PODCAST · science
Um Tema
by Rádio Unicamp
O podcast “Um Tema” traz, a cada semana, convidados dos mais diversos espectros e especialidades para tratarem sobre fatos que permitam uma visão mais ampla, plural e diferenciada do noticiário.Com apresentação e mediação feitas pela equipe de jornalistas da SEC, o programa apresenta um formato mais leve, de conversa e troca de experiências.Arte da capa: Alex Calixto
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Conhecimento produzido pela Unicamp ajuda vítimas de tragédia em MG
Jefferson Picanço, geólogo e professor do Instituto de Geociências (IG), da Unicamp, é o convidado desta edição do “Um Tema” podcast. Também integrante do Centro de Apoio Científico em Desastres (Cenacid), da Universidade Federal do Paraná (UFPR) - que reúne experts de diversas outras universidades públicas brasileiras - , ele esteve na Zona da Mata de Minas Gerais na semana passada colaborando na fase de rescaldo e apoio técnico após a tragédia que matou mais de 70 pessoas e deixou 13 mil desabrigados e desalojados. O local enfrenta, desde 23 de fevereiro, uma situação de calamidade após registrar chuvas históricas. Os municípios de Juiz de Fora e Ubá foram os mais atingidos. Apenas em Juiz de Fora, o volume de chuva se aproximou dos 765 milímetros; superior aos 170 milímetros esperados para todo o mês. As autoridades apontaram que a Zona da Mata mineira testemunhou o seu fevereiro mais chuvoso desde o início das medições, em 1961.São casas, prédios, espaços públicos e estabelecimentos comerciais total ou parcialmente destruídos, vias públicas ainda alagadas ou tomadas pela lama e vegetação trazida por enxurradas e deslizamentos.O cenário de calamidade exige uma reação rápida e organizada de grupos preparados para dar esse suporte. E é aí que entram as universidades, que possuem frentes que atuam no atendimento a situações de risco, análises técnicas e planejamento. O foco está no acolhimento psicossocial, segurança e estudos técnicos de desastres.Picanço vivenciou a situação de perto e, mais uma vez, ofereceu seus conhecimentos para “abraçar” a comunidade local. Em seu relato ao podcast, ele tratou sobre a importância dessa contribuição acadêmica e de que como ações como essa podem ajudar na redução dos impactos em novas ocorrências e na criação de políticas públicas que protejam a população e o ambiente envolvido.Ficha TécnicaProdução e entrevista: Fábio GallacciEdição de áudio: Bruno Piato e Matheus MotaCapa: Alex CalixtoFoto: Tânia Rego/Agência BrasilApoio: Eliane Daré – Assessoria IG – UnicampCoordenação geral: Patrícia Lauretti#unicamp #chuvas #minasgerais
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Os muitos gritos da folia
O grito de Carnaval vai além da folia. Movimento cultural popular que mobiliza os quatro cantos do Brasil, o clima de celebração – espontâneo e democrático pelas ruas ou dominado pelo mercado e barreiras de classe - também abre espaço para a autoafirmação, contestação e transformação.As origens do movimento, seus sons característicos em constante desenvolvimento e as formas de expressão ricas em significados regionais contam as lutas e conquistas de um povo. Por isso, celebrar também é uma forma de resistir e existir. Para falar sobre as outras camadas do Carnaval, o “Um Tema” podcast ouviu a professora Suzel Reily, titular de Etnomusicologia do Departamento de Música do Instituto de Artes (IA), e José Alexandre Leme Lopes Carvalho, livre docente do Departamento de Música, ambos da Unicamp.Ficha TécnicaProdução, entrevista e texto: Fábio GallacciEdição de áudio: Bruno PiatoCapa: Alex CalixtoFoto de capa: Fernando Maia/RioturCoordenação geral: Patrícia Lauretti#unicamp #carnaval #cultura
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Por que o trabalho escravo ainda cresce no Brasil?
