EPISODE · May 20, 2026 · 11 MIN
Caso Clínico: O intestino Parado e o Paciente Afogado
from Efeito Colateral · host Podcast de Medicina Intensiva
O Caso Clínico: Paciente em pós-operatório de ressecção de cólon com íleo paralítico, tratado com neostigmina, que evolui com sinais clássicos de intoxicação colinérgica. Ação: A neostigmina bloqueia a acetilcolinesterase, impedindo a degradação da acetilcolina. O acúmulo excessivo deste neurotransmissor hiperestimula os receptores muscarínicos e nicotínicos. Manifestações Muscarínicas (O "Afogamento Parassimpático"): Mnemônico SLUDGE: Salivação, lacrimejamento, urgência urinária, diarreia, cólicas e êmese. Cardiovascular: Bradicardia extrema e risco de bloqueio atrioventricular (BAVT). Pulmonar: Broncorreia profusa e broncoespasmo (o paciente se "afoga" na própria secreção). Manifestações Nicotínicas: Fasciculações musculares, tremores e fraqueza, podendo atingir o diafragma e levar à insuficiência respiratória. Contraindicações e Riscos: Atenção redobrada em pacientes com asma/DPOC, coronariopatias e obstruções mecânicas. O Fator Renal: Como a excreção é renal, pacientes com doença renal crônica têm maior risco de acúmulo da droga e intoxicação por dose sobre dose. Manejo de Emergência: Suspensão imediata da droga causadora. Atropinização: Uso de atropina EV (2 a 5 mg a cada 5-10 min) titulada pela resposta clínica (melhora da bradicardia e das secreções). Suporte: Manejo de via aérea (intubação se necessário), pois a atropina não reverte a fraqueza muscular/diafragmática. Diagnóstico: Eminentemente clínico. Miose, secreção e bradicardia em uso de neostigmina indicam tratamento imediato.
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