Efeito Colateral podcast artwork

PODCAST · health

Efeito Colateral

Bem-vindo ao Efeito Colateral, o podcast que mergulha nas complexidades da Terapia Intensiva. Aqui, discutimos a medicina de ponta praticada à beira do leito, onde cada decisão é crítica e cada intervenção exige precisão.Nosso foco é transformar evidência científica em prática clínica. Abordamos temas fundamentais como:Ventilação Mecânica e Hemodinâmica: Do básico ao avançado.Gestão de Protocolos: Sepse, choque e trauma.Neurointensivismo: Monitorização e cuidados neurocríticos.Humanização e Bioética: O desafio do cuidado em situações limite.Farmacologia Crítica: O manejo de drogas vasoativas, sedação e antibioticoterapia.Este programa foi feito para médicos intensivistas, residentes, estudantes de medicina e todos os profissionais da equipe multidisciplinar (enfermagem, fisioterapia, farmácia e nutrição) que buscam excelência no atendimento ao paciente grave.

Publisher-supplied feed metadata · PodParley refreshed Jun 13, 2026 · Source feed

  1. 10

    Síncope de Repetição

    O Cenário de Emergência: Paciente idoso admitido com história de quatro episódios de síncope em 24 horas, apresentando hipotensão, bradicardia severa (FC 33 bpm) e bloqueio atrioventricular total (BAVT) no ECG. A Combinação Culpada: Uso concomitante de bisoprolol (prescrito cronicamente) e digoxina (iniciada há 10 dias). Mecanismo do Bloqueio Duplo do Nó AV: Bisoprolol (Betabloqueador): Inibe os receptores $\beta_1$ cardíacos, promovendo um bloqueio do tônus simpático (adrenérgico), o que reduz a condução nodal e a frequência cardíaca. Digoxina (Glicosídeo Cardíaco): Inibe a bomba de sódio-potássio ($Na^+/K^+-ATPase$) e induz uma hiperestimulação vagal (parassimpática), lentificando ainda mais o nó AV. Efeito Sinérgico: A associação de um bloqueio adrenérgico com uma estimulação parassimpática massiva ataca o nó AV por vias simultâneas e complementares, culminando no BAVT. Fatores de Risco no Idoso: Margem terapêutica estreita da digoxina; clearance renal de creatinina frequentemente superestimado em idosos (mesmo com creatinina de 1,0 mg/dL), gerando acúmulo da droga; menor peso corporal e degeneração prévia do sistema de condução. Manejo de Emergência no BAVT: Suspensão imediata de ambos os fármacos. Atropina: Resposta limitada, pois só reverte o componente vagal (digoxina), sem efeito sobre o nó $\beta$-bloqueado. Terapias Avançadas: Uso de aminas (como epinefrina) em doses altas, anticorpo anti-digoxina (se intoxicação confirmada) e, frequentemente, suporte com marca-passo (transcutâneo ou transvenoso temporário). Prescrição Segura e Interações: Atenção ao associar a digoxina ou betabloqueadores com outras drogas bradicardizantes (amiodarona, verapamil, diltiazem, clonidina). Drogas como amiodarona e claritromicina aumentam os níveis séricos da digoxina, elevando o risco de catástrofes. Conheça nosso guia de Antibioticoterapia: https://www.utixperts.com.br/sp/e-book-antibiticos

