USP Analisa - USP

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O USP Analisa é um podcast que traz, a cada temporada, especialistas para discutir um tema de interesse público, respondendo aos anseios da sociedade. É uma produção conjunta da USP FM de Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.

  1. 20

    USP Analisa #147: Retrocesso na segurança pode levar a milicianização da região amazônica, dizem especialistas

    A expansão da presença de grupos criminosos na região amazônica gerou um aumento na violência entre comunidades locais. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, apesar de haver uma redução nas mortes intencionais violentas no norte do País em 2024, os índices ainda são superiores à média nacional e às de outras três regiões brasileiras. No último episódio do USP Analisa em 2025, que vai ao ar nesta quinta (18), o coordenador do grupo de pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública do Instituto de Estudos Avançados Ribeirão Preto da USP, Eduardo Saad Diniz, e o defensor público do Estado do Amazonas, Carlos Almeida Filho, discutem os impactos disso para a população amazônica, incluindo as comunidades indígenas, que também sofrem com a ação desses grupos. Almeida destaca que, quando há a ausência do Estado, grupos paralelos acabam exercendo o monopólio da violência. “Os grupos criminais aqui decapitam e deixam muito claro àqueles que transgridem suas ordens como é que eles são punidos. Aqui em Manaus, o governo instalou uma política de segurança pública chamada Paredão de Segurança. Foram colocadas várias câmeras de segurança em alguns pontos da cidade de Manaus. Bom, o Comando Vermelho mostrou quem é quem manda. Quebrou um cara no meio e jogou dentro de uma lixeira na frente das câmeras do Paredão. O recado está dado para a população do centro, a quem eles devem obedecer”, conta o defensor. “O risco desse retrocesso é a gente chegar num movimento de milicianização da região. Esse é um estágio involutivo quase irreversível”, complementa Diniz. Sobre as populações indígenas que vivem na região, Almeida ressalta que, embora haja grande exaltação da cultura desses povos por meio de ações como o Festival de Parintins, eles são praticamente tratados como párias e não há políticas de estado voltadas à proteção e à garantia de direitos. “Os indígenas, que deveriam ser uma peça essencial no conhecimento e nas tradições e, por que não dizer, na nossa própria cultura, são mantidos somente enquanto referência folclórica. Eles sofrem tanto quanto as populações tradicionais, quanto os caboclos, quanto os ribeirinhos, com uma diferença: a eles ainda é negada a cidadania. Quem é o maior violador de direitos fundamentais dos indígenas? O Estado brasileiro como um todo” afirma.  Diniz chama atenção para a negligência que as demais regiões brasileiras têm com a região amazônica, principalmente a Sudeste, embora ela seja crucial para o futuro do planeta. “Ela é origem de uma série de conflitos que acabam repercutindo sensivelmente no silenciamento e em situações de não reconhecido genocídio entre nós. Nós tanto negligenciamos essa periferia do Brasil, apesar de haver lá mais de 35 milhões de habitantes, que agora ela é pivô do discurso dos limites planetários, do discurso sobre o futuro da própria humanidade. A nossa arrogância se volta contra nós próprios agora. Ou bem a gente revê essa nossa indiferença histórica, ou paradoxalmente a gente está destruindo nossa própria existência”. O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no Whatsapp.

  2. 19

    USP Analisa #146: Domínio do crime sobre população amazônica é consequência de pobreza e ausência do Estado

    Muitas comunidades que vivem na região amazônica sofrem com a pobreza e a ausência de estruturas do Estado. Esses fatores acabam impactando na cooptação desses habitantes pelo crime organizado, que tem expandido seu poder nessa área do Brasil. No USP Analisa desta quinta (4), o coordenador do Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto da USP, Eduardo Saad Diniz, e o defensor público do Estado do Amazonas, Carlos Almeida Filho, comentam essa situação. Diniz explica que tudo começa com a dificuldade na obtenção de crédito por pequenos produtores rurais locais, que dependem dessa atividade para sobreviver. “O solo da região é bastante pobre. Então, é preciso comprar uma série de fertilizantes para corrigir a acidez do solo e irrigar, por conta do calor intenso. Mas quando o produtor busca crédito nas instituições financeiras, elas exigem o título de propriedade e há na região um grande problema de regularização fundiária”. Como consequência, segundo Diniz, esse vácuo de alimentos acaba sendo preenchido com produtos vindos de outras regiões do País, com mais condições de investir na produção. “As comunidades perecem e você vai abrindo mais e mais áreas de produção, gerando essa história sem fim da devastação ambiental. Então, ainda que a pessoa queira desenvolver um cultivo de forma sustentável, ela encontra uma série de óbices. Eu tenho que ter medidas de enforcement para aqueles que, de fato, causam comportamento socioambientalmente danoso, mas também uma política regulatória inteligente que permita que aquele produtor rural encontre condições de efetiva produção e não seja criminalizado porque cortou dois, três galhos ali para fazer um galinheiro e alimentar sua família”.  Almeida destaca que muitos produtores que não conseguem sobreviver no campo ou que vivem em comunidades rurais que sofrem com a atuação de grupos criminosos acabam migrando para cidades como Manaus, em áreas dominadas pelo tráfico de drogas. “Só neste ano de 2025 houve pelo menos três comemorações do Comando Vermelho mediante o estouro de fogos de artifício em toda a cidade, comemorando consolidação e domínio do crime. Isso na cara do Estado”. Para o defensor, não existe vácuo de poder, ele é ocupado. Segundo ele, enquanto o Estado precisa se rearticular a cada dois ou quatro anos e acaba alterando toda a política de segurança, sem entregar resultado efetivo, o crime só troca de comando mediante a morte das lideranças, o que faz com que ele muitas vezes permaneça por décadas nos locais. “Lá no final, o povo, a população mesmo, acaba sofrendo aquilo que o [escritor de ficção científica] William Gibson dizia: ‘Bom, tem que atender então as corporações que controlam no momento’. E, às vezes, quem está mais presente é aquele camarada que sabe exatamente quem é tua família, quem é teu grupo familiar. Ele vai controlar pelo poder e pela ameaça onde você pode ir, se deslocar”, diz Almeida. O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no Whatsapp

  3. 18

    USP Analisa #145: Especialistas discutem inclusão de crimes ambientais em atividades de grupos criminosos na Região Amazônica

