explora a necessidade de redefinir o pensamento crítico perante a ascensão da inteligência artificial, alertando para o risco de o conceito se tornar um termo vazio. A autora Sara Kells propõe que esta competência seja estruturada em dois tempos — reflexão e juízo — integrando a humildade intelectual como um elemento essencial para reconhecer os limites do saber. Esta perspetiva é cruzada com o contexto educativo português, destacando a sua relevância no Perfil dos Alunos, na disciplina de Filosofia e na Educação para a Cidadania. O artigo defende que a escola deve ensinar a distinguir entre a fluência de um texto gerado por algoritmos e a verdadeira compreensão humana. Em última análise, cultivar estas capacidades é apresentado como um pilar fundamental para a saúde da democracia e para a formação de cidadãos responsáveis.
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«Pensamento crítico»: uma palavra da moda que a IA arrisca esvaziar de sentido
Sara Kells (IE University) defende, no The Conversation, que o pensamento crítico se tornou uma palavra da moda esvaziada de sentido preciso na era da IA — e propõe recuperá-la através de dois momentos, reflexão e juízo, e de um ingrediente raramente nomeado: a humildade intelectual. Este artigo cruza essa proposta com o Perfil dos Alunos, a Cidadania e Desenvolvimento e a Filosofia do secundário português.
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Audiolivros e dislexia
Um artigo de divulgação científica publicado esta semana na edição espanhola do The Conversation defende que os audiolivros podem ser, para uma criança com dislexia fonológica, uma porta de entrada para a leitura que o texto escrito lhe recusa. Este artigo verifica essa tese junto da investigação mais recente sobre audiolivros e compreensão leitora — que é mais matizada do que a ideia de que ouvir ajuda sempre — e cruza-a com o enquadramento legal português para alunos com dificuldades específicas de aprendizagem.
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473
Audiolivros no combate à dislexia fonológica
Onde se explora como os audiolivros servem como uma ferramenta de acessibilidade essencial para crianças com dislexia, um transtorno que dificulta a descodificação de letras e sons. Ao removerem o esforço mental da leitura tradicional, estas gravações permitem que os jovens se foquem na compreensão do conteúdo e na expansão do vocabulário sem a frustração habitual. O recurso ao áudio ajuda a quebrar o ciclo vicioso de ansiedade e evitamento escolar, promovendo simultaneamente a autoconfiança e o prazer pela literatura. Embora a escuta não substitua o treino da leitura direta, a sua utilização em conjunto com o texto escrito potencializa a memorização e a aprendizagem académica. Em suma, os audiolibros funcionam como um suporte inclusivo que garante que as dificuldades fonológicas não impeçam o desenvolvimento intelectual e o acesso ao conhecimento.
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472
Dois fantasmas e uma bazuca: o que uma peça de teatro ensina sobre dinheiro fácil e cidadania
Há uma cena que qualquer aluno do secundário reconhece de imediato, mesmo sem saber nomeá-la: alguém recebe dinheiro sem esforço e, algum tempo depois, descobre que esse dinheiro mudou mais do que aquilo que comprou. É essa cena, ampliada à escala de um país e de cinco séculos, que o economista Pedro Santa Clara — professor catedrático de Finanças na Nova School of Business and Economics e fundador da escola gratuita de programação 42Lisboa, já conhecido dos leitores deste blogue pela conversa que gerou o artigo «Para que serve um Ministério da Educação?» — decidiu pôr em palco numa peça curta, publicada esta semana e partilhada diretamente com este blogue. Chama-se «Auto da Bazuca», subtitulada «peça em um ato, para dois fantasmas e um primeiro-ministro», e o ponto de partida é simples: às três da manhã, no Gabinete do Primeiro-Ministro em São Bento, um chefe de governo assina, página a página, o Pedido de Pagamento n.º 7 do PRR. Um cheiro a pimenta invade a sala. Depois, um cheiro a cal, pólvora e terramoto. Entram D. Manuel I e o Marquês de Pombal.
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471
Da pimenta da Índia à bazuca
Onde se analisa a peça satírica «Auto da Bazuca», escrita pelo economista Pedro Santa Clara, que utiliza figuras históricas como D. Manuel I e o Marquês de Pombal para criticar a dependência de Portugal face aos fundos europeus. O texto explora a tese de Nuno Palma, argumentando que o "dinheiro fácil" externo desestimula o rigor governativo e o desenvolvimento de capacidades produtivas nacionais. Através de uma rigorosa verificação de factos, o artigo valida os dados históricos da sátira, ao mesmo tempo que apresenta perspetivas económicas contrárias para promover um debate equilibrado. A publicação propõe ainda estratégias pedagógicas para utilizar este conteúdo em sala de aula, visando o reforço da literacia política, financeira e do pensamento crítico nos alunos. Em suma, o recurso serve como uma ponte entre a economia, a história e a cidadania, desafiando os leitores a refletir sobre a soberania e o futuro do país.
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470
Hackear o sistema operativo da escola
Em julho de 2026, a editora platense Esdrújula publicou Hackear la escuela, um ensaio de Facundo Stazi que já foi descrito, num diário centenário da sua cidade, como um livro que «prefere fazer algo mais incómodo» do que oferecer respostas: «pôr em dúvida perguntas que pareciam resolvidas» (Redação, 2026). O próprio autor resume a intenção no título: não se trata de destruir a escola, mas de a compreender o suficiente para a intervir a partir de dentro — a ideia de «hackear» como ato de desmontagem crítica, não de sabotagem. O livro tem cerca de 160 páginas, está escrito num registo coloquial e pessoal, cheio de referências de cultura popular e de episódios da própria carreira do autor como docente, e foi distribuído sob a licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0, num modelo que o próprio Stazi descreve como «PDF a la gorra»: descarrega-se de graça, paga-se o que se quiser, se se quiser.