  2. 9

    Icterícia na 2ª Semana de RIPE

    O Desafio Clínico: Paciente com tuberculose na segunda semana do esquema RIPE evolui com urina alaranjada, sonolência, fraqueza, icterícia e elevação de transaminases (TGO/TGP) e bilirrubinas. Mecanismo de Ação e Interação de Drogas: A rifampicina inibe a síntese de RNA mensageiro bacteriano. No fígado, ela compete pelos receptores de eliminação da bilirrubina e é um potente indutor do citocromo P450, acelerando o metabolismo da isoniazida e gerando mais metabólitos hepatotóxicos. Diferenciação Crítica: Icterícia Isolada vs. Hepatite Verdadeira Icterícia Isolada: Fenômeno transitório e adaptativo por competição da rifampicina com a bilirrubina. Há aumento de bilirrubina, mas sem elevação significativa de transaminases. Não há necrose celular; o tratamento deve ser mantido sob vigilância. Hepatite Medicamentosa: Lesão tóxica real com morte celular maciça por acúmulo de metabólitos reativos. Apresenta elevação importante de transaminases. Critérios de Ouro para Suspensão(Regra do 3 e 5): Com sintomas(náuseas, icterícia, dor abdominal): Suspender se transaminases estiverem ge 3 vezes o limite superior da normalidade. Sem sintomas(assintomático): Suspender se transaminases estiverem ge 5 vezes o limite superior da normalidade. Bilirrubina total: Maior que 2 mg/dL também liga o sinal de alerta para suspensão. Fatores de Risco: Idade avançada, desnutrição, alcoolismo, hepatopatias prévias e o sinergismo intrínseco do esquema (rifampicina + isoniazida + pirazinamida). Manejo Pós-Suspensão: As enzimas tendem a normalizar em 1 a 4 semanas. A reintrodução deve ser gradual e cautelosa. Em casos refratários ou graves, utilizam-se esquemas alternativos (ex: etambutol, quinolonas, aminoglicosídeos). Mito da Cor Alaranjada: A coloração alaranjada da urina, suor, saliva e lágrimas é apenas um efeito cromático inócuo de um metabólito da rifampicina, sem significado patológico. Conheça nosso guia de Antibioticoterapia: https://www.utixperts.com.br/sp/e-book-antibiticos

  3. 8

    A Armadilha da Emergência Hipertensiva

    O Erro de Conduta: Paciente idoso admitido com emergência hipertensiva e dor torácica. O foco inicial foi reduzir a pressão com nitroprussiato de sódio. Como resultado, a pressão baixou, mas a dor piorou drasticamente e o ECG passou a mostrar infra de ST em parede anterior (isquemia miocárdica aguda). O Fenômeno do Roubo de Fluxo Coronariano: O nitroprussiato de sódio atua predominantemente em vasos de resistência (pequenas artérias e arteríolas). Ele promove vasodilatação nas regiões sadias (não ateroscleróticas). Por leis físicas, o sangue flui preferencialmente para onde há menor resistência. A artéria coronária doente, que já operava em regime de vasodilatação máxima para compensar a obstrução, não dilata mais. O fluxo sanguíneo é desviado ("roubado") dela para as áreas sadias, agravando criticamente a isquemia local. Nitroprussiato vs. Nitroglicerina: Nitroprussiato de Sódio: Dilata arteríolas de resistência. Provoca roubo de fluxo e reduz a perfusão em áreas isquêmicas. É contraindicado na síndrome coronariana aguda (SCA). Nitroglicerina (Tridil): Atua em vasos de condutância (grandes artérias epicárdicas e colaterais). Ela dilata os vasos que levam sangue ao miocárdio, redistribui o fluxo e melhora a perfusão na área isquêmica, sendo a droga de escolha. Indicações Reais do Nitroprussiato: Dissecção aguda de aorta (onde a redução rápida da pressão e da força de cisalhamento é vital), insuficiência cardíaca aguda congestiva e emergências hipertensivas sem isquemia miocárdica associada. Segurança e Monitorização: Droga de uso estrito em bomba de infusão contínua. Exige monitorização hemodinâmica rigorosa (idealmente com linha arterial - PIA) e vigilância para sinais de toxicidade por cianeto/tiocianato e surgimento de dor precordial de padrão isquêmico. Conheça nosso guia de Antibioticoterapia: https://www.utixperts.com.br/sp/e-book-antibiticos