Em 2025, o governo federal resgatou 2.772 pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão, um aumento de 26,8% em relação ao ano anterior. Pela primeira vez, o número de casos no meio urbano superou o do meio rural. Para analisar esse crescimento, os setores mais atingidos e os recortes sociais desse cenário, o podcast “Um Tema” convidou Marilane Teixeira, professora do Instituto de Economia (IE) da Unicamp e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), vinculado ao IE. Entre outros pontos, ela analisa o trabalho escravo contemporâneo no Brasil, a fragilização de direitos, o avanço da terceirização e os desafios atuais do mundo do trabalho.Ficha técnicaProdução: Fábio GallacciEntrevista: Silvio AnunciaçãoGravação de áudio: Juliana BudoyaEdição de áudio: Bruno PiatoFoto: Ministério do Trabalho – PIArte: Alex CalixtoCoordenação: Patrícia Lauretti
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A constante busca por um futuro – e um presente – melhor
O Observatório das Migrações Internacionais – órgão ligado ao Ministério do Trabalho e Previdência Social -, aponta que há 582 mil venezuelanos com residência ativa no Brasil atualmente. A informação foi divulgada no último mês de novembro e traz dados do Sistema de Registro Nacional Migratório da Polícia Federal. Mais do que números, o cenário está repleto de histórias de famílias que buscam uma vida mais estável e segura.Vale ressaltar que, do total de 1,9 milhão de estrangeiros que moram oficialmente no País, os venezuelanos já representam 30%. Mais da metade vive em três estados: Roraima, Santa Catarina e Paraná. Além dessa jornada sem um destino certo, os migrantes venezuelanos ainda têm de enfrentar questões como a adaptação cultural, inserção no mercado de trabalho, busca por reunificação familiar e o preconceito de cidadãos brasileiros encarado no dia a dia.O município de Pacaraima, situado no extremo Norte do Brasil, em Roraima, segue sendo o local que mais sente os reflexos de uma crise política, econômica e social que desenrola na Venezuela há mais de uma década.Mais recentemente, no início do ano, a captura do ditador Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, pelo governo estadunidense de Donald Trump ampliou o cenário de incertezas no país e na fronteira com o Brasil.O professor e pesquisador gaúcho Paulo Roberto Racoski, do Instituto Federal de Roraima, é o convidado da primeira entrevista da nova temporada do “Um Tema” podcast. Filósofo, sociólogo, antropólogo e cientista político, especialista em Gestão para o Etnodesenvolvimento, ele vive há 20 anos na região próxima à tríplice fronteira. Sua entrevista foi realizada por videochamada. Ficha técnicaProdução e entrevista: Fábio GallacciEdição de áudio: Bruno PiatoArte: Alex CalixtoFoto de capa: RS/FotospublicasCoordenação geral: Patrícia Lauretti#venezuela #brasil #imigrantes
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Tecnologia no mercado de trabalho e seus reflexos
O podcast “Um Tema” conversou com Ricardo Antunes, professor titular de Sociologia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), da Unicamp, sobre os impactos econômicos e principalmente sociais do avanço da tecnologia no mercado de trabalho e na vida das pessoas. Esses avanços, que no papel chegariam para facilitar as tarefas e proporcionar mais qualidade de vida estão, na prática, gerando sobrecarga e redução de postos de trabalho. O programa ainda tratou das “ondas de desemprego” e desamparo que atingem a sociedade desde a Revolução Industrial. Uma dessas ondas, de acordo com o professor, é revivida agora e pode afetar gerações.Os robôs humanoides, como vistos em fábricas na China, vão realmente ocupar o espaço do ser humano? Os países mais pobres são os que sofrerão de forma mais contundente os impactos disso?Ricardo Antunes tem livros publicados em 14 países e colaborou em inúmeros artigos em revistas acadêmicas e capítulos de livros na França, Inglaterra, EUA, Itália, Portugal, Holanda, Espanha, Suíça, Alemanha, Índia, China, Rússia, Hungria, Canadá, México, Argentina, Colômbia, Equador, Venezuela, Uruguai e Cuba, entre outros. Recebeu a medalha do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região. A sociologia do trabalho e a teoria social estão entre os principais assuntos de interesse do professor Antunes.Ficha técnicaProdução e entrevista: Fábio GallacciTécnica e edição de áudio: Bruno PiatoCapa: Alex CalixtoCoordenação geral: Patrícia Lauretti#unicamp #robôs #trabalho
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Por que, cada vez mais, homens odeiam mulheres?
