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Relações Exteriores PodCast | Relações Internacionais

O Relações Exteriores Podcast é um programa da Revista Relações Exteriores dedicado à análise de Relações Internacionais, geopolítica e política internacional. Os episódios abordam temas como política externa, diplomacia, segurança internacional, guerras, economia global, comércio exterior e disputas entre grandes potências. Um espaço para compreender os principais acontecimentos do sistema internacional e os desafios da ordem internacional contemporânea.

  1. 106

    A derrota de Orbán e os limites do poder iliberal na Hungria

    No episódio de hoje do Podcast Relações Exteriores, analisamos a eleição na Hungria em 2026 e seus desdobramentos para a política europeia e o debate sobre regimes iliberais.A partir do artigo “A derrota de Orbán e os limites do poder iliberal na Hungria”, de Guilherme Bueno, professor da Escola Superior de Relações Internacionais, discutimos como modelos políticos baseados em controle institucional, domínio da narrativa e mobilização do eleitorado podem alcançar longevidade, mas também encontram limites estruturais.O caso húngaro revela como fatores como desempenho econômico, credibilidade política e reorganização da oposição podem reconfigurar a dinâmica de poder, mesmo em sistemas marcados por forte assimetria institucional.Um episódio essencial para compreender os desafios contemporâneos da democracia, o papel da informação na política e as transformações em curso na Europa.

  2. 105

    Após o cessar-fogo, negociar um acordo duradouro com o Irã exigirá superar rivalidades regionais e incoerência estratégica

    Neste episódio do Relações Exteriores Podcast, apresentamos a análise de Ioana Emy Matesan, professora associada de Government na Wesleyan University, sobre o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e os desafios para uma paz duradoura no Oriente Médio.A partir da escalada recente do conflito, discutimos rivalidades regionais, o papel de atores como Israel, Houthis e Arábia Saudita, além dos limites da diplomacia diante de estratégias inconsistentes e intervenções externas.Um episódio essencial para entender geopolítica do Oriente Médio, política externa dos EUA, Irã, segurança internacional e conflitos contemporâneos.

  3. 104

    Órbita em Disputa: Tecnologia, Poder e Diplomacia na Era da Corrida Espacial

    A nova corrida espacial redefine a geopolítica do século XXI. Neste episódio, analisamos como tecnologia, poder e diplomacia se projetam além da Terra, transformando a órbita em um novo espaço de disputa estratégica. Da militarização ao avanço de empresas privadas, passando pelos limites da cooperação internacional e os desafios da governança global, o espaço exterior emerge como fronteira central do poder internacional. Um episódio para entender por que o futuro da política internacional também será decidido fora do planeta.

  4. 103

    A Interseção entre Crise Climática e Violência Urbana: uma análise da Segurança Pública em Manaus sob a ótica dos ODS 13 e 16

    A crise climática não é apenas um desafio ambiental, ela também redefine dinâmicas de segurança e violência. Neste episódio, analisamos como eventos extremos, como secas e inundações, impactam diretamente a segurança pública em Manaus, ampliando vulnerabilidades sociais e fortalecendo a atuação do crime organizado.A partir da análise de Andrezza de Lima, administradora, internacionalista e mestranda em Segurança Pública, o episódio explora a interdependência entre mudanças climáticas, desigualdade e governança criminal, sob a ótica dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 13 e 16.Uma discussão essencial para compreender como clima, território e poder se articulam no cenário contemporâneo.

  5. 102

    Deus do seu lado: como EUA, Israel e Irã estão todos usando a religião para angariar apoio

    Como religião e geopolítica estão se cruzando nos conflitos contemporâneos?Neste episódio, analisamos o artigo “Deus do seu lado: como EUA, Israel e Irã estão todos usando a religião para angariar apoio”, de Toby Matthiesen, pesquisador da University of Bristol. A discussão mostra como lideranças políticas têm mobilizado narrativas religiosas, símbolos e discursos messiânicos para legitimar ações estratégicas no sistema internacional.Mais do que um elemento cultural, a religião aparece como instrumento de poder, contribuindo para intensificar disputas, moldar percepções e reconfigurar a lógica dos conflitos no cenário contemporâneo.

  6. 101

    Uma nação anfitriã em guerra com um participante: incerteza e tensão cercam a Copa do Mundo de futebol

    Neste episódio do Relações Exteriores Podcast, analisamos as tensões entre geopolítica, conflito e esporte internacional a partir do artigo A host nation at war with a participant: uncertainty and tension swirl around soccer’s World Cup, de Daryl Adair, Professor Associado de Gestão do Esporte na University of Technology Sydney.A possível participação do Irã na Copa do Mundo de 2026, realizada na América do Norte, ocorre em meio a um cenário inédito: a guerra envolvendo um país anfitrião e uma das seleções classificadas. O caso levanta questões centrais sobre segurança, legitimidade e o papel de instituições como a FIFA diante de crises internacionais.O episódio discute como conflitos armados impactam eventos internacionais, os limites da neutralidade esportiva, os precedentes históricos de exclusão e suspensão de seleções e os dilemas políticos envolvidos na organização de megaeventos em contextos de instabilidade.Mais do que futebol, este é um episódio sobre poder, ordem internacional e os limites da governança internacional em um mundo marcado por disputas e incertezas.🎧 Ouça e acompanhe o Relações Exteriores Podcast para análises aprofundadas sobre política internacional, geopolítica e segurança internacional.

  7. 100

    Direitos humanos: uma análise crítica da colonialidade nas narrativas ocidentais sobre o Oriente Médio

    Neste episódio do Relações Exteriores Podcast, analisamos criticamente as narrativas ocidentais sobre direitos humanos e sua relação com estruturas de poder no sistema internacional. A partir do artigo de Analis Rossi e Dara Maria Marques da Silva, discutimos como conceitos como orientalismo, colonialidade e humanitarismo ajudam a compreender a seletividade na aplicação dos direitos humanos, especialmente no Oriente Médio.O episódio explora o papel das intervenções internacionais, a construção discursiva do “outro” e a atuação de ONGs no contexto pós-11 de setembro, revelando como discursos aparentemente universais podem, na prática, reproduzir hierarquias e dinâmicas neocoloniais. Uma análise essencial para entender os limites e as contradições dos direitos humanos na política internacional contemporânea.

  8. 99

    O Rebalanceamento pela Força: A Estratégia de Recriação da Unipolaridade Americana

    Neste episódio do Relações Exteriores Podcast, analisamos como os Estados Unidos têm reagido à ascensão da China e às mudanças na distribuição de poder global. A partir do conceito de “rebalanceamento pela força”, discutimos o uso crescente de instrumentos de pressão estratégica, intervenções e disputas por influência em regiões-chave como América Latina e Oriente Médio.O episódio aborda temas centrais da geopolítica contemporânea, como o enfraquecimento do petrodólar, a competição por energia, a crise venezuelana, as tensões com o Irã e os dilemas enfrentados por potências como China e Rússia.Uma análise didática para entender se Washington ainda conseguirá sustentar sua posição dominante ou se o sistema internacional caminha, de forma definitiva, para uma ordem multipolar.