  4. 7

    O Enigma Farmacológico

    O Contexto Clínico: Paciente em ventilação mecânica há 7 dias desenvolve pneumonia (PAV) por germe multirresistente, sendo escalonado para polimixina B associada a carbapenêmico. Apesar da melhora respiratória no 4º dia, evolui com hipocalemia e hipomagnesemia graves e refratárias à reposição. Mecanismo de Ação Antimicrobiano vs. Toxicidade Humana: Na bactéria, a polimixina B age como um "detergente" de membrana. No corpo humano, ela é captada pelas células tubulares renais e fica aprisionada em seu interior. Fisiopatologia do Dano Renal: Fase Tubular Aguda: Dentro das células renais, a droga causa disfunção mitocondrial, estresse oxidativo, liberação de espécies reativas de oxigênio (EROs) e queda na produção de ATP. Sem energia, as bombas de sódio e potássio do túbulo proximal falham, gerando necrose tubular aguda (NTA) por morte celular maciça. O "Vazamento" de Íons: Com o dano tubular difuso, o rim perde a capacidade de reabsorver eletrólitos. Ocorre perda urinária massiva de potássio ($K^+$) e magnésio ($Mg^{2+}$), além de potencial perda de sódio, bicarbonato, cálcio e fosfato. Fase Glomerular: Por feedback túbulo-glomerular, ocorre vasoconstrição da arteríola aferente/eferente, reduzindo a perfusão e a oxigenação renal, culminando em queda da taxa de filtração glomerular e insuficiência renal aguda. Sinal de Alerta Precoce: A queda abrupta e refratária de magnésio e potássio antecede a elevação da creatinina plasmática. São preditores de que a lesão glomerular está a caminho. Prevenção e Manejo de Danos: Evitar estritamente o sinergismo tóxico: banir anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), contrastes iodados e outras drogas nefrotóxicas. Garantir a estabilidade hemodinâmica: a hipovolemia agrava drasticamente a hipóxia e a lesão renal induzida pela droga. Avaliação diária minuciosa sobre o tempo de permanência do antibiótico. Conheça nosso guia de Antibioticoterapia: https://www.utixperts.com.br/sp/e-book-antibiticos

  5. 6

    Deterioração Inexplicável Na UTI

    O Cenário de UTI: Paciente idosa tratada com nitroprussiato de sódio (Nipride) por edema agudo de pulmão hipertensivo que, após uso prolongado (5 dias), evolui com confusão mental, dispneia e acidose metabólica grave. Mecanismo e Metabolismo da Droga: O nitroprussiato é um vasodilatador direto potente que atua liberando óxido nítrico. Contudo, sua dissociação química gera moléculas de cianeto (um composto altamente tóxico). A Via de Destoxificação Hepato-Renal: Fase 1 (Fígado): A enzima rodanese converte o cianeto em tiocianato, utilizando estoques de tiossulfato do organismo. Fase 2 (Rins): O tiocianato (menos tóxico que o cianeto) é filtrado e eliminado pela urina. Três Tipos de Toxicidade: Por Cianeto (Aguda/Grave): Ocorre por saturação da via hepática (uso prolongado ou doses altas). O cianeto bloqueia a citocromo oxidase mitocondrial, impedindo a respiração celular ("asfixia celular"). Clínica: Acidose láctica severa, confusão, fome de ar e hiperoxemia venosa. Antídoto: Hidroxicobalamina ou tiossulfato. Por Tiocianato (Subaguda): Ocorre principalmente por falha na eliminação renal. Clínica: Neurotoxicidade (tinitus, miose, hiperreflexia, confusão e coma). É uma molécula dialisável. Metemoglobinemia (Rara): Exige doses cumulativas extremas. Clínica: Cianose central com $PO_2$ normal. Tratamento: Azul de metileno. Sinais de Alerta no Plantão: Taquifilaxia (necessidade de aumentar progressivamente a dose para obter o mesmo efeito hipotensor) e acidose láctica inexplicável. Populações de Alto Risco: Pacientes hepatopatas (conversão deficiente do cianeto) e nefropatas (retenção do tiocianato). Regra de Ouro e Monitorização: Droga com hora para entrar e programar a saída (introduzir anti-hipertensivos orais precocemente). Monitorar com linha arterial (PIA), gasometrias seriadas (lactato) e eletrocardiograma contínuo. Conheça nosso guia de Antibioticoterapia: https://www.utixperts.com.br/sp/e-book-antibiticos