Enquanto boa parte do público feminino tem forte engajamento em pautas progressistas e de cunho social abrangente, muitos homens seguem o caminho contrário, do conservadorismo radical e da misoginia. Essa distância se cristaliza, cada vez mais, em violência. O “palco” da internet amplifica esse território de desvalorização, desumanização e morte das mulheres. Os comportamentos distorcidos e ameaçadores – muitas vezes ocorridos dentro de casa ou de pessoas muito próximas às vítimas - têm gerado cliques, visualizações, seguidores e, claro, muito lucro.Um fator agravante é o fato de muitos seguidores serem jovens, o que potencializa o surgimento de uma geração de intolerantes digitais. Os números comprovam o cenário. Uma em cada dez mulheres com 16 anos de idade ou mais já sofreram algum tipo de violência digital nos últimos 12 meses. O dado faz parte da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Datasenado, ligado ao Senado Federal.Os assassinatos de mulheres também resultam numa orfandade trágica. Anualmente, cerca de 2,5 mil crianças e adolescentes perdem as mães devido ao feminicídio no Brasil, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ligado à Câmara dos Deputados, em Brasília.Como se não bastasse ser um alvo diário do ódio masculino, a mulher – principalmente preta e pobre - ainda tem contra ela a falta de acesso à moradia, saúde, emprego e autonomia financeira. Esses são fatores que colocam as mulheres em total condição de vulnerabilidade.As leis contra os criminosos e assassinos existem e são rigorosas, mas a eficácia de sua aplicação é questionável. A grande quantidade de vítimas de feminicídios que tinham em mãos medidas protetivas ou restritivas contra seus parceiros é apenas um das feridas abertas dessa realidade.Para tratar do assunto, o “Um Tema” podcast convida a professora Anna Christina Bentes, coordenadora do Núcleo de Estudos de Gênero – Pagu, ligado à Unicamp e que tem suas atividades ligadas a questões sociais, econômicas, antropológicas, históricas e políticas.Ficha técnicaProdução: Patrícia Lauretti e Fábio GallacciApresentação: Thaís Pimenta e Fábio GallacciTécnica e edição: Bruno PiatoCapa: Alex CalixtoFoto: Marcelo Camargo/Agência BrasilCoordenação geral: Patrícia Lauretti#unicamp #mulher #violência
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Trânsito: inteligência é o melhor acessório de um veículo, afirma professor
Todos os dias, o mundo testemunha uma batalha que faz milhares de vítimas. No Brasil, os acidentes de trânsito somam, em média, 30 mil vidas perdidas todos os anos. Outras 200 mil pessoas ficam com invalidez permanente. O cenário mostra que de 20 milhões de brasileiros são impactados anualmente por esses eventos. A maioria das mortes é de homens jovens, sendo 60% deles motociclistas, que se arriscam nas ruas trabalhando com entregas em um formato de trabalho que eleva os riscos ainda mais. Seja nas áreas urbanas ou estrada é preciso discutir o comportamento humano quando se está diante de um volante. Respeitos aos pedestres, ciclistas e, logicamente, não misturar direção com álcool são comportamentos básicos que muitos insistem em ignorar. O resultado, muitas vezes, é trágico.Além de destruir famílias e histórias, os acidentes também são um ponto que afeta duramente o sistema de saúde pública e a economia. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em números do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde, o Datasus, apenas em 2024, o Brasil gastou R$ 449 milhões com internações de vítimas de acidentes de trânsito.Sobre essas questões, e muitos exemplos de como um comportamento mais adequado no trânsito pode trazer segurança, desenvolvimento e até dinheiro no bolso, esta edição de “Um Tema” podcast recebe o professor, engenheiro e especialista em questões ligadas ao tráfego, Creso Peixoto. Ele é doutor em Transportes pela Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas da Unicamp. Ficha técnica:Produção e entrevista: Fábio GallacciEdição: Bruno PiatoTécnica: Matheus MotaCapa: Paulo CavalheriCoordenação geral: Patrícia Lauretti#unicamp #transito #acidentes