  9. 98

    Armamento nuclear? Por que um número crescente de aliados de Washington está considerando uma alternativa ao guarda-chuva dos EUA

    Neste episódio do Relações Exteriores Podcast, analisamos por que um número crescente de aliados dos Estados Unidos está reconsiderando sua dependência do chamado “guarda-chuva nuclear” americano.Com base na análise de Amy McAuliffe, especialista em tecnologia de armas e ex-diretora assistente da CIA para armas e contraproliferação, exploramos como mudanças na política externa dos EUA, especialmente nos últimos anos, vêm gerando dúvidas sobre a credibilidade das garantias de segurança oferecidas por Washington.O episódio percorre os principais casos contemporâneos: o debate sobre dissuasão nuclear na Europa, o aumento do apoio público a armas nucleares na Coreia do Sul, o enfraquecimento do tabu no Japão e a estratégia da Arábia Saudita de desenvolver uma capacidade nuclear latente.Mais do que uma discussão técnica, este episódio examina uma transformação estrutural no sistema internacional: o possível enfraquecimento do regime de não proliferação nuclear e o risco de uma nova era de expansão do clube nuclear.Um episódio essencial para entender como poder, segurança e confiança estão sendo redefinidos na política internacional contemporânea.

  10. 97

    “Humanitarização” Liberal e Poder Global: uma Análise Crítica da Seletividade Humanitária no Pós-Guerra Fria

    Neste episódio do Relações Exteriores Podcast, analisamos criticamente a chamada humanitarização das Relações Internacionais no pós-Guerra Fria. A partir do artigo de Lucas Pereira de Medeiros, discutimos como o discurso de direitos humanos, proteção e intervenção humanitária se tornou central na política internacional contemporânea.O episódio explora a seletividade das respostas internacionais, os limites da Responsabilidade de Proteger (R2P) e como o humanitarismo pode operar não apenas como valor ético, mas também como instrumento de poder, legitimando intervenções e reproduzindo hierarquias globais.Uma análise essencial para compreender as tensões entre moralidade, soberania e geopolítica na ordem internacional atual.

  11. 96

    Os EUA não virão salvar o Brasil: interesse nacional e as ilusões da política internacional

    Neste episódio do Relações Exteriores Podcast, Guilherme Bueno, analista de Relações Internacionais da Revista Relações Exteriores, discute um dos equívocos mais persistentes do debate público em política internacional: a ideia de que grandes potências, especialmente os Estados Unidos, atuam para salvar outros países em nome da democracia, da liberdade ou dos direitos humanos.A análise parte do conceito de interesse nacional para mostrar por que a política externa das grandes potências é estruturada, прежде de tudo, por cálculos de segurança, estabilidade estratégica, influência e poder. Ao longo do episódio, discutimos como valores normativos, como democracia, liberdade e direitos humanos, muitas vezes funcionam também como linguagem de legitimação para intervenções, sanções econômicas e estratégias de mudança de regime.O episódio examina ainda o papel das sanções econômicas, das políticas de mudança de regime, dos limites do multilateralismo contemporâneo e da seletividade com que princípios normativos são aplicados no sistema internacional. Em vez de uma leitura idealizada da ordem global, a proposta é oferecer uma interpretação mais realista, crítica e estratégica da atuação das grandes potências.Por fim, o debate conecta essa reflexão ao caso brasileiro e argumenta por que países como o Brasil não podem basear sua inserção internacional na expectativa de tutela externa. Segurança, autonomia e capacidade de negociação dependem прежде de tudo da construção de bases internas de poder, estratégia e clareza sobre os próprios interesses nacionais.Um episódio essencial para quem quer compreender política externa dos Estados Unidos, interesse nacional, realismo nas Relações Internacionais, sanções econômicas, mudança de regime, autonomia estratégica do Brasil e os limites das ilusões normativas na política internacional.Siga o Relações Exteriores Podcast para acompanhar análises sobre geopolítica, estratégia, diplomacia e os grandes debates das Relações Internacionais contemporâneas.

  12. 95

    Ataques a hospitais estão aumentando em zonas de guerra. O que dizem as leis da guerra sobre protegê-los?

    Neste episódio do Relações Exteriores Podcast, discutimos um tema cada vez mais alarmante nos conflitos contemporâneos: os ataques a hospitais, profissionais de saúde e infraestruturas médicas em zonas de guerra.A análise é baseada no artigo “Ataques a hospitais estão aumentando em zonas de guerra. O que dizem as leis da guerra sobre protegê-los?”, de Shannon Bosch, professora associada de Direito na Edith Cowan University. O texto examina o que o direito internacional humanitário, frequentemente chamado de leis da guerra, estabelece sobre a proteção de hospitais, médicos, enfermeiros e pacientes durante conflitos armados.O episódio também aborda questões centrais do debate atual:por que ataques a unidades de saúde estão aumentando em conflitos recentes;em que circunstâncias hospitais podem perder sua proteção jurídica;quais princípios, como proporcionalidade e precaução, devem orientar operações militares;e por que organizações internacionais alertam que esses ataques podem estar se tornando perigosamente normalizados.Ao mesmo tempo, discutimos os desafios de responsabilização em contextos de guerra e o papel crescente de investigações independentes, que utilizam imagens de satélite, dados de geolocalização e evidências digitais para documentar possíveis crimes de guerra.Um episódio essencial para compreender como direito internacional, ética e estratégia militar se cruzam nos conflitos do século XXI.Siga o Relações Exteriores Podcast para acompanhar análises sobre geopolítica, segurança internacional, direito internacional e as transformações da ordem internacional.

  13. 94

    Da Ditadura à Democracia: Pós Colonialismo, Segurança e Neoliberalismo No Chile

    Neste episódio do Relações Exteriores Podcast, analisamos o artigo “Da Ditadura à Democracia: Pós-Colonialismo, Segurança e Neoliberalismo no Chile”, por Maria Cecília Silva de Souza. O texto examina como uma abordagem pós-colonial dos estudos de segurança ajuda a compreender a implementação do neoliberalismo durante a ditadura de Augusto Pinochet e a persistência dessas estruturas no período democrático.A análise parte da ideia de que, em Estados periféricos, a segurança não se limita a ameaças militares externas. Ela também envolve a gestão de conflitos internos, legitimidade política e estabilidade econômica. Nesse contexto, o Chile tornou-se um laboratório de reformas neoliberais durante a Guerra Fria, profundamente influenciado por centros de poder do Norte Global e por redes intelectuais e institucionais ligadas ao pensamento econômico neoliberal.O episódio discute como essas reformas podem ser interpretadas à luz do conceito de colonialidade do poder, evidenciando a reprodução de hierarquias globais de conhecimento, dependência econômica e desigualdades sociais. Também examina por que, mesmo após a redemocratização, muitas dessas estruturas continuaram organizando a economia e a política chilena.Por fim, o debate conecta as transformações institucionais do Chile às mobilizações sociais recentes, incluindo os protestos de 2019 e o processo constituinte, refletindo sobre os limites e desafios de superar heranças autoritárias e neoliberais em democracias contemporâneas.Siga o Relações Exteriores Podcast para acompanhar análises sobre geopolítica, teoria das relações internacionais, segurança global e transformações da ordem internacional.

  14. 93

    Por que Donald Trump está perdendo a guerra em casa

    Neste episódio do Relações Exteriores Podcast, analisamos por que a guerra entre Estados Unidos e Irã pode estar criando um problema político interno para o presidente Donald Trump. Embora o conflito ocorra no Oriente Médio, suas consequências estão sendo cada vez mais sentidas dentro da política doméstica americana.A partir do artigo “Por que Donald Trump está perdendo a guerra em casa”, de David Smith, professor associado de Política e Política Externa dos Estados Unidos no US Studies Centre da University of Sydney, discutimos como fatores como opinião pública, legitimidade da guerra, custos econômicos e narrativa estratégica podem afetar a sustentação política de uma intervenção militar.O episódio explora temas centrais da política internacional contemporânea, incluindo:• apoio público e legitimidade das guerras nos Estados Unidos• mudança de regime e intervenções militares• o impacto doméstico de conflitos internacionais• política externa americana e disputa estratégica no Oriente Médio• como custos econômicos e crises energéticas influenciam a política internaAo analisar o conflito a partir da política doméstica americana, este episódio mostra como guerras externas frequentemente se tornam disputas políticas internas — e como a opinião pública pode definir os limites da estratégia internacional.O Relações Exteriores Podcast traz análises em áudio sobre política internacional, geopolítica, diplomacia, segurança internacional, economia global e os principais debates das Relações Internacionais.Siga o podcast para acompanhar novos episódios e aprofundar sua compreensão sobre os grandes temas da política mundial.