  6. 5

    A Janela de Oportunidade

    O Paradoxo do rTPA: Como uma medicação com meia-vida de apenas 5 minutos exige cuidados rigorosos e restrição de procedimentos invasivos por 24 horas. Mecanismo de Ação: O rTPA ativa o plasminogênio em plasmina. A plasmina, por sua vez, quebra a rede de fibrina, desfazendo o trombo para permitir a reperfusão do órgão (indicado no AVC isquêmico, TEP e IAM com supra). O Estado de Hipofibrinogenemia: O rTPA não destrói apenas o trombo alvo; ele gera uma depleção sistêmica do fibrinogênio. Sem fibrinogênio disponível, o organismo fica temporariamente incapaz de formar novos plugues de coagulação estáveis. Janela de Vulnerabilidade (24 horas): Esse é o tempo médio que o fígado e o corpo levam para produzir e repor os níveis mínimos seguros de fibrinogênio. As primeiras horas após a infusão são as mais críticas. Riscos de Traumas Mínimos: Procedimentos teoricamente simples, como passagens de sondas (vesical, nasoenteral) ou punções vasculares, podem causar pequenos traumas mucosos ou endoteliais que evoluem para sangramentos graves e de difícil controle. Complicações Espontâneas: O paciente sob efeito do rTPA está exposto ao risco de sangramentos espontâneos (hemorragia digestiva, urinária) e, no caso do AVC, à temida transformação hemorrágica. Manejo de Sangramentos Graves: Diante de uma hemorragia vultuosa pós-rTPA, medidas simples como compressão local ou infusão de plasma podem ser insuficientes. A reversão exige a reposição direta de fibrinogênio (geralmente via crioprecipitado ou concentrado de fibrinogênio). Regra de Ouro na Emergência/UTI: Antecipação. Todo e qualquer procedimento invasivo necessário (acessos, sondagens, coleta de gasometria) deve ser realizado antes de iniciar a infusão do trombolítico. Se não foi feito antes, deve ser evitado ao máximo nas 24 horas seguintes.

  7. 4

    O Silêncio Clínico Inicial

    Paciente jovem(20 anos) com tentativa de suicídio por superdosagem de paracetamol. Inicialmente assintomática e com exames normais, evade do serviço e retorna 72 horas depois com quadro grave de insuficiência hepática aguda(torpor, icterícia e sangramento). Fisiopatologia da Intoxicação: Em doses terapêuticas, o paracetamol é metabolizado via sulfatação e glicuronidação.Uma pequena parte gera o metabólito altamente tóxico NAPQI, que é prontamente neutralizado pela glutationa hepática. Em superdosagem, as vias principais saturam e a glutationa se esgota. O acúmulo de NAPQI gera estresse oxidativo, lesão mitocondrial e necrose hepática maciça. A Cilada do Tempo: As primeiras 24 horas podem ser completamente assintomáticas. O dano clínico exuberante e a falência hepática manifestam-se tardiamente(48 a 72 horas). Regra de ouro: Nunca dar alta precoce baseado em exames iniciais normais. Antídoto-N-Acetilcisteína(NAC):Age restaurando os estoques de glutationa e fornecendo cisteína para neutralizar o NAPQI. Sua eficácia máxima ocorre nas primeiras 8 a 12 horas, mas deve ser iniciada mesmo em apresentações tardias(como 72h) para tentar limitar o dano. Ferramentas e Conduta:O Nomograma de Rumack-Matthew correlaciona tempo de ingesta e nível sérico de paracetamol, sendo útil apenas nas primeiras 24 horas com horário conhecido. Na indisponibilidade de dosagem(comum no Brasil), peca-se pelo excesso: prescreve-se a NAC empiricamente. Critérios de Desmame Seguro da NAC: Não se suspende a medicação apenas pelo fim do protocolo de horas. É preciso melhora clínica, INR normalizado/em queda e transaminases(ALT/AST) em declínio sustentado. O Alerta do "Sinal da Cruz": Transaminases caindo junto com INR subindo indica falência hepática terminal(ausência de hepatócitos vivos para sofrerem lise). Os dois parâmetros devem cair juntos para sinalizar melhora. Desfecho Crítico: Casos refratários preenchem critérios de transplante hepático de urgência, carregando altíssima mortalidade.