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"A ditadura se retirou a contragosto, se autoanistiou", afirma professor torturado pelo regime militar
Na madrugada de 23 de outubro de 1969, o então estudante Carlos Lobão foi levado por militares à sede da chamada Operação Bandeirantes (Oban), na Zona Sul da cidade de São Paulo. Acordou com uma arma na cabeça. Era o primeiro ato de truculência que enfrentaria pelos próximos quatros anos de sua vida.Na delegacia, foi espancado e recebeu choques elétricos em diferentes partes do corpo – muitos enquanto estava pendurado em um instrumento de tortura conhecido como “pau de arara”.Anos depois, já formado, o geólogo Lobão foi um dos pioneiros do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, onde ingressou como aluno de mestrado em 1978. Ele ainda foi o primeiro geólogo do Brasil a se tornar mestre e também doutor em educação. Na academia, dedicou-se a investigar a interface entre ensino e geociências, em uma época na qual não havia pesquisas sobre essa temática na América Latina.Hoje docente aposentado da universidade, Lobão acredita que o espaço de democracia vivido nas últimas décadas no Brasil representa, na verdade, um movimento de recuo dos militares e que a tortura persiste, agora, contra a população marginalizada em geral. Para ele, que sofreu na pele as consequências de um regime repressivo, é preciso o constante fortalecimento das organizações populares para que o passado não retorne. “A elite brasileira é escravocrata desde sempre. A ditadura se retirou a contragosto, se autoanistiou”, diz ele.Carlos Lobão é o convidado desta edição do Um Tema podcast.Ficha técnicaProdução e entrevista: Fábio GallacciEdição de áudio: Bruno Piato e Matheus MotaTécnica: Rafaela OliveiraCoordenação geral: Patrícia Lauretti
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A única certeza da vida
O Uruguai é o primeiro país da América Latina a aprovar a chamada “morte digna” por lei. Vale ressaltar que no Equador e no Colômbia a eutanásia também foi despenalizada, mas por decisões de suas Supremas Cortes, ou seja, de forma judicial.Os pretendentes precisam ser maiores de 18 anos de idade, estarem psicologicamente aptos e diagnosticados com doenças incuráveis e/ou irreversíveis. Dores intoleráveis ou quadro de grave deterioração que comprometa por completo a sua qualidade de vida também são situações que se encaixam na lei uruguaia. A solicitação deve ser feita de forma pessoal e por escrito, com a avaliação de dois médicos, o que acompanha o paciente e outro independente. Caso haja divergência, uma junta de médicos será composta para analisar o caso.No Brasil, a eutanásia – ou morte assistida - é considerada crime e é enquadrada como homicídio, mesmo com a vontade do paciente. A legislação brasileira não permite a antecipação da morte, mas reconhece e permite a prática da ortotanásia, que é a suspensão de tratamentos fúteis ou o uso de cuidados paliativos para aliviar o sofrimento de pacientes terminais.Para tratar de um assunto ainda encoberto por tabus, desinformação e questões éticas, o “Um Tema” podcast recebe a médica Daniele Sacardo, professora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), no Departamento de Saúde Coletiva, Área de Ética e Saúde, da Unicamp.“Falar sobre a morte ainda segue sendo muito difícil na nossa cultura por questões de valores que dizem respeito à moralidade e religião. No senso comum parece que, falar da morte, serva para atraí-la. É um assunto que ninguém se sente confortável para abordar”, afirma a médica. Ficha técnicaProdução e entrevista: Fábio GallacciEdição de áudio: Bruno PiatoCapa: Paulo CavalheriCoordenação geral: Patrícia Lauretti
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Operações letais não atingem o crime organizado; a Ciência sim, aponta professor
