PODCAST · music
Trem de doido
by H B
Um espelho refletindo e espalhando músicas e fatos.
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NOVO RIO - O AMANHÃ de Sá , Rodrix & Guarabyra já é presente!
Com os recentes temporais do Rio de Janeiro muitos lembraram de SOBRADINHO, cuja letra dizia: "O homem chega, já desfaz a natureza Tira gente, põe represa, diz que tudo vai mudar O São Francisco lá pra cima da Bahia Diz que dia menos dia vai subir bem devagar E passo a passo vai cumprindo a profecia do beato que dizia que o Sertão ia alagar O sertão vai virar mar, dá no coração O medo que algum dia o mar também vire sertão" Mas Sá, Rodrix & Guarabyra já haviam composto outra trilha para o caos, a inédita NOVO RIO, profetizando novos modos do carioca adaptar-se à invasão das águas. Esta canção está no CD recém lançado AMANHÃ. Mais sobre o novo CD AMANHÃ : http://paraisoagora.blogspot.com
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ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA
A Orquestra Contemporânea de Olinda está em temporada no Rio de Janeiro. Começou sexta passada com um super show no Clube Democráticos ( lotado!) e vai até o final da semana com shows quase diários. A O.C.O. é formada por 12 músicos de origens e formações variadas, quase todos com trabalhos paralelos solo ou em outras bandas: Gilú (percussão), Tiné (voz), Maciel Salú (rabeca e voz), Hugo Gila (baixo e teclado), Raphael Beltrão (bateria) e Juliano Holanda (viola e guitarra). Maestro Ivan do Espírito Santo (flauta, sax alto e barítono), regente da tradicional Orquestra Henrique Dias, e de alguns integrantes deste verdadeiro patrimônio musical olindense: Lúcio Henrique Vieira (sax alto), Luís Antônio Barbosa (trompete), José Abimael e Adriano Ferreira (trombones) e Alex Santana (tuba). Essa mistura resulta em um disco variado, com composições que vão desde música de raiz com pitadas de ritmos paraenses( Balcão de Venda, de Maciel Salú e Tiné) até composições mais complexas e contemporâneas, como "Durante o Carnaval". Essa, com uma sensualidade contida, composta e interpretada por Tiné, é apaixonante! Sobre ela encontrei a seguinte crítica: "Durante o Carnaval é uma das músicas mais bonitas do disco. O frenesi dos momentos mais felizes da maior festa quer ser vivido de mãos dadas com a musa, a menina que domina o pensamento, o corpo, o coração e a alma, assim como o mais belo frevo. A melodia é suave e transcendemos nos braços da paixão até quarta-feira chegar." Rodrigo "Jovem" Palerosi Estagiário da Programação Musical São Carlos, 19 de maio de 2008 A O.C.O. estará no Rio de Janeiro até dia 9 de outubro, portanto não deixe de conferir esse som alegre, dançante, leve mas complexo ao mesmo tempo, pois eles têm muito a dizer, "TÁ FALADO" ! 23 set 2008 21:00 Nuth - Barra da Tijuca - Oi Novo Som Rio de Janeiro 24 set 2008 20:00 Gafieira Elite/RJ Rio de Janeiro 25 set 2008 18:00 SESC Tijuca _ WorkSHOW. Rio de Janeiro 28 set 2008 20:00 Teatro Popular - Niteroi/RJ - Teatro Popular Oscar Niemeyer Rio de Janeiro 3 out 2008 23:00 Casa Rosa Cultural/RJ Rio de Janeiro 9 out 2008 23:00 Estrela da Lapa Rio de Janeiro 10 out 2008 20:00 Sesc Ribeirão Preto Ribeirão Preto, São Paulo 11 out 2008 20:00 Studio SP - Rua Augusta São Paulo, São Paulo ************ Pra ouvir: "Durante o Carnaval"
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Academia da Berlinda
Há algum tempo atrás, zapeando, me deparei com um programa daqueles dirigidos à “juventude” ( este produzido por uma TV Governamental) e esse grupo me chamou logo a atenção. Acho que nem cheguei a fazer nenhuma busca, esqueci-me deles. Corta para sábado passado, sentados num dos puffs da garagem, transformada em lounge, conversávamos sobre Cavalo Marinho, e a conversa foi seguindo pelos rumos musicais do meu interlocutor, um menino ainda. Mas como eu nunca havia ouvido falar nele, já que conhecia todos os demais citados?! Já em casa procurei conhecer melhor aquele com quem havia conversado: sua música, seus trabalhos tão distintos me impressionaram. Tiné é esse menino de Arcoverde(PE), músico, compositor e cantor que desenvolve trabalho tanto na música de raiz ( c/ disco solo Segura o Cordão, com Caçapa, e o Terno do Terreiro com Maciel Salú) quanto no pop pernambucano através da Academia da Berlinda e no coletivo Orquestra Contemporânea de Olinda ( sem falar no trabalho com Alessandra Leão, com DJ Dolores, e tantos outros)! Sua capacidade é do tamanho de sua humildade!! O grupo lá de cima, do 1ºparágrafo é a Academia da Berlinda, que trabalha com ritmos latinos em profusão, cúmbias, salsas, merengues misturados aos carimbós paraenses e que não deixa ninguém parado quando toca! Seja em Pernambuco ou no Rio de Janeiro!
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Algumas considerações sobre o Prêmio Tim que não podem passar em branco:
1.A consagração do Vitor Ramil com Satolep Sambatown (c/Marcos Suzano) como melhor cantor popular ( voto popular) 2. Os 2 prêmios Tim ao Emílio Santiago depois de anos sem gravadora! (segundo as gravadoras ele não era um perfil muito comercial nos últimos anos) 3. Vanessa da Matta com prêmio de melhor cantora ( nem entro no mérito), e nenhuma indicação à Roberta Sá. 4 Prêmio mais que merecido do Nação Zumbi. 5 Categoria indiscutíveis: Nana Caymmi, Da Lua , 100 anos de Frevo, Baden Powell, Paulinho da Viola, Zimbo Trio e é claaaro...DOMINGUINHOS! 6 Categoria Você Precisa Conhecer: Céu Na Terra, Rodrigo Maranhão e Siba ( Mestre Siba, de tanta admiração que tenho pelo trabalho desse menino!) ************ Para ouvir: Caminho das Aguas ( Rodrigo Maranhão do CD Bordado) Foto: Siba e a Fuloresta
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Arnaldo & Eu, Eu & Arnaldo, Arnaldo e o TIM
Saiu o Prêmio TIM! Podem até contestar, mas a verdade é que é uma das premiações mais importantes do mercado fonográfico. E ganhou o Arnaldo Antunes com o melhor disco de Pop/Rock! Meus ouvidos hoje são de mercador e nem escuto quem o critica, talvez porque não entenda seu trabalho. Mesmo quando ele não canta , mesmo quando faz a anti música, não interessa: interessa a atitude , o conjunto da obra. O Arnaldo punk, o doidaço, o pai, o outsider, o poeta, o meigo e romântico ( se bem que tudo têm limites: Amor I love youuuuuuuu é demais!): de Bichos Escrotos e Pulso à Nossa Bagdá, passando por Lavar as mãos ( Ratimbum),Grupo Corpo e Tribalistas. SEM PRECONCEITOS ! Não vou me adaptar! Amei pular no palco rock, Virada Cultural, República, 1 da tarde, sol à pino, batendo cabeça “acústico” com a trilha de “AO VIVO em ESTÙDIO”! Taí!! Não estava errada: Parabéns!!! Três da tarde no sul da Bahia. De acordo com as normas de segurança da chata, todos deveríamos sair dos carros e aguardar a travessia. Sentei-me nos banquinhos laterais. Um pé apoiado na grade chamou minha atenção: “Como seria aquele homem que usa Birken fechada?”, pensei. E segui a perna acima com o olhar! Quase caí da barca. Ao meu lado, entre nossos filhos, estava ARNALDO ANTUNES em pele, osso( muito),cabelos(poucos) e genialidade! Em êxtase pensei em tudo que queria dizer(minha família cogitou em me largar naquele instante) ensaiei mil coisas, fotos que nunca tirei sob ameaça de escândalo familiar. E antes que pudesse fazer qualquer coisa, já havíamos chegado! Como me arrependi...rs....NUM DIA me faz lembrar muito dessa temporada de verão em Arraial D’Ajuda, férias essas que reaprendi a ser feliz, que reaprendi o significado de férias! Para Ouvir: IMAGINEI - c/ David Moraes, Arnaldo Antunes, Marya Bravo e Dadi Foto: acervo TrEm De DoIdO na Virada Cultural SP
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PREMIO TIM
CATEGORIA VOTO POPULAR Melhor cantor: Vitor Ramil Melhor cantora: Ivete Sangalo CATEGORIA POP/ROCK Melhor grupo: Nação Zumbi – “Fome de tudo” Melhor cantor: Jorge Benjor – “Recuerdos de Asunción 443” Melhor cantora: Vanessa da Mata – “Sim” Melhor disco: “Ao vivo no estúdio” – Arnaldo Antunes CATEGORIA MPB Melhor grupo: Boca Livre – “Boca Livre ao Vivo” Melhor disco: Emílio Santiago - “De um jeito diferente” Melhor cantor: Emílio Santiago - “De um jeito diferente” Melhor cantora: Nana Caymmi – “Quem inventou o amor” CATEGORIA POPULAR Melhor dupla: Sandy & Júnior – “Acústico MTV” Melhor disco: Fafá de Belém – “Ao vivo” Melhor grupo: Orquestra Popular Céu na Terra – “Bonde folia” Melhor cantor: Martinho da Vila – “Do Brasil e do mundo” Melhor cantora: Fafá de Belém – “Ao vivo” CATEGORIA REGIONAL Melhor cantor: Rodrigo Maranhão – “Bordado” Melhor cantora: Ivete Sangalo – “Ao vivo no Maracanã” Melhor disco: “Toda vez que dou um passo o mundo sai do lugar” – Siba Melhor dupla: César Oliveira e Rogério Melo – “O campo” Melhor grupo: Meninas de Sinhá (Ta caindo Fulo) CATEGORIA SAMBA Melhor disco: Paulinho da Viola – “Acústico MTV” Melhor grupo: Fundo de Quintal – “O quintal do samba” Melhor cantor: Paulinho da Viola – “Acústico MTV” Melhor cantora: Alcione – “De tudo que eu gosto” CATEGORIA ESPECIAL Melhor DVD: Maria Bethânia – “Pedrinha de Aruanda” (Andrucha Waddington) e “Bethânia bem de perto” (Julio Bressane e Eduardo Escorel) Melhor disco eletrônico: “Social” - Marcelinho da Lua Melhor disco de língua estrangeira: “Fake standards” – Rodrigo Rodrigues Melhor disco erudito: “Beethoven – Abertura a consagração da casa sinfonia n6” – OESP Melhor disco infantil: “Por quê?” – Rita Rameh e Luiz Waack Melhor projeto especial: “100 anos de frevo” (vários artistas) CATEGORIA REVELAÇÃO Rodrigo Maranhão CATEGORIA FULL TRACK (downloads) Vítor e Leo – “Amigo apaixonado” CATEGORIA INSTRUMENTAL Melhor disco: Yamandú Costa e Dominguinhos - “Yamandú + Dominguinhos” Melhor solista: Baden Powell – “Baden plays Vinicius” Melhor grupo: Zimbo Trio – “Ao vivo” CATEGORIA ARRANJADOR Melhor arranjador: Cristóvão Bastos (“Acústico MTV” – Paulinho da Viola) CATEGORIA CANÇÃO Melhor canção: “Vai dizer ao vento” – Paulinho da Viola CATEGORIA PROJETO VISUAL Melhor artista: Siba e a Fuloresta – “Toda vez que dou um passo o mundo sai do lugar” – Luciana Facchini e os gêmeos
