Ontem Já Era Tarde

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Ontem Já Era Tarde

O futebol é o ponto de partida nestas conversas sem fronteiras ou destino agendado. Todas as semanas, sempre à quinta-feira, Luís Aguilar entra em campo com um convidado diferente. O jogo começa agora porque Ontem Já Era Tarde.

  1. 84

    Ricardo Lemos: “No caso Vinicius, Prestianni devia ter falado logo a seguir ao jogo”

    Ricardo Lemos, antigo diretor de imprensa do Benfica, considera que o caso entre Gianluca Prestianni e Vinicius Júnior transformou-se numa “bomba mediática” difícil de gerir para qualquer departamento de comunicação, admitindo, ainda assim, que teria seguido um caminho diferente. Lemos, que deixou funções no final da última temporada e era responsável, entre outras tarefas, por acompanhar treinadores e jogadores nas conferências de imprensa e definir quais os atletas que falavam após os jogos, comentou a polémica que marcou o encontro entre Benfica e Real Madrid, da Liga dos Campeões.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  2. 83

    Paulo Sérgio: “Depois de sair do Sporting, tive salários em atraso em quase todos os clubes”

    Formado no Sporting, Paulo Sérgio conheceu o futebol em várias latitudes. Numa carreira feita entre Portugal, Espanha, Chipre, Brunei e Indonésia, desde cedo percebeu que nem tudo no futebol é um conto de fadas: “Depois de sair do Sporting, tive salários em atraso em quase todos os clubes”, recorda. “Antigamente não havia estabilidade e era permitido aos clubes. Graças ao Sindicato dos Jogadores consegui sempre receber à exceção da última passagem pelo Olhanense.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  3. 82

    Filipe Gaidão: “Tive um grave acidente antes de ir para o Porto, fiquei tetraplégico durante algum tempo, e Pinto da Costa nunca deixou de me apoiar”

    Queria ser jogador de futebol e chegou a receber um convite de Aurélio Pereira para integrar a formação do Sporting. No entanto, o hóquei em patins, que começou por acaso, foi ganhando espaço na sua vida. “Era apenas uma brincadeira e uma forma de estar com os amigos”, recorda. “Até à minha ida para o Paço de Arcos, quando tinha cerca de 16 anos, nunca pensei em ser desportista profissional.” Foi precisamente nesse clube que conquistou a Taça CERS, equivalente à Liga Europa no futebol, afirmando-se a partir daí como uma figura incontornável do hóquei português. Ao longo da carreira, representou o Benfica durante várias épocas e passou também pelo FC Porto. Pela seleção nacional, sagrou-se campeão europeu em 1998 e foi considerado o melhor jogador do Mundial de 2001.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  4. 81

    Bruno Sá: “Varandas já se aumentou seis vezes sem ouvir os sócios do clube”

    Na organização do Sporting, explica Bruno Sá, o presidente do clube é, por inerência, também presidente da SAD. O candidato às eleições de 14 de março garante que Frederico Varandas “já se aumentou seis vezes desde que é presidente”, numa decisão que, diz, foi tomada apenas ao nível da SAD e sem que os sócios do clube fossem ouvidos. “Varandas já se aumentou seis vezes desde que é presidente, numa situação apenas aprovada pela SAD e sem ouvir os sócios do clube.” Para Bruno Sá, o processo deveria ser diferente e mais transparente para quem faz parte da vida do clube. “Acho muito bem que as pessoas tenham remuneração, mas o processo destes aumentos tem de ser mais transparente para os sócios. E, face aos resultados desportivos, os sócios aceitariam esses aumentos, com certeza, mas deviam poder ser escutados.” Segundo o candidato, na última temporada Frederico Varandas terá auferido cerca de 900 mil euros, somando remuneração fixa e prémios.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  5. 80

    Daniel Sá: “Por mim, Ronaldo deve jogar na Seleção até aos 80 anos”

    Especialista em marketing desportivo e diretor executivo do IPAM, Daniel Sá tem-se habituado a olhar para as grandes figuras do desporto como marcas. Presença assídua nos media nacionais e internacionais, e autor de vários livros sobre o tema, afirma que “Michael Jordan, no mercado americano, e David Beckham, na Europa, abriram a porta aos jogadores enquanto marcas globais”. Em relação aos treinadores, não tem dúvidas: “Mourinho foi o primeiro treinador superstar.” Sobre Cristiano Ronaldo, e ao contrário da opinião generalizada, defende que a ida para a Arábia Saudita ou a recente visita à Casa Branca — onde esteve com Donald Trump —, apesar de muita contestação, não tiveram qualquer impacto negativo: “É uma marca que continua a crescer e já pouco precisa do futebol jogado”, revela. Daniel Sá divide Ronaldo em quatro dimensões: “Há o jogador, depois vem o atleta que participa em publicidades, segue-se o influencer e, hoje, temos a fase do investidor. A marca atualmente vive mais destes três ‘Ronaldos’ do que daquele que está dentro do campo.” Sobre a permanência de Ronaldo na Seleção Nacional, Daniel Sá não entra na conversa dos adeptos, mas fala como marketeer: “Por mim, Ronaldo jogava na Seleção até aos 80 anos. Em termos de contratos, prémios, direitos televisivos, a Seleção vale muito mais por ter Ronaldo. É assim há muito tempo. Ele tem alimentado a Seleção nesse sentido.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  6. 79

    Os mais ouvidos de 2025, com Pedro Henriques: “No Benfica vi o Schwarz dar uma chapada ao César Brito. Era normal haver pegas”

    Passou por clubes como Benfica, FC Porto, Belenenses, Vitória de Setúbal, Santa Clara ou Académica e representou a seleção nas camadas jovens, incluindo o Mundial de sub-20. Após a carreira, teve uma breve incursão no imobiliário e não previa voltar ao futebol. Mas tudo mudou com um convite da SportTV para comentar salários em atraso — tema que conhecia bem. A experiência correu bem e a televisão tornou-se caminho sério. Após 17 anos como comentador na SportTV, juntou-se à equipa de análise desportiva da SIC Notícias. Durante a carreira, viveu episódios marcantes. No Benfica, confrontou um jornalista que o culpou por um golo sofrido... quando já nem estava em campo. “Já tinha sido substituído. Pensei que ele era maluco ou mau caráter.” Passado algum tempo, encontrou-o e abordou-o:“Perguntei se tinha algo contra mim. Ele respondeu: ‘Não, tenho muita admiração por si.’ Quando dizem isso, normalmente é mentira. Era daqueles que criticava sem avaliar.” Até ao final de 2025, a SIC Notícias recupera os episódios mais ouvidos do ano de ‘Ontem Já Era Tarde’. Recorde aqui as histórias do antigo defesa do Benfica.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  7. 78

    Os mais ouvidos de 2025, com Ricardo Araújo Pereira: “No fundo do meu telemóvel tenho uma foto do Eusébio. Não tenho das minhas filhas, porque as minhas filhas nunca marcaram um golo pelo Benfica”