A megaoperação que reuniu diversas forças de Segurança Pública realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na cidade do Rio de Janeiro, no final de outubro, resultando em 121 mortos – sendo quatro policiais-, motivou um importante debate. Qual seria a forma mais eficaz de combater – e desarticular – as ramificações do crime organizado?A necessidade de encontrar alternativas para que o Estado diminua o poder bélico e econômico, além da influência social e política, de facções criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) pautou discussões pelo Brasil nos últimos dias.Para ampliar a análise sobre esse cenário, o “Um Tema” podcast convidou Rodrigo Alberto Toledo, professor da Pós-graduação Interdisciplinar da Unicamp e pesquisador vinculado ao Laboratório de Estudos do Setor Público (Lesp), da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), também da universidade. Além disso, Toledo também é mestre em Sociologia, doutor em Ciências Sociais e pós-doutor em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Ele ainda desenvolve pesquisas sobre teorias sociológicas, desigualdades sociais, vulnerabilidade, espoliação urbana, processo de planejamento urbano e metodologias participativas na formulação de políticas públicas.“A pesquisa e a inteligência baseadas em dados são fundamentais, e mais eficazes, para que haja um desmantelamento do crime organizado. Mais do que o fuzil, que não produz diagnóstico. Já a pesquisa, sim”, afirma o professor. “A academia pode atuar ao lado dos governos para produzir dados confiáveis - sociológicos e econômicos - para se chegar à engrenagem do crime organizado. É possível analisar as políticas públicas em curso e apontar possíveis correções, distinguindo o que funciona e o que não serve”, acrescenta Toledo.Ficha técnicaProdução e entrevista: Fábio GallacciEdição de áudio: Bruno PiatoCapa: Alex CalixtoFoto: Tomaz Silva/Agência BrasilApoio: Cris Kämpf – Assessoria FCACoordenação geral: Patrícia Lauretti#unicamp #crimeorganizado #segurança
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Há 30 anos na NASA, cientista brasileira é referência mundial
Graduada em astronomia (1978) e doutora em geologia planetária (1986) pela Universidade de Londres, a brasileira Rosaly Lopes tem três décadas de experiência na investigação de superfícies planetárias, particularmente vulcanismo. No fim do doutorado, começou a trabalhar com divulgação científica no Observatório de Greenwich, no Reino Unido. Após um pós-doutorado no Jet Propulsion Laboratory (JPL), na National Aeronautics and Space Administration (NASA), nos Estados Unidos, foi convidada a permanecer no laboratório da agência, onde trabalha desde 1991. Atualmente, Lopes é vice-diretora do Departamento de Ciências Planetárias do JPL, que coordena missões planetárias não-tripuladas. Ela foi membro de uma das equipes da missão Galileu (1991-2002). Sua experiência em missões também inclui a Cassini, como membro da equipe Radar (2002-2019), e a New Horizons, como colaboradora nas observações de sobrevoo de Júpiter. Suas publicações incluem mais de 150 artigos e onze livros publicados, entre eles um traduzido para o português: “Turismo de Aventura em Vulcões” (Editora Oficina de Textos, 2008).Entre as premiações e homenagens que recebeu estão: Prêmio de Serviço Público Excepcional da NASA (2019), Medalha de Serviço Excepcional da NASA (2007), prêmio da União Geofísica Americana (2018), da Sociedade Geológica da América (2015), da Associação Americana para o Avanço da Ciência (2006) e Medalha Carl Sagan de excelência em comunicação científica para o público da American Astronomical Society (2005). Como se não bastasse, em 2016, a União Astronômica Internacional homenageou a pesquisadora ao batizar o asteroide (22454) como “Rosalílopes”. Além do seu trabalho científico, Lopes atua em prol da educação, da diversidade e da divulgação científica em âmbito internacional. Ela concedeu diversas palestras públicas nos Estados Unidos e no Exterior, em todos os continentes, incluindo a Antártica.Com tanta experiência em sua vida, a menina da praia de Ipanema que um dia sonhou em ser cientista espacial realizou seu desejo com louvor. Referência mundial em sua área, Rosaly Lopes é a convidada desta edição do “Um Tema” podcast.Ficha técnicaProdução e entrevista: Fábio GallacciEdição de áudio: Bruno PiatoCapa: Alex CalixtoApoio: Alvaro Crósta – IG UnicampCoordenação geral: Patrícia Lauretti