  15. 92

    O único tratado nuclear restante entre EUA e Rússia expira esta semana. Poderia uma nova corrida armamentista acelerar em breve?

    O último tratado nuclear entre Estados Unidos e Rússia, o New START, expira esta semana — e não há negociações em andamento para substituí-lo. Neste episódio do Relações Exteriores Podcast, analisamos o que está em jogo com o fim do acordo que, por mais de uma década, limitou os arsenais nucleares das duas maiores potências atômicas do mundo.Discutimos a importância do New START para a estabilidade estratégica global, os riscos de uma nova corrida armamentista nuclear, a ausência de mecanismos de verificação e transparência, e o impacto desse vazio institucional para a segurança internacional. O episódio também aborda as posições de Washington, Moscou e Pequim, o enfraquecimento do controle de armas e o que esse cenário revela sobre a crise da ordem internacional contemporânea.🎧 Um episódio essencial para quem quer entender segurança internacional, armas nucleares, política externa dos EUA e da Rússia, controle de armamentos e os desafios globais do mundo pós-Guerra Fria.O Relações Exteriores Podcast é o podcast da Revista Relações Exteriores, referência nacional em política internacional desde 2019.👉 Siga o podcast para acompanhar análises aprofundadas sobre política internacional, geopolítica, diplomacia e segurança global.

  16. 91

    Ouro e prata atingem recordes históricos – e depois despencam. Antes de aderir à corrida, você precisa saber disto

    Neste episódio do Relações Exteriores Podcast, analisamos a disparada histórica e a queda abrupta dos preços do ouro e da prata no início de 2026. Em poucos dias, os metais preciosos bateram recordes e, logo em seguida, sofreram fortes correções, reacendendo debates sobre porto seguro, volatilidade, risco financeiro e comportamento dos mercados globais.Discutimos por que ouro e prata voltaram ao centro das atenções em um cenário marcado por incerteza geopolítica, tensões comerciais, mudanças na política monetária dos Estados Unidos e sinais de transformação na ordem econômica internacional. O episódio explora o papel dos bancos centrais, o crescimento da participação de investidores de varejo, a lógica do momentum e os riscos do comportamento de medo de ficar de fora (FOMO).A partir de uma leitura internacional e estratégica, o episódio também analisa as diferenças entre ouro e prata, destacando o uso industrial da prata, sua relação com a transição energética, tecnologia e inteligência artificial, além dos limites estruturais de oferta que ampliam sua volatilidade.Um episódio essencial para quem quer entender como economia internacional, política internacional e mercados financeiros se conectam e por que movimentos extremos de preço podem representar tanto oportunidades quanto riscos.O Relações Exteriores Podcast é o podcast da Revista Relações Exteriores, referência nacional em política internacional desde 2019.Siga o podcast para acompanhar análises sobre política internacional, economia mundial, geopolítica e os principais desafios do mundo contemporâneo.

  17. 90

    Trumpismo: doutrina, prática e a reconfiguração estrutural da política externa dos Estados Unidos

    Olá! No episódio de hoje do Relçaões Exteriores Podcast, o foco é o trumpismo e a reconfiguração estrutural da política externa dos Estados Unidos. A partir da ideia de que mudanças em Washington produzem efeitos sistêmicos, discutimos como a lógica da barganha, da soberania e da política de poder substitui, em grande medida, o papel tradicional dos EUA como garantidor da ordem liberal internacional.A política externa dos Estados Unidos sempre ocupou posição central na organização do sistema internacional contemporâneo. Desde 1945, Washington não atuou apenas como uma grande potência entre outras, mas como o principal arquiteto institucional, garantidor de segurança e estabilizador político da ordem internacional liberal. Essa posição combinou poder material, capacidade militar, liderança econômica e influência normativa, permitindo aos EUA moldar regras, instituições e padrões de comportamento no sistema internacional.Mudanças nessa política, portanto, não devem ser interpretadas como ajustes marginais. Elas produzem efeitos sistêmicos, alterando expectativas, incentivos e estratégias de aliados, rivais e atores intermediários. Nesse sentido, o trumpismo não pode ser compreendido apenas como expressão do estilo pessoal de Donald Trump, de sua retórica confrontacional ou de seu uso intensivo da mídia. Ele expressa uma inflexão estrutural na forma como os Estados Unidos concebem poder, liderança e cooperação internacional.

  18. 89

    Do papel ao território: China e a disputa pelo poder na América Latina

    O Podcast da Revista Relações Exteriores traz conteúdos em áudio sobre temas centrais das Relações Internacionais, com análises e reflexões sobre política externa, diplomacia, segurança internacional, economia mundial, geopolítica, comércio exterior e política internacional. Neste episódio, o tema é a crescente disputa de poder na América Latina e o avanço da China na região. A partir de documentos oficiais, projetos de infraestrutura e estratégias de longo prazo, discutimos como Pequim transforma planejamento em presença concreta no território e o que isso significa para a autonomia, o desenvolvimento e as escolhas estratégicas dos países latino-americanos em um mundo cada vez mais competitivo.

  19. 88

    Rastreamos todas as viagens internacionais de líderes mundiais desde o fim da Guerra Fria – eis o que descobrimos

    O movimento de líderes internacionais pelo mundo desde o fim da Guerra Fria revela muito mais do que agendas protocolares. Ao mapear essas viagens, é possível enxergar como prioridades estratégicas se transformaram: de visitas bilaterais que consolidavam alianças clássicas, a megacúpulas multilaterais que passaram a pautar a diplomacia contemporânea. Os dados mostram a intensidade crescente da mobilidade presidencial e ministerial, e como ela acompanha crises, oportunidades econômicas e disputas de influência.Neste episódio, mergulhamos nos padrões ocultos dessas viagens: quais regiões atraem mais atenção dos grandes líderes? Quem se tornou presença recorrente em palcos multilaterais? E o que a frequência ou ausência em certos destinos revela sobre o reordenamento do poder global? A diplomacia das viagens é, afinal, um espelho privilegiado das mudanças na ordem internacional desde os anos 1990.

  20. 87

    Desde a Segunda Guerra Mundial, é tabu forçar nações a ceder território após uma guerra. A Rússia quer normalizar a conquista novamente

    Após a Segunda Guerra Mundial, consolidou-se um princípio fundamental do direito internacional: não se pode redesenhar fronteiras pela força, nem obrigar países derrotados a ceder território. Esse tabu sustentou uma ordem global baseada em normas e na legitimidade da soberania nacional. No entanto, a invasão da Ucrânia pela Rússia e as tentativas de anexação de regiões ocupadas reabrem uma ferida histórica e levantam o temor de que Moscou queira normalizar a prática da conquista como instrumento de política externa.Neste episódio, debatemos o que está em jogo com essa ruptura: será que o sistema internacional tem mecanismos para conter essa tentativa de retrocesso? Como os países do Ocidente e o Sul Global reagem à ideia de que o “direito do mais forte” volte a pautar o mapa-múndi? E, sobretudo, o que a insistência russa em legitimar conquistas territoriais significa para o futuro da ordem internacional e para a estabilidade das fronteiras no século XXI?

  21. 86

    O que acontecerá com o status legal das nações que estão 'afundando' quando sua terra desaparecer?