    Grupos criminosos que antes se dedicavam somente ao tráfico de drogas estão expandindo suas atividades e incluindo os crimes ambientais entre elas. No episódio desta quinta (20) do podcast USP Analisa, o professor e pesquisador do Núcleo de Estudos Amazônicos da Universidade de Brasília (UnB), Franco Perazzoni, e o perito criminal federal Herbert Dittmar discutem os fatores estruturais e econômicos da região amazônica que contribuem para essa mudança. Para Perazzoni, além de ser mais rentável e ter uma punição menor, o crime ambiental nem sempre é visto pela sociedade brasileira como algo tão grave quanto o tráfico de drogas. “A criminalidade ambiental tem um lucro elevado. Historicamente, 1 kg de pasta base na Bolívia, na Colômbia, custa US$ 700. Chega no Brasil a US$ 2 ou US$ 3 mil, na Europa a US$ 10 mil, na Ásia a US$ 60 mil. Só que na Indonésia, por exemplo, tem risco de pena de morte. E você consegue levar só pequenas quantidades. Agora vamos pegar uma madeira boa, mogno. Você paga a árvore em pé quando corta, então gasta basicamente o combustível, a motosserra, o operador, que são custos baixíssimos. Sai a US$ 3 ou US$ 4 mil, às vezes, o metro cúbico. Então é extremamente lucrativo, o risco é muito baixo e o fato é muito mais aceitável socialmente.”  Ele destaca ainda que, no caso da madeira, há toda uma rede de apoio mobilizada para obter uma documentação que dê aparência legal ao produto ilegal. “No Brasil, a gente tem um problema muito sério: tudo que é público não é de ninguém. Em qualquer área de preservação onde o Estado não esteja presente, você entra e tira dez, 20, cem caminhões de madeira. Tendo uma infraestrutura criminosa ali, você consegue legalizar e ela é vendida normalmente.” Dittmar destaca ainda que a economia interfere nas dinâmicas criminais, citando o caso do valor do ouro, que atualmente custa em torno de R$ 745 o grama e está gerando um aumento nos roubos de alianças em cidades como São Paulo. Além disso, segundo ele, o crime interfere na própria cultura de alguns povos indígenas. “Eu conheci os enawenê-nawê no Mato Grosso, que não comem carne vermelha, só peixe e frango. Como o rio foi destruído pelo garimpo, a Funai tem que entregar todos os meses caminhões frigoríficos de peixe para eles sobreviverem. Índios que viviam de colocar armadilhas no rio para pescar, para pegar peixe, para sobreviver, então a cultura desses povos vai sendo alterada.” Ele alerta ainda que a Floresta Amazônica não está sendo apenas desmatada, mas completamente degradada. “Desmatamento, hoje, nós já temos garantidos 22%, e mais ou menos 38% de floresta degradada. Ou seja: nós já perdemos 60% da Amazônia. Eu não estou falando 6%. Eu estou falando 60%.” O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no WhatsApp.

  4. 17

    USP Analisa #144 – Prática de crimes ambientais na região amazônica tem raízes históricas

    Região que se estende por oito países além do Brasil e com características sociais, econômicas e geográficas bastante peculiares, a Amazônia tem se tornado uma nova fronteira para a atuação de grupos criminosos. Para entender melhor essa região e os diferentes tipos de crimes cometidos nela, o USP Analisa desta quinta (6) conversa com o  professor e pesquisador do Núcleo de Estudos Amazônicos da Universidade de Brasília, Franco Perazzoni, e com o perito criminal federal Herbert Dittmar. Eles explicam que os principais crimes nessa região basicamente são desmatamento ilegal, garimpo ilegal e grilagem de terras. Porém, não é uma prática recente. Suas raízes estão na própria colonização do Brasil por Portugal e houve uma intensificação de algumas das práticas durante o governo militar, graças ao projeto de ocupação da região e à criação da Rodovia Transamazônica, na década de 1970.  “O governo militar praticamente jogou um pessoal da região Sul lá, sem apoio nenhum. Eu conheci alguns deles morando no Sul do Amazonas que disseram ter recebido um lote de cem hectares nessa época, mas não tiveram ajuda para se estabelecer. Muitas famílias precisaram se ajudar, e várias foram embora. Se hoje já é difícil, imagina naquela época, sem estrada, sem apoio, sem hospital, sem nada. E aí depois chega o Estado no início deste século e diz que desmatamento é crime. Aí o pessoal se revoltou: ‘Que história é essa? Nós viemos aqui, vocês disseram que era para desmatar e agora estão dizendo que é crime?'”, conta Dittmar. Além disso, segundo Perazzoni, nos últimos anos, a madeira se transformou em uma espécie de commodity da região. “Nos últimos 20 anos, há o esgotamento de reservas de madeira em outros lugares do mundo. A nossa madeira é muito boa, mas é vendida a preço de banana. A gente vende o nosso ipê mais barato do que o pinus norte-americano. Por quê? Porque ele existe em boa quantidade. A gente começa de algo que sobrava da ocupação da terra para produção, para passar a ser uma commodity”, explica. A alta lucratividade e a baixa punibilidade associadas ao garimpo ilegal também ampliaram o interesse de grupos criminosos pelo ouro nessa região. “Por exemplo, legalmente, se eu não me engano, Roraima não produz uma grama de ouro. Você não tem permissão de lavra garimpeira lá, é tudo legalizado em outros lugares. É uma região que tem um dos índices de desenvolvimento humano mais baixo do Brasil. As comunidades tradicionais, às vezes, estão em cima de uma mina de dinheiro. Então você tem esse assédio do crime organizado, você tem alta lucratividade e baixa punibilidade de vários desses crimes. Eu sempre brinco, se o traficante pega uma avioneta e pode trazer uma tonelada de ouro e uma tonelada de droga, o que é melhor? Ouro é mais fácil de legalizar, a pena é muito menor, dá muito mais lucro e pesa a mesma coisa”, diz Perazzoni. O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no Whatsapp.