  8. 3

    O Enigma da Congestão Refratária

    O Caso Clínico: Paciente com IC (FE 35%) em franca congestão pulmonar, apresentando resistência à dose cheia de furosemida (apenas 300ml de diurese em 24h). Fenômeno de Frenagem (Braking Effect): Explicação de como o uso crônico de diuréticos de alça leva à hipertrofia do túbulo contorcido distal, que passa a reabsorver sódio avidamente, anulando o efeito da furosemida. Conceito de Bloqueio Sequencial: Estratégia de combinar diferentes classes de diuréticos para atuar em múltiplos pontos do néfron simultaneamente, vencendo a resistência e minimizando efeitos colaterais. As Peças do Tabuleiro: Furosemida (Alça de Henle): O mais potente; bloqueia o transportador $Na-K-2Cl$. Tiazídicos (Túbulo Distal): Bloqueiam a reabsorção de sódio que "escapa" da alça; ajudam a corrigir a hipernatremia. Acetazolamida (Túbulo Proximal): Inibidor da anidrase carbônica; útil para excretar bicarbonato e corrigir a alcalose metabólica. Espironolactona (Túbulo Coletor): Antagonista da aldosterona; ajuda na excreção de sódio, mas exige cautela se houver hipercalemia. Monitorização Crítica: A importância de acompanhar de perto a diurese, a função renal (ureia/creatinina) e os eletrólitos (sódio e potássio) para evitar que o paciente migre da hipervolemia para a desidratação. Dica: A furosemida depende da albumina para agir. Em pacientes hipoalbuminêmicos, a dose precisa ser ajustada.

  9. 2

    Caso Clínico: O intestino Parado e o Paciente Afogado

    O Caso Clínico: Paciente em pós-operatório de ressecção de cólon com íleo paralítico, tratado com neostigmina, que evolui com sinais clássicos de intoxicação colinérgica. Ação: A neostigmina bloqueia a acetilcolinesterase, impedindo a degradação da acetilcolina. O acúmulo excessivo deste neurotransmissor hiperestimula os receptores muscarínicos e nicotínicos. Manifestações Muscarínicas (O "Afogamento Parassimpático"): Mnemônico SLUDGE: Salivação, lacrimejamento, urgência urinária, diarreia, cólicas e êmese. Cardiovascular: Bradicardia extrema e risco de bloqueio atrioventricular (BAVT). Pulmonar: Broncorreia profusa e broncoespasmo (o paciente se "afoga" na própria secreção). Manifestações Nicotínicas: Fasciculações musculares, tremores e fraqueza, podendo atingir o diafragma e levar à insuficiência respiratória. Contraindicações e Riscos: Atenção redobrada em pacientes com asma/DPOC, coronariopatias e obstruções mecânicas. O Fator Renal: Como a excreção é renal, pacientes com doença renal crônica têm maior risco de acúmulo da droga e intoxicação por dose sobre dose. Manejo de Emergência: Suspensão imediata da droga causadora. Atropinização: Uso de atropina EV (2 a 5 mg a cada 5-10 min) titulada pela resposta clínica (melhora da bradicardia e das secreções). Suporte: Manejo de via aérea (intubação se necessário), pois a atropina não reverte a fraqueza muscular/diafragmática. Diagnóstico: Eminentemente clínico. Miose, secreção e bradicardia em uso de neostigmina indicam tratamento imediato.

  10. 1

    Fisiopatologia e Alvo: O Eixo HHA Suprimido

    O Caso Clínico: Paciente idosa com uso crônico de corticoide apresentando choque vasoplégico refratário a volume e vasopressores após cirurgia (apendicectomia). Fisiopatologia do Eixo HHA: Explicação de como o uso prolongado de corticoides suprime o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, impedindo a resposta natural ao estresse orgânico (infecção/trauma/cirurgia). Papel do Cortisol no Choque: O cortisol é essencial para a responsividade das catecolaminas. Sem ele, os receptores vasculares não respondem adequadamente à adrenalina/noradrenalina, gerando vasoplegia severa. Pistas Laboratoriais: Acidose Metabólica, Hiponatremia e Hipercalemia. Manejo Farmacológico: Hidrocortisona (devido ao excelente equilíbrio entre efeito glicocorticoide e mineralocorticoide). Posologia: Ataque de 100 mg EV, seguido de manutenção (200 mg/dia ou 50 mg de 6/6h). Diagnóstico Clínico vs. Laboratorial: Na emergência, o diagnóstico é clínico e a conduta deve ser imediata. Não se deve esperar a dosagem de cortisol ou testes dinâmicos (como TCTH) em pacientes instáveis. Mitos e Medos: Discussão sobre os efeitos colaterais (hiperglicemia e imunossupressão) e por que eles não devem impedir o tratamento de uma crise adrenal aguda.