    O avanço do nível do mar coloca em xeque a própria noção de soberania para pequenos Estados insulares como Tuvalu, Maldivas e Kiribati. Quando o território físico de uma nação desaparece, surgem dilemas jurídicos inéditos: será que esses países ainda poderão manter seu assento nas Nações Unidas, sua zona econômica exclusiva ou sua população dispersa será forçada a adotar outra cidadania? O direito internacional, criado em um mundo de fronteiras estáveis, ainda não oferece respostas claras para uma realidade em que Estados literalmente podem “afundar”.Neste episódio, discutimos os cenários possíveis: a ideia de Estados que continuam a existir apenas no plano jurídico, governos no exílio que preservam representação diplomática e até propostas de criação de “nações digitais” para manter identidade e direitos no sistema internacional. Como a comunidade global vai lidar com esse desafio? E o que o destino dessas nações revela sobre a capacidade — ou incapacidade — do direito internacional em enfrentar as consequências da crise climática?

  22. 85

    Sim, isto é quem somos: os 250 anos de história de violência política da América

    A trajetória dos Estados Unidos é frequentemente contada como uma narrativa de democracia, liberdade e oportunidades. Mas, paralelamente, há um fio condutor de violência política que atravessa os 250 anos da história do país — da guerra de independência às disputas raciais, do assassinato de presidentes a atentados terroristas domésticos, passando por revoltas populares e a polarização armada contemporânea. Essa violência não é um desvio, mas parte integrante do modo como os conflitos políticos se manifestaram e moldaram a sociedade americana.Neste episódio, refletimos sobre como a violência política ajudou a definir a identidade dos EUA e quais marcas ela deixou na cultura, nas instituições e na percepção global do país. Até que ponto a atual polarização é herdeira desse passado? E o que o ciclo histórico de violência revela sobre os limites e contradições do experimento democrático norte-americano?

  23. 84

    Bolsonaro se junta a uma galeria de vilões golpistas responsabilizados por sua tentativa fracassada de tomar o podero tema acima

    A condenação de Jair Bolsonaro por sua tentativa fracassada de permanecer no poder o coloca em uma galeria de líderes que, ao desafiar as regras do jogo democrático, acabaram responsabilizados por seus atos. O ex-presidente brasileiro agora divide espaço simbólico com figuras internacionais lembradas por golpes e insurreições mal-sucedidas, revelando como a erosão das instituições pode ser contida quando há resistência política, judicial e social organizada.Neste episódio, exploramos o peso histórico e político desse desfecho: o que significa para a democracia brasileira ver um ex-chefe de Estado responsabilizado por um projeto golpista? Quais lições podem ser tiradas do caso brasileiro para outros países que enfrentam líderes populistas em rota de colisão com a ordem constitucional? E como esse processo influencia a imagem internacional do Brasil no debate global sobre autoritarismo e Estado de Direito?

  24. 83

    Polônia responde à incursão de drones russos invocando o Artigo 4 do tratado da OTAN – o que acontece a seguir?

    A decisão da Polônia de invocar o Artigo 4 do Tratado do Atlântico Norte após a incursão de drones russos marca um dos momentos mais delicados da segurança europeia desde o início da guerra na Ucrânia. Esse dispositivo prevê consultas imediatas entre os membros da OTAN sempre que um aliado considerar sua integridade territorial, independência política ou segurança ameaçadas. Embora não implique resposta militar automática, o gesto de Varsóvia amplia a pressão sobre Moscou e testa a capacidade de coesão do bloco diante de uma escalada que atinge diretamente o espaço aéreo de um Estado-membro.Neste episódio, analisamos os desdobramentos dessa convocação: que tipo de resposta diplomática, militar e estratégica pode sair da reunião de emergência da OTAN? Até que ponto os aliados estão dispostos a ampliar o envolvimento frente às provocações russas? E, sobretudo, quais são os riscos de que essa crise leve a um novo patamar de confronto entre a Rússia e o Ocidente?

  25. 82

    Por que o primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba renunciou? E quem pode substituí-lo?

    A renúncia do primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba, após menos de um ano no cargo, expôs a fragilidade política de um governo pressionado por derrotas eleitorais inéditas e por uma crise econômica marcada pelo iene fraco, tarifas norte-americanas e estagnação salarial. O líder do Partido Liberal Democrata não resistiu ao desgaste interno e externo, deixando o Japão em um momento de incerteza sobre os rumos de sua política econômica e seu papel no cenário internacional.Neste episódio, discutimos os bastidores da saída de Ishiba e os nomes que despontam como possíveis sucessores dentro do LDP, incluindo a expectativa em torno da possibilidade histórica de o país eleger sua primeira mulher primeira-ministra. Quais são os cenários para a sucessão? E o que essa mudança de liderança pode significar para a estabilidade política japonesa e para as alianças estratégicas da região?

  26. 81

    Destruição de embarcação caribenha pelos EUA foi clara violação das leis internacionais de 'direito à vida' - independentemente de quem estava a bordo

    O ataque dos Estados Unidos a uma embarcação rápida no Caribe, que resultou em 11 mortos, reacende o debate sobre os limites legais do uso da força em águas internacionais. Independentemente da identidade dos ocupantes, juristas destacam que a ação configura uma possível violação das normas internacionais de proteção ao direito à vida, já que se tratava de uma operação de interdição que deveria ser conduzida sob protocolos de apreensão e julgamento, e não por meio de execução sumária.Neste episódio, analisamos as implicações jurídicas e políticas desse incidente: até que ponto os EUA estão expandindo sua interpretação dos poderes presidenciais no combate às drogas? Como esse precedente pode fragilizar a legitimidade do direito internacional e abrir espaço para abusos por outros Estados? E, sobretudo, que riscos esse tipo de ação traz para a segurança regional e para a governança global das águas internacionais?

  27. 80

    O que o encontro de Xi Jinping com Modi e Putin revela sobre os planos da China para uma nova ordem mundial

    O recente encontro entre Xi Jinping, Narendra Modi e Vladimir Putin trouxe à tona sinais claros de que a China busca acelerar a construção de uma nova ordem mundial. Longe de ser apenas uma reunião de chefes de Estado, o evento revelou a tentativa de Pequim de articular uma rede de parcerias que contraponha a hegemonia ocidental, fortalecendo alianças estratégicas em segurança, energia e finanças.Neste episódio, discutimos como esse movimento se conecta às ambições globais da China e ao papel que Rússia e Índia podem desempenhar nesse projeto. Quais os limites dessa cooperação? Estamos diante de um bloco coeso ou de uma convergência pragmática de interesses? E, sobretudo, o que essa articulação significa para o futuro da multipolaridade e para o reposicionamento do Sul Global no cenário internacional?

  28. 79

    À medida que Trump abandona o manual de comércio, o livre-comércio tem futuro em outro lugar?

    O colapso das antigas regras do comércio internacional, acelerado pelas decisões de Donald Trump, levanta uma questão central: se os Estados Unidos já não lideram o manual do livre-comércio, quem ocupará esse espaço? Neste episódio, exploramos como a ruptura da maior economia do mundo com o multilateralismo afeta não apenas tarifas e tratados, mas a própria lógica de previsibilidade que sustentou o sistema global desde o pós-guerra.Ao mesmo tempo, analisamos se novos polos de poder – da União Europeia à China, passando por iniciativas do Sul Global e blocos como os BRICS – podem redesenhar as rotas do comércio mundial. O livre-comércio estaria encontrando um novo futuro fora de Washington? Ou caminhamos para uma era de fragmentação econômica permanente?

  29. 78

    Zelensky deixa Washington com garantias de segurança de Trump, mas elas são suficientes?