    É uma história que Ricardo Araújo Pereira já contou várias vezes, mas que continua a guardar como um dos momentos mais marcantes da sua vida. Certo dia, enquanto seguia de carro com os pais, viu Eusébio a tentar apanhar um táxi. Pediu ao pai que parasse e dirigiu-se ao antigo jogador para lhe oferecer boleia. “Ele estava com dificuldades em apanhar um táxi porque iam todos ocupados. É logo algo que não faz sentido. Se o Eusébio quer um táxi, a outra pessoa tem de sair e deixá-lo entrar. É isso que faz sentido”, recorda. Eusébio aceitou o convite. Tinha de chegar ao aeroporto de Lisboa, de onde o Benfica partiria para um estágio. “Eu não conseguia falar. Estava perto de uma divindade. Mas os meus pais, que não são crentes, foram sempre a falar com ele”, conta, entre risos. Durante a viagem, o pai de Ricardo contou um episódio curioso: certo dia, numa piscina onde se encontravam vários jogadores do Benfica, teve uma cãibra dentro de água. Foi Eusébio quem o retirou da piscina e lhe deu uma picada no músculo para aliviar a dor. “E o Eusébio, muito simpaticamente: ‘Então não me lembro?’ Eu, sempre calado.” No dia seguinte, o jornal A Bola noticiava que Eusébio tinha sido o único a chegar a horas ao aeroporto, referindo apenas que “se deslocou por meios próprios”. “Era como se o carro do meu pai tivesse sido nacionalizado e dado ao Eusébio — o que acho bem e lícito”, comenta com humor. Hoje, guarda uma imagem desse ídolo sempre por perto. No fundo do telemóvel, está uma fotografia de Eusébio com a camisola do Benfica. “O Eusébio está impecável em todas as fotos. Às vezes perguntam-me: ‘Então tens uma foto do Eusébio em vez de teres das tuas filhas?’ E sou obrigado a responder: ‘As minhas filhas não marcaram um golo pelo Benfica.’”  See omnystudio.com/listener for privacy information.

  8. 77

    Os mais ouvidos de 2025, com Sá Pinto: “No Vasco da Gama os treinos eram interrompidos por rusgas e tiros de metralhadora”

    Ricardo Sá Pinto é um daqueles jogadores que deixa marca nos adeptos do Sporting. Uma ligação emocional que resiste ao tempo. Contratado ao Salgueiros na época 1994/95, criou desde logo um vínculo especial com as bancadas de Alvalade. Um laço tão forte que ainda hoje lhe vale a alcunha de “Coração de Leão”. Mais tarde, transferiu-se para a Real Sociedad e, após três épocas em Espanha, teve nova oportunidade de regressar ao clube do coração. “Voltei com aquela vontade de ganhar um campeonato e jogar uma Champions pelo Sporting. Consegui ambas”, recorda. Mas apenas 15 dias depois de assinar novamente pelos leões, no verão de 2000, surgiu uma proposta que poucos recusariam: “Os dirigentes do Sporting na altura podem confirmar. O Real Madrid quis contratar-me e estava nas minhas mãos.” Sá Pinto tinha dado nas vistas na liga espanhola. Especialmente num jogo em que deixou Roberto Carlos, um dos melhores laterais-esquerdos da história, em agonia. O Real não ficou indiferente. Florentino Pérez, já então presidente dos merengues, chegou a afirmar publicamente que faltava pouco para que Sá Pinto se juntasse a Luís Figo, o primeiro galáctico da sua era. E Figo também fez pressão para voltar a ter Sá Pinto ao seu lado. Ambos tinham sido colegas nos leões e passaram muitos anos a jogar lado a lado na Seleção Nacional. Mas o negócio não se concretizou. “O Sporting seria ressarcido em dinheiro e com jogadores. Se eu quisesse sair, tinha saído. Mas, por incrível que pareça, disse não ao Real Madrid. Tinha acabado de voltar ao meu clube e trair o Sporting não é a minha forma de estar.” Sá Pinto admite que a decisão não foi fácil e garante que, se estivesse noutro clube estrangeiro, talvez não hesitasse. Mas o sportinguismo falou mais alto. A escolha acabou por ser recompensada. Em 2001/2002, já em Alvalade, foi peça importante na equipa que conquistou o título nacional, orientada pelo romeno Lazslo Boloni, e ao lado de nomes como Schmeichel, João Vieira Pinto ou Jardel — que lhe tinha escapado na primeira passagem pelo clube.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  9. 76

    Artur Soares Dias: “Não é difícil arbitrar Champions. Jogadores querem jogar. Difícil é apitar em Portugal”

    Filho de um árbitro, Artur Soares Dias cresceu a acompanhar o pai nos estádios, habituou-se cedo ao ambiente do futebol e conheceu, desde jovem, tanto o lado fascinante como as dificuldades da profissão. Nada disso o demoveu — nem sequer os avisos do próprio pai, que procurou dissuadi-lo de seguir o mesmo caminho. Ainda na adolescência, inscreveu-se no curso de arbitragem e iniciou um percurso que o levou a subir, etapa a etapa, todos os escalões. Hoje, é considerado um dos árbitros mais conceituados do país e uma das referências internacionais da sua geração. Ao longo da carreira, dirigiu inúmeros grandes jogos em Portugal, incluindo clássicos e dérbis, e somou momentos marcantes no plano internacional. Entre eles, destacam-se a presença no Euro 2024, a final da Conference League desse mesmo ano entre Olympiacos e Fiorentina, e a primeira mão das meias-finais da Liga dos Campeões 2022/23, que colocou opôs Real Madrid a Manchester City.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  10. 75

    João Vieira Pinto: “O 6-3 é o jogo da minha vida. As pessoas ainda perguntam umas às outras onde estavam naquele dia"

    “O 6-3 é o jogo da minha vida. As pessoas ainda perguntam umas às outras onde estavam naquele dia. É quase como o 25 de Abril” João Vieira Pinto recorda a época 93/94 e o jogo que marcou a fase final da luta pelo título entre Benfica e Sporting. As duas equipas estavam separadas por um ponto, com vantagem para o Benfica. O encontro em Alvalade ficaria na história. O antigo internacional descreve o arranque da partida. “Eles vinham na fase ascendente e o início do jogo foi muito difícil para nós. Até ao meu golo. E estivemos a perder por duas vezes.” O Benfica venceu por 6-3, com três golos de João Vieira Pinto na primeira parte e duas assistências na segunda. O resultado deixou a equipa mais perto do campeonato que viria a conquistar. O antigo avançado, conhecido como “Menino de Ouro”, não tem dúvidas sobre o significado daquele momento. “Claro que o 6-3 é o jogo da minha vida. As pessoas ainda perguntam umas às outras onde estavam naquele dia. É quase como fazem no 25 de Abril [risos].” Depois do jogo, João Vieira Pinto saiu de Alvalade e conduziu até ao Algarve. “Tinha lá a minha família e amigos. Fui sozinho, no meu Rover, numa altura em que ainda não havia muita autoestrada. Foi uma viagem longa e ia a pensar naquilo tudo. No que tinha acabado de acontecer no jogo.” Quando chegou ao Algarve encontrou um grupo de familiares e amigos numa discoteca. “Foi giro. Depois dos 6-3 eu podia ir a qualquer lado. Só não sabia é que estava lá aquela festa toda, com tanta gente, à minha espera.” O jogador recorda aquele dia como um dos mais marcantes da carreira.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  11. 74

    Luís Filipe Vieira: “O Benfica não está melhor do que há quatro anos. Rui Costa mentiu aos benfiquistas para promoção pessoal”