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A Nova Geração do Clube da Esquina na voz & violão de Heitor Branquinho
Para ouvir: Heitor Branquinho e Milton Nascimento "O que vale é o nosso amor" "um Branquinho e um Violão" é o mais novo trabalho do jovem mineiro de Três Pontas Heitor Branquinho (24). O título deste novo projeto é uma referência ao formato do show gravado ao vivo em sua cidade natal, no "Museu do Café", no Hotel Fazenda Pedra Negra, acompanhado apenas por seu violão. Neste trabalho interpreta 16 composições próprias – letras e músicas – que exploram temas como o amor em diversas situações, a amizade e o cotidiano. Conta com a participação especial do amigo e conterrâneo Milton Nascimento na canção "Amigo", tocando sua tradicional sanfoninha de 8 baixos e em "O que Vale É o Nosso Amor" em um belíssimo dueto vocal. O CD trás ainda como faixa bônus, um remix drum`n`bass da música "O que Vale É o Nosso Amor", produzido pelo DJ carioca Marcelinho da Lua. Apresenta uma identidade própria, passeando por ritmos como o samba, choro, afoxé, balada, etc; sonoridade que se encaixa bem na diversidade da música brasileira, além de harmonias e melodias influenciadas também pelo som do "Clube da Esquina". ************* Sem esquecer que Branquinho fez parte do Grupo Ânima MInas, que reunia jovens musicos de Três Pontas, e que gravaram a versão mais emocionante de Paciência ( segundo seu compositor) com Lenine e Milton Nascimento ( no DVD Pietá).
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Mombojó e China no Circo Voador
Pra ouvir: Canção - do CD SIMULACRO, China Mombojó no Rio é coisa tão rara que não dá pra abrir mão e lá fui eu, passando mal, filha à tiracolo ( quem há de acreditar que era EU levando ela?) pra justificar. Tudo pra ver o China ( ah, dele ela gostou, apaixonou-se pela dancinha), rever o Yuri Queiroga e o Mombojó com o fofo Felipe à frente! Saudades daquele tanto de gente que enchia o palco, o que foi atenuado com as canções que as duas bandas tocaram juntas! Nada substitui a leveza da flauta do Rafa que faz a maior falta, espero que o Felipe S. reveja sua postura de não convidar mais ninguém, mas a doçura do Mombojó, as canções melodiosas, não encontram similar. Algumas novas foram testadas, com sucesso!. China tb é “delicioso”, já conhecia o seu trabalho através dos projetos, dos coletivos, mas não havia visto ainda um show! Meu sickness passou com a calma da sua voz, sua energia e a beleza das canções. Agridoce às vezes, mas que me levam a pensar como consigo viver longe da “Cidade sem inverno” (inédita do Mombojó apresentada ontem). Semana que vem tem Lenine, e na outra Alessandra Leão. Enfim o Rio está recebendo, não com a assiduidade que gostaria, o melhor da música pernambucana! Mais do China: http://www.chinaman.com.br/ Dias 24 e 25 de Maio o mesmo show estará em SP, SESC POMPÉIA!!!
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Doidivana música d'OS DOIDIVANAS
Há muito não escuto as novidades do Rock Gaúcho, portanto é com alegria quase adolescente que descubro uma banda de Pelotas, fazendo o mais puro Rock Regional ( Não confunda com Rock Rural que tem referências no bucolismo campestre, algo idílico.) O Rock Regional gaúcho está para o Rock Rural como o Punk Rock para todo o resto antes produzido. Vital, vai direto na veia, desestrutura as cantigas regionais, mistura tudo com energia jovial e cospe na cara dos tradicionalistas arraigados! ( Não por coincidência Chico Science é uma das inspirações do Grupo!) . OS DOIDIVANAS fazem exatamente isso: intitulam-se Rock Bagual, fazem uma deferência ao bugio ( o único ritmo genuinamente gaúcho), e em ALÉM DOS QUINTAIS DO RANCHO ditam um manifesto à favor da revitalização dos ícones. TODOS! Inclusive musicais. No seu novo disco ( e 4º disco), independente, NOSOTROS, regravam antigas canções da Califórnia da Canção, de Cenair Maicá à Bebeto Alves ( o pai da Mel) passando por Almôndegas( o grupo do Kleyton & Kledyr), inclusive o clássico de Mercedes Sosa – letra de Atahualpa Yupanqui- “Los Hermanos”( aquela chatíssima mas que nos fazia chorar, admito: “Yo tengo tantos hermanos !”) Que prazer ver um grupo que sabe de onde veio, pra onde vai, o que faz e em que contexto está inserido! Ah...o nome é um tanto gay, mas deve ser uma brincadeira até com a origem do grupo: Doidivanas significa pessoa estouvada, extravagante. Para ouvir: Recuerdos da 28 – Canção de Luiz Marenco, da 10 ª Califórnia da Canção ( Festival Tradicionalista de Música Gaúcha) com os Doidivanas Os Doidivanas no MySpace: http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=81472906 Pra comprar o CD: http://www.doidivanas.com.br
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Retificando o post anterior: QUEBRA-CABEÇA
Há um tempo atrás, revendo, rapidamente, uma cena de "Vai trabalhar., vagabundo” ( filme do Hugo Carvana) “vi” o Zé Rodrix no personagem do Lutero Luiz. Um “furo” absurdo do qual me retrato publicamente!!! (Tá , o Lutero Luiz era mais magro na época.!) Hoje fiz o mesmo, talvez sugestionada pelos comentários dos leitores. Mas como sei voltar atrás saí vai a msg que confirma o que já desconfiava: Do Tibério Gaspar: Oi H, a música QUEBRA-CABEÇA é de autoria da dupla Paulinho Soares e Marcello Silva. Ela foi interpretada no III º Festival Internacional da Canção por um conjunto que nós tinhamos (Antônio Adolfo e eu) chamado BRAZUCA. O Zé Rodrix era o solista de um outro conjunto chamado SOM IMAGINÁRIO e cantou uma música do Beto Guedes chamada FEIRA MODERNA (Acho que em parceria com o Márcio irmão do Lô Borges). Ou seja: A CANÇÃO QUEBRA-CABEÇA NÃO É DO ZÉ RODRIX NEM DO ANTONIO ADOLFO, E SIM DO PAULINHO SOARES E MARCELLO SILVA! Talvez o/a leitor/a tenha confundido já que no mesmo FIC o Som Imaginário, composto por Tavito e Zé Rodrix ( além de Robertinho Silva, Wagner Tiso, Fredera), defenderia a canção FEIRA MODERNA ( hoje um clássico do Beto, Lô e Brandt) Pra me desculpar com todos: Paulinho, Marcello, Zé, Antonio Adolfo e demais leitores do blog, aí vai a versão original de Feira Moderna com o Som Imaginário. ***** FOTO: Contracapa do LP do V FIC: E pensar que os festivais lotavam o Maracanãzinho como se lota o Maracanã em dia de Flamengo X Vasco... ( talvez até mais!)
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QUEBRA-CABEÇA ( V FIC - 1970 )
O Rio de Janeiro acordou com um sol gostoso, morninho na medida certa de um sol ( pré ) outonal. Deve ter pressentido a presença do Trio na Cidade: para a gravação, hoje, do Programa Zoombido, com o Paulinho Moska ( atualmente preferindo ser chamado de MOSKA), para o Canal Brasil ( GLOBOSAT). Zoombido irá ao ar ( sem trocadilhos) na quinta feira com várias reprises nos dias subseqüentes. Inspirada nesse lindo sol, após 3 dias de chuva intermitente, leio alguns pedidos e resolvo ir à caça da “canção perdida”. No caso “Quebra Cabeça”, de Antonio Adolfo e Zé Rodrix ( fato que até eu desconhecia, já que nos créditos ela aparece com a autoria de Paulinho Soares e Marcello Silva. Mas naqueles tempos de codinomes e rígidas regras a serem burladas, tudo era possível!) Para quem me pediu, aí vai: letra e música. Pessoalmente também foi um resgate, pois lembrava-me do estribilho forte que todos cantaram por algum tempo: Faça o jogo da memória Contando toda sua história todos querem ouvir . Você tem muito pra dizer, E importante crer , No que você sonhou um dia Não importa quando. E não importa mesmo Quando você descobrir Que o mundo é somente um Quebra cabeça . Quebra cabeça ! Quebra cabeça ! Siga, continue rindo Seu mundo lindo construindo Nao se desespere. Existe um mundo coerente Com você presente No riso puro da criança, no beijo do amante . E na procura incessante Da verdade sua E que ninguém lhe roubará . Não esmoreça, Não esmoreça não ! Quebra a cabeça ! Quebra cabeça !