    Neste episódio, abordamos a recente viagem de Volodymyr Zelensky a Washington, onde voltou com declarações de apoio e segurança do antigo presidente Donald Trump — mas será isso realmente suficiente diante dos perigos que a Ucrânia enfrenta?Zelensky saiu da reunião com Trump e líderes europeus com promessas de garantias de segurança por parte dos EUA, em um formato semelhante ao Artigo 5 da OTAN — embora sem formalizar o ingresso na aliança. Também foi discutido um pacote robusto de armamentos, potencialmente financiado pela Europa, para fortalecer a defesa ucraniana. Apesar disso, os termos ainda são vagos: não há detalhes sobre o nível de envolvimento militar, nem sobre se um cessar-fogo seria uma condição para esse apoio.Além disso, permanece o temor de que os compromissos, se não forem explícitos e vinculativos, possam ser revogáveis ou insuficientes. A resistência de Putin a negociações significativas e a ausência de um cessar-fogo ampliam a incerteza sobre até quando essas garantias poderão efetivamente proteger a Ucrânia. Em resumo: Zelensky conquistou declarações de apoio e a promessa de garantias mais sólidas — um avanço diplomático considerando o contexto anterior. Mas sem detalhes claros sobre execução, proteção real no terreno ou compromisso contínuo, elas permanecem incertas, especialmente diante da dinâmica imprevisível da guerra e das divergências entre aliados.Texto traduzido do artigo Zelensky leaves Washington with Trump’s security guarantees, but are they enough?, de Sonia Mycak, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

  30. 77

    Cúpula do Alasca: nenhum acordo na reunião Trump-Putin, mas troca territorial por cessar-fogo ainda em discussão

    Episódio: Cúpula do Alasca — Nenhum acordo formal, mas troca territorial por cessar-fogo ainda em discussãoNeste episódio, analisamos os desdobramentos da polêmica cúpula de Alaska entre Donald Trump e Vladimir Putin, realizada em Anchorage em 15 de agosto de 2025. O encontro terminou sem um acordo formal de cessar-fogo, mas trouxe mudanças significativas no tom da diplomacia: Trump abandonou a exigência por uma trégua imediata, passando a defender um "acordo de paz completo" — uma mudança que se aproxima da postura russa. Para Putin, o evento serviu para reforçar sua legitimidade internacional e projetar seu retorno à cena diplomática em um momento de isolamento.Apesar da ausência de um acordo fechado, surgiram relatos sobre termos controversos em discussão: concessões territoriais em Donetsk e possivelmente em Lugansk, em troca de congelamento dos frontes de batalha em outras regiões como Kherson e Zaporizhzhia, além de promessas de garantias de segurança — vistas como a primeira disposição russa em aceitar algum tipo de arranjo de proteção no estilo articulado pela OTAN.Este episódio convida a refletir: esse improviso diplomático pode trazer uma paz duradoura, ou apenas legitimar os ganhos territoriais da Rússia? O debate internacional — entre apoio à segurança sustentada da Ucrânia e os riscos de ceder à pressão geopolítica — permanece mais urgente do que nunca.

  31. 76

    Não descarte a cúpula Putin-Trump ainda - seu resultado pode surpreender os críticos

    Neste episódio, analisamos como o caso de Gaza se encaixa em um padrão histórico de minimização, por parte de autoridades dos Estados Unidos, de atrocidades cometidas por regimes aliados. Estudiosos de genocídio e crimes contra a humanidade apontam que, de Timor-Leste nos anos 1970, passando pela Guatemala nos anos 1980 e chegando ao Iêmen mais recentemente, Washington frequentemente recorre a narrativas que relativizam, reclassificam ou diluem a gravidade das ações de seus parceiros estratégicos — seja para preservar alianças, evitar sanções ou manter acordos militares e econômicos.Exploramos as estratégias retóricas e políticas usadas nesses casos: evitar o uso de termos jurídicos como “genocídio” ou “crimes de guerra”, enfatizar supostos “excessos isolados” em vez de padrões sistemáticos de violência, e transferir a responsabilidade principal para atores não estatais. Também discutimos o impacto dessa postura sobre a credibilidade internacional dos EUA, a aplicação seletiva do direito internacional e o desestímulo que isso gera para a responsabilização efetiva. Um episódio que conecta passado e presente para mostrar como a política externa americana, em nome do realismo geopolítico, frequentemente colide com seus próprios princípios declarados.Texto traduzido do artigo Don’t write off the Putin-Trump summit just yet – its outcome might confound critics, de Peter Rutland, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

  32. 75

    Israel está aprofundando sua guerra em Gaza – aqui estão 5 grandes questões sobre a próxima fase mal planejada de Netanyahu

    No episódio de hoje, mergulhamos no cenário tenso e instável do conflito em Gaza, enquanto Israel intensifica suas operações militares. A nova fase da ofensiva, marcada por decisões estratégicas controversas e críticas à liderança de Benjamin Netanyahu, levanta dúvidas sobre seus objetivos reais e a viabilidade de um desfecho positivo. Entre pressões internas, tensões diplomáticas e uma crise humanitária em expansão, a condução da guerra parece cada vez mais arriscada — e possivelmente desastrosa.Vamos analisar as cinco grandes questões que moldam esse momento: desde os riscos militares e políticos de uma estratégia mal planejada até as implicações para a estabilidade regional e as relações internacionais. Com especialistas e análises aprofundadas, discutimos como erros de cálculo podem não apenas prolongar o conflito, mas também redefinir o papel de Israel no cenário global. É um episódio para entender não só o que está acontecendo, mas também o que pode vir a seguir.Texto traduzido do artigo Israel is deepening its war in Gaza – here are 5 big questions about Netanyahu’s ill-advised next phase, de Ian Parmeter e Nathan Howard Gray, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

  33. 74

    Pode parecer que Trump está ganhando sua guerra comercial. Mas os EUA podem em breve enfrentar sérios problemas

    Pode parecer que Trump está saindo vitorioso em sua guerra comercial, mas a história econômica mostra que vitórias aparentes podem esconder riscos sérios. Neste episódio, exploramos como as políticas tarifárias e tensões comerciais podem trazer efeitos inesperados, não apenas para os países envolvidos, mas também para o próprio mercado interno dos Estados Unidos.Conversamos sobre os sinais de alerta que indicam possíveis problemas futuros, como impactos na inflação, no consumo e na estabilidade do dólar, e refletimos sobre como decisões estratégicas de curto prazo podem gerar consequências de longo prazo. Um episódio essencial para quem quer entender além das manchetes e acompanhar o que realmente está por trás dos números.Texto traduzido do artigo It might seem like Trump is winning his trade war. But the US could soon be in a world of pain, de Peter Draper e Nathan Howard Gray, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

  34. 73

    Gaza não é a primeira vez que autoridades dos EUA minimizam atrocidades cometidas por regimes apoiados pelos Estados Unidos – estudiosos de genocídio encontraram estratégias semelhantes usadas

    Neste episódio, analisamos como o caso de Gaza se encaixa em um padrão histórico de minimização, por parte de autoridades dos Estados Unidos, de atrocidades cometidas por regimes aliados. Estudiosos de genocídio e crimes contra a humanidade apontam que, de Timor-Leste nos anos 1970, passando pela Guatemala nos anos 1980 e chegando ao Iêmen mais recentemente, Washington frequentemente recorre a narrativas que relativizam, reclassificam ou diluem a gravidade das ações de seus parceiros estratégicos — seja para preservar alianças, evitar sanções ou manter acordos militares e econômicos.Exploramos as estratégias retóricas e políticas usadas nesses casos: evitar o uso de termos jurídicos como “genocídio” ou “crimes de guerra”, enfatizar supostos “excessos isolados” em vez de padrões sistemáticos de violência, e transferir a responsabilidade principal para atores não estatais. Também discutimos o impacto dessa postura sobre a credibilidade internacional dos EUA, a aplicação seletiva do direito internacional e o desestímulo que isso gera para a responsabilização efetiva. Um episódio que conecta passado e presente para mostrar como a política externa americana, em nome do realismo geopolítico, frequentemente colide com seus próprios princípios declarados.Texto traduzido do artigo Gaza isn’t the first time US officials have downplayed atrocities by American-backed regimes – genocide scholars found similar strategies used from East Timor to Guatemala to Yemen, de Jeff Bachman e Esther Brito Ruiz, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

  35. 72

    Além do reconhecimento: os desafios para criar um Estado palestino são tão grandes que será mesmo possível?