  5. 16

    USP Analisa #143 – Problema não é o criptoativo, mas brechas na regulação que os criminosos aproveitam, diz especialista

    O uso de criptoativos para lavagem de dinheiro pelo crime organizado e a exploração de crianças e adolescentes na internet foram dois crimes digitais que ganharam bastante repercussão nos últimos meses. No primeiro caso, graças a uma operação da Polícia Federal que descobriu ligações entre uma organização criminosa e fintechs e, no segundo, por conta de um vídeo publicado por um influenciador digital mostrando como algoritmos podem ser condicionados para propagação de material ligado à exploração infantil. O USP Analisa desta semana (23/10) vai mostrar esses dois casos dentro da série especial sobre criminalidade e violência, em uma entrevista com o pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP e colaborador do Observatório de Segurança Pública da Unesp, Felipe Ramos Garcia.  Sobre o uso dos criptoativos, Garcia lembra que existe um Marco Legal em vigor desde 2023 que exige que provedores de serviços ativos virtuais, de câmbio e de compra a venda de moedas digitais tenham autorização do Banco Central para funcionar e sejam fiscalizados pela Comissão de Valores Mobiliários.  “A lei, de modo geral, não criminaliza os criptoativos, mas tenta estabelecer alguns marcos para regular o comércio e o mercado de criptoativos no Brasil. O ponto é que a gente observou, com a última operação [da Polícia Federal], algumas fragilidades nessa legislação, porque ela tende a não abarcar com tanto fervor, como acontece no caso de bancos, as chamadas fintechs.” Garcia  explica que, no caso dos bancos, todas as transações são comunicadas ao Banco Central. Já no caso das fintechs, há a operação das chamadas contas-bolsão, que são comunicadas apenas quando chegam a um determinado valor, e podem conter tanto dinheiro lícito, de comerciantes comuns, quanto ilícito, proveniente do tráfico de drogas, por exemplo.  “Essa falta de fiscalização mais detida cria um ambiente fértil para este tipo de envolvimento com crime organizado. Boa parte das vezes, como é o caso dessas operações que aconteceram, há o envolvimento de criptoativos, justamente por uma certa dificuldade de rastreá-los e porque, em vários casos, eles acabam operando na margem dessa fiscalização. O problema não é o criptoativo em si, mas as brechas na regulação, que o crime organizado e os criminosos sempre vão aproveitar”, explica ele.  Sobre a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, Garcia destaca que, após a pandemia, houve uma maior discussão sobre os impactos da exposição intensa de jovens às redes sociais, o que tem levado alguns países a cercear o uso delas por menores de 16 anos e a obrigar as plataformas a fiscalizar esse uso.  “A gente precisa olhar para as plataformas digitais não necessariamente como uma vilã ou como uma mocinha nessa história, mas como queremos pensar em educar os nossos filhos. Porque se é um ambiente em que há exposição de golpes, links fraudulentos, exposição de plataforma de aposta, como a gente gostaria que os nossos filhos, nossos sobrinhos, nossos netos estivessem participando dessa esfera? Talvez seria interessante pensar em alternativas para ou coibir esse tipo de participação, pelo menos até uma certa idade - aí, enquanto sociedade a gente precisa chegar nesse denominador comum - ou virtualmente intensificar essa responsabilização para que pelo menos esse tipo de conteúdo não chegue a essas crianças e adolescentes”, sugere o pesquisador.  O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no WhatsApp.

  6. 15

    USP Analisa #142 – Migração de atividades para o ambiente digital alterou perfil da criminalidade

    A pandemia de covid acelerou, a partir de 2020, a migração de grande parte das interações do dia a dia para o ambiente digital. A implantação do Pix, nessa mesma época, também ajudou a incluir nessa lista as transações bancárias. Apesar de trazer grande praticidade, os meios digitais também se tornaram ferramentas da criminalidade, o que fica claro pelos índices de roubo e furto de celulares e de golpes aplicados pela internet. Para falar sobre esse cenário, o USP Analisa conversa nesta quinta (9) com o pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP e colaborador do Observatório de Segurança Pública da Unesp, Felipe Ramos Garcia.  Para ele, o Pix foi um recurso importante para inserir no sistema bancário muitas pessoas que antes não estavam integradas. Porém, essa mudança na dinâmica financeira somada à concentração de informações sobre a vida pessoal e profissional nos celulares acabou interferindo no próprio perfil da criminalidade, que tem abandonado atividades como roubo de carros para investir no roubo dos celulares. “Além do aparelho em si, ele pode ter um ganho adicional que muitas vezes supera esse ganho do aparelho em si. Com a facilidade das transações, conseguindo ali extrair dados que depois ele pode usar para chantagear, pode aplicar golpes usando a técnica do phishing, se passando pela pessoa e usando para pedir dinheiro ou até entrando no próprio aplicativo do banco, que talvez pode estar logado. Às vezes, os criminosos pedem para as pessoas logar, aí também fazem transações que são mais rápidas ali, fora de casa. Então, de uma certa forma, eu diria que essa digitalização da vida impactou esse perfil da criminalidade”, diz Felipe Garcia. O pesquisador destaca que a dificuldade de combate a esse tipo de crime pode ser reduzida com uma maior cooperação entre os diferentes órgãos de fiscalização. Ele cita o recente caso do Estado do Piauí, onde uma integração dos serviços da Polícia Civil, Anatel e Ministério Público permite bloquear o aparelho em pouco tempo, reduzindo o tempo que o criminoso teria para obter dados ou efetuar golpes. Além disso, quando os aparelhos bloqueados são ligados novamente, emitem um aviso de que aquele dispositivo foi furtado e a pessoa que o adquiriu deve entregá-lo às autoridades.  “A gente viu, no caso do Piauí, uma queda de quase 30% em 2024 em relação a 2023 no número de furtos de roubos de celulares. São Paulo tem tentado fazer isso, o que é bastante interessante, porque você diminui a janela para aplicação de golpes e torna o produto material - no caso, o celular - um pouco mais ineficaz.” O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no WhatsApp.

  7. 14

    USP Analisa #141 – Aumento do discurso de ódio impacta agenda sobre direitos das mulheres no Legislativo