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Lenine & Silvério Pessoa
Voltando de SP, quase 4 horas de atraso, com o aeroporto congestionado por conta do tempo chuvoso, encontro o Lenine na esteira. Que prazer! Lenine está firmando sua carreira na Europa , através da França. Seus fãs construíram um ótimo site, todo em francês ( a versão nacional virá depois), para facilitar contatos e contratos. www.arkoiris.fr/lenine Silvério Pessoa está conquistando as platéias no exterior também. Esse ano seu tour passa pela Malásia! Japão no ano passado foi um sucesso, acreditem! Não dá pra ficar indiferente à presença do Silvério no palco, mesmo não entendendo a letra. A doçura e a meiguice se transformam em explosão pura ! As datas são: 13/06 - MC 93 - Bagnolet (França) 20/07 - La Villette - Paris 26 e 27/07 -Paleo - Nyon (Suíça) 01/08 - Festival d'Oloron (França) 08/08 – Genting World Music Festival (Malásia) Foto: Silvério e Paulo Miklos ( Titãs) no Marco Zero, Recife. Carnaval 2008 Para ouvir: Miedo ( na versão MTV com Julieta Venegas)
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Lô Borges no Rio de Janeiro
Lô Borges no Rio, ainda mais depois do show do Sesc Ginástico, no dia do temporal que desabou o túnel Rebouças. Naquela data Lô alegou ser complicado tocar no Rio pela falta de palcos médios. Por isso alegra tanto a presença de Lô em dois eventos no intervalo de 1 semana. Ontem, show gratuito, a presença maciça da terceira idade, turma acostumada a ir a e eventos gratuitos ou a baixo custo. Lado a lado uma garotada que parecia estar em um show de rock, pulava, dançava nas cadeiras e gritava! No meio, a geração do Lô( e minha ) disfarçava a emoção ao ouvir clássicos, cantava junto ( com medo de errar) e lavava a alma!O Teatro do BNDES ( mais de 400 lugares) ficou muito pequeno! Lô estava com uma bela voz e tão à vontade contou histórias e nem se abalou quando uma senhora à minha frente gritou “Lô Borges, ô Lô Borges: cadê o teclado e a bateria? Tá aqui, ó” e agitava o programa. Semana que vem tem mais: Cambada Mineira e Lô no teatro Rival, às 19:30 ( dia 26 de Fevereiro)! *************** Para ouvir:Os Borges - Para Lennon e MacCartney ( ao Vivo)
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Toninho Horta em São Paulo
Algumas músicas são mantras energéticos, te enlevam, atraem vibrações positivas. A música de Toninho Horta é assim. Isso todos sabem. Mas ele, o autor, o músico e a pessoa refletem a mesma energia de amor e carinho que permeia as canções! Já me perguntei uma vez se teria sido a criação ou as influências místicas, talvez as idas ao Oriente. O que se vê é um banho de luz e paz. À todos ele dedica um verdadeiro afeto, como ao músico prestigiado por ele ( novos, antigos, amadores ou não, à todos o mesmo respeito),a senhora que lhe abençoou ou ainda a menininha com paralisia cerebral - trazida ao show por seus pais – que se acalma com o violão do Toninho! Como Deus protege os ignorantes e os ingênuos Toninho cantou a canção pedida por mim (arranjo e letras originais), apesar de eu ter errado no título! Outra lição de Mestre! O entrosamento era visível...Mas não seria o esperado por tantos anos de parceria Lena Horta, Yuri Popoff e Toninho? Sente-se a energia deles também: Iury toca com o corpo e Toninho e Lena fluem como se fossem 1 só!! Lições que ficarão nos corações de Thiago Pinheiro (com quem dividiu, generosamente, palco e créditos), nos corações dos fãs novos e antigos, nos anônimos com quem cruzavam olhares (ele olha nos olhos!), no êxtase de quem veio de longe ou de perto, acidentalmente ou não, para um show curto, porém intenso!!!
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PARABÉNS, GUARABYRA!!!!!!!
Parabéns pelos 60 anos completados hoje!!! E parabéns pra todos nós que convivemos com seu imenso talento e simpatia há 43 anos!!! Gut, Gutbyra, Guarabyra, Guarabira, Guttemberg, que sua vida seja longa e proveitosa!!
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Dá um Time, xará!!
Uma canção do Zé Rodrix gravada pelos "The Fevers" : hit das paradas de sucesso populares da época. Nós, adolescentes, a cantávamos com ironia, já que ela também ironizava o comportamento adolescente. Parceria ( será que foi a única? Acho que não...) com o Bambi (Sebastião Ferreira da Silva) outro “hit maker” com sucessos na voz de Altemar Dutra, Moacyr Franco, Ângela Maria, e muitas versões, e descobridor de Sidney Magal e Lady Zu. Assinava as canções com apelidos diversos, masculino e feminino e até esse dúbio-fantasioso-disneyano !
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O Elo Perdido : Luiz Carlos Sá e Os Lobos
Grupo de rock formado por Dalto (voz), Ronaldo (guitarra), Cássio Tucunduva(guitarra), Fábio (teclados), Francisco (baixo) e Cláudio (bateria) ( ou na primeira formação:Cássio Tucunduva, Antonio Quintella,Fred Luiz e Roberto Gomes) na cidade de Niterói (RJ) no início da década de 1970. Em 71 lançaram o primeiro LP - "Miragem", e participaram do Festival Internacional da Canção de 1972, classificando-se entre os dez finalistas com "Eu Sou Eu, Nicuri é o Diabo", de Raul Seixas. Faziam um rock psicodélico nos moldes dos Mutantes, chegando a lançar alguns discos pelo selo Top Tape. O cantor e compositor Dalto ("Estranho") teve curta - mas importante- participação no grupo, bem como Luiz Carlos Sá( em MIRAGEM com O Homem de Neanderthal e Santa Tereza), um pouco antes de se encontrar com Zé Rodrix e Guarabyra. Aí a história toma outro rumo... Os Lobos LP Miragem - 1971 Top Tape 1. Seu Lobo ( Cássia _ cristina) 2. O Homem de Neanderthal (Luiz Carlos Sá) 3.Avenida Central (Paulinho Machado) 4.Meu amor por Cristina (João Luiz Negri - Tomás Lima Netto) 5. You ( Francisco Aguiar) 6.Miragem ( antonio Claudio - Cássio Fred) c/ lizt ayala 7. Santa tereza (Luiz Carlos Sá) 8. Dorotéia (Paulinho Machado - João Luiz Negri) 9. Carro Branco (Paulinho Machado) 10.Pasta dental sabor chiclete (dalto - Claudio) http://www.4shared.com/file/27566248/45ad1911/os_lobos-miragem-1971.html ********** Para ouvir: Santa Tereza
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Surf's Up
Enquanto chove lá fora, aí vai um "extreme off topic": Será que a produção de Surf's Up ( Vai dar onda) andou lendo meu post do ano passado , sobre pinguins surfistas????rs O fato é que o argumento é o mesmo: na verdade os pinguins "inventaram" o surf!! Wow! Pra aficcionados por pinguins, pais e mães aí vai o site oficial: Com a trilha disponível para "degustação"! Como lástimo que os grandes clássicos do Surf Music não tenham entrado, aí vai o big clássico Pipeline, com os Ventures! E se vc não gostar de surf, nunca surfou ( nem de prancha de isopor!), odeia praia, sol , sal e areia...huuuum, sei não...vc está perdendo algo!!! Corra pra praia mais próxima esse verão!