    Neste episódio, vamos além do gesto simbólico do reconhecimento internacional e encaramos a pergunta incômoda: é viável construir um Estado palestino nas condições atuais? Examinamos os obstáculos estruturais — fragmentação territorial entre Cisjordânia e Gaza, expansão de assentamentos, status de Jerusalém, bloqueios e restrições de mobilidade, além da crise humanitária e da ausência de um processo político confiável. Discutimos ainda os desafios institucionais: unir lideranças rivais, reconstruir capacidades administrativas e de segurança, garantir eleições legítimas e consolidar um sistema judicial funcional.Na frente externa, analisamos o que seria necessário para transformar declarações em fatos: garantias de segurança, cronograma de retirada e congelamento de assentamentos, reconhecimento mútuo, pacote robusto de financiamento e um mecanismo internacional de implementação e verificação (com atores regionais e multilaterais). Também ponderamos o papel dos EUA, da União Europeia e dos países árabes — e os custos políticos que cada um teria de assumir. O episódio não vende soluções fáceis: mostra o que precisaria mudar, simultaneamente, para que um Estado palestino deixe de ser apenas uma promessa e se torne governável, contínuo e sustentável.Texto traduzido do artigo Beyond recognition: the challenges of creating a new Palestinian state are so formidable, is it even possible?, de Martin Kear, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

  36. 71

    Os drusos são uma comunidade unida — e a violência na Síria está despertando temores no Líbano

    Neste episódio, exploramos quem são os drusos, uma comunidade religiosa e culturalmente singular do Oriente Médio, conhecida por sua forte coesão interna, tradições preservadas e lealdade mútua. Embora espalhados por Síria, Líbano e Israel, os drusos mantêm uma identidade distinta e redes de apoio transnacionais. No entanto, a intensificação da violência na Síria — especialmente em áreas historicamente drusas, como a província de Sweida — está gerando apreensão no Líbano, onde essa minoria teme que o conflito e suas tensões sectárias atravessem fronteiras.Analisamos como a instabilidade síria reaviva memórias de perseguições passadas e pressiona líderes drusos libaneses a reforçarem a segurança comunitária, ao mesmo tempo em que tentam evitar o envolvimento direto na guerra. Também discutimos o papel geopolítico dessa minoria, que frequentemente atua como mediadora em contextos complexos, mas que agora se vê vulnerável à fragmentação regional. Um episódio para entender como conflitos aparentemente localizados podem repercutir em comunidades unidas por laços históricos, mas separadas por fronteiras frágeis.Texto traduzido do artigo The Druze are a tightly knit community – and the violence in Syria is triggering fears in Lebanon, de Mireille Rebeiz e Said Abou Zaki, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

  37. 70

    Israel está cometendo genocídio em Gaza? Perguntamos a 5 especialistas em direito e genocídio como interpretar a violência

    Neste episódio, enfrentamos uma das perguntas mais controversas e sensíveis do debate internacional atual: Israel está cometendo genocídio em Gaza? Para tratar do tema com rigor e responsabilidade, ouvimos cinco especialistas em direito internacional, direitos humanos e estudos sobre genocídio, buscando entender quais são os critérios jurídicos e históricos que definem esse crime e como a situação em Gaza pode — ou não — se enquadrar nessas categorias.Discutimos o que diz a Convenção da ONU para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio (1948), os indícios investigados pela Corte Internacional de Justiça e os debates entre juristas sobre intenção, proporcionalidade, alvo civil e destruição sistemática. Também abordamos os riscos de banalização do termo e os limites da linguagem jurídica diante de crises humanitárias de larga escala. Este episódio não oferece respostas fáceis — mas convida à reflexão séria e fundamentada sobre o uso do direito internacional em tempos de guerra e sobre o papel da justiça diante da brutalidade.exto traduzido do artigo Is Israel committing genocide in Gaza? We asked 5 legal and genocide experts how to interpret the violence, de Emmie Hine, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

  38. 69

    O Paradoxo do Grande Poder da IA: Cooperação e Competição na Rivalidade Tecnológica EUA-China

    No episódio de hoje, mergulhamos no paradoxo do grande poder da inteligência artificial: como uma tecnologia capaz de transformar o mundo está, ao mesmo tempo, no centro de uma disputa acirrada entre duas das maiores potências globais — Estados Unidos e China. Exploramos como a IA, enquanto ferramenta estratégica e motor de inovação, intensifica a rivalidade tecnológica entre esses países, ao mesmo tempo em que revela uma interdependência que desafia a lógica da competição pura. Será possível cooperar em um campo tão sensível quanto a IA, diante de interesses geopolíticos divergentes e agendas nacionais tão marcadas?Neste cenário, discutimos também as implicações éticas, econômicas e políticas dessa corrida pela supremacia tecnológica. Quais os riscos de uma escalada sem regulação internacional? E o que essa tensão nos revela sobre o futuro da soberania digital, da segurança cibernética e do papel da IA na redefinição das relações globais? Um episódio para refletir sobre os limites entre poder, vulnerabilidade e a urgência de repensar os rumos da inovação tecnológica em escala planetária.Texto traduzido do artigo AI’s Great Power Paradox: Cooperation and Competition in the US-China Tech Rivalry, de Emmie Hine, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠International Affairs.

  39. 68

    Novas tarifas de Trump: modelagem inicial mostra que a maioria das economias perde — os EUA mais do que muitas

    Neste episódio, discutimos os primeiros resultados de modelagens econômicas sobre as novas tarifas anunciadas por Donald Trump, que revelam um paradoxo: embora as tarifas sejam apresentadas como estratégia para proteger a economia dos EUA, os próprios Estados Unidos tendem a perder mais do que muitos de seus parceiros comerciais. As simulações iniciais indicam queda na competitividade, aumento de preços ao consumidor e impactos negativos sobre cadeias produtivas que dependem de insumos estrangeiros — especialmente em setores como tecnologia, automóveis e agricultura.Analisamos também como as economias globais reagem em bloco diante desse tipo de protecionismo: buscando novos acordos entre si, redirecionando exportações e até aplicando retaliações pontuais. Enquanto países do Sul Global, como México e Vietnã, buscam alternativas para mitigar os efeitos, a Europa e a China preparam estratégias de contenção mais robustas. Este episódio mostra por que, em uma economia interdependente, o uso de tarifas como arma política pode gerar mais instabilidade do que prosperidade — e por que o custo da retórica nacionalista muitas vezes recai sobre quem a empunha.Texto traduzido do artigo New Trump tariffs: early modelling shows most economies lose – the US more than many, de Niven Winchester, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

  40. 67

    Promessas do Reino Unido e França não impedirão Netanyahu de bombardear Gaza — mas Donald Trump ou o exército israelense poderiam