    Há pelo menos dez anos, o Brasil tem visto uma ascensão de movimentos e ideias com perfil mais conservador. Paralelamente, houve aumentos frequentes nas estatísticas de crimes cometidos contra mulheres em função do gênero. O USP Analisa desta quinta (25) conversa com a professora da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP, Fabiana Severi, sobre uma possível relação entre esses dois fatos. Segundo a docente, desde 2012 houve um aumento no discurso de ódio às mulheres e em discursos que legitimam mudanças legais prejudiciais às conquistas em termos de direitos, e isso impactou negativamente a agenda do Poder Legislativo. “Já faz tempo que a gente não tem mudanças normativas significativas de avanço dos direitos das mulheres. Ao contrário, às vezes há até algumas medidas populistas. A lei do feminicídio, no final das contas, é uma mudança populista recente que colocou mais pena, mas o que a gente gostaria mesmo era ter aumento orçamentário e fortalecimento das políticas. A gente teve, sim, uma retomada leve de orçamento federal, de organização das políticas de enfrentamento à violência doméstica e de combate ao feminicídio, agora no início do governo do atual presidente, mas não ainda à altura daquilo que existia no governo Dilma”, explica Fabiana.  A professora destaca a importância da sociedade perceber alguns “cavalos de Troia” escondidos em algumas propostas e debates que parecem favoráveis aos direitos das mulheres, mas que, na verdade, acabam trazendo prejuízos a elas. Ela cita, como exemplo, o debate sobre gênero nas escolas, que gera polêmica entre setores mais conservadores da sociedade. “É um debate ainda presente e que as pessoas confundem muito. Quando se fala em gênero, não precisa ter medo da palavra. Ninguém vai mudar o sexo do outro ou fazer discussão sobre a vida íntima das pessoas. A gente está falando de papéis sociais, ou seja, como é construído o lugar social de homens e mulheres na nossa sociedade. A gente quer que as mulheres possam seguir suas vontades, fazer as suas escolhas independentemente desse papel. E também sensibilizar crianças e adolescentes de que algumas interações em relacionamentos afetivos ou na própria família não devem ser aceitas. Então aumentar o vocabulário, aumentar a sensibilidade das pessoas para entender que aquela atitude do outro é uma violência é uma intrusão. É isso que gênero nas escolas faz”, afirma. O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no WhatsApp.

  8. 13

    USP Analisa #140: Para especialista, falta destinação de recursos para combate à violência contra mulher

    A violência contra meninas e mulheres se apresenta em várias formas e seus registros crescem a cada ano. No USP Analisa desta quinta (11), a professora da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP Fabiana Severi fala sobre essas violências, avalia a legislação que busca preveni-las e destaca que falta destinação de recursos às políticas públicas de proteção às vítimas. Ela explica que os dados que compõem essas estatísticas vêm atualmente de três bancos de dados: o da segurança pública, abastecido pelos boletins de ocorrência; o do sistema de saúde, que recebe informações quando os profissionais percebem traços dessas violências ou são notificados sobre elas; e o DataSenado, um instituto de pesquisas ligado ao Senado Federal que realiza pesquisas por telefone ou nas ruas e produz um painel específico sobre violência contra a mulher, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência desde 2005. “A estimativa é que a gente tenha uma a cada três mulheres que passaram por algum tipo de violência doméstica em alguma fase da vida. A mais notificada ainda é a violência física no ambiente doméstico. A violência psicológica também é bastante notificada, mas geralmente associada. É difícil você ter casos de violência psicológica que são informados de maneira isolada, quase sempre são informados com violência física ou outro tipo de violência. No caso de crianças, há a negligência, que é também um tipo de violência doméstica e acomete mais as crianças na fase de 0 a 5 anos, e a violência sexual, outro tipo de violência doméstica, mas que acomete sobretudo crianças e adolescentes na faixa dos 10 a 14 anos”, diz a professora. Sobre a legislação, Fabiana destaca a importância da Lei Maria da Penha, cujo foco está em políticas públicas de proteção social às vítimas de violência. Porém, segundo ela, não basta ter a lei se não houver recurso financeiro para implementar essas políticas. “O foco [da Lei Maria da Penha] está em estancar rapidamente com medidas protetivas a violência que a mulher está passando naquele momento e garantir proteção social. Para isso, eu preciso de recursos, orçamento no município, Secretarias que entreguem esses serviços, orçamento no Estado e no âmbito federal para que esses serviços aconteçam. O que a gente vê no Brasil não é, então, uma falta de lei. A Lei Maria da Penha é um exemplo no mundo. Ela é uma das três melhores leis no mundo sobre enfrentamento à violência doméstica. Isso foi reconhecido pela ONU, logo quando a lei foi aprovada em 2006. O que falta é orçamento, destinação orçamentária para boas políticas e as políticas conseguirem chegar às mulheres que sofrem violência”, afirma a professora. O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no WhatsApp.

  9. 12

    USP Analisa #139: Vínculos e gestão emocional podem ajudar a reduzir violência em escolas

    A violência nas escolas não está presente somente na forma de ataques de violência extrema, mas principalmente nas relações cotidianas entre os alunos e entre alunos e professores. No USP Analisa desta quinta (28), que vai ao ar pela Rádio USP, os pesquisadores do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social da USP, Luiz Guilherme Dácar da Silva Scorzafave e Samia Mercado Alvarenga, discutem o que a comunidade escolar pode fazer para evitar esse tipo de situação.  Scorzafave destaca que os profissionais da educação não têm um preparo específico em sua formação para lidar com essas questões e que há um desafio em convencê-los de que também é parte de suas atribuições lidar com questões comportamentais, que extrapolam o ensino das disciplinas. “É um desafio grande montar esse quebra-cabeça, de fazer com que esses profissionais que estão dando aula para muitos estudantes consigam ter a formação adequada e consigam criar esses vínculos para se aproximar mais dos alunos. Porque essa é uma das chaves, a gente conseguir ter uma escola em que o vínculo afetivo entre os estudantes e entre os estudantes e os professores efetivamente aconteça. Que os alunos gostem de estar naquele ambiente, que eles se sintam respeitados e, da mesma forma, os professores”. Para Samia, é fundamental também trabalhar ações ligadas à educação socioemocional e à gestão emocional tanto para os professores quanto para os alunos. “Desenvolver a empatia, a resiliência, cuidado com as emoções, a forma como vai externalizar essas emoções, tudo isso deve ser também aprendido na escola. Muitas vezes, os pais não conseguem passar esse aprendizado para as crianças em casa em função da vida moderna, de ter que trabalhar de manhã, de tarde e noite e a criança ficar desassistida nesse sentido. Então a escola tem que ser palco de aprendizagem no seu sentido mais amplo. Aprendizagem de cidadania, de gestão de emoções, de competências socioemocionais e de uma linguagem que seja voltada para a paz, e não uma linguagem que normalize a violência”. O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no Whatsapp.