    O presidente do Benfica, Rui Costa, defende que o clube hoje está melhor do que aquele que herdou há quatro anos, quando o anterior presidente Luís Filipe Vieira deixou o cargo. Mas Vieira não concorda e apresenta números que, segundo ele, desmentem o atual dirigente. “É notório que o Benfica está muito pior e os números assim o mostram. Mas compreendo que o Rui diga isso, porque alguém o mandou dizer, já que ele não tem capacidade para analisar as contas”, afirmou. O antigo presidente explica: “Deixámos o Benfica com uma dívida de 100M€ de euros, bastante controlável, e com um passivo de cerca de 370M€. Neste período, com Rui Costa, o clube teve receitas muito superiores às que tivemos, e por isso não havia qualquer razão para que a dívida subisse mais 100M€, chegando aos 200M€, nem para que o passivo aumentasse outros 100M€. E isto sem falar nos fornecedores, cujas dívidas também subiram significativamente.” Para Vieira, “quando Rui Costa afirma que o Benfica estaria ainda melhor se não fosse a Covid-19, está a tentar justificar resultados que não dependiam dele”. “Ele não teve qualquer influência nessa questão.” Quanto ao que Rui Costa recebeu ao assumir a presidência, Vieira é categórico: “Não herdou nada. Estava tudo pago. Quem assumir a seguir terá dificuldades de gestão. Só em custos de tesouraria, o clube terá cerca de 100M€ para pagar rapidamente.” O antigo presidente não hesita em acusar o atual líder das águias: de “promoção pessoal”: “Com essa afirmação, Rui Costa mentiu aos benfiquistas para promoção pessoal.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  12. 73

    Rui Costa: “O presidente ser remunerado nem é assunto para mim. Estive cinco anos sem salário. Não estou no Benfica por causa disso”

    Com as eleições do Benfica marcadas para 25 de outubro e seis candidatos na corrida, a possibilidade de o presidente do clube ser remunerado tem gerado debate. Os novos estatutos, ao contrário dos anteriores, permitem que o líder encarnado receba salário pelo exercício das suas funções. O tema tem marcado a atual campanha eleitoral, sobretudo depois de João Noronha Lopes ter afirmado que não prescindirá desse direito, considerando que se trata de uma prática “mais transparente”. Rui Costa, por sua vez, desvaloriza completamente a questão: “O presidente ser remunerado nem é assunto para mim. Não estou no Benfica por causa disso. Nunca estive”, garante. O atual presidente lembra que está “há cinco anos sem salário” e assegura que, mesmo em caso de reeleição, a situação se manterá. “Não sou um benfiquista de ocasião e os benfiquistas sabem disso. Não cheguei ao Benfica ontem. Não me interessa a remuneração. Caso contrário, nem tinha voltado ao Benfica para jogar futebol, quanto mais para ser dirigente. A parte da remuneração nem sequer está em agenda.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  13. 72

    Paulo Parreira: “Fui coagido para não avançar como candidato e levei a ameaça a sério. Tenho família”

    Paulo Parreira é uma presença habitual nos jogos do Benfica, em casa e fora. Ficou conhecido entre os adeptos por expressões como “hoje é contra quem, não interessa” ou o célebre “ganhamento”, lema que resume a ideia de que todos os jogos do Benfica são para ganhar. Ex-jogador das camadas jovens do clube, representou os escalões de escolinhas, infantis e iniciados. “Sagrei-me campeão nacional de infantis num ano em que fomos imbatíveis, sem derrotas nem empates”, recorda. Uma grave lesão — fratura da tíbia e do perónio — acabou por travar o seu percurso nas águias. Ainda passou pelo Amora, nos juniores e seniores, e pelo Futebol Benfica. “Fui treinado pelo Arnaldo Teixeira, que mais tarde foi adjunto de Rui Vitória, e marquei o golo com que eliminámos o Santa Clara da Taça de Portugal”, conta. A paixão pelo clube nunca esmoreceu. “A minha vida é o Benfica”, afirma. Aos 47 anos, decidiu dar um passo que descreve como “um desejo antigo”: candidatar-se à presidência do clube. Foi o último a oficializar a candidatura, a 11 de setembro. Mas o sonho durou pouco. No dia 27 do mesmo mês, retirou-se da corrida eleitoral. “Fui coagido para não avançar e levei a ameaça a sério, porque tenho família. Sinceramente, nunca pensei que isto me acontecesse no Benfica. Admitia ser ameaçado por um sportinguista ou portista, mas não dentro do próprio clube, que neste momento está dividido. Deixa-me triste.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  14. 71

    Martim Mayer: “Quero trabalhar com José Mourinho, mas Special One é o Benfica”

    Martim Mayer, de 51 anos, anunciou a candidatura à liderança do Benfica. Neto de Borges Coutinho, presidente do clube entre 1969 e 1977, e figura histórica das águias, Mayer afirma querer dar continuidade ao legado familiar. Ligado ao universo encarnado desde cedo, foi atleta do Benfica no ténis e no râguebi, modalidade em que também representou a seleção nacional. Tem acompanhado com atenção a vida do clube e admite preocupação com os últimos anos. Ainda assim, mostra confiança no novo treinador: “Quero trabalhar com José Mourinho, mas o verdadeiro Special One é o Benfica”, sublinha. Mayer elogia a forma como Mourinho entrou no clube, apelando à união dos adeptos. No entanto, deixou uma crítica à declaração do técnico em que este revelou receber menos no Benfica do que se tivesse ficado em casa a receber a indemnização após a rescisão com o Fenerbahçe. “Não gostei de ouvir. Não percebo o interesse em começar uma relação a dizer que está no Benfica em negativo. Talvez seja para justificar alguma coisa se não correr bem. Deixo esse reparo.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  15. 70

    João Noronha Lopes: “Tenho confiança de que Bernardo Silva será jogador do Benfica na próxima época”

    João Noronha Lopes confirmou a recandidatura à presidência do Benfica nas eleições agendadas para 25 de outubro, depois de já ter estado na corrida em 2020. Além da ligação ao universo encarnado, o gestor sublinhou o percurso profissional que o levou a trabalhar em diferentes mercados e a enfrentar negociações complexas na Ásia, Rússia e América do Sul. “Às vezes ouço pessoas perguntarem-me se estou preparado para o mundo do futebol. Nada do que possa encontrar será mais difícil do que algumas negociações que tive ao longo da minha carreira, em que até a minha própria segurança esteve em causa.” Em relação à corrida à presidência, João Noronha Lopes garantiu já ter um contrato à espera de Bernardo Silva. O internacional português termina contrato com o Manchester City no final da presente temporada e, segundo o candidato, há condições para o regresso à Luz. “Espero ganhar as eleições e acredito que Bernardo Silva será jogador do Benfica na próxima temporada. É um grande benfiquista, um dos melhores jogadores do mundo e já manifestou essa vontade de regressar.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  16. 69

    João Diogo Manteigas: “Vieira foi um dos que beneficiou, no Alverca, dos negócios com Vale e Azevedo”

    Advogado de 42 anos, cresceu ligado ao universo encarnado, influenciado pelo pai, jornalista desportivo, que mantinha proximidade com várias figuras do clube. Em setembro do ano passado decidiu avançar com a candidatura. “Porquê tão cedo? Porque assim fica claro que não ando atrás dos resultados. O meu projeto foi apresentado muito antes de se saber se o Benfica iria ganhar ou perder na época passada”, sublinha. Manteigas garante conhecer em detalhe os bastidores do Benfica e aponta críticas a presidentes anteriores. Sobre João Vale e Azevedo, recorda: “Queria beneficiar do meio do futebol, mas também beneficiou muita gente. Basta recordar o caso Ovchinikov. A quem é que o Benfica vendeu o Ovchinikov e a quem é que o Alverca passou dois cheques em branco pelo Ovchinikov?” O advogado aponta responsabilidades a Luís Filipe Vieira, então dirigente do Alverca. “Não era só Vale e Azevedo que estava no meio do negócio. Também estavam Luís Filipe Vieira e o agente Paulo Barbosa.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  17. 68