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TRIBUTO A GEORGE HARRISON - Jay Guru Deva Om
Para os meus amigos que ainda, como eu, não saíram da década de 70, que ainda não haviam nascido, mas acreditam nos ideais, um evento mais do que especial! Quando recebi o convite pensei “essa é a minha turma”, e a do Tchelo, da Carol, do Renato Menezes, do Sérgio Schueller e do Sérgio Carvalho criador dO NECTAR (NÚCLEO ECOLÓGICO DE CULTURA E TRABALHO ALTERNATIVO RURAL) http://br.geocities.com/nectarsom/ Um espaço alternativo para todos os tipos de artes! Nectar apresenta: Festa Indiana & Tributo a George Harrison ! É com grande satisfação que estaremos realizando no dia 26 de Outubro - Sexta-feira - este maravilhoso e, imperdível, evento multi-cultural , gastronômico, místico, musical e de confraternização em torno da cultura oriental e do ex-beatle George Harrison. PROGRAMA: Inicio 19h: Exposição de um vasto acervo da obra de George Harrison: Livros, Lps, fotos, pôsteres, reportagens, cds, dvds etc... 19h30: Cerimônia de abertura “Agnihotra”, ritual hindu do fogo para a purificação do karma individual e planetário! 20h: Desfile de trajes indianos. 20:15h: Apresentação de Dança Indiana. 20:30: Mantras & Bhajans com instrumentos orientais. 21h: Exibição no telão de imagens raras no documentário “Hare Krishna Temple” com George Harrison sua musica e ligação com a espiritualidade oriental. 23:00h: Show Tributo/Homenagem a George Harrison acontece com o grupo "Dark Horse Band" - Cleber Beckman: voz, violão e teclado; Ruben Fernandes: voz, violão, guitarra slide; Henrique Bonna: voz e guitarra; Sergio de Carvalho: baixo, sitar e tabla; Marcelo Rodrigues: bateria. A banda irá tocar canções de George Harrison em carreira solo e também de sua ex-banda The Bealtes. Em 29 de Novembro de 2001, deixava este mundo um dois maiores músicos e guitarristas da história: GEORGE HARRISON. Antecipamos esta merecida homenagem a ele, onde os fãs nestes seis anos de saudades, poderão relembrar um pouco da grandiosa vida e obra de um ser humano diferenciado, sensível, quieto, introspectivo, místico, ecologista, talento musical extraordinário e que também, modestamente, gostava de ser conhecido e até mesmo se auto-intitulava como um simples e dedicado “jardineiro”. George nunca se deixou dominar pela fogueira das vaidades reinante no meio artístico, ao contrario, utilizou sua fama, prestigio e recursos financeiros para realizar diversas obras a serviço da humanidade como no antológico e pioneiro evento beneficente “Concerto para Bangladesh”. Venha celebrar conosco no maior astral esta festa tão especial! Namastê! (Sergio Carvalho) Local: NECTAR Estrada dos Bandeirantes 22.774 * Vargem Grande * RJ DATA: 26 de Outubro (Sexta-feira) 2007 ATENÇÃO: Inicio do Evento: 19h ENTRADA FRANCA até às 22h. Das 22h até às 23h, o ingresso custa: R$10 a partir da 23h é R$15. Informações: 2428 13 87 e 9168 71 09 (Sergio) 3787 72 34 e 9832 33 36 (Narayana) *********** Para Ouvir Toninho Horta - ACROSS THE UNIVERSE ( Durango Kid) 1993 Composta em 68, a música só saiu no disco de 1969 "NO ONE IS GONNA CHANGE OUR WORLD" para o WWF e logo após, em 70, no LET IT BE ( já um pouco modificada, sem os sons originais de pássaros ao fundo). John Lennon "recebeu" a frase "Words are flowing out like endless rain into a paper cup" como inspiração e através dela se desenvolveu a canção. A brasileira Lizzie Bravo( que merece um post só seu), entre outras coisas, ex esposa do Zé Rodrix e mãe da sua filha mais velha : a cantora e atriz Marya Bravo ( merece não só 1 mas vários posts especiais e muitas canções para se ouvir!), participou no backing vocal dessa canção, em 68, nos estúdios de Abbey Road! Ela tb participa, numa aparição relâmpago, do curta "Nasce Uma estrela", do José Adler ( c/ Milton Nascimento & Som Imaginário), já citado aqui. Mas falaremos mais da Lizzie mais adiante! Across The Universe Gram Composição: the beatles Words are flowing out like endless rain into a paper cup, They slither wildly as they slip away across the universe. Pools of sorrow, waves of joy are drifting through my openedmind, Possessing and caressing me. Jai guru deva. Om. (guru)(deva) Nothing's gonna change my world, Nothing's gonna change my world. Nothing's gonna change my world, Nothing's gonna change my world. Images of broken light which dance before me like a millioneyes, They call me on and on across the universe. Thoughts meander like a restless wind inside a letter box, They tumble blindly as they make their way across the universe Jai guru deva. Om. (guru)(deva) Nothing's gonna change my world, Nothing's gonna change my world. Nothing's gonna change my world, Nothing's gonna change my world. Sounds of laughter, shades of love are ringing through my openedears Inciting and inviting me. Limitless undying love, which shines around me like a millionsuns, And calls me on and on across the universe Jai guru deva. Om. (guru)(deva) Nothing's gonna change my world, Nothing's gonna change my world. Nothing's gonna change my world, Nothing's gonna change my world. Jai guru deva. Jai guru deva. Jai guru deva. Jai guru deva. Jai guru deva. Jai guru deva. -------------------------------------------------------------- Across The Universe (Tradução) Gram Composição: the beatles Palavras flutuam como uma chuva sem fim dentro de um copo de papel Elas se mexem selvagemente enquanto deslizam pelo universo Um monte de mágoas, um punhado de alegrias estão passando por minha mente Me possuindo e acariciando Jai guru deva. Om. Nada vai mudar meu mundo Nada vai mudar meu mundo Nada vai mudar meu mundo Nada vai mudar meu mundo Imagens de luzes quebradas que dançam na minha frente como milhões de olhos Eles me chamam para ir pelo universo Pensamentos se movem como um vento incansavel dentro de uma caixa de correio Elas tropeçam cegamente enquanto fazem seu caminho pelo universo Jai guru deva. Om. Nada vai mudar meu mundo Nada vai mudar meu mundo Nada vai mudar meu mundo Nada vai mudar meu mundo Sons de risos, sombras de amor estão tocando meus ouvidos abertos Me excitando e convidando Um amor incondicional sem limites que brilha em minha volta como milhões de sóis E me chamam para ir pelo universo Jai guru deva. Om. Nada vai mudar meu mundo Nada vai mudar meu mundo Nada vai mudar meu mundo Nada vai mudar meu mundo Jai guru deva Jai guru deva Jai guru deva Jai guru deva Jai guru deva Jai guru deva ( Letras colaboração da Maria Valéria Bethonico)
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CHE GUEVARA - A Manifestação
Abrimos um post excepcional para manifestar nosso indignação e ajudar a divulgar a(s) manifestação( ões) contra a tentativa de manipular a História! Repassando a msg: Abaixo à Manipulação VAMOS NOS MANIFESTAR CONTRA ESSA REVISTA MARROM!!!! VAMOS ENCHER SUA CAIXA POSTAL DE E-MAILS!! Já conhecida por seu conservadorismo golpista, a revista Veja se empenha em manipular fatos, propagar mentiras e enganar o povo brasileiro. Sua edição dessa semana passou dos limites e elegeu como inimigo Che Guevara, ícone da juventude e de todos aqueles que sonham com a transformação social e a libertação da América Latina do julgo imperialista. Na matéria sobre o líder guerrilheiro a revista veja tenta desqualificar o guerrilheiro o chamando de ""el chancho", o porco", e fala sobre uma "maníaca necessidade de matar pessoas". Já é sabido que essa revista da Editora Abril não se importa em baixar o nível do jornalismo para defender suas opiniões ideológicas, porém nessa matéria ela ultrapassa qualquer limite para desqualificar a imagem daquele que lutou contra as injustiças e contra a supremacia do capital. (ver matéria completa no site da Veja http://veja.abril.com.br/031007/p_082.shtml ) Porém nós, jovens socialistas, não vamos deixar barato, não aceitamos a manipulação dos grandes meios de comunicação e não vamos aceitar que essa gente diga como a gente deve pensar. Che foi um herói que morreu lutando pela libertação do povo e da América latina!!!!!!! A Juventude vai queimar Vejas e mostrar sua indignação Todos à sede da Editora Abril nessa Terça-Feira!!!!!!!!!!! Ato Contra a Revista Veja Terça-Feira dia 02 de Outubro 11h Concentração na sede da UJS – Rua 13 de maio, 1016 – Bela Vista A QUEIMA SERÁ AS 13H EM FRENTE A SEDE DA REVISTA ABRIL. ***************** Na foto Che ( com 21 anos) e sua filha Hilda Beatriz Para escutar: "Hasta Siempre, Comandante Che!!" c/ o grupo de punk rock espanhol Boikot
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MALACHAI, Taiguara & Rock Psicodélico
Na vespéra do dia do Perdão ganhei um presente: uma regravação do Erasmo, de música do Taiguara, de 71: "Dois Animais na Selva Suja da Rua" (aqui como "Dois Animais na Selva da Rua"), na versão da Banda de Belém do Pará, MALACHAI, de Rock Psicodélico. O nome hebraico e profético (signifca "aquele que traz a mensagem"), as influências surreais, psicodélicas e bucólicas podem até enganar a primeira vista como uma pseudo-nostalgia. Mas a proposta artística desta banda está longe de viver no passado. A atemporariedade das letras e as situações vividas pelos protagonistas das canções contemplam um mundo livre, mágico e misterioso, que sutilmente transcede tempo e espaço. Dizem os antigos: O contato com o Malachai é uma experiência inesquecível. Release oficial da Banda. Mais sobre Malachai: http://www.belrock.com.br/perfil/178/1/1
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Show SR&G em Santo André ( dia 18/08)
O show de Santo André repetiu o sucesso dos shows anteriores, casa cheia, todo mundo cantando animado, os meninos inspirados, set list nova , até um “estreante” nos shows do papai ( o caçula do Sá, com 11 meses) enfim...um sucesso para todos!!! Agora vamos para Barueri, que deve reunir ainda mais gente, na final do Festival da Canção de Barueri! Foto de Marlene Alves Mais fotos em http://www.flickr.com/photos/marlenefotos Pra ouvir: "O Bando na Dança"