  10. 11

    USP Analisa #138: Especialistas discutem fatores que levam a ataques violentos em escolas

    O ambiente escolar, que deveria ser imune a situações de violência, infelizmente está cada vez mais suscetível a esse fenômeno. Os casos acontecem não apenas na forma de ataques de violência extrema, mas também dentro da própria comunidade escolar. Para abordar as causas desses episódios, o USP Analisa desta quinta (14) conversa com os pesquisadores Luiz Guilherme Dácar da Silva Scorzafave e Samia Mercado Alvarenga, que atuam no Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social da USP em Ribeirão Preto. Para Scorzafave, o aumento do uso de redes sociais pelos jovens tem relação com os ataques de violência extrema, que passaram a ser registrados no País a partir de 2002. “Os estudos que têm saído recentemente mostram que fatores como a criação de comunidades, muitas vezes virtuais, em que as pessoas anonimamente conseguem se engajar e ser escutadas por grupos que têm o mesmo tipo de pensamento, acabam estimulando esse tipo de ato”, explica ele.  Segundo o pesquisador, em geral os responsáveis pelos ataques passaram por situações de sofrimento - como bullying, brigas, exclusão e rejeição - durante a infância e adolescência dentro da própria escola. “É algo que fica muito marcado na pessoa e ela acaba usando a escola como um alvo, como uma uma vingança por todo aquele sofrimento que a escola causou”, afirma. Samia destaca ainda que as redes sociais estigmatizam determinados padrões, o que traz aos jovens dificuldades de lidar e aceitar o diferente. Além disso, para a pesquisadora, a polarização política pela qual o País tem passado nos últimos anos e a disseminação de discursos de ódio também contribuíram para um acirramento das agressões. “A escola precisa preparar o aluno para sociabilizar também. Não é só para fazer as provas, ele precisa resolver os conflitos, ele precisa aceitar o diferente e conviver com o diferente de forma pacífica. E talvez a gente esteja negligenciando um pouco essa parte”, afirma ela. O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no WhatsApp.

  11. 10

    USP Analisa #137: Expansão do crime organizado e das igrejas evangélicas gerou intersecção entre esses dois universos

    A religião, mais especificamente a evangélica, sempre foi vista como uma porta de saída do crime organizado. Porém, nos últimos anos, o que se vê é uma mudança de mentalidade. Com o surgimento dos chamados “traficrentes”, especialmente no Rio de Janeiro, há uma espécie de intersecção entre esses dois universos. É sobre esse tema que os pesquisadores do Núcleo de Estudos da Violência da USP Camila Nunes Dias e Bruno Paes Manso conversam no USP Analisa desta quinta (31). Bruno abordou o assunto no livro A Fé e o Fuzil, quando se deparou com a realidade do Complexo de Israel, complexo de favelas cariocas comandadas por um traficante que, segundo o autor, utiliza um discurso religioso para justificar seu poder e legitimar sua autoridade. “A religião deixa de ser vista como algo para transformações pessoais e individuais e ganha um contexto de transformação política. E o discurso religioso passa a ser usado para produzir obediência, para construir autoridade. Eu achei que era muito simbólico e significativo do próprio bolsonarismo, da própria chegada da religião na política dentro desse contexto de presidentes ungidos por Deus e que usam a religião como uma forma de legitimar sua própria autoridade”, explica. Para Camila, a religião ainda é uma porta de saída do tráfico e até mesmo um espaço seguro de sociabilidade para jovens da periferia. Porém, segundo ela, com o crescimento das igrejas evangélicas e também da influência do crime organizado nas prisões e periferias, esses dois universos acabaram se mesclando em muitos pontos. “E, obviamente para o crime, a igreja é um negócio interessante para lavagem de dinheiro, para esconder a sua própria identidade, para fugir da vigilância policial. Então ela acabou também, em muitos casos, sendo instrumentalizada. E também é muito interessante que muitas vezes não há essa oposição moral, como a gente imagina. Eu cansei de entrevistar presos do PCC ou assaltantes de bancos que eram religiosos e diziam: ‘Eu rezo quando eu vou assaltar um banco para Deus me proteger’”, diz. O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no WhatsApp.

  12. 9

    USP Analisa #136 – Especialistas discutem influência das facções criminosas na política

    Durante as eleições de 2024, vários foram os registros da influência de facções criminosas no pleito, seja financiando candidatos ou mesmo se envolvendo em licitações nos governos municipais. O USP Analisa desta semana discute os reflexos dessa interferência e se isso pode levar o Brasil a se tornar um narcoestado. Os entrevistados são a professora da Universidade Federal do ABC, Camila Nunes Dias, e o jornalista Bruno Paes Manso, pesquisadores do Núcleo de Estudos da Violência da USP. Segundo Camila, o termo “narcoestado” sofre críticas no âmbito das Ciências Sociais por ter uma disputa política e ideológica embutida em seu significado. Ela explica que os Estados Unidos e os países europeus utilizam esse termo para classificar alguns países, porém os grupos criminosos que estão no poder nesses locais são muitas vezes financiados por ações de órgãos como a CIA, agência estadunidense de inteligência. “Se a gente observar alguns países, aparentemente eles têm uma influência mais forte de grupos criminais nos seus governos. Acho que a Colômbia foi um exemplo clássico nos anos 90, o México é ainda um exemplo, além de outros países menores da América Central, da África e da Ásia”, diz ela. No caso do Brasil, Camila acredita que a presença do dinheiro do crime na política já é realidade há algum tempo. “De um lado, isso já ocorre há mais tempo porque nas bases, na periferia, onde as facções estão presentes, ali também circulam políticos, vereadores, prefeitos. Então essa proximidade já existe há muito tempo a partir desses espaços compartilhados. Mas eu acho que o que aconteceu mais recentemente é que você tem um volume maior de recursos disponíveis, digamos assim, e disponíveis para serem investidos, fluindo do âmbito dos negócios ilícitos para os negócios lícitos e também para a política.” Para Bruno, grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas elegem candidatos para favorecer seus interesses e fragilizar a capacidade de fiscalização do Estado. “A gente vê isso no Rio de Janeiro, no caso das milícias, a dificuldade que é eleger alguém da oposição. Por mais popular que seja um candidato, é difícil você mudar o esquema porque todo mundo se vê na perspectiva de faturar dentro desse esquema.” O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no WhatsApp.