    Cristóvão Carvalho: “O meu treinador é Jürgen Klopp. Sei que ele gostava de treinar o Benfica”

    O discurso é ambicioso. Cristóvão Carvalho sonha com um Benfica de excelência a nível europeu e afirma ser o único dos candidatos com um projeto nesse sentido. A possível contratação de Klopp faz parte de um plano que culminaria na presença do clube na final da Liga dos Campeões, algo que o Benfica não alcança desde 1990, quando perdeu 1-0 com o Milan. “No Benfica atual é óbvio que não dá para ganhar uma Champions. Mas eu tenho um projeto financeiro voltado para essa meta. Posso prometer aos benfiquistas que, daqui a quatro ou cinco anos, estaremos a jogar uma final de Champions”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  18. 67

    Norton de Matos: “Continuam a existir jogadores bons e baratos, mas os clubes não querem porque não dá para fazer negócio”

    Com um percurso que cruza continentes e décadas, Luís Norton de Matos é uma das figuras mais versáteis do futebol português. Jogador, treinador e dirigente, iniciou carreira nos anos 70 e passou por clubes como Benfica e Standard Liège, onde viveu momentos marcantes tanto a nível desportivo como pessoal. Como treinador, o trajeto é igualmente internacional: Senegal, Guiné-Bissau, Índia, França e Bélgica são alguns dos países por onde passou, para além de diversos emblemas nacionais. Atualmente, aos 71 anos, mantém-se ativo na observação de jovens talentos, colaborando com clubes na identificação de jogadores em idade de formação. Apesar da vasta experiência e de uma rede de contactos consolidada, Norton de Matos reconhece as dificuldades impostas pelas dinâmicas atuais do mercado: “Vemos jogadores que fazem três coisinhas e no dia seguinte já valem milhões. É uma indústria muito inflacionada”, afirma. Como exemplo da gestão mais racional, aponta o trabalho de Luís Campos no Paris Saint-Germain, elogiando a capacidade de identificar jogadores com elevado rendimento desportivo: “Olhamos para as transferências de João Neves por 60 milhões ou Vitinha por 40 milhões e percebemos que, por esses valores, quase que foram de borla.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  19. 66

    Mauro Xavier: “Se fosse dirigente do Benfica, a equipa não se apresentava nesta Supertaça”

    Mauro Xavier, gestor de topo com carreira internacional e presença habitual no espaço mediático enquanto cronista e comentador, volta a destacar-se pelas suas posições sobre o futebol português. É hoje o convidado de Luís Aguilar, no Ontem Já Era Tarde. Sócio do Benfica, publicou recentemente o livro “A Nossa Camisola – Caminhos para o Futuro”, editado pela Primebooks, onde defende uma visão estratégica para o clube e para o desporto nacional. “A discussão no Benfica tem-se centrado demasiadas vezes nas pessoas, quando o essencial está nas ideias”, afirma o autor, que apresenta no livro várias propostas, entre elas a reformulação das competições nacionais. Uma das medidas que propõe é clara: o fim da Taça da Liga. “É uma das ideias que defendo no livro. Não faz sentido com a atual carga de jogos, sobretudo para os clubes envolvidos em competições europeias”, sublinha. E acrescenta: “Fico satisfeito por ver que até André Villas-Boas, já depois da publicação do livro, veio a público defender a extinção da prova.” A preparação da nova temporada também mereceu críticas de Mauro Xavier, com particular foco na calendarização da Supertaça entre Benfica e Sporting, agendada para 31 de julho. “O Benfica jamais deveria ter aceite essa data. É um erro de planeamento e de estratégia. O Sporting tem um mês e meio de preparação, enquanto o Benfica tem apenas 15 dias”, alerta. E conclui, de forma contundente: “Se fosse dirigente do Benfica, a equipa não se apresentava nesta Supertaça.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  20. 65

    Pedro Marques Lopes: “André-Villas Boas é o presidente das quimeras. A parte comunicacional é terrível. Não é altura de estar a prometer mundos e fundos”

    Pedro Marques Lopes é um rosto conhecido da análise política, com vários anos de ligação à SIC, e presença semanal no programa Eixo do Mal. Mas ao longo dos seus anos de exposição pública nunca escondeu o afeto e carinho pelo FC Porto. “Sou dragão de ouro”, diz com orgulho. Era amigo de Jorge Nuno Pinto da Costa e não votou em André-Villas Boas. Apesar de não poupar críticas à gestão do agora presidente, espera que o novo treinador, Francesco Farioli, tenha condições para fazer o seu trabalho sem as constantes intromissões do dirigente. “André Villas-Boas prometeu uma equipa, cada um com a sua função e autoridade, mas o que vemos é que tem concentrado todo o futebol em si. Fez isso com Vítor Bruno e Anselmi. Espero que, com Farioli, respeito esse espaço sagrado do treinador.” Pedro Marques Lopes deseja essa mudança e teme que novo fracasso, mais do que trazer consequências para o treinador, possa virar-se agora para o presidente: “Com os outros treinador, ia ao balneário, falava com os jogadores, impunha castigos sem consultar o treinador. Isto, naturalmente, enfraquece muito o treinador aos olhos dos jogadores”, lembra.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  21. 64

    Ricardo Araújo Pereira: “No fundo do meu telemóvel tenho uma foto do Eusébio. Não tenho das minhas filhas, porque as minhas filhas nunca marcaram um golo pelo Benfica”

    É uma história que Ricardo Araújo Pereira já contou várias vezes, mas que continua a guardar como um dos momentos mais marcantes da sua vida. Certo dia, enquanto seguia de carro com os pais, viu Eusébio a tentar apanhar um táxi. Pediu ao pai que parasse e dirigiu-se ao antigo jogador para lhe oferecer boleia. “Ele estava com dificuldades em apanhar um táxi porque iam todos ocupados. É logo algo que não faz sentido. Se o Eusébio quer um táxi, a outra pessoa tem de sair e deixá-lo entrar. É isso que faz sentido”, recorda. Eusébio aceitou o convite. Tinha de chegar ao aeroporto de Lisboa, de onde o Benfica partiria para um estágio. “Eu não conseguia falar. Estava perto de uma divindade. Mas os meus pais, que não são crentes, foram sempre a falar com ele”, conta, entre risos. Durante a viagem, o pai de Ricardo contou um episódio curioso: certo dia, numa piscina onde se encontravam vários jogadores do Benfica, teve uma cãibra dentro de água. Foi Eusébio quem o retirou da piscina e lhe deu uma picada no músculo para aliviar a dor. “E o Eusébio, muito simpaticamente: ‘Então não me lembro?’ Eu, sempre calado.” No dia seguinte, o jornal A Bola noticiava que Eusébio tinha sido o único a chegar a horas ao aeroporto, referindo apenas que “se deslocou por meios próprios”. “Era como se o carro do meu pai tivesse sido nacionalizado e dado ao Eusébio — o que acho bem e lícito”, comenta com humor. Hoje, guarda uma imagem desse ídolo sempre por perto. No fundo do telemóvel, está uma fotografia de Eusébio com a camisola do Benfica. “O Eusébio está impecável em todas as fotos. Às vezes perguntam-me: ‘Então tens uma foto do Eusébio em vez de teres das tuas filhas?’ E sou obrigado a responder: ‘As minhas filhas não marcaram um golo pelo Benfica.’”  See omnystudio.com/listener for privacy information.