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A MÚSICA DE SÃO PAULO (UMA MEMÓRIA PESSOAL) 1 - Zé Rodrix
Só posso falar do que vi e ouvi: o contrário disso seria impor a quem me lê uma idéia falsa do que pretendo dizer. Meninos, eu vi, mas apenas o que vi, e não falo do que não vi nem relato o que não experimentei. Se existe alguma verdade sobre a música de São Paulo, esta verdade só pode ser a sua escandalosa diversidade, tão imensa que seria impossível tentar abarcá-la, e por isso devo narrar exclusivamente os acontecimentos e as experiências musicais que assisti com meus próprios olhos, das quais participei como artista ou platéia, dando noticias de seus resultados. Aquilo que essas experiências causaram em meu caminho por esta Paulicéia desvairada, desvirada e devorada, foi-se insinuando vagarosamente em meu coração a ela avesso, tomando-o permanentemente quando eu menos esperava e tornando-se parte de mim mais do que qualquer outro lugar desse mundo. São Paulo era menos que um retrato na parede, no início da década de 60. Em minha casa carioca no bairro de Botafogo era mencionada apenas como “a cidade para onde seu pai queria ir quando saiu da Bahia”, marcando a partir dessa súbita mudança de planos, a minha naturalidade tão distante da Bahia original quanto da metrópole pujante que nunca fora alcançada. Tinha notícias vagas da existência de parentes nessa cidade, primos paulistas, como eu também fruto de uma viagem da Bahia para o sul, só que sem a desistência causada pelo encantamento da Cidade Maravilhosa que acometera meu pai à primeira visão da Praia de Copacabana. Meu tio Cantídio, quando vinha do sertão baiano para renovar o estoque de seu bazar em Brumado, sempre visitava nossa família, tão pequena aos moldes do clã dos Trindade, em que ninguém alguma vez teve menos que 11 filhos. Em casa éramos apenas três, e quando meu tio chegava com noticias dos inúmeros primos do sertão, essas noticias só tinham contraponto nas narrativas sobre os primos de São Paulo, também muitos, e da mesma forma fora de meu alcance, pela distância. Em 1961 vim a São Paulo pela primeira vez, para um Campeonato Nacional de Judô, esporte que tanto eu quanto meu pai praticávamos: minha mãe nos fez companhia nessa vigem de ônibus, por uma Dutra bem diferente da de hoje, atravessando cidades estranhas e subitamente chegando a um lugar gigantescamente avassalador. A impressão que me deu, à época, só a explico hoje: se soubesse disso, teria certamente dito estar em uma cidade só centro, sem periferia nem bairros. A temperatura, a luz invernal, as pessoas vestidas de maneira tão diversa da que eu conhecia, me puseram imediatamente em um país estrangeiro, que eu sequer tentei compreender, mas do qual me admirei muito. Meus primos moravam numa transversal da rua da Cantareira, Pedro Álvares Cabral, perto do Mercado Central, e quando lá cheguei descobri um fato alucinante: O mais velho deles, Jurandir, mais um dos inúmeros tipos meio-malucos em que a família Trindade é próspera, revelou inesperadamente ser o baterista de um conjunto de rock’n’roll chamado Jet Blacks. Foi, à moda de Manoel Bandeira, o meu primeiro alumbramento: eu era fã do grupo, um conjunto instrumental de guitarras tipo Ventures, do qual eu possuía um LP denominado TWIST COM OS JET BLACK’S, que ouvia sem parar na vitrola de casa. Jurandir se tornou, imediatamente, meu ídolo, contando histórias de artistas, shows e gravações, relatando tal intimidade com gente famosa que eu nem piscava. O mais terrível é que tudo era verdade: no meio da conversa bateram à porta e era Tony Campelo, o irmão da Cely, querendo falar com ele sobre a gravação de um disco nos dias seguintes. As roupas, os cabelos, as botas dos paulistas, eram inacreditavelmente mais fascinantes que o sotaque carregado, só antes ouvido na voz de Isaurinha Garcia, e o Campeonato de Judô se desvanesceu de minha mente como que por encanto. Não me recordo de nenhum detalhe das lutas, nem mesmo de como eu e meu pai conseguimos as medalhas que trouxemos para casa: a música que se fazia em São Paulo, a vida que vibrava em torno dessa música, passou a ser tudo que me interessava. No dia seguinte, uma sexta-feira, saímos pela tarde para “dar uma banda”, como meus primos diziam, me ensinando uma expressão nova que eu raras vezes tive coragem de usar, por considerá-la possível apenas em São Paulo. Entrei pela primeira vez na vida em um estúdio de gravação, o da antiga RGE, se não me engano, na Rua Dna. Veridiana, onde Cely Campello gravava mais um disco, lá encontrando os Titulares do Ritmo, seis cegos musicalíssimos que faziam os vocais de apoio, o saxofonista Bolão, e pude ver meu primo Jurandir abafando a caixa da bateria com a gravata que usava, para que o som ficasse mais surdo, como o Tony queria. Na saída de lá, ainda tonto, comi o primeiro hambúrguer de minha vida, numa lanchonete americanizada da Av. Angélica chamada Gonçalito. No sábado experimentei as delícias da culinária paulistana: mais um hambúrguer no Burdog, uma lanchonete do lado do cemitério do Araçá, que meu primo Biguá fez questão de afirmar ser a fonte da carne do hambúrguer que eu estava comendo. Pelo sim, pelo não, não pedi o segundo. No domingo, nosso último dia, enfrentamos uma inesquecível comida italiana em um restaurante chamado Jardim di Napoli, do qual sou freguês até hoje, acompanhando-o desde essa sede original no Viaduto Maria Paula até o lugar que hoje ocupa, em Higienópolis. Jurandir não nos acompanhou: tinha que estar na televisão, no programa do Roberto Carlos, e eu só fiquei pensando amargamente porque não tínhamos ido com ele. Nessa época nem tudo era possível, como hoje. Zé Rodrix *********** Publicado no site CAFÉ BRASIL, do Luciano Pires, onde o Zé Rodrix é um dos colaboradores. http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=5828
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A Longa Noite
Algumas músicas são tão insuportavelmente lindas !!! A LONGA NOITE é uma dessas canções! Ouvi, pela primeira vez ao vivo, no último show , em Porto Alegre, e senti um momento mágico: aqueles momentos em que vc pode até morrer, que nada importa! A Longa Noite Sá/guarabyra Você pra mim existe antes dos dias E antes da longa noite existia E, assim, pra te buscar Foi preciso voar Antes mesmo dos ares, das montanhas, do mar E segui sempre a luz Que o tempo guarda em cada olhar E que ninguém pode apagar E quando, enfim, o mundo fez seu mundo Do nosso amor nasceu o vagabundo Pois viver é buscar É não deixar passar Cada uma aventura Ou vontades de amar E, assim, faça-se a luz Que o tempo guarda em cada olhar Ninguém mais pode te apagar Pois viver é buscar É não deixar passar Cada uma aventura Ou vontades de amar E, assim, faça-se a luz Que o tempo guarda em cada olhar Ninguém mais pode te apagar Ninguém mais pode te apagar
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Discografia do Toninho Horta ( Novos Links)
Quase 1 ano após reunir em uma listagem todos os links da discografia do Toninho me vi frente a frente discutindo isso com... o próprio Toninho! Encorajei-me a renovar os links e postá-los novamente, para deleite dos que tem escrito para esse podcast . Dessa vez eles irão meio desorganizados: alguns foram deixados para trás, por dificuldades maiores ou menores, seja capacidade de upload ou logística. Mas a cabo de algum tempo, e com paciência, até o LIVE IN MOSCOW estará aqui! ( para abrir os links, copie e cole ) Disco Beto Guedes, Novelli, Toninho e Danilo Caymi (“do banheiro”) http://www.mediafire.com/?bm2gwdimmxt 1979 Terra Dos Pássaros (True Space) ttp://www.4shared.com/file/18484039/d8cdb96b/Terra_dos_P_ssaros.html 1980 Toninho Horta(EMI) http://www.mediafire.com/?3yxj9cgex6i 1989 Moonstone( Polydor ) http://www.4shared.com/file/18484845/9029323f/Toninho_Horta-Moonstone.html 1989 Diamond Land (Verve/Forecast ) http://rapidshare.com/files/6906757/88TONINHOHDIAMONDL.rar.html http://rapidshare.com/files/11020800/Toninho_Horta.rar.html 1995 Durango Kid, Vol. 2( Big World ) http://www.mediafire.com/?4s94jus020e 1995 Foot on the Road (Polygram) http://rapidshare.com/files/15212673/_1994__Foot_On_The_Road.rar.html 1996 Sem Você: Toninho Horta & Joyce (Collegium/1996)( Biscoito Fino / 2006) http://www.badongo.com/pt/file/954593 1997 Toninho Horta & Flávio Venturini (Dubas) http://www.4shared.com/file/18482738/8feec0a4/1997_- _Flavio_Venturini_e_Toninho_Horta_-_No_Circo_Voador_-.html 1999 - Nicola Stilo & Toninho Horta (via veneto) http://rapidshare.com/files/12133561/Nicola_Stilo.zip.html 2004 - Com o pé no forró http://rapidshare.com/files/1241062/2004_Toninho_Horta_Com_O_P__No_Forr_.rar ***** Pra Ouvir: São Sebastião das Águas Claras, de Edu Negão ( Participação Toninho Horta)
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Olhos Abertos ( Zé Rodrix / Guttemberg Guarabyra)
Essa é especial para uma pessoa que conheci virtualmente (duvidei), conheci um pouquinho mais lendo ( duvidei ainda mais), e agora mais um pouquinho ouvindo . (Tá, “tendii tamem”!) Elis Regina - Olhos Abertos ( Zé Rodrix / Guarabyra) do disco ELIS, de 1972. Essa é especial para uma pessoa que conheci virtualmente (duvidei), conheci um pouquinho mais lendo ( duvidei ainda mais), e agora mais um pouquinho ouvindo . (Tá, “tendii tamem”!) Elis Regina - Olhos Abertos ( Zé Rodrix / Guarabyra) do disco ELIS, de 1972. Atravessando uma ponte de noite, no meio da chuva Cercada pelo silêncio daquela cidade do interior Depois da ponte uma estrada de terra, molhada pela chuva Cercada pelo silêncio e sem nenhum pedaço de amor Vendo os olhares desertos de tantas pessoas antigas Tantas pessoas amigas querendo um cigarro e um carinho Gente que puxa uma briga na estrada, com os olhos brilhando Precisa só de um abraço, bem forte e bem dado E eu quero encontrar as pessoas De mãos e olhos abertos Sem me preocupar com dinheiro e posição Eu preciso encontrar as pessoas Ficar de mãos dadas com elas Conversar com a boca e os olhos do coração