  13. 8

    USP Analisa #135 – Facções profissionalizaram o crime no Brasil

    A dinâmica criminal no Brasil foi fortemente alterada pelo surgimento de facções criminosas a partir do final dos anos 70. As atividades, antes restritas a pequenas quadrilhas, passaram a ter um caráter muito mais profissional com a atuação de grupos como o Primeiro Comando da Capital, o PCC, em São Paulo, e o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro. No USP Analisa desta semana dois pesquisadores do Núcleo de Estudos da Violência da USP, a professora da Universidade Federal do ABC, Camila Nunes Dias, e o jornalista Bruno Paes Manso ajudam a entender o funcionamento dessas organizações. Camila explica que um dos principais mapeamentos das facções é feito pela Secretaria Nacional de Políticas Penais, a Senapen, que identificou 88 delas na última edição - mas o número pode variar a cada ano. “Esse número é composto de grupos muito distintos entre si, e todos são enquadrados nessa rubrica de facção porque ostentam uma identidade e muitas vezes compartilham alguns símbolos de pertencimento. Na maioria das vezes, têm presença no sistema prisional e também atuam no tráfico, no varejo, principalmente fora das prisões, embora sejam muito diferentes”, explica ela. Bruno explica que a origem das facções data de 1979, com a formação da Falange Vermelha, que se transformaria no Comando Vermelho. Alguns anos depois, surge o Terceiro Comando, que travaria uma disputa territorial com o CV ao longo dos anos 80 no Rio de Janeiro. Em São Paulo, pequenos grupos travavam confrontos violentos nas periferias, o que foi amenizado a partir de 1993, com a criação do PCC, que ajudou a mediar os conflitos e profissionalizar a cena do crime a partir do interior das prisões. “Então você tem um crime mais profissional, mais pacificado, ganhando muito dinheiro. E isso de alguma maneira se espalha muito rapidamente a partir dos anos 2000. Principalmente depois de 2006, a partir do surgimento do Sistema Federal, das migrações e da punição de algumas lideranças em outros Estados, você começa a espraiar essa ideia e esse modelo vira um padrão bem-sucedido de gestão do crime para lidar com a prisão. E aí você tem esse crescimento muito acelerado a partir do interior do sistema penitenciário”, conta o jornalista. O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no WhatsApp.

  14. 7

    USP Analisa #134 – Alta letalidade na atuação das polícias não se reflete em maior segurança, dizem pesquisadores

    É muito comum, tanto na própria sociedade quanto entre autoridades de segurança, fazer uma associação entre alta letalidade e eficiência das polícias. Mas, afinal, será que um maior número de mortes de criminosos gera mais segurança para a população? O USP Analisa desta quinta (19) traz para o debate esse tema, com a ajuda dos pesquisadores do Núcleo de Estudos da Violência da USP Fernando Salla e Viviane Cubas. Para Viviane, o que leva a esse tipo de associação é a falta de respaldo científico nas políticas de segurança. Segundo ela, não existem, em parte alguma do mundo, estudos que comprovem a relação entre eficiência e letalidade. “Aliás, não existe nenhuma experiência bem-sucedida de segurança pública em qualquer lugar do mundo que tenha usado esse tipo de expediente, muito pelo contrário. Eu acredito que muitas vezes as decisões políticas são definidas a partir dos apelos do momento e sem ter essa fundamentação. E é uma forma de você implementar a política do ‘bandido bom é bandido morto’”. A pesquisadora destaca ainda que uma das atribuições legais da Polícia Militar seria o trabalho de prevenção, mas a corporação tem poucos expedientes que permitam a concretização desse tipo de tarefa. “Se você tem uma polícia que passa a investir mais em armamento não letal, em policiais mais bem treinados em defesa e nas artes marciais, estratégias, de fato, de policiamento comunitário, de aproximação com a comunidade, de estabelecimento de programas de prevenção, de trabalho contínuo, de prevenção de segurança, você pode começar a mudar a autoimagem e o fazer policial. Porque uma alta letalidade de civis também implica numa alta letalidade de policiais ou no impacto para a saúde desses policiais. É muito comum, a gente ouviu os policiais dizendo que, mesmo quando eles estão com a família, passeando, eles estão em alerta 24 horas por dia”. Segundo Salla, falta também trazer para o debate público questões envolvidas na atuação policial que extrapolem a competência da polícia, como desigualdades sociais, econômicas e de gênero, e que geram conflitos de todas as naturezas na sociedade. “Infelizmente, é um debate que é público, que não é colocado, porque isso interfere diretamente na própria forma de ser da nossa sociedade brasileira, que é capaz de fazer todo santo dia uma operação nas favelas do Rio ou num bairro de periferia todo santo dia de forma violenta e não trazer ao debate esse problema das desigualdades econômicas, das desigualdades sociais que a gente tem. Segurança pública é a atuação dos corpos policiais. Sim, mas e o restante dos problemas? Geração de emprego, geração de renda, assistência social, nada disso é discutido. O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no Whatsapp.

  15. 6

    USP Analisa #133 – Formação oferecida aos policiais no Brasil é tema do USP Analisa desta semana

    No Brasil, o policiamento ostensivo nas ruas é desempenhado basicamente pela Polícia Militar. Mas que tipo de preparo esses profissionais recebem não apenas na parte técnica, mas também para o contato com a população em geral? É sobre esse tema que o USP Analisa desta quinta (5/6) vai tratar. Os pesquisadores do Núcleo de Estudos da Violência da USP Fernando Salla e Viviane Cubas são os entrevistados. Viviane explica que a formação dos policiais é bastante desigual, porque cada Estado é responsável por sua própria polícia. Os principais pontos em comum são o modelo pedagógico, que é permeado por normas e regulamentos do Exército, e a divisão em duas carreiras, ou seja, os praças - patentes mais baixas, responsáveis pelo patrulhamento - e os oficiais - patentes mais altas, responsáveis pela gestão.  Segundo ela, essa divisão impede que soldados, cabos e sargentos cheguem aos postos mais altos, ainda que tenham larga experiência na carreira. “É muito difícil para que um praça abandone a sua atividade para se dedicar aos estudos e concorrer a uma vaga para oficial. Recentemente a gente conversou com um oficial que teve essa trajetória. Ele era praça, já era casado, tinha família, e decidiu ingressar na Academia do Barro Branco. Ele conta que conseguiu ingressar com muito sacrifício, porque é um trabalho exaustivo e tinha que se dedicar aos estudos, mas, após o ingresso, o salário dele era menor que o de praça. E há um modo interno de você, como praça, ingressar na carreira de oficial. Porém, o máximo que você chega é  a major.” Salla destaca que durante a redemocratização do País, no final da década de 80, sabia-se que uma revisão de todos os procedimentos policiais era algo que contribuiria para esse processo. Mas, ainda hoje, esse é um campo repleto de disputas e tensões, porque envolvem duas dimensões, as intervenções propriamente técnicas e o relacionamento com a população. “Em tudo isso houve um avanço muito grande, pelo menos em alguns Estados. Mas, ao mesmo tempo, houve, vamos dizer assim, toda uma dificuldade de fazer avanços substantivos nessa relação da polícia com a população. Porque isso envolve valores, envolve concepções de democracia, de respeito aos seres humanos, às populações mais vulneráveis. Então é um processo, como a Viviane observou, bastante desigual pelo Brasil e que eu acho que se a gente avançou na linha da formação técnica, muita coisa ainda a gente tem que avançar nesse sentido da relação da polícia com a população”, diz ele. O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP, às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no WhatsApp.