  22. 63

    José Lima: “Um jogador que me deixou inanimado sem querer, foi ver-me ao hospital. Isto mostra muito o que é o râguebi”

    José Lima garante que o râguebi não é um desporto violento. “É duro, sim, há muito contacto, muita velocidade, mas muitas regras que nos protegem. Um jogador que promova um choque na cabeça do outro é logo expulso. E, além disso, há um grande respeito e lealdade entre os jogadores. É muito raro um jogador magoar outro de forma intencional”. O capitão da seleção lembra uma situação em que caiu inanimado num jogo frente a África do Sul e o comportamento exemplar do jogador que o lesionou: “Veio com muita velocidade e chocou com a minha cabeça, mas sem querer. Foi logo expulso, apanhou oito jogos, porque já tinha outras situações de pouco cuidado, mas foi ver-me ao hospital, pediu-me desculpa e isto mostra muito o que é o râguebi. Não sei se aconteceria com essa naturalidade no futebol ou noutros desportos”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  23. 62

    Gonçalo Almeida: “Makukula queria representar o Congo, depois agradeceu-me quando jogou por Portugal”

    Enquanto advogado da FIFA, Gonçalo Almeida lidou com vários processos de jogadores. Alguns deles que via apenas pela televisão. Recorda que, no mesmo dia, chegou a falar com o colombiano René Higuita e o camaronês Roger Milla, protagonistas de um lance histórico no Mundial de 1990. “O Higuita ligou-me porque tinha um valor a receber de um clube que representou, mas a situação já tinha prescrito. Passado pouco tempo, o Roger Milla entra no meu gabinete. Uma daquelas coincidências.” Noutro momento, lembra, recebeu um telefonema de Ariza Makukula. “Ele teve uma proposta para representar a seleção da República Democrática do Congo. O problema é que ele tinha representado Portugal nos sub-21 e já tinha passado a idade para fazer essa mudança. Os regulamentos não permitiam e expliquei-lhe isso, mas ele ficou chateado e não gostou.” Mais tarde, os caminhos do advogado e do avançado voltaram a cruzar-se. “Fui ver um jogo da Seleção ao Cazaquistão em 2007. Curiosamente, o Makukula estreou-se nesse jogo e marcou um golo decisivo [vitória de Portugal por 2-1]. No final do jogo, estava com um cliente que tinha acesso ao balneário e pude estar com os jogadores portugueses. Vi o Makukula e fui ter com ele. A princípio não se lembrava de mim, depois recordei o telefonema e a situação do Congo.” A reação, conta, deixou-o surpreendido: “O Makukula é enorme, deu-me um grande abraço e agradeceu por não ter jogado no Congo. Foi um episódio curioso se bem que ele não tinha nada para me agradecer. Apenas segui os regulamentos.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  24. 61

    Toni: “Com Mozer e Ricardo Gomes podia dormir descansado”

    Foram muitos os craques que orientou no Benfica. Alguns deles tornaram-se referência no futebol português e internacional. Mas como se diz na gíria, as boas equipas constroem-se de trás para a frente e, nesse aspeto, Toni recorda a qualidade de alguns defesas: “Os meus centrais eram Mozer e Ricardo Gomes. Podia dormir descansado.” Toni também lembra os laterais como António Veloso e Schwarz. “Não só eram bons defesas, como também deixaram a sua marca em termos ofensivos. Nos treinos às vezes aquecia e aí também podia contar com o Schwarz. Era um profissional de linha dura. Se visse alguém a relaxar nos treinos, ele acordava-o logo. Quanto ao Mozer é sempre bom ter um central desses para impor respeito”. Ouça aqui o novo episódio do podcast 'Ontem Já Era Tarde'. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  25. 60

    Manuel Cajuda: “Salvei o casamento de um jogador. Não contei à mulher que tinha levado outra rapariga para o estágio”

    Manuel Cajuda é um homem com história e muitas histórias. No futebol, já foi tudo. Jogador, treinador e hoje é presidente do Olhanense, clube da sua terra. Mas foi no comando técnico de várias equipas, em Portugal e no estrangeiro, que se tornou uma figura incontornável do futebol português. Fez história em vários clubes, mas foi no Braga que deixou a maior marca. Foram muitos planteis, várias equipas e alguns episódios caricatos. “Salvei o casamento de um jogador”, conta Manuel Cajuda. Sem revelar o clube ou a identidade do futebolista, Cajuda lembra a situação: “Um jogador levou uma mulher para estágio. Eu soube e fui falar com o presidente porque tinha de haver um castigo. Só que precisava dele para jogar no dia seguinte e não podia deixá-lo de fora.” Em conjunto com a direção, ficou decidida uma multa: “Disse-lhe que íamos tirar-lhe 50 por cento do salário e ele disse que não. E eu respondi: ‘Ok, então vou contar à tua mulher’. A reação dele mudou logo.” Então, Manuel Cajuda explicou que a multa se iria manter, mas feita de forma faseada “para que não falta dinheiro em casa e a mulher não desconfie”. “Resultado, salvei um casamento e fiquei com o jogador na mão até final da época”, lembra, entre risos.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  26. 59

    Jorge Andrade: “Parti o nariz, os dentes, o quinto metatarso… Ainda hoje acordo com dores no joelho. Estou todo torto”

    Jorge Andrade foi um dos centrais mais respeitados da sua geração, mas o corpo pagou caro por cada duelo. No podcast Ontem Já Era Tarde, o antigo internacional português revelou as mazelas com que vive desde que pendurou as chuteiras. “Parti os dentes, parti o nariz, parti o quinto metatarso… estou todo torto”, descreve com humor e realismo. As lesões marcaram a sua trajetória — e não ficaram no passado. “Tenho dores no joelho todos os dias. Se jogar à bola, jogo uma vez por ano. Não dá para mais. Ainda tenho ferros no joelho.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  27. 58

    Sá Pinto: “Recusei o Real Madrid para ficar no Sporting”

    Ricardo Sá Pinto é um daqueles jogadores que deixa marca nos adeptos do Sporting. Uma ligação emocional que resiste ao tempo. Contratado ao Salgueiros na época 1994/95, criou desde logo um vínculo especial com as bancadas de Alvalade. Um laço tão forte que ainda hoje lhe vale a alcunha de “Coração de Leão”.   Mais tarde, transferiu-se para a Real Sociedad e, após três épocas em Espanha, teve nova oportunidade de regressar ao clube do coração. “Voltei com aquela vontade de ganhar um campeonato e jogar uma Champions pelo Sporting. Consegui ambas”, recorda.   Mas apenas 15 dias depois de assinar novamente pelos leões, no verão de 2000, surgiu uma proposta que poucos recusariam: “Os dirigentes do Sporting na altura podem confirmar. O Real Madrid quis contratar-me e estava nas minhas mãos.” Sá Pinto tinha dado nas vistas na liga espanhola. Especialmente num jogo em que deixou Roberto Carlos, um dos melhores laterais-esquerdos da história, em agonia. O Real não ficou indiferente. Florentino Pérez, já então presidente dos merengues, chegou a afirmar publicamente que faltava pouco para que Sá Pinto se juntasse a Luís Figo, o primeiro galáctico da sua era. E Figo também fez pressão para voltar a ter Sá Pinto ao seu lado. Ambos tinham sido colegas nos leões e passaram muitos anos a jogar lado a lado na Seleção Nacional.   Mas o negócio não se concretizou. “O Sporting seria ressarcido em dinheiro e com jogadores. Se eu quisesse sair, tinha saído. Mas, por incrível que pareça, disse não ao Real Madrid. Tinha acabado de voltar ao meu clube e trair o Sporting não é a minha forma de estar.” Sá Pinto admite que a decisão não foi fácil e garante que, se estivesse noutro clube estrangeiro, talvez não hesitasse. Mas o sportinguismo falou mais alto.   A escolha acabou por ser recompensada. Em 2001/2002, já em Alvalade, foi peça importante na equipa que conquistou o título nacional, orientada pelo romeno Lazslo Boloni, e ao lado de nomes como Schmeichel, João Vieira Pinto ou Jardel — que lhe tinha escapado na primeira passagem pelo clube.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  28. 57