  11. 0

    O Preço do Bloqueio: Síncope e Bradicardia

    O Perfil do Paciente e o Alerta Vermelho Comorbidades: Paciente idosa (75 anos), hipertensa, diabética e com ICFER (Insuficiência Cardíaca de Fração de Ejeção Reduzida). Quadro Clínico: Fadiga, hipotensão e bradicardia (FC 44 bpm). Achados Cruciais: Hipercalemia grave (6,6 mEq/L) com alterações no eletrocardiograma (ECG) e disfunção renal associada. A Gênese do Problema: Duplo Bloqueio do SRAA Mecanismo da Losartana (BRA): Bloqueia o receptor AT1, reduzindo indiretamente a produção de aldosterona. Mecanismo da Espironolactona: Antagonista direto da aldosterona. Efeito: A combinação de drogas que retêm potássio tem um efeito exponencial, elevando o risco de hipercalemia, especialmente em pacientes com função renal comprometida. Manejo Agudo: Estabilização de Membrana Gluconato de Cálcio: Estabiliza o potencial de membrana do miocárdio para prevenir arritmias fatais. Conduta: Deve ser repetido até a normalização do ECG. Medidas de Redistribuição (Shift Intracelular) Glicoisulina: Promove a entrada de potássio na célula junto com a glicose. Efeito de 2 a 4 horas, exigindo monitoramento e repetição. Beta-2 Agonistas (Salbutamol): Estimula a captação periférica de potássio. Bicarbonato de Sódio: Uso restrito. Só é eficaz se houver acidose metabólica concomitante. Medidas de Eliminação (Depleção de Potássio) Suspensão Imediata: Interromper os agentes causadores (Losartana e Espironolactona). Diuréticos de Alça (Furosemida): Força a excreção renal de potássio. No contexto da hipercalemia, o foco é o efeito caliurético, não apenas volemia. Resinas de Troca: Atuam no trato gastrointestinal para eliminar o potássio de forma lenta (horas ou dias). Lições para a Prática Monitoramento: Pacientes que iniciam combinação de IECA/BRA com poupadores de potássio precisam de reavaliação laboratorial em curto prazo. Ajuste Terapêutico: Após a crise, não se deve abandonar o tratamento da IC.

Type above to search every episode's transcript for a word or phrase. Matches are scoped to this podcast.

Searching…

We're indexing this podcast's transcripts for the first time — this can take a minute or two. We'll show results as soon as they're ready.

No matches for "" in this podcast's transcripts.

Showing of matches

No topics indexed yet for this podcast.

Loading reviews...

ABOUT THIS SHOW

Bem-vindo ao Efeito Colateral, o podcast que mergulha nas complexidades da Terapia Intensiva. Aqui, discutimos a medicina de ponta praticada à beira do leito, onde cada decisão é crítica e cada intervenção exige precisão.Nosso foco é transformar evidência científica em prática clínica. Abordamos temas fundamentais como:Ventilação Mecânica e Hemodinâmica: Do básico ao avançado.Gestão de Protocolos: Sepse, choque e trauma.Neurointensivismo: Monitorização e cuidados neurocríticos.Humanização e Bioética: O desafio do cuidado em situações limite.Farmacologia Crítica: O manejo de drogas vasoativas, sedação e antibioticoterapia.Este programa foi feito para médicos intensivistas, residentes, estudantes de medicina e todos os profissionais da equipe multidisciplinar (enfermagem, fisioterapia, farmácia e nutrição) que buscam excelência no atendimento ao paciente grave.

HOSTED BY

Podcast de Farmacologia

Produced by Podcast de Medicina Intensiva

Frequently Asked Questions

How many episodes does Efeito Colateral have?

Efeito Colateral currently has 11 episodes available on PodParley. New episodes are automatically indexed when they're published to the podcast feed.

What is Efeito Colateral about?

Bem-vindo ao Efeito Colateral, o podcast que mergulha nas complexidades da Terapia Intensiva. Aqui, discutimos a medicina de ponta praticada à beira do leito, onde cada decisão é crítica e cada intervenção exige precisão.Nosso foco é transformar evidência científica em prática clínica. Abordamos...

How often does Efeito Colateral release new episodes?

Efeito Colateral has 11 episodes. Check the episode list to see recent publication dates and frequency.

Where can I listen to Efeito Colateral?

You can listen to Efeito Colateral on PodParley by clicking any episode. We provide an embedded audio player for direct listening, and you can also subscribe via your preferred podcast app using the RSS feed.

Who hosts Efeito Colateral?

Efeito Colateral is created and hosted by Podcast de Farmacologia.
URL copied to clipboard!