  16. 5

    USP Analisa #132 – Para especialista, penas severas podem levar a crimes mais violentos

    O Código Penal Brasileiro limita o tempo de cumprimento da pena, que atualmente não pode ultrapassar 40 anos. Para uma parte da população, essa restrição soa como um convite à impunidade, mas penas muito restritivas podem acabar resultando em crimes muito mais violentos. É o que explica o professor da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP, Daniel Pacheco Pontes, no episódio do USP Analisa que vai ao ar nesta quinta (22) pela Rádio USP. Pontes destaca que a Constituição brasileira proíbe penas de caráter perpétuo e que um desses motivos é exatamente o fato de que a punição tem como uma de suas finalidades a ressocialização de quem cometeu o crime. “Se a gente admite que a pessoa ficará presa para o resto da vida, nós estamos admitindo, nas entrelinhas, que somos absolutamente incapazes de ressocializar aquela pessoa, então nós estamos oficialmente negando uma função que a pena deveria ter.” O professor ressalta, ainda, que penas muito severas podem levar a condutas mais violentas por parte dos criminosos. Ele cita o exemplo de uma legislação existente em alguns locais dos Estados Unidos conhecida como three strikes and you’re out (três arremessos e você está fora), que determina pena de morte para quem cometer três crimes muito graves. “Os próprios policiais que trabalham nesses Estados falam que essa lei é ruim, porque, quando a pessoa vai cometer o terceiro crime violento - e lembrando que os criminosos conhecem o direito penal melhor do que a gente -, ela se torna muito violenta. Imaginem vocês que o sujeito vai lá e estupra uma pessoa em um terceiro crime. Se ele sabe que, se for pego, receberá pena de morte, necessariamente não tem mais nada a perder, então ele ficará muito mais à vontade para matar a vítima, porque isso vai dificultar a sua punição”, explica Pontes. O USP Analisa é quinzenal e levado ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, como um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no WhatsApp.

  17. 4

    USP Analisa # 131: Nova temporada do USP Analisa discute criminalidade e violência

    A criminalidade e a violência são dois temas que têm tirado o sono da maioria da população brasileira. Para entender melhor esse fenômeno, o USP Analisa vai dedicar sua 10ª temporada a conversar com especialistas sobre como chegamos a uma situação tão complexa, que leva a milhares de mortes anualmente e interfere negativamente no cotidiano de toda a sociedade. No primeiro programa, que vai ao ar pela Rádio USP nesta quinta (8), às 16h40, os professores da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP Cláudio do Prado Amaral e Daniel Pacheco Pontes trazem um histórico do Código Penal Brasileiro e explicam como chegamos à legislação atual. Afinal, será que as leis que temos hoje são suficientes para combater a criminalidade? Pontes destaca que o código passou por uma evolução desde os tempos do Brasil Colônia, chegando até a versão mais recente, de 1984, que também passa por mudanças com frequência. “Alterações pontuais temos toda semana, praticamente. Crimes novos são criados, penas são aumentadas, crimes deixam de existir. Houve alguns projetos de novos códigos nas décadas de 1990 e 2010, mas, por ora, temos esse código, que eu avaliaria como um código que não é ruim, acho que muitas vezes ele é injustiçado. As pessoas falam que ele é péssimo por desconhecê-lo. Ele tem defeitos, problemas, e até mesmo pela sua idade já está um pouco ultrapassado em alguns aspectos, e é sempre necessário a gente repensar e reavaliar o que está acontecendo”, diz ele. Amaral explica que o código de 1984 deixou de encarar a pena como algo essencialmente punitivista e passou a atribuir um caráter educativo a ela. “O legislador, em 1984, através de uma comissão de notáveis juristas, altera a parte geral do Código Penal e incorpora uma finalidade útil à pena: a prevenção de delitos. Então aplica-se uma pena ao infrator a fim de que ele não venha a praticar novos delitos no futuro.” Ele explica que, embora haja a percepção de que os delitos continuem crescendo mesmo com a aplicação da pena, o caráter preventivo é simbólico. “A prevenção é dizer a toda a sociedade que o infrator daquela lei não poderia ter feito aquilo, porque aquilo ainda é algo protegido pelo Estado. É isso que o juiz faz quando aplica uma pena. Portanto, é uma finalidade preventiva muito mais comunicativa, de tom muito mais informativo do que real, porque a prevenção à violência é feita em outro campo, com políticas públicas, e não através do Código Penal.” O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP, às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast. O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram.

  18. 3

    USP Analisa #130: Abrigos climáticos amenizam impacto de ondas de calor nas cidades

    recente tragédia no Rio Grande do Sul acentuou as discussões sobre os efeitos trágicos das mudanças climáticas. Porém, além das chuvas intensas, outros fenômenos como a elevação do nível do mar e as ondas intensas de calor podem trazer consequências negativas para a população. Sobre esse último tópico, é fundamental que as cidades se preparem criando abrigos climáticos. O professor do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, Pedro Roberto Jacobi, que também é integrante do Centro de Sínteses USP Cidades Globais do Instituto de Estudos Avançados, explicou o que é esse tipo de estrutura ao USP Analisa desta sexta (12). “São soluções que permitem à cidade garantir, principalmente para os grupos mais vulneráveis, respostas de curtíssimo prazo para reduzir o potencial das ondas de calor. As ondas de calor vêm se manifestando de forma crescente, nós estamos observando a Organização Meteorológica Mundial, mês após mês, mostrar aumentos da temperatura. E aumentos da temperatura que obviamente têm impactos sobre as populações idosas, sobre as crianças, as pessoas em geral”, diz ele.  Jacobi coordena em Santos (SP) uma iniciativa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) voltada a criar esses abrigos e que tem como referência outro projeto desenvolvido em Barcelona, na Espanha, responsável por criar mais de 200 unidades.  “A forma de trabalhar esse projeto é estabelecer um diálogo com o sistema educativo local. Um dos temas importantes é ver de que forma é possível articular as escolas como espaços potenciais para se tornarem abrigos. Boa parte das pessoas no Brasil mora em condições vulneráveis tanto ao frio como ao calor e muitas moram na rua. Também são números que não são desconsideráveis. Então a solução dos abrigos climáticos é principalmente dar um acolhimento às pessoas que não têm ar condicionado porque não têm renda para comprar. As moradias, no caso brasileiro, não possuem um sistema de proteção tanto contra as elevadas temperaturas quanto contra as baixas temperaturas. Nós não temos formas de construção como, por exemplo, nos Estados Unidos e na Europa, que são afetados permanentemente em cada inverno por temperaturas abaixo de zero”, afirma. O USP Analisa pode ser acessado na íntegra nas plataformas de podcast Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Deezer e Amazon Music. Para saber mais novidades sobre o podcast e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no Whatsapp.