    Pedro Henriques: “No Benfica, confrontei um jornalista que me culpou por um golo quando já nem estava em campo”

    Passou por clubes como Benfica, FC Porto, Belenenses, Vitória de Setúbal, Santa Clara ou Académica e representou a seleção nas camadas jovens, incluindo o Mundial de sub-20. Após a carreira, teve uma breve incursão no imobiliário e não previa voltar ao futebol. Mas tudo mudou com um convite da SportTV para comentar salários em atraso — tema que conhecia bem. A experiência correu bem e a televisão tornou-se caminho sério. Após 17 anos como comentador na SportTV, juntou-se à equipa de análise desportiva da SIC Notícias. Durante a carreira, viveu episódios marcantes. No Benfica, confrontou um jornalista que o culpou por um golo sofrido... quando já nem estava em campo. “Já tinha sido substituído. Pensei que ele era maluco ou mau caráter.” Passado algum tempo, encontrou-o e abordou-o:“Perguntei se tinha algo contra mim. Ele respondeu: ‘Não, tenho muita admiração por si.’ Quando dizem isso, normalmente é mentira. Era daqueles que criticava sem avaliar.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  29. 56

    Trailer: Vem aí a quarta temporada de Ontem Já Era Tarde, de Luís Aguilar

    O futebol é o ponto de partida neste podcast de conversas sem fronteiras ou destino agendado. Todas as semanas, sempre à quinta-feira, Luís Aguilar entra em campo com um convidado diferente. O jogo começa agora porque "Ontem Já Era Tarde." Pedro Henriques, antigo jogador de clubes como Benfica e FC Porto, e atual comentador desportivo da SIC Notícias, é o primeiro convidado da quarta temporada do "Ontem Já Era Tarde". Estreia a 8 de Maio nos sites da SIC, SIC Notícias, Expresso e em todas as plataformas de podcast.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  30. 55

    Na era Villas-Boas o FC Porto já fez 168,4 milhões de euros em vendas de jogadores. Estará salvaguardado o futuro financeiro do clube? Oiça a estreia do Jogo Aberto em podcast

    Está de regresso o Jogo Aberto um dia depois do fecho do mercado de transferências. O FC Porto fez o melhor mercado de inverno, com a venda de Nico González e Galeno. Apesar do bom encaixe financeiro, os resultados desportivo continuam aquém, os dragões empataram com o Rio Ave e recebem o Sporting, na próxima jornada, com 8 pontos a menos. Este foi o Jogo Aberto em Podcast, do dia 4 de fevereiro com o Luís Aguilar e o Marco Caneira. Também as contratações de Bruma e Belotti estiveram em análise no programa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  31. 54

    Sete derrotas para o FC Porto, lenços azuis e brancos para Vítor Bruno. Oiça a estreia do Mercado Aberto da SIC Notícias em podcast

    Após a sétima derrota na temporada, regressou a contestação no FC Porto. Para além deste tema, o mercado do Benfica e a chegada de Rui Silva ao Sporting estiveram em debate, no Mercado Aberto do dia 13 de janeiro, com o jornalista Luís Marçal e os comentadores da SIC, Marco Caneira e Pedro Fatela. Vítor Bruno e a direção portista foram contestados à chegada ao aeroporto Sá Carneiro e ao Estádio do Dragão. Os 'azuis e brancos' sofreram segunda derrota consecutiva depois de perderem frente ao Sporting na Taça da Liga. Os adeptos acenaram com lenços brancos e pediram a demissão do treinador, que considerou normal a reação dos adeptos.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  32. 53

    Olivier Bonamici: “Portugal está a tornar-se menos tolerante. Há coisas que gosto e que não gosto. Mas amo este país e quero morrer aqui”

    Jornalista multifacetado, viaja do ciclismo ao futebol, passando pela política, sempre com um estilo muito próprio e inconfundível. Atualmente, a SIC, Eurosport e Rádio Renascença são algumas das casas onde podemos vê-lo e ouvi-lo. Veio para Portugal em 1995 por amor. “Quando cheguei não conhecia nada do país nem sabia falar a língua. Vim com uma namorada que era portuguesa.” Começou por viver num abrigo de pessoas com deficiência visual. “Era a forma de ter um sítio onde dormir nesses primeiros tempos.” Ajudava-os em todas as tarefas e ainda hoje fica emocionado quando recorda esse período. Está neste momento a tratar do pedido de nacionalidade portuguesa, mas tem sido um processo travado por muitas barreiras burocráticas. “Portugal está a tornar-se um país menos tolerante. Há coisas que gosto e outras que não gosto, mas amo este país e quero morrer aqui.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  33. 52

    Pedro Azevedo: “Schmeichel queria que eu me calasse quando narrei o golo do Costinha. Estava com cara de quem comeu e não gostou”

    São quase 40 anos de carreira e mais de 2500 narrações de jogos de futebol entre rádio e televisão. Pedro Azevedo é um dos narradores em atividade mais antigos do país e tem marcado presença nos principais palcos do desporto português e internacional: “Tenho cinco campeonatos do Mundo, outros tantos da Europa e três finais europeias”, revela. A larga experiência levou-o escrever o livro técnico “Relato de Futebol – narração na rádio, tv e internet”, editado pela Bluebook, como forma de partilhar o seu conhecimento.  Na segunda mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, em 2004, o FC Porto, então orientado por José Mourinho, deslocou-se a Old Trafford. Os dragões estavam em desvantagem até que Costinha, já nos minutos finais, marcou o golo que ditou o afastamento dos ingleses: “Relatei o golo com muita emoção, mas o senhor Peter Schmeichel não gostou.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  34. 51

    Vasco Duarte: “Sporting dá-se mal com a bazófia, funciona melhor quando parte como underdog”

    Afirma-se muito supersticioso em relação aos jogos do Sporting e está a viver com alguma apreensão o início de João Pereira como treinador dos leões. “Sou daqueles muito pessimistas. Ainda agora, com estes maus resultados, disse ao meu irmão que já havia muita euforia.” É daqueles adeptos que diz preferir saborear as vitórias com alguma moderação. “Historicamente, o Sporting é um cube que se dá mal com a bazófia. Sempre se deu bem como underdog e agora, se pudesse dar uma tática aos adeptos, era mesmo para diminuir essa bazófia.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  35. 50

    Paulo Baldaia: “Com o Pepe a jogar, o Benfica não teria dado 4-1 ao Porto e não sei se o Sporting ganhava”

    Foram muitas as mudanças no FC Porto da última época para esta. André Villas-Boas venceu e tornou-se presidente, Vítor Bruno é o novo treinador e saíram vários jogadores importantes. Um deles, o capitão Pepe. Paulo Baldaia não tem dúvidas de que Pepe ainda seria um jogador importante na equipa: “O FC Porto tem belíssimos centrais, mas comete muitos erros na defesa porque falta alguém com essa inteligência e conhecimento do jogo. Isso resolvia-se com o Pepe ainda a jogar mais um ano. Desconfio que com o Pepe a jogar, o Benfica não teria dado 4-1 ao FC Porto e não sei se o Sporting ganharia.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  36. 49