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Colcha de retalhos ou farol da sociedade? O papel da Constituição
A Constituição Federal brasileira atingiu, em setembro deste ano, a marca de 136 emendas desde a sua promulgação, em 1988. Com isso, a Carta Magna registra 3,6 emendas por ano, ou seja, trata-se do texto mais alterado da história das constituições brasileiras até o momento. Em segundo lugar, vem o documento de 1946, que recebeu 27 emendas em 21 anos de vigência (média de 1,3 por ano). Os dados são do SenadoFederal.A mais recente Proposta de Emenda à Constituição (PEC) emtramitação foi aprovada na última terça-feira (7/10) pela Câmarados Deputados. Ela trata de regras para a contratação e aaposentadoria das carreiras dos agentes comunitários de saúde(ACS) e dos agentes de combate às endemias (ACE). Casotambém seja aprovada pelo Senado, a medida representa umimpacto bilionário para as contas públicas. Um estudo daConfederação Nacional de Municípios dimensionou um impactode R$ 21,2 bilhões aos cofres públicos.No mês em que são celebrados os 37 anos da “Constituição Cidadã” –promulgada em 5 de outubro, com o deputado Ulysses Guimarãescomo presidente da Assembleia Nacional Constituinte, que inaugurou anova ordem democrática, após 21 anos sob a ditadura militar –, o UmTema Podcast conversa com o advogado e professor da Faculdade deCiências Aplicadas (FCA), da Unicamp, Luís Renato Vedovatto.Afinal, o grande número de emendas torna a nossa Carta Magna maisfrágil, “inchada” e distante de suas origens ou, pelo contrário, deixa-amais dinâmica e atual, conforme as transformações da sociedade?#unicamp #constituição #cartamagnaFicha TécnicaProdução e entrevista: Fábio GallacciEdição de áudio: Bruno PiatoCapa: Luis Paulo SilvaCoordenação geral: Patrícia Lauretti
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Ciência é a chave para combater adulterações de alimentos e bebidas cada vez mais ousadas
Registros de intoxicação – e mortes - por metanol após ingestão de bebidas alcoólicas no estado de São Paulo despertaram a atenção de todo o País sobre a questão da adulteração de alimentos em geral. Problema comum em diversas partes do mundo, esse tipo de falsificação afeta de forma contundente a saúde pública e a economia.Além de bebidas, itens como café, azeite, suplementos vitamínicos e até mesmo leite são alvos frequentes de quadrilhas criminosas que buscam o lucro colocando em risco a vida das pessoas. As autoridades que combatem essas ações têm na Ciência uma aliada para neutralizar as consequências da contaminação deliberada e cada vez mais estruturada. Pesquisas, estudos, metodologia e o desenvolvimento de mecanismos de análise são importantes agentes para uma eficaz identificação de problemas. Para tratar do assunto e apontar o que o mundo acadêmico tem realizado para assegurar a saúde e bem-estar de milhões de consumidores ao redor do planeta, o professor Rodrigo Ramos Catharino é o convidado desta edição do “Um Tema” podcast.Diretor e professor titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, da Unicamp, ele também é coordenador do Laboratório Innovare de Biomarcadores - com experiência em área translacional, atuando principalmente com biomarcadores, elucidação estrutural, diagnóstico, medicamentos, cosméticos e alimentos. Catharino ainda leciona bromatologia, que é a ciência que trata dos alimentos em todos os seus aspectos, focando na composição química, valor nutricional, qualidade e segurança.Para ele, os avanços da Ciência são as chaves para o combate às adulterações de alimentos e bebidas cada vez mais ousadas e desafiadoras no que diz respeito à identificação dos golpes.