    Neste episódio, exploramos por que as promessas e apelos de países como Reino Unido e França não têm sido suficientes para conter os bombardeios israelenses em Gaza, mesmo diante do agravamento da crise humanitária e das crescentes pressões internacionais por um cessar-fogo. Apesar de discursos firmes e manifestações diplomáticas, a influência europeia sobre o governo de Benjamin Netanyahu tem se mostrado limitada — em parte pelo peso geopolítico reduzido da Europa no conflito e pela aliança estratégica histórica entre Israel e os Estados Unidos.Discutimos, por outro lado, por que dois atores específicos poderiam de fato alterar o rumo da ofensiva: Donald Trump, caso volte ao poder com capital político junto à direita israelense, e o próprio exército israelense, especialmente se o desgaste da guerra passar a comprometer a segurança interna e o apoio popular. O episódio analisa as dinâmicas internas e externas que sustentam ou desafiam a continuidade da ofensiva, e propõe uma reflexão incômoda, mas necessária: quem, de fato, tem o poder — e a vontade política — de parar a guerra?Texto traduzido do artigo UK and France pledges won’t stop Netanyahu bombing Gaza – but Donald Trump or Israel’s military could, de Paul Rogers, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

  41. 66

    Líderes da Otan prometem aumentar gastos com defesa — mas será este realmente o preço para a paz e prosperidade?

    Neste episódio, exploramos a decisão anunciada por líderes da OTAN de aumentar os gastos com defesa, em meio a um cenário global marcado por tensões crescentes, especialmente com Rússia e China. A aliança militar argumenta que investir mais em capacidades militares é essencial para garantir a segurança coletiva e a dissuasão frente a ameaças externas. No entanto, essa aposta levanta uma questão crucial: será que mais armas e orçamentos bilionários são realmente o caminho para a paz e a prosperidade duradouras?Discutimos os impactos dessa militarização sobre as prioridades sociais, os riscos de alimentar uma nova corrida armamentista e o esvaziamento de mecanismos diplomáticos. Também refletimos sobre os efeitos políticos desse movimento dentro dos próprios países-membros, onde crescem vozes críticas à ampliação dos gastos militares em detrimento de investimentos em saúde, educação e transição ecológica. Este episódio convida à reflexão sobre os limites da segurança baseada na força — e sobre o que significa, de fato, construir paz em um mundo fragmentado e desigual.Texto traduzido do artigo Nato leaders pledge increased defence spending – is this really the price for peace and prosperity?, de Damian Tobin, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

  42. 65

    Unasul e ProSul: o pêndulo político e a integração regional

    Neste episódio, analisamos o vai-e-vem político que marcou as últimas décadas da tentativa de integração sul-americana, por meio de dois projetos emblemáticos: UNASUL (União de Nações Sul-Americanas) e ProSul (Fórum para o Progresso da América do Sul). Enquanto a UNASUL surgiu nos anos 2000 com forte inspiração progressista e foco em autonomia regional, a ProSul foi criada em 2019 como uma resposta liberal-conservadora, alinhada a uma agenda mais econômica e menos institucionalizada. Ambas refletem não apenas visões distintas de integração, mas também o pêndulo ideológico que frequentemente fragmenta os esforços coletivos no continente.Discutimos por que a integração regional na América do Sul avança menos por continuidade institucional e mais por ciclos políticos, e como isso prejudica a construção de políticas duradouras em áreas como saúde, infraestrutura, defesa e meio ambiente. Também refletimos sobre a possibilidade de reconstruir mecanismos de cooperação mais estáveis, respeitando a diversidade ideológica dos países e priorizando interesses comuns. Este episódio convida à pergunta: o que é necessário para que a América do Sul supere suas divisões e transforme a integração em um projeto de Estado — e não apenas de governo?

  43. 64

    Reino Unido reconhecerá Estado palestino se Israel não concordar com cessar-fogo — eis o que isso significaria

    Neste episódio, analisamos a declaração do Reino Unido de que poderá reconhecer oficialmente o Estado palestino caso Israel não aceite um cessar-fogo na guerra em Gaza — uma sinalização diplomática que representa uma mudança importante na política externa britânica. A decisão, se concretizada, adiciona pressão internacional sobre Tel Aviv e se alinha ao movimento de diversos países europeus que têm defendido uma solução de dois Estados como caminho para encerrar décadas de conflito. Trata-se de um gesto que vai além do simbolismo: o reconhecimento unilateral poderia influenciar negociações na ONU, fortalecer a legitimidade palestina em fóruns internacionais e ampliar o isolamento político de Israel.Discutimos também o que essa postura significa para a geopolítica global, incluindo as relações do Reino Unido com os EUA, o impacto sobre a União Europeia e a possibilidade de acelerar divisões entre aliados ocidentais. O episódio aborda ainda como essa estratégia diplomática dialoga com o desgaste da imagem israelense diante da crise humanitária em Gaza e reflete sobre se gestos de reconhecimento, sem mecanismos de pressão efetiva, podem realmente alterar o curso do conflito.Texto traduzido do artigo UK to recognise Palestinian statehood unless Israel agrees to ceasefire – here’s what that would mean, de Malak Benslama-Dabdoub, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

  44. 63

    Posse de Maduro em 2025: isolamento voluntário e inoperância das organizações internacionais

    Neste episódio, analisamos a posse de Nicolás Maduro em 2025, marcada por um cenário de isolamento voluntário e pela crescente sensação de inoperância das organizações internacionais diante da crise venezuelana. Enquanto governos de países vizinhos e potências ocidentais questionam a legitimidade do processo eleitoral, o regime chavista reafirma sua narrativa de soberania e resistência, reforçando alianças com atores como Rússia, China e Irã. A cerimônia de posse, esvaziada de presença internacional significativa, simboliza o afastamento da Venezuela do sistema político regional e global tradicional.Discutimos também como a inércia ou incapacidade de ação de organizações como a OEA, ONU e até o Mercosul contribui para a consolidação do status quo. Entre sanções ineficazes, diálogos interrompidos e o enfraquecimento da pressão diplomática, a comunidade internacional assiste a uma deterioração política, econômica e humanitária sem avanços concretos. Este episódio reflete sobre os limites da diplomacia multilateral e questiona: até que ponto o isolamento do regime é uma escolha estratégica — e até onde é um sintoma da falência dos mecanismos coletivos de governança na região?

  45. 62

    Com Trump recuando das tarifas mais altas, este gráfico mostra que o choque econômico diminuiu

    Neste episódio, analisamos a decisão de Donald Trump de recuar das tarifas mais altas que havia imposto em meio à sua política comercial agressiva, especialmente voltada contra a China e outros parceiros estratégicos. Esse movimento tem impacto direto sobre cadeias produtivas globais e mercados domésticos, já que as tarifas haviam pressionado os preços de insumos, aumentado a inflação e gerado incertezas no comércio internacional. Com a redução da tensão tarifária, os primeiros indicadores econômicos mostram sinais de alívio, refletidos em um ritmo mais estável de importações, maior confiança empresarial e custos menores para consumidores e produtores.Discutimos também os efeitos políticos desse recuo, que sinaliza um possível ajuste de Trump diante das pressões do setor privado e do eleitorado afetado pelos custos das tarifas. O episódio traz a leitura dos gráficos mais recentes sobre comércio exterior e desempenho industrial para mostrar como o choque econômico inicial diminuiu, mas ainda deixa marcas importantes. Será que essa flexibilização indica uma mudança de rumo duradoura na política comercial dos EUA ou apenas uma estratégia tática? Uma análise completa para entender os impactos do tarifário na economia global e no equilíbrio geopolítico.Texto traduzido do artigo As Trump has pulled back from the highest tariffs, this chart shows the economic shock has eased, de James Giesecke e Robert Waschik, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