    Rui Couceiro: “Já desafiei Ruben Amorim várias vezes para fazer um livro. É um indivíduo benigno para o futebol e nunca vi ninguém assim no contexto português”

    Nortenho e sportinguista. Rui Couceiro nasceu no Porto, mas o seu coração sempre pendeu para o Sporting. “Gostava muito de jogadores raçudos como o Oceano ou o Sá Pinto”, confessa. Revela que a fase recente dos leões foi das mais marcantes que teve como adepto e não esconde a vontade de lançar um livro sobre Ruben Amorim: “Ele não me deixa mentir. Desafiei-o muitas vezes. A última foi agora quando soube que ele ia para o Manchester United. Ele foi como é publicamente. Muito simpático, cordial e educado, mas recusando sempre.” Rui Couceiro afirma que nunca viu ninguém com esta postura no futebol português: “Adoraria fazer a sua biografia porque é um individuo benigno para o futebol e personifica tudo aquilo que este desporto deve ser.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  37. 48

    Mauro Frota: “O primeiro saco de boxe inteligente do mundo nasceu de um sonho. Sonhei que estava a golpear um saco e este transformou-se numa pessoa”

    A Bhout, startup portuguesa, criou o primeiro saco de boxe inteligente do mundo. Da junção entre o mundo dos videojogos e o fitness nasce um conceito que tem acumulado prémios, nomeações, distinções, admiradores, clientes e investidores. “A ideia nasce, literalmente, de um sonho. Sonhei que estava a golpear um saco de boxe e que o saco de boxe se transformou numa pessoa”, revela o CEO da Bhout, Mauro Frota.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  38. 47

    Beto Pimparel: “Precisei de procurar ajuda depois de jogar. Estar sem competir deixou-me perto de uma depressão”

    Foi uma carreira repleta de grandes clubes, em vários campeonatos, títulos importantes (ganhou por quatro vezes a Liga Europa, três no Sevilha, uma no FC Porto) e de presenças com a seleção nacional nas mais importantes provas. No final da temporada 2020/21, ao serviço do Farense, Beto decide pendurar as luvas, mas não está totalmente convencido com a nova vida sem futebol e sem competição. “Passado pouco tempo, tenho um convite para jogar na Finlândia.  Terminada a aventura nórdica, Beto percebeu que tinha de encarar a nova fase da sua vida sem a azáfama diária de ser jogador de futebol. “Procurei ajuda  e encontrei uma pessoa que me deu algumas ferramentas e que me indicou o caminho pelo qual podia seguir.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

  39. 46

    Tio Jel: “Durante os Homens da Luta estava sempre em personagem, já nem tirava o bigode ou o megafone. Depois, paguei a fatura e perdi-me porque já não era eu”

    Para Jel e aqueles que o acompanhavam, nunca houve dúvidas. Os verdadeiros sketches, o humor que lhes interessava, estava na rua e não no conforto do estúdio. Jel, em conjunto com a própria equipa, seria detido por um sketch em que fingia de polícia. Nunca mais viu as fitas desse sketch (foram apreendidas) e ainda teve de ouvir os avisos de um agente: “Vocês são malucos, fazem ali aquilo, nós entrámos e podia ter sido um morticínio [risos].” A brincadeira, no entanto, teve os seus custos: “Acabei condenado por usurpação de funções com seis meses de pena suspensa”. Ouça aqui o novo episódio de Ontem Já Era Tarde.   See omnystudio.com/listener for privacy information.

  40. 45

    Ruben Guerreiro: “Quando era miúdo, tentava falar com os meus amigos sobre a Volta a França, mas eles só queriam futebol. Deixavam-me a falar sozinho”

    Começou por jogar futebol, mas o gosto por ciclismo esteve sempre presente. Herdou a paixão pela bicicleta do pai, que também foi praticante, e trocou a bola pelos pedais ainda na adolescência. Natural de Pegões, no Montijo, Ruben Guerreiro foi queimando etapas até chegar às grandes provas mundiais. Passou por equipas dos Estados Unidos e Bélgica. Atualmente, está na Movistar, em Espanha. É o convidado deste Ontem Já Era Tarde, ouça aqui em podcast. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  41. 44

    Jacqueline Cavalcanti: “Cheguei a Portugal sem saber ler nem escrever e hoje luto com a bandeira nacional. Estarei sempre grata a tudo o que este país me deu”

    Apesar de ter chegado a Portugal com 11 anos, Jacqueline diz que ainda hoje há muita discussão dos seguidores do UFC sobre a sua naturalidade: “Ouço muita coisa. Uns dizem que sou portuguesa, outros brasileira, e até há quem diga que sou africana. As pessoas podem dizer o que quiserem. Mas luto por Portugal e levo sempre a bandeira de Portugal para as competições.” Jacqueline lembra as oportunidades que teve no país depois de sair do Brasil: “Cheguei a Portugal sem saber ler ou escrever. Só para que se tenha uma ideia de como era o ensino no Brasil. A minha vida lá também não era fácil. Vim para cá e tudo mudou.” Jacqueline mudou-se de São Paulo para o Pragal, em Almada, e diz que também não esquece essa cidade da margem sul do Tejo: “Quando luto, vejo a ali a dizer Almada e foi aí que tudo começou. Vou sempre representar Almada.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

  42. 43

    Hugo Leal: “Ainda hoje sou insultado pela forma como saí do Benfica. O futebol tem esse lado estúpido em que tudo é normalizado”

    Chegou à primeira equipa do Benfica com 16 anos e rapidamente se tornou num dos meninos bonitos das bancadas da Luz. Nada que depois não mudasse quando, em 1999, rescindiu contrato e rumou ao Atlético de Madrid. Além de Benfica e Atlético, passou por clubes como Paris Saint-Germain, FC Porto ou Braga e representou a Seleção Nacional em diferentes escalões, mas foi já como dirigente do futebol de formação do Estoril Praia que procurou contornar as partes mais negativas do futebol, algumas pelas quais passou, e procurar um processo construtivo. Essa experiência pode ser lida no livro que acaba de lançar, “Não é só futebol, estúpido”, escrito com o jornalista Filipe Mendonça, e que conta com as participações de nomes como Jorge Jesus ou Rúben Amorim.See omnystudio.com/listener for privacy information.

  43. 42

    Jardel: “O FC Porto e Sporting já não me dão convites para os jogos, e fui Bota de Ouro pelos dois”

    Para Mário Jardel, o golo não tinha segredos. Foi Bota de Ouro duas vezes, galardão destinado ao melhor marcador da Europa de cada ano, a jogar em Portugal: primeiro pelo FC Porto, depois ao serviço do Sporting. Apesar de estar na história destes clubes, diz que a relação atual não é boa: “Quando venho a Portugal e tento ver um jogo do FC Porto ou do Sporting, nunca consigo um convite. Tenho de ir para camarotes de amigos. Isso deixa-me triste. Não é condizente com a minha história nesses clubes.” Volta a mencionar a difícil relação com os dragões e dá o exemplo de Jorge Costa, que foi seu colega no FC Porto e atualmente é diretor geral para o futebol profissional: “Ligo-lhe a dizer que quero ver um jogo e responde-me que já está tudo esgotado”, lamenta. Saiba mais sobre a história da lenda do futebol neste episódio de Ontem Já Era Tarde. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  44. 41

    Jorge Faustino: “Aos 20 anos, o árbitro é um puto que tem cartões no bolso e nem sempre sabe utilizá-los”