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Na busca pelo equilíbrio, é preciso valorizar a ‘troca humana’, aponta psiquiatra
Falar sobre saúde mental é sempre necessário. Ainda mais em uma época em que muitas pessoas buscam na Inteligência Artificial um papel até então ocupado por profissionais como psicólogos e psiquiatras. Muitos têm buscado o mundo digital com um novo “terapeuta”, usando a ferramenta para compartilhar suas angústias, medos e questões mais pessoais como se estivessem diante de um profissional real. Qual a razão de as pessoas buscarem no digital esse amparo que, a princípio, requer essa “troca humana”? E quais os riscos disso?O imediatismo, a felicidade guiada por algoritmos e a realidade paralela das redes sociais também são mecanismos que não contribuem para o bem-estar real. Pelo contrário, alimentam sensações negativas e oprimem, principalmente os mais jovens, gerações que já nascem de olho nas telas. Esta edição do “Um Tema” podcast recebe a Dra. Tânia Mello, graduada em Medicina pela Unicamp, com residência em Psiquiatria e doutorado em Linguística e formação em Psicanálise pelo Instituto de Pesquisa em Psicanálise de São Paulo, ligado à Associação Mundial de Psicanálise. Ela também é coordenadora do programa de Promoção da Saúde Mental da Diretoria Executiva de Apoio à Permanência Estudantil da Unicamp.Ficha técnicaProdução e entrevista: Fábio GallacciEdição de áudio: Matheus MotaCoordenação geral: Patrícia Lauretti
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Explorações em outros planetas contribuem para o futuro da própria Terra, aponta professor
Uma rocha coletada em Marte por um robô da agência espacial estadunidense Nasa - o Perseverance - apresentou minerais que na Terra costumam se formar em ambientes influenciados por microrganismos. A confirmação da descoberta foi divulgada em um recente artigo publicado na revista Nature.Os cientistas identificaram nesta rocha a presença de vivianita (fosfato de ferro) e greigita (sulfeto de ferro). Esses minerais, no planeta Terra, costumam aparecer em deltas de rios, lagoas e áreas úmidas, geralmente como consequência da decomposição de matéria orgânica feita por micróbios.Para discutir sobre a possibilidade de vida fora do planeta Terra, as conquistas que essas explorações podem trazer e o atual papel do Brasil nesse cenário, o “Um Tema” podcast recebe o professor geólogo Álvaro Crósta, titula sênior do Instituto de Geociências (IG), da Unicamp, e especialista em geologia planetária. Ficha técnicaProdução e entrevista: Fábio GallacciEdição de áudio: Bruno Piato I Matheus Mota | Rafaella OliveiraCoordenação geral: Patrícia Lauretti#unicamp #marte #planetaterra #geologia
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Esporte precisa ser diversão para as crianças, afirma professora
Qual a recomendação para o desenvolvimento saudável de crianças no esporte? Praticar várias modalidades ou escolher apenas uma? E pensando na formação de atletas de alto rendimento, algo muda na iniciação esportiva infantil? Estudos sugerem que as crianças precisam vivenciar diferentes modalidades logo nos primeiros anos de vida, garantindo uma diversificação e experimentação que permita que elas façam o que é mais importante em tudo isso: se divertir.Larissa Galatti, professora de Ciências do Esporte, da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), da Unicamp, e uma das coordenadoras do Laboratório de Pedagogia do Esporte na universidade, mostra que práticas esportivas podem ser transformadoras da comunidade e uma das bases da formação infantil. Sendo assim, o esporte em suas múltiplas formas é uma importante ferramenta social.Nos últimos 15 anos, estudos em escala mundial reforçaram a importância da diversificação. No Brasil, conforme aponta a professora Galatti, a Unicamp é protagonista desde os anos 1990 neste tema, quando o professor Roberto Paes lançou um livro contra a especialização precoce no esporte. Décadas depois, em 2022, docentes da Unicamp colaboraram com o Comitê Olímpico do Brasil na produção do documento de referência para o desenvolvimento esportivo do Brasil a partir dessas evidências científicas.Ficha técnica Produção e entrevista: Fábio GallacciEdição de áudio: Bruno Piato I Octávio SilvaArte: Alex CalixtoFoto: Freepik.com Coordenação geral: Patrícia Lauretti