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IMPOSSÍVEL PARAR DE DANÇAR
Show de SÁ , RODRIX & GUARABYRA dia 7 de junho, feriadão, no SESC INTERLAGOS! Programação completa: SANTO GRÃO NA FESTA DE SÃO JOÃO O Café é o tema central da Festa Junina deste ano. A programação abrangerá a influência desse grão na gastronomia, cultura e desenvolvimento brasileiro, através de ambientação cenográfica, shows, espetáculos de dança e quitutes a base de café. De 07 a 24 de Junho, das 16h às 22h. Terceira idade , dia 15/06, das 9h às 16h. Amauri Falabella Trio Mais Maria do Que Zé Forró. Os catira ás de ouro Grupo folclórico- Mauá Sá, Rodrix, Guarabyra & Banda Praça Pau-brasil. 1 Dia(s) 07/06 Quinta SESC Interlagos
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NA ESTRADA - Luiz Carlos Sá
O PRIMEIRO SUCESSO A GENTE JAMAIS ESQUECE ! ( mesmo que tenha sido no cabaré da Tia Neném) A noite estava inacreditavelmente quente e estrelada. Nós fumávamos em silêncio na varanda da casa de fazenda no Arrozal, quatro rapazes em férias. Eu, Máriozinho e Gilson éramos ainda adolescentes. Zé Ivan, o mais velho, era recém formado em medicina. No Rio, estávamos os três primeiros aprendendo a tocar, com planos de formar um grupo. Mário aprendia baixo, Gilson, bateria e eu, violão. Zé Ivan arranhava na percussão e era o feliz proprietário de um inefável fusquinha cabriolé, daqueles de teto solar, nosso transporte pra aprontar em algumas das cidades próximas. O Arrozal daquela época não passava de um pequeno distrito de meia dúzia de casas: morria antes das nove. Mas em menos de meia hora poderíamos chegar a Volta Redonda ou Barra Mansa, e - naquela noite de verão em particular - nossos hormônios em ebulição clamavam por alguma coisa pra fazer, alguma coisa grande... Foi Zé Ivan quem falou primeiro: - Vocês conhecem Piraí? - Não – respondemos eu e Máriozinho, quase em uníssono. Gilson disse que já tinha estado lá, mas de passagem. - E se a gente desse um pulo lá agora? – insistiu o Zé. - A essa hora? - retruquei – dia de semana? Já são quase onze. Vai estar tudo fechado. Zé Ivan sorriu de lado: -Tem o cabaré da Tia Neném... Arregalamos os olhos. O cabaré da Neném era famoso em todo o sul do estado do Rio. Lindas mulheres. Boa comida, tudo que era tipo de bebida, muito movimento. Um verdadeiro desejo de consumo para garotos da zona norte em idade de descobrir as coisas da vida, naquela ainda puritana e mal começada década de 60, pré–revolução sexual. Tia Neném, freqüentada por fazendeiros cheios da grana, era cara para bolsos estudantis. Mas Zé Ivan, pelo jeito, já vinha arquitetando o plano havia algum tempo: - É o seguinte: saindo agora a gente chega lá antes da meia noite. É quando o bicho começa a pegar mesmo. A gente não precisa ficar com as meninas (aí um “oh!” decepcionado soou dentro das três cabeças mais novas, que só pensavam naquilo...), é só tomar uma ou duas, ver o movimento e se mandar. Senão a gente vai ficar aqui sem fazer nada. Olha só: a primeira cerveja é por minha conta. Depois vocês se viram, cada um por si. Logo dito, logo feito. Entramos no fusquinha e tocamos pra Piraí. Passamos a cidade e rodamos ainda alguns quilômetros numa escuríssima e tortuosa estradinha de terra. De repente, depois de uma curva, fiat lux! Do meio do capim surgiu uma casa iluminada por uma profusão de lâmpadas de todas as cores: Tia Neném. Pra dizer a verdade, era mais luz que outra coisa. A casa devia ter tido seus tempos de glória, mas agora dependia bastante dos watts coloridos pra parecer coisa melhor. Não importava: para nós era o mais luxuoso dos castelos. Estacionamos o carro e fomos indo o mais marrentamente possível pra entrada, onde dois zelosos e gigantescos gorilas de terno nos barraram: -É de menor? Zé Ivan foi tomando a frente e exibindo a carteirinha de médico que já tanto nos livrara de situações semelhantes: - Estão comigo, chefe. O gorila-mor olhou nossas roupas de classe média e decidiu que provavelmente gastaríamos algum lá dentro. - Vai entrando. Mas se sujar vai ter que sair tudo pelo porão. O lado de dentro do cabaré era mais de acordo com a fama: um vasto e enfumaçadíssimo salão ocupado por dezenas de mesas, com uma pista de dança onde os pares se agarravam sob a fantasmagórica luz negra que era um must da época. Mas o que primeiro atraiu nossos olhares foi o palco, onde cinco músicos tocavam um velho samba-canção. Fui reparando nos pares. As mulheres eram, em sua maioria, jovens, algumas teriam com certeza a nossa idade. Os homens eram mais velhos, muitos deles de terno. Éramos ETs naquele ambiente e algumas mesas nos olhavam e sorriam de soslaio. Comecei a achar que estava escrito “primeira vez” na minha testa. Afinal sentamos numa das mesas próximas do palco e pedimos cerveja. Ali dentro não tinha “de menor”: pedia, bebia. Passamos a rodada do Zé Ivan e pedimos outra, vasculhando disfarçadamente nossos bolsos e calculando quantas cervejas ainda poderíamos beber. O conjunto tirou mais uma meia dúzia de velhos sambas da cartola e parou pra descansar. Um dos músicos veio vindo em direção à nossa mesa, acenando. Gilson o reconheceu: - Paulinho! Paulinho, amigo de Gilson, tocava numa orquestra de baile de Volta Redonda. Conversamos alguns minutos sobre música. Ele reclamou: - Pombas, o Benê, o guitarrista, é o maestro aqui da onda. Mas não sabe tocar bossa nova! Só rola isso aí que vocês ouviram. Diga-se de passagem que nós quatro éramos radicais: tudo aquilo que não fosse bossa nova ou jazz nós rotulávamos de “brega” e pronto. Não tocávamos de jeito nenhum. Paulinho continuou: - O Gilson falou que vocês tocam. Não rola uma canja aí? Eu garanto. Falo com o Benê e dou uma força no sax. Levantou-se: - Aí, vai começar outro set. Depois vocês atacam! Vamos lá! Paulinho foi tocar e a gente ficou sem saber o que fazia. ”É agora” – dizia o Zé Ivan, que não tocava nada. “É fria”, amarelava Máriozinho, sempre cioso de micos reais e imaginários. Mas eu sempre carreguei comigo aquela fome de tocar, como diria o Ney, “em qualquer canto”: - Vamos lá! A gente toca o que está ensaiado e pronto. Gilson reforçou: - O Paulinho sabe tudo. Qualquer buraco ele conserta. Nosso repertório consistia, claro, de uma maciça maioria de hits de bossa nova e uns três ou quatro standards de jazz. O conjunto do Benê tocou mais uns vinte minutos e parou de novo. Paulinho pegou o microfone: - Senhoras e senhores: vamos ouvir agora uma rapaziada lá do Rio que vai tocar umas bossas pra gente! Gelei geral. E se desse tudo errado? Paulinho tapou o microfone e sussurrou pra nós: - Como é que é o nome do grupo? Branco geral. Lembrei-me do nome que tínhamos discutido na semana anterior, inspirado por nossa paixão por cinema e falei: - Nouvelle Vague! Paulinho preferiu calar-se e, sem nome mesmo, bater palmas para que subíssemos ao palco. A platéia permaneceu cética e continuou conversando sobre assuntos certamente mais interessantes que um quarteto de playboyzinhos metidos. Peguei a guitarra, olhei pra trás, vi que estavam todos prontos e... muito nervosos. Sussurrei para eles: -“Samba de Verão” e depois “Garota de Ipanema”... E atacamos. Os senhores de terno nos olhavam como se fôssemos bois desobedientes que resistiam a pastar. Mas as meninas foram se iluminando, e nós junto. Algumas vinham dançar sozinhas na beira do palco. Quando acabamos “Samba de Verão” e atacamos direto em “Garota de Ipanema”, elas já davam gritinhos e os senhores, evidentemente, começaram a sorrir também. Era a glória. Para abreviar, descemos do palco ovacionados. Tia Neném mandou uma rodada de cerveja grátis para a nossa mesa. E as meninas, ah, as meninas... Na semana seguinte voltamos ao cabaré da Tia Neném. Mas como nada é perfeito, a memória do povo é curta e o conjunto do Benê não tocava naquele dia, saímos em branco. Pior: antes tivéssemos saído em branco, porque quando estávamos entrando no fusquinha do Zé Ivan, um bebum de terno claro começou a gritar lá da porta: - Olha lá! São aqueles metidos de novo. Uns guris de m... que pensam que tão com tudo! Veio andando pra cima da gente: - Não tão com nada! só tocam essa p... de música de m...! Achamos graça. Era nossa primeira vaia. Zé Ivan, mais experiente, não achou tanta graça assim. - Vamos indo. Vai dar rolo. Ligou o carro e começou a manobrar. O bebum veio andando e começou a se coçar demais pro nosso gosto. Acabou por abrir o paletó. Alguma coisa metálica brilhava no cós da calça dele: -Volta aqui, seus p... vou mostrar pra vocês o que é tocar! Agora ele estava claramente tentando tirar um revólver do cós da calça. -Sujou! vamos embora! O fusquinha arrancou derrapando as rodas de trás. Passamos pela pequena ponte de madeira, única saída de lá, já apertando o botão de pânico. O bebum já estava de arma na mão, mas para sorte nossa, tropeçou e caiu. Gilson abriu o teto solar e pôs meio corpo pra fora: - Vai se f..., seu m... Mas o bebum, amparado por aquele deus que protege os bêbados e as criancinhas levantou-se como se fosse um boneco de mola, de revólver na mão e tudo, e sentou o dedo. Gilson mergulhou de volta no banco de trás: -Vaaaai, Zé! Nunca mais voltamos à Tia Neném. Mas o primeiro sucesso sabe como é... a gente não esquece jamais! *********** NA ESTRADA é o nome da coluna escrita por Luiz Carlos Sá na Revista BACKSTAGE. Foto: Sá, Rodrix & Guarabyra no show de ago/2006 no SESC ITAQUERA ( cortesia da Rita) Pra ouvir: Morar sem paredes - Luiz Carlos Sá