  19. 2

    USP Analisa #129: Administração municipal precisa priorizar prevenção de desastres climáticos

    ais da metade da população mundial vive em cidades. No Brasil, esse índice chega a 61%. As cidades, portanto, são peças fundamentais para entender a crise climática e desenvolver soluções que previnam ou que consigam responder rapidamente aos desastres climáticos, salvando muitas vidas. Para falar sobre exemplos, ações e políticas públicas nesse sentido, o USP Analisa recebe o professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, Arlindo Philippi Júnior, que também é o coordenador institucional do Centro de Sínteses USP Cidades Globais do Instituto de Estudos Avançados.  Ele destaca que, em geral, a prevenção não é considerada um tópico de prioridade pelas administrações municipais no Brasil, mas há cidades que vão na direção contrária, como Blumenau (SC). Lá, segundo o docente, existe uma estreita relação com o objetivo de prevenir e mitigar esses desastres, que envolve a prefeitura, os governos de municípios do entorno, a sociedade civil e a universidade.  “Com esse exemplo, dá para caracterizar que o Brasil sabe como enfrentar, tem pessoas e tem instituições que conseguem responder a essas questões. Ao levar em consideração a circunstância de ter planejamento, plano de ação e um plano de contingência quando a situação ocorre, esse modelo pode ser aplicado em várias partes do país gradualmente”, afirma o docente. Arlindo explica que as inundações são naturais nas regiões de fundo de vale, por onde passam os cursos d’água. Por isso elas devem ser preservadas e não destinadas à habitação, o que também vale para encostas de morros. “Dependendo da forma e da intensidade dessas chuvas, nós podemos ter apenas um fenômeno de chover, elevar as águas, inundar e depois ir embora. Mas nós podemos também ter, em função do volume dessas chuvas, águas que circulam em alta velocidade e, além de inundar, vão destruir. Então os municípios têm que estar atentos e preservar essas áreas de fundo de vale. Se elas já foram ocupadas, pensar sobre as alternativas de realocá-las, planejando as ações de tal forma que esses locais não sejam mais ocupados por atividades que possam colocar em risco a vida de pessoas”. O USP Analisa pode ser acessado na íntegra nas plataformas Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Deezer e Amazon Music. Para saber mais novidades sobre o podcast e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no Whatsapp.

  20. 1

    USP Analisa #128: Especialistas listam cuidados para o eleitor não ser enganado pela inteligência artificial

    Mesmo com as regras aprovadas em março pelo Tribunal Superior Eleitoral para o uso de inteligência artificial nestas eleições municipais, o eleitor precisa se manter vigilante para não ser enganado com conteúdos criados por meio dessa tecnologia. Os professores da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP, Cristina Godoy Bernardo de Oliveira, e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, Evandro Eduardo Seron Ruiz, dão uma série de dicas sobre isso no USP Analisa que vai ao ar nesta sexta (31). Cristina lembra que até existem algoritmos que permitem a detecção dos chamados deep fakes, uma técnica que permite criar vídeos com inteligência artificial e simular com perfeição situações ou falas que nunca existiram. Ela cita como exemplo um vídeo que circulou durante as eleições de 2022 com o então candidato a presidente Jair Bolsonaro dançando e cantando “Ilariê”, da cantora e apresentadora Xuxa Meneghel. “Conhecendo o Bolsonaro, qual era a probabilidade de ele estar fazendo um vídeo vestido de Xuxa e cantando Ilariê? Nesse sentido, já gera uma estranheza. Ou eu vou compartilhar no sentido de sátira, ou eu vou querer realmente gerar confusão, depende do tom, mas é preciso a gente avaliar o contexto. Também é preciso atentar ao local em que está sendo veiculado. Por exemplo, vídeos dos quais você nem sabe a origem e que estão circulando no WhatsApp. E sempre pensar na sua responsabilidade como cidadão antes de compartilhar”. Segundo Cristina, existem algumas dicas para reconhecer uma manipulação, como a sincronia da fala com o movimento da boca ou mesmo a aparência dos dentes enquanto a pessoa está falando no vídeo, porém a tecnologia está se aperfeiçoando com rapidez. “A gente não pode esquecer que os deep fakes serão cada vez mais verossímeis e vai ser muito difícil a gente identificá-los. Mas é muito importante analisar o contexto e o conteúdo transmitido pelos vídeos, que é uma das principais ferramentas para que nós não sejamos enganados com essas montagens de deep fakes”, diz ela. Evandro destaca que, apesar do lado negativo, a tecnologia pode trazer uma importante economia de recursos, permitindo, por exemplo, utilizar o dinheiro do Fundo Eleitoral - que soma R$ 4,9 bilhões - para outros fins que beneficiem diretamente a população. “Para a gente ter uma ideia, uma unidade básica de saúde, a mais top delas, nível quatro, custa hoje R$ 800 mil. Se a gente considerar que o Brasil tem 5.5 mil municípios, dá para colocar uma UBS dessa em cada município do país, sendo que muitos não tem nenhuma. É muito dinheiro. Então, eu acho que a gente devia prestar atenção que esse mundo digital novo pode encurtar o distanciamento entre o povo e esse sistema eleitoral. E a gente podia pensar em cortar um pouco - ou muito - desse dinheiro, porque com as redes sociais a gente elimina esse espaço que teoricamente antes era muito grande porque só tinha rádio e TV”, sugere ele. Além de Cristina e Evandro, o USP Analisa conversou com outra integrante do Grupo de Estudos TechLaw, a professora da FDRP Cíntia Rosa Pereira de Lima. O conteúdo pode ser acessado na íntegra nas plataformas Spotify, Apple Podcasts, YouTube Music, Deezer e Amazon Music. Para saber mais novidades sobre o podcast e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no Whatsapp.

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O USP Analisa é um podcast que traz, a cada temporada, especialistas para discutir um tema de interesse público, respondendo aos anseios da sociedade. É uma produção conjunta da USP FM de Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.

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