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Estamos ‘terceirizando’ nossas vidas para os celulares, aponta psiquiatra
Equipamento essencial para a vida cotidiana nos dias de hoje, o aparelho celular está em praticamente nas mãos de todas as pessoas. Informações pessoais, fotos, dados, redes sociais e aplicativos; simplesmente tudo está concentrado nessas “caixinhas”. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024, 167,5 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade tinham telefone móvel celular para uso pessoal no Brasil. Isto correspondia a 88,9% da população dessa faixa etária. Nas áreas urbanas, 90,5% da população possuíam telefone celular para uso pessoal, enquanto nas áreas rurais esse percentual foi de 77,2%. Os dados são do módulo anual da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) sobre Tecnologia da Informação e Comunicação.Uma pesquisa recente da Reviews.org mostrou que os americanos, por exemplo, checam o celular, em média, 200 vezes por dia. Sendo assim, não é exagero dizer que o celular virou uma forma de extensão do corpo humano, vencido pelo hábito e busca incessante por satisfação contra a ansiedade.Para tratar deste assunto e ampliar a discussão sobre o domínio dessas máquinas na vida das pessoas, o “Um Tema” podcast traz nesta edição o médico psiquiatra Rodrigo Martins Leite, mestre em Políticas Públicas e Serviços de Saúde Mental, que atua no Centro de Saúde da Comunidade (Cecom) da Unicamp.
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A luta diária por suas vidas e territórios
As ocorrências envolvendo assassinatos de indígenas no País cresceram 201,43% na última década, passando de 70 casos, em 2014, para 211 em 2024. Os dados fazem parte de relatório “Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil”, produzido pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Igreja Católica. O levantamento ainda aponta o aumento nos episódios de violência contra a pessoa indígena, que totalizaram 424 registros em 2024, contra 248 em 2014. Abuso de poder, racismo, discriminação étnico-cultural e violência sexual também estão entre os registros mais comuns.Para tratar desse e de outros assuntos ligados à luta pelo fortalecimento da existência indígena em todo o território brasileiro, esta edição do “Um Tema” podcast traz a antropóloga, doutora em demografia pela Unicamp e primeira mulher presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Marta Azevedo. Outro convidado é o estudante indígena Diogo Guarani, natural de Dourados (MS) e aluno de Licenciatura em Química na Unicamp.Reportagem: Fábio GallacciEdição de áudio: Octávio Silva | Matheus Mota
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Sequências genéticas da biodiversidade: o que isso muda na sua vida?
As informações geradas pelas sequências digitais dos recursos genéticos, conhecidas como DSI (Digital Sequence Information), referem-se a dados digitais do sequenciamento genético de plantas, animais e microrganismos. Essas informações são essenciais para a realização de pesquisas nas áreas de biotecnologia e conservação da biodiversidade. Como deve ser feita a repartição de benefícios? Quando um país usa as informações de sequências digitais dos recursos genéticos geradas por outro? A convidada do podcast Um Tema é a professora e coordenadora da Comissão de Patrimônio Genético da Unicamp, Derlene de Angelis, membro da Divisão de Recursos Microbianos do CPQBA/Unicamp.Ficha técnicaApresentação - Hebe RiosEdição de áudio - Octávio da Silva e Juliana BudoyaCoordenação - Patrícia Lauretti
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Juventude entregue às telas
Em sua edição de estreia, o podcast “Um Tema” conversa com Heloísa Lins, professora da Faculdade de Educação da Unicamp e coordenadora do Observatório de Direitos Humanos da universidade. Ela aborda as mais variadas temáticas surgidas a partir de questões envolvendo a “adultização” de crianças e adolescentes na internet. O papel das famílias, da escola, do Estado e das chamadas big techs em relação à exposição exagerada – e muitas vezes criminosa – de menores de idade nas redes sociais. Quais as causas e consequências disso? Como encarar uma realidade tão delicada, perigosa e evitada pela sociedade?Reportagem: Fábio GallacciEdição: Matheus Mota / Octávio Silva
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