    Ainda tentou ser guarda-redes, mas confessa que o jeito não era muito. Foi num jogo em que estava no banco de suplentes que Jorge Faustino acabou por ter a sua primeira experiência na arbitragem. O árbitro assistente lesionou-se e ele teve de entrar para novas funções. A partir daí, de forma natural, começava uma carreira de quase 20 anos em que nunca chegou ao primeiro escalão, mas onde colecionou várias histórias. Jorge Faustino salienta que, nos primeiros anos de carreira, muitos árbitros não têm a  maturidade suficiente para lidar com a autoridade que lhes é dada: “Aos 20 anos, temos cartões no bolso e queremos é mostrá-los. Eu tinha um documento de excel com a média de cartões que mostrava por época e ficava contente por esta ser alta”. Ouça o novo episódio do podcast Ontem Já Era Tarde. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  45. 40

    Rui Vitória: “Treinadores aprendem mais nas derrotas do que nos sucessos; quem disser o contrário está a mentir”

    São vários os títulos importantes que Rui Vitória conquistou ao longo da sua carreira. Dois campeonatos consecutivos pelo Benfica, duas Taças de Portugal, uma pelas águias e outra com o Vitória, uma Taça da Liga, também pelos encarnados, um campeonato e uma supertaça no Al Nassr da Arábia Saudita. Conheceu o futebol das grandes condições e o da falta de condições. Treinou clubes de diferentes escalões e objetivos e uma seleção, sendo a última experiência com o Egipto na Taça das Nações Africanas. Antes, teve um passado de jogador de futebol e de professor. Tudo isto lhe permite estar em vários tabuleiros do jogo e assimilar as diferentes realidades que vai tendo. “É mas difícil comerem-me de cebolada”, refere. Saiba mais sobre o treinador e ex-futebolista com o novo episódio de Ontem Já Era Tarde, podcast de Luís Aguilar. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  46. 39

    Pedro Cardoso, do Solar dos Presuntos: “Fui eu e um grupo de amigos que propusemos a Varandas ser candidato a presidente do Sporting”

    Futebol e cozinha tradicional portuguesa. Dois mundos aparentemente distantes e que o Solar dos Presuntos tem juntado desde o início da sua história. Estávamos em Outubro de 1974, num Portugal saído da Revolução de Abril, quando Graça e Evaristo Cardoso abriram um restaurante que se tornaria uma referência da cidade de Lisboa. Evaristo sempre teve uma relação próxima do mundo do futebol, cimentada no tempo em que trabalhou na FPF como responsável de alimentação dos jogadores da Seleção. Foi nessa condição que viajou para o Mundial do México, em 1986. Oiça a conversa no podcast Ontem Já Era Tarde  See omnystudio.com/listener for privacy information.

  47. 38

    António Simões: “Benfica é o clube mais português de Portugal. É o oito ou o oitenta, a euforia ou a depressão”

    “O português é um povo de oito ou oitenta. E qual o clube mais português nas suas características? É o Benfica, disso não tenho qualquer dúvida. Por isso, terá sempre mais dificuldade em lidar com o insucesso.” Simões dá o exemplo da mudança de estado de graça de Roger Schmidt da época passada para esta: “Um treinador que fez um grande trabalho agora é considerado uma desgraça. Talvez a renovação de Rui Costa tenha sido precipitada, mas estou de fora e não sei se ele tinha um clube que pudesse levá-lo. Mas essa passagem da euforia para a depressão é uma marca muito portuguesa e mais evidente no Benfica do que nos outros clubes.” Simões faz a comparação com o país: “Muitas vezes damos mais valor aos defeitos do que às virtudes e isso é um problema no futebol e não só.” Em relação ao Sporting, Simões diz que, a determinada altura, os leões tiveram um erro histórico: “Quiseram ser maiores do que o Benfica em vez de serem melhores. É impossível ser maior. O Benfica está em todo o lado.” Sobre os dragões, o antigo internacional diz que os dragões são um reflexo de Pinto da Costa: “O sucesso do FC Porto deve-se à grande figura do seu presidente, mas também é graças à cultura desenvolvida por este que o FC Porto cresceu menos do que devia em relação a tudo o que ganhou. Ficou muito preso na sua região.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

  48. 37

    Rui Sinel de Cordes: “Tive pessoas a pedir para eu nunca mais entrar numa sala; imagina um jogador que falha um penálti nunca mais poder jogar futebol”

    Apesar das mensagens de apoio, há sempre o outro lado, mais intolerante, o qual Sinel de Cordes também sentiu na pele depois do episódio menos feliz no espetáculo de homenagem ao falecido humorista Ricardo Vilão: “Estamos num mundo de filtros, plasticidade e de falsa felicidade associada a isso tudo. Isso faz com muitas pessoas se confrontem sempre com a sua vidinha, que não é assim tão má, mas comparada com tudo o que tu vês parece uma trampa e isso gera reações mais agudizadas. Foi dito a muitas pessoas que todas iriam ter os seus 15 minutos de fama, muitas não têm e reagem mal a isso. E depois há essa falta de tolerância”. Como ponto máximo desse lado negativo, Sinel de Cordes dá um exemplo: “Tive pessoas a pedir para eu nunca mais entrar numa sala de espetáculo. É tipo o jogador que falha um penálti e nunca mais pode jogar futebol”. Ouça o novo episódio de Ontem Já Era Tarde com o humorista Rui Sinel de Cordes. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  49. 36

    José Soares: “Rui Costa esteve sempre ao meu lado no primeiro treino que fiz pelo Benfica. Deu-me todo o apoio”

    José Soares era júnior do Benfica quando recebe um telefonema para treinar com os seniores. Faltavam dez minutos para começar o treino: “Fui a correr até ao campo.” Na altura não havia centro de estágio do Seixal e era tudo na Luz. Mesmo assim, José Soares chegou com o treino a começar. Rui Costa, também jovem, mas já um jogador de equipa principal, estava à espera de José Soares: “Perguntou-me se eu estava nervoso e deu-me conselhos. Fez a corrida à volta do campo comigo e só me dizia para jogar simples.” José Soares recorda que foi bem recebido por todo o plantel: “O próprio Mozer, que era uma referência para todos os centrais, chegou a dizer-me para eu estar à vontade e se tivesse de lhe dar porrada para não ter problemas. Claro que não era inconsciente para dar uma entrada dura no Mozer”. Ouça o novo episódio de Ontem Já Era Tarde. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  50. 35

    Nuno Pereira: “O meu irmão não aceitou que eu tivesse ido para a guerra na Ucrânia”

    A parte mais difícil foi avisar a família. Quando Nuno Pereira recebeu o convite da SIC para a guerra da Ucrânia, estava num almoço com o pai, o irmão e outros familiares: “Não os avisei logo porque não era o momento. Ia estragar o ambiente”. Na altura de dar a notícia, a reação não foi a melhor: “O meu irmão foi jornalista e não aceitou que eu quisesse ir para a guerra. Não compreendeu porque é que uma pessoa que estava em Portugal, no seu trabalho, queria ir para um cenário daqueles. Essa parte não foi fácil”. Nuno Pereira admite que depois de ter estado na linha da frente, e de ter feito a chamada “estrada da morte”, não queria ir embora: “Quando percebi que conseguia ir lá mais vezes, isso torna-se viciante e queres ir lá todos os dias”. O jornalista Pedro Mourinho, que antes foi colega de Nuno Pereira na SIC, deu-lhe um conselho: “Um dia ligou-me para saber como estava, falei muito entusiasmado e ele disse-me que eu tinha de me vir embora ou então morria ali. Ele também tinha lá estado e soube sair. E ali foram as palavras de um amigo e não de alguém da concorrência a querer que eu me viesse embora”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

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