  46. 61

    O controle sobre o corpo feminino: um estudo comparativo da autonomia reprodutiva no Brasil, Colômbia e Uruguai

    Claro! A seguir está uma sugestão de descrição em dois parágrafos para um episódio de podcast com o tema:O controle sobre o corpo feminino: um estudo comparativo da autonomia reprodutiva no Brasil, Colômbia e UruguaiNeste episódio, exploramos como o controle sobre o corpo feminino se manifesta nas legislações e políticas de autonomia reprodutiva em três países sul-americanos: Brasil, Colômbia e Uruguai. A partir de uma perspectiva comparada, analisamos os diferentes caminhos tomados por esses países na regulação do aborto, no acesso à contracepção e no reconhecimento dos direitos sexuais e reprodutivos como parte dos direitos humanos. Enquanto o Brasil mantém uma das legislações mais restritivas da região, o Uruguai se destaca pela legalização e pela consolidação de políticas públicas de saúde sexual baseadas em evidências. Já a Colômbia tem avançado nos últimos anos com decisões judiciais que ampliam o direito ao aborto até a 24ª semana.Refletimos sobre os fatores políticos, culturais, religiosos e jurídicos que moldam essas trajetórias tão distintas — e o que elas revelam sobre o lugar da mulher na sociedade e nas estruturas de poder. Também abordamos os desafios enfrentados por defensoras de direitos reprodutivos, o papel da mobilização feminista e os impactos diretos dessas legislações na vida cotidiana de milhares de mulheres, especialmente as mais pobres. Este episódio propõe uma escuta crítica e engajada sobre a autonomia dos corpos, os limites da democracia e a urgente necessidade de políticas que coloquem os direitos das mulheres no centro da agenda pública latino-americana.

  47. 60

    Lançamentos aéreos de comida em Gaza são uma "cortina de fumaça" -- isso é o que deve ser feito para evitar a fome em massa

    Neste episódio, discutimos por que os lançamentos aéreos de ajuda humanitária em Gaza, apesar de altamente simbólicos, são frequentemente descritos por especialistas e organizações humanitárias como uma “cortina de fumaça” — ações com forte apelo midiático, mas impacto real limitado. Com acesso terrestre bloqueado e corredores humanitários fragilizados, esses lançamentos representam uma fração do que seria necessário para evitar uma fome em massa em meio a uma crise prolongada de abastecimento, infraestrutura colapsada e restrições impostas pela guerra.Analisamos o que realmente precisa ser feito: a abertura de rotas seguras e contínuas por terra, a garantia de acesso irrestrito para agências humanitárias, o fim do bloqueio total a alimentos e medicamentos, e o compromisso das partes envolvidas — com pressão internacional efetiva — para respeitar o direito humanitário. Também refletimos sobre como ações pontuais e visíveis não devem substituir soluções estruturais e urgentes. Este episódio é um chamado para ir além do espetáculo e enfrentar, com seriedade e responsabilidade, a emergência alimentar que ameaça toda uma população.Texto traduzido do artigo Air-dropping food into Gaza is a ‘smokescreen’ – this is what must be done to prevent mass starvation, de Amra Lee, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

  48. 59

    Os Desafios da Integração Energética na América do Sul no Contexto da Transição Energética: Perspectivas para a Cooperação Regional

    Neste episódio, exploramos os complexos desafios da integração energética na América do Sul em meio à crescente urgência da transição energética global. A região possui vasto potencial em fontes renováveis — como hidroeletricidade, solar, eólica e até hidrogênio verde —, mas ainda enfrenta obstáculos significativos para transformar esse potencial em uma rede integrada, eficiente e sustentável. Barreiras como assimetrias regulatórias, falta de infraestrutura de interconexão, disputas políticas e baixa confiança institucional dificultam avanços consistentes na cooperação energética regional.Discutimos também as perspectivas e oportunidades para uma nova agenda de cooperação sul-americana que vá além das fronteiras nacionais e responda aos desafios globais com soluções regionais. Iniciativas como a interligação de sistemas elétricos, o compartilhamento de excedentes e a construção de marcos regulatórios comuns podem não apenas reduzir custos e aumentar a segurança energética, mas também posicionar a América do Sul como protagonista na transição para uma matriz energética limpa e inclusiva. Este episódio propõe uma reflexão sobre o papel estratégico da energia como vetor de integração regional — e sobre o que ainda precisa ser feito para que essa integração deixe de ser promessa e se torne realidade.

  49. 58

    Cúpula China-União Europeia: avanços nas exportações de terras raras e tensões sobre a Ucrânia marcam 50 anos de relações pragmaticamente cautelosas

    Neste episódio, analisamos os principais desdobramentos da mais recente cúpula entre China e União Europeia, realizada em um momento simbólico que marca 50 anos de relações diplomáticas — um vínculo historicamente marcado por pragmatismo, desconfiança mútua e crescente interdependência. Um dos pontos centrais foi o avanço nas negociações sobre exportações de terras raras, insumos essenciais para as indústrias de alta tecnologia e transição energética na Europa. Em meio a uma disputa global por acesso a recursos estratégicos, a China — maior produtora mundial — sinaliza disposição para manter o fornecimento, mas também usa esse poder como instrumento geopolítico.Ao mesmo tempo, as tensões em torno da guerra na Ucrânia seguem como obstáculo ao aprofundamento da parceria. Bruxelas pressiona Pequim por uma postura mais clara em relação à invasão russa, enquanto a China insiste em manter sua "neutralidade pró-Rússia", rejeitando sanções e promovendo sua própria narrativa de paz. O episódio reflete sobre como a relação sino-europeia se equilibra entre interesses econômicos e divergências políticas — e o que isso diz sobre o estado atual da ordem internacional, onde alianças flexíveis e realismo estratégico substituem antigas certezas ideológicas.Texto traduzido do artigo China-EU summit: progress on rare earth exports and tensions over Ukraine mark 50 years of pragmatically cautious relations, de Gracia Abad Quintanal, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

  50. 57

    Negociações de cessar-fogo fracassam — o que isso significa para a catástrofe humanitária em Gaza?

    Neste episódio, abordamos o colapso das mais recentes negociações de cessar-fogo entre Israel e o Hamas — e o que isso significa para a já devastadora catástrofe humanitária em Gaza. Com a trégua mais uma vez fora de alcance, os bombardeios continuam, os bloqueios se intensificam e o acesso a ajuda humanitária permanece drasticamente limitado. Milhares de civis seguem deslocados, hospitais colapsam e a escassez de água, alimentos e medicamentos atinge níveis críticos, afetando sobretudo crianças e mulheres.Discutimos por que os esforços diplomáticos têm falhado repetidamente e quais interesses — regionais e internacionais — estão em jogo. Também analisamos o papel (ou a omissão) de atores como Estados Unidos, Egito, Catar e Nações Unidas, e o que a continuidade do conflito significa para o direito internacional, a credibilidade das instituições multilaterais e a própria viabilidade de uma solução política. Um episódio para entender por que a paz parece tão distante — e por que o tempo perdido nas mesas de negociação custa vidas todos os dias em Gaza.Texto traduzido do artigo Ceasefire talks collapse – what does that mean for the humanitarian catastrophe in Gaza?, de Ali Mamouri, publicado por The Conversation sob a licença ⁠Creative Commons Attribution 3.0⁠. Leia o original em: ⁠The Conversation.

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O Relações Exteriores Podcast é um programa da Revista Relações Exteriores dedicado à análise de Relações Internacionais, geopolítica e política internacional. Os episódios abordam temas como política externa, diplomacia, segurança internacional, guerras, economia global, comércio exterior e disputas entre grandes potências. Um espaço para compreender os principais acontecimentos do sistema internacional e os desafios da ordem internacional contemporânea.

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