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Hackear o Paradigma Escolar | Facundo Stazi
Onde se analisa o manifesto "Hackear la escuela", uma obra do professor argentino Facundo Stazi que propõe uma desmontagem crítica das estruturas tradicionais do ensino. O autor questiona a organização do tempo e do espaço escolar, argumentando que estes modelos são invenções datadas que servem mais ao controlo social do que à aprendizagem real. A análise cruza estas provocações com a realidade educativa em Portugal, destacando a flexibilidade permitida pelos decretos de autonomia curricular face à resistência dos hábitos instalados. São também apresentados dados preocupantes sobre o desgaste e a escassez de docentes, reforçando a urgência de repensar o sistema. O artigo conclui sugerindo exercícios práticos para as escolas utilizarem a sua autonomia na transformação das rotinas diárias.
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O Défice Escondido
Um novo estudo de Miguel Faria e Castro (Federal Reserve Bank de St. Louis) mede, pela primeira vez de forma sistemática e atualizada, o que uma década de subinvestimento fez ao stock de capital público português — e o que isso já custou em PIB.
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O custo invisível das contas certas
Onde se analisa a acentuada degradação do investimento público em Portugal, sublinhando que o stock de capital estatal regrediu para níveis do início do milénio. O autor argumenta que o equilíbrio das contas públicas foi alcançado à custa da negligência de infraestruturas essenciais, como hospitais e redes de transporte, em favor do aumento de gastos com salários e prestações sociais. Esta estratégia resultou numa dependência excessiva de fundos europeus, retirando autonomia ao Estado para definir as suas próprias prioridades estratégicas nacionais. O artigo alerta que a falta de manutenção dos ativos públicos funciona como um défice oculto que compromete o crescimento económico futuro e a qualidade dos serviços. Em suma, Portugal é descrito como um país que consome o seu património para financiar o presente, sacrificando a competitividade e o bem-estar das gerações vindouras.
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O espelho de narciso
Onde se explora a evolução histórica do mito de Narciso, analisando como esta narrativa clássica de autoelogio e obsessão pela imagem foi reinterpretada ao longo dos séculos. Através de uma exposição na Biblioteca Nacional da Áustria, as fontes apresentam quatro perspetivas distintas: a poesia metamórfica de Ovídio, a sátira moral de Sebastian Brandt, o estudo botânico de Matthias de l'Obel e a teoria psicanalítica de Sigmund Freud. O texto destaca que Narciso deixou de ser apenas uma figura literária para se tornar um conceito científico e clínico, influenciando a compreensão moderna da identidade. Atualmente, esta herança cultural serve como ferramenta pedagógica para debater a autoimagem digital e o fenómeno das selfies em contexto escolar. A análise sublinha como o espelho de água original se transformou nos ecrãs das redes sociais, exigindo uma nova literacia sobre a forma como os jovens se veem a si mesmos.
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Do mito de Narciso ao ecrã tátil
Onde se explora a evolução histórica do mito de Narciso, analisando como esta narrativa clássica de autoelogio e obsessão pela imagem foi reinterpretada ao longo dos séculos. Através de uma exposição na Biblioteca Nacional da Áustria, as fontes apresentam quatro perspetivas distintas: a poesia metamórfica de Ovídio, a sátira moral de Sebastian Brandt, o estudo botânico de Matthias de l'Obel e a teoria psicanalítica de Sigmund Freud. O texto destaca que Narciso deixou de ser apenas uma figura literária para se tornar um conceito científico e clínico, influenciando a compreensão moderna da identidade. Atualmente, esta herança cultural serve como ferramenta pedagógica para debater a autoimagem digital e o fenómeno das selfies em contexto escolar. A análise sublinha como o espelho de água original se transformou nos ecrãs das redes sociais, exigindo uma nova literacia sobre a forma como os jovens se veem a si mesmos.
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Conflitos na Sala de Aula
Um aluno recebe, no corredor, um comentário que o ofende profundamente. Nesse segundo, atravessam-lhe a cabeça, quase ao mesmo tempo, três reações distintas: a vontade imediata de responder também com agressividade, o cálculo rápido de que essa resposta pode agravar a situação diante dos colegas, e uma terceira voz, mais silenciosa, que lhe recorda que não é assim que quer ser visto. Não é preciso saber quem foi Freud para reconhecer esta cena. Mas foi Freud quem, há mais de um século, deu a esta cena um mapa com nomes precisos.
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Id, ego e superego: o mapa que Freud deixou para os conflitos de qualquer sala de aula
Porque fazemos, tantas vezes, aquilo que sabemos que nos vai prejudicar? Em 1923, Sigmund Freud propôs uma resposta que reorganizou a psicanálise: a vida psíquica resulta de um conflito permanente entre três instâncias — o id, o ego e o superego. O modelo já não é aceite, hoje, como explicação científica rigorosa do funcionamento da mente, mas continua a oferecer, também a uma escola portuguesa, um vocabulário preciso para nomear a distância entre o impulso, a realidade e a norma.
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