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ARMINA
Essa é daquelas músicas marcantes, cuja audição faz explodir os sentimentos. Tinha certeza de que já havia ouvido essa canção em um filme, apoteótica. Estava certa: foi em “Os Deuses e Os Mortos”, do Ruy Guerra. Mas deve ter sido em qualquer outro filme daquela época, não lembro mais e não creio que em 71 tenha visto algum filme do Ruy Guerra! Mas era daquelas músicas que mesmo em 73 deixaria seus tios apaixonados. Classificação essa que surgiu ali por 76, quando meu Tio Araújo passando pelo meu quarto ouviu ao longe, do disco TROPICÁLIA, o Hino de Nosso senhor do Bonfim e à seguir LINDONÉIA. A Tropicália ganhou ali um fã, ele gostou tanto que tive a incumbência de copiar numa fita as canções que ele havia gostado ( Batmacumba não estava incluída!) Sobre ARMINA, fala Thiago Fernando Secco (http://tarkusblogprog.blogspot.com) O maestro, arranjador e compositor Wagner Tiso formou no inicio dos anos 70, uma banda que tinha como objetivo inicial dar suporte aos shows do então “astro” mineiro Milton Nascimento. (A banda, aliás, foi formada a pedido do próprio Bituca). Assim, despretensiosamente, tem inicio no Brasil um dos maiores nomes do gênero progressivo, ao lado de Som Nosso de Cada Dia, Mutantes, O Terço, Bacamarte e Casa das Máquinas. O que era pra ser apenas uma banda “opening act”, ganha forma, corpo e o nome de Som Imaginário. O grupo, apesar de ter sido formado no Rio de Janeiro, contava basicamente com músicos mineiros e possuía a sonoridade que, entendo ser o alicerce principal do movimento “Clube da Esquina”. Passaram pelo grupo alguns gênios da música nacional, como Wagner Tiso (teclados), Luís Alves (baixo), Robertinho Silva (bateria), Tavito (violão); fredera (guitarras), Zé Rodrix (teclados, voz e flauta), Laudir de Oliveira e Naná Vasconcelos (percussão), Nivaldo Ornelas (saxofone), Toninho Horta (guitarras), Noveli (baixo) e (ufa!) Paulo Braga (bateria). Em 1973, gravam o LP "A Matança do Porco" que, pra muitos, é o álbum mais progressivo do grupo contendo canções de Wagner Tiso como "Armina" e a faixa-título, escrita originalmente para o filme "Os deuses e os mortos", de Ruy Guerra, que concorreu ao Festival de Berlim dois anos antes. O álbum conta com a participação especialíssima do próprio Milton Nascimento na faixa-título. De modo geral, acho uma obra completa. Há influencias de música popular brasileira da época, de jazz e do mais puro progressivo tupiniquim. Ainda em 1973, participaram do LP "Milagre dos peixes", do “padrinho” Milton Nascimento. O grupo se desmancharia em meados dos anos 70, com cada integrante partindo para respectivos trabalhos solo. Destaque para Zé Rodrix, que ao lado de Sá e Guarabira, formariam uma espécie de Crosby, Stills and Nash brasileiro. *********** A versão aqui é do disco WAGNER TISO - UM SOM IMAGINARIO 60 ANOS ( gravado ao vivo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 2005, com Nivaldo Ornellas, Toninho Horta, Robertinho Silva, Novelli, entre outros)
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PRÊMIO TIM 2007
Ainda que eu ache alguns ítens discutíveis (confesso chorei no filme deles, e admiro a competência e o talento, mas Zezé de Camargo & Luciano melhor dupla, sei não...) além de parecer ter sido patrocinado pela Globo (Beira Mar como melhor canção????...será que a existência só é possível numa novela das 8?), mesmo achando o último do Alceu ( Ao Vivo no Marco Zero) uma revisão do melhor dele embalado na animação do povo em pré carnaval, ou seja, a mesma coisa, FORRÒ PARA CRIANÇAS mereceu justamente o PRÊMIO TIM do MELHOR DISCO INFANTIL ! Meu filho colocou o cd todinho no seu ipod e levou pra escola. Lá se chocou ao saber que nem sua professora de música conhecia Jackson do Pandeiro. Mas "Chiclete com banana" conheciam, mas o "Canto da ema" conheciam, mas "Sebastiana"( "A, e, i, o u, ipisilone") conheciam...aaaaaaahhh, bem....Menos mal... O disco é um apanhado de canções do Jackson do Pandeiro (as mais populares) regravadas por outros artistas (conhecidos) com a produção do Zé Renato. Poderia - e deveria - ser um disco para adultos, mas é direcionada às crianças. Projeto gráfico lindo! E a inserção (que fascina as crianças) de alguns trechos de canções e entrevistas do próprio Jackson com seu jeito peculiar de cantar os RRRRRRRRs!! FORRÓ PARA CRIANÇAS Ano: 2006 Gênero: 4 a 07 anos Procedência: Nacional Biscoito Fino; ASIN: 7898324756559 Faixas 1. Quadro Negro - Alceu Valença 2. Morena Bela - Chico Buarque 3. Forró em Limoeiro - João Bosco 4. Sina de Cigarra - Maria Rita 5. Coco do Norte - Silvério Pessoa 6. Cantiga do Sapo - Zé Renato 7. Sebastiana - Eduardo Dussek 8. Amor de Mentirinha - Crianças 9. Tum, Tum Tum - Roberta Sá 10. Forró em Campina - Elba Ramalho 11. Vendedor de Caranguejo - Vários 12. Canto da Ema - Renato Braz 13. Chiclete com Banana - Zélia Duncan 14. Cajueiro - Crianças e Severo Pra ouvir: Sebastiana c/ Eduardo Dusek
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LEMBRANÇAS DO FUTURO ( O SHOW SOLO DO GUTTEMBERG GUARABYRA)
Pra Ouvir: É Preciso Amar Muito Mais Enfim o lançamento oficial do CD do mesmo nome será dia 2 de maio, às 21hrs. Aí seguem os demais dados: Bourbon Street Music Club Tel.: (11) 5095-6100 Rua dos Chanés, 127 - Moema - São Paulo Ingressos à venda no local.
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SILVÉRIO PESSOA lança DVD CABEÇA ELÉTRICA/ CORAÇÃO ACÚSTICO
Antes de repetir a turnê Europa / Ásia, o "galego" lança em SP o DVD do disco ( ganhador do prêmio TIM) CABEÇA ELÉTRICA / CORAÇÃO ACÚSTICO, dia 31 de março. Quem ainda não viu o show ( ano passado ele esteve no RJ e em SP lançando o disco) deve aproveitar pq Silvério é único! Carismático, consegue equilibrar a modernidade e a tradição num trabalho que consegue apaixonar múltiplas gerações. Minha filha traduziu o que é Silvério: Jackson do Pandeiro reencarnado no Rogério Skylab. Mas ainda é pouco: tem que ir conferir! E se apaixonar!!! na foto: Silvério na Av. Vieira Souto, lançamento do Carnaval de PE no Rio de Janeiro! Pra escutar: Cipó de goiabeira
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Sá & Guarabyra Ao Vivo com Orquestra Sinfônica de Americana
Ficha técnica: Ano: 1999 ( em alguns lugares aparece como 2001) Gênero: MPB Procedência: Nacional Indie Records; ASIN: 7898420120971 Faixas 1. Espanhola 2. Dona 3. Caçador de Mim 4. Sobradinho 5. Lembranças do Futuro 6. A Longa Noite 7. Quem Saberia Perder 8. Capitão da Meia - Noite 9. Rio Bahia 10. Harmonia 11. Desenhos No Jornal 12. Foi Um Vento Que Levou Link estalando de novinho ( aos poucos vou vencendo a preguiça e recolocando a discografia dos meninos, do Tavito e do Toninho Horta): capa original do disco ( ainda disponível em catálogo) Pra escutar: Desenhos no Jornal
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FOOT ON THE ROAD ( Toninho Horta)
Atendendo à pedidos, aí vai novamente o link para baixar FOOT ON THE ROAD (1995): http://rapidshare.com/files/15212673/_1994__Foot_On_The_Road.rar.html Pra ouvir: Foot On the Road ( Pé na estrada) Capa original do disco.
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Dois mil quilômetros num Aero...o quê??? ( Luiz Carlos Sá)
O italianíssimo Giovanni era de costume uma pessoa calma e bonachona. Raramente deixava transparecer aquela intensidade emocional que a gente acha ser comum a todos os habitantes da Grande Bota. Talvez ele fosse do norte, sei lá, ou quem sabe ele preferia fazer o gênero cool, que decerto seria mais condizente com um dono de boate naquela conturbada Brasília de 1967. Nossa capital federal, em seu sexto ano de existência, era uma coisa bem esquisita: atolada na poeira vermelha que entrava pelas narinas e roupas, parecia ter sido cuidadosamente deixada ali no cerrado por um Deus cansado de carregá-la nas costas. Mas como todo faroeste que se preza, Brasília era também fascinante e - atraído por esse fascínio - lá estava eu, sentado numa banqueta do palco da Cave des Rois (a boate do Giovanni) ensaiando com meu parceiro, o tecladista e arranjador Paulinho Machado, uma nova música pra colocar no show que fazíamos de terça a domingo com Beco na bateria, e... quem no baixo, meu Deus, faz tanto tempo! Dividiam o palco conosco dois cantores: a Glória, uma mulata suingadésima e o Ney, um rapaz tímido de voz estranha e carismática, que o Brasil consagraria alguns anos mais tarde com o sobrenome Matogrosso. Não entendi o porquê da súbita e esbaforida entrada do normalmente discreto Giovanni, interrompendo o ensaio aos gritos e acenos. Parando em frente ao palco, o italiano tomou fôlego e despejou: -Sá, você tem que se mandar daqui. Comecei a abrir a boca, atônito, mas ele não me deu tempo e continuou: - Sabe aqueles dois rapazes de terno que sentaram na mesa do meio ontem? – agitado, ele sacudia o dedo na direção da tal mesa. - Eu vi. Os caras não bateram palmas nenhuma vez, por isso reparei neles. - Pois é, catso! Eles eram do DOPS! Ah, o famigerado Departamento de Ordem Política e Social, os censores da ditadura. Os porões, as prisões, as torturas... - Do DOPS! – exclamamos eu e Paulinho, em uníssono. No show da noite anterior tínhamos estado particularmente empolgados e soltáramos os cachorros no golpe militar. Eu despejara boa parte do meu repertório de canções “de protesto”. O público em geral fora ao delírio, mas eu me lembrava bem dos dois mauricinhos estáticos tomando seus uísques sem mover um músculo que não os da boca. - Mas como... - Tenho gente lá dentro – respondeu Giovanni antecipando minha pergunta - Como é que você acha que a gente pode ser dono de boate nesta cidade? Fez uma pausa dramática, desta vez bem italiana do sul, e quase sussurrou: - Eles vêm atrás do Sá aqui hoje à noite. Vão esperar ele cantar aquela música do cangaceiro... - Atrás só do Sá... e nós? Perguntou Paulinho - Foi uma música aí de cangaceiro que o Sá cantou que deixou os caras irados! - A “Cantiga Cabra do Cão” – murmurei. Era uma parceria minha com Chico de Assis de letra particularmente virulenta... - Isso! Aí vão te levar em cana. Suei frio. DOPS em Brasília era coisa feia. Começamos imediatamente a fazer os planos para a minha retirada. Era uma da tarde. Rodoviária já! Giovanni nos levou ao apartamento do Paulinho, onde eu estava hospedado. Arrumei a mala em tempo recorde. Antes das duas já estávamos na rodoviária. Mas havia alguma coisa estranha no ar. As pessoas se acotovelavam à boca dos guichês, discutindo e gesticulando. Cheguei mais perto e perguntei a um senhor de óculos que parecia angustiado com alguma coisa: - O que é que está havendo? - Não tem nada saindo pra lugar nenhum – falou ele – A chuva acabou com um monte de estrada por aí. Tem barreira caindo, cidade sendo inundada, rio transbordando... Um caos total! Lembrei-me das notícias que eu lera no jornal da véspera. Tragédias no Rio. Inundações em Minas. Mas eu não previra que as coisas fossem chegar naquele ponto. - Pra lugar nenhum mesmo? - Bom pra umas cidades aqui perto ainda vai... Mas pra Rio, São Paulo e BH não sai nada. Olhei pro Paulinho, desanimado. Giovanni foi rápido: - Já pro Aeroporto! Isso dito, isso feito. Lá nos fomos. Mas no Aeroporto o caos era idêntico. Em 67, no Brasil, avião com radar ainda era uma certa exceção. Com o tempo péssimo nas capitais do sudeste, os vôos estavam sem previsão de partida. E mesmo que saíssem, com a confusão nas estradas, já estavam todos lotados pelos próximos dias. Saí do meio daquela muvuca e fui sentar, já pensando em pegar um táxi pra Goiânia só pra me livrar da amável visita que os dois amiguinhos de terno certamente quereriam me fazer. Rolava uma conversa entre dois sujeitos ao meu lado que me chamou a atenção: - Não posso ficar aqui parado não, rapá! – dizia o mais afobado, gordinho, meio careca, com a cara avermelhada e um inconfundível sotaque carioca. - Mas vamos sair de que jeito? – respondeu o outro, magrelo, alto e bigodudo, de terno sem gravata. Pareciam uma versão cabocla de Laurel & Hardy. - Já te falei. Vamos de carro. A gente passa por Goiânia, sai pelo interior de São Paulo, entra em Campinas, corta pela Dom Pedro e já sai depois de Jacareí. A Dutra só não dá passagem perto de São Paulo. De Jacareí em diante já vamos direto pro Rio. - São o quê... quase dois mil quilômetros! Eu não dirijo. Como é que você vai segurar essa onda tendo que estar no Rio amanhã à noite? Antes que eu pudesse detê-la, minha pessoa já estava de pé em frente ao gordinho despejando duzentos argumentos por segundo a favor da minha imprescindível presença naquele plano deles: eu dirigia, eu rachava a gasolina, eu tinha que estar no Rio na noite seguinte (mentiiiiira!), eu era o máximo, eu isso, eu aquilo. Gordo e Magro dobraram-se à minha imodesta enxurrada. Meia hora depois eu me despedia de Paulinho e Giovanni, deixando abraços pra banda, Ney e Glória e embarcava no Aero Willys do gordinho. O que seria um Aero-Willys? – pergunta você, a não ser que tenha boa memória ancestral ou seja um fanático colecionador de velharias nacionais automotivas. O Aero-Willys era um dos primeiros carros fabricados por aqui. Queixo-duro, motor de jipe, banco inteiriço na frente, três marchas na coluna de direção, ruim de curva... carro de tio! O Gordinho saiu pilotando, comigo ao lado e com o Magro e um outro caroneiro de última hora atrás. Nos primeiros duzentos quilômetros, Gordinho já cabeceava. Assumi a barca debaixo de tempestade. O Aero bailava como uma dançarina tailandesa, aquaplanando à vontade nas intermináveis baixadas goianas. A noite fechou e visto que o Gordo, o Magro e o outro carona roncavam com os anjos, continuei na pilotagem. Quando a manhã chegou já estávamos no estado de São Paulo. O Aero arfava, exausto, mas eu não lhe dava trégua: pé no fundo o tempo todo. Paramos num posto pra abastecer e a turma acordou. Gordinho pegou o volante e saiu fazendo aquilo que eu chamo de “ultrapassagens de cadáver”. Enxergasse ou não, ele mandava bala. Duzentos outros quilômetros depois do posto pedi arrego: - Deixa que eu levo... Gordinho não se fez de rogado: passou pro banco de trás, pôs o Magro pra frente e partiu direto pra sua terceira fase de meditação astral, morto para este mundo. O Magro desandou a falar e me manteve acordado. Aí vimos o aviso na placa: “pedágio a 500 metros ”. - Tem troco aí? – perguntei ao Magro. - Troco? - É, pra pagar o pedágio. - Vedágio? Me veio a luz. O Magro não sabia o que era pedágio. Aliás, pedágio no Brasil em 67 só mesmo ali na Anhanguera. Expliquei o caso pra ele, que puxou umas moedas do bolso. Peguei as moedas, abri o vidro, reduzi pra segunda e pisei no freio. Lembro até hoje da cara perplexa do caixa ao ver aquele Aero-Willys passando direto com o motorista tentando inutilmente atirar as moedas pra dentro da cabine. Meu pé foi até o fundo e o freio... nada! Aí percebi que tinha deixado acionado o freio de mão. Explico: nesses carros velhos o circuito era único. Se você esquecia o freio de mão puxado, o de pé acabava. E lá fui eu, reduzindo no tempo que nem louco naquele queixo-duro miserável. Parei uns cem metros adiante, vendo a patrulha rodoviária chegar pelo retrovisor. Tudo explicado, pedágio pago, seguimos em frente. O episódio não abalou em nada a paz absoluta do Gordinho, que seguiu roncando e – graças a São Cristóvão – não fez menção de querer dirigir. Seguimos eu e o Magro em interminável conversa até um Rio de Janeiro completamente arrasado por chuvas e enchentes. Eles me deixaram na porta de casa e nos juramos amizade eterna em honra de nossa aventura. Jamais reencontrei o Gordo, o Magro ou o carona, de quem sequer o nome eu soube. Mas sabe Deus do que eles e aquele improvável Aero-Willys me livraram a cara... Crônica publicada na revista Backstage **Em breve o Blog do Sá!!** ***** Pra escutar: Inaiá ( ao Vivo em 1966)
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Aniversário do TAVITO!!!!
Tavito faz anos e convida a todos a partilhar a sua felicidade de viver pra cantar: "Olhaeee, moçadíssima. Sexta-feira haverá um showfestança pra comemorar mais um de meus incontáveis aniversários, no Villaggio Café, aprazível Barante (bar + restaurante) que fica na Praça Dom Orione, 298, na bela Belavista, aquela das cantinas pecaminosas, repletas de macarrões e pernas de cabrito. Haverá convidados - inúmeros - de surpresa, que é para afoguear o espetáculo, enquanto a galera descansa as orelhas de minha voz, roufenha e tosca. Vai ser bacana, o lugar é ótimo e tem precinhos assim, ó, pequeninos e convidativos. Comigo estarão, como é de praxe, o guitarrista multidedos Nando Lee e o percuteiro maluco Fábio Schmidt, arrebentando cordas e couros sem dó. Ah, vale reservar - o local é confortável, mas não é grande. O telefa de lá é 3251.3730. Beijo pra quem é de beijo e abraço pra quem é de abraço / Tav "
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TAVITO amanhã em São Paulo!!!!
"Amigos, nesta quinta, dia 26 de outubro, às nove da night, estarei entoando minhas cançonetas no Villaggio Café, agradabilíssimo estabelecimento sito (!?) à Praça D. Orione, 298, Bela Vista, Sumpaulo, terra da garoa, oh que terra boa que me recebeu com tanto afeto e carinho. Não fosse pelas canções, que são realmente bacanas (dizem), que seja pela qualidade dos convidados confirmados (o fogoso Zé Rodrix e a canora Adriana Dre) e dos não confirmados (Paul McCartney, Bono Vox, Sheryl Crow, Elton John e Diana Krall, apresentados pela bela e enorme Angelina Jolie e seu ex, o louroazedo Brad). A banda oficial, Ananeu & os Precários, não se apresentará desta vez - mandando como "sub" dois de seus principais componentes, o guitarrista multidedos Nando Lee e o percuteiro maluco Fábio Schmidt, o alquimista dos couros, xiques e badalos. Tudo isso para atraí-los, ó amigos queridos, para que se deixem mergulhar de cabeça num mundo mágico de sonoridades um tanto ultrapassadas - visto que contém harmonia, melodia e poesia presentes o tempo todo - mas ainda válidas e pujantes de energia. Recomendo que cheguem cedo; o lugar é ótimo, serve comidinhas suculentas e bebida honesta a precinhos sumários, mas não é grande. Mas sosseguem, há espaço suficiente para todos os que quiserem, por duas horinhas, sublimar o bate-estaca infame de Inácio e seus Geraldos, aquela horrível banda que está todo o tempo nas TVs e nas rádios a nos castigar os ouvidos com suas canções de tragédia. O couvert é de apenas doze merréis per capta, dinheirinho abençoado para nós outros, artistas de fé e de plantão, ganho com com o que temos de melhor a oferecer: nossa arte, que é, como todos sabem, a mais autêntica expressão da liberdade. Falei, disse, escrevi e espero cês lá... beijos a todos/as / Tav " Foto: Tavito no show do Centro Cultural ( junho/2006) Pra escutar : Tavito - Jeito de Viver ( Sá / Guarabyra)
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Rio Consagra MOMBOJÓ
O primeiro disco do Mombojó se chamava "Nadadenovo". Uma ironia, porque a banda de Recife, que se apresenta sábado no Tim Festival, é justamente uma das novidades mais agradáveis da atual geração, misturando rock, samba, jazz, eletrônica... Agora no novo CD, mais uma provocação. Na música de trabalho, eles cantam: "Não quero ser o mais vendido". - Claro que queremos vender. O que a gente não deseja é vender a qualquer custo. A música tem que vir em primeiro lugar - explica o trompetista e violonista Marcello Campello. A prova de que Campello, Felipe S. (voz), Marcelo Machado (guitarra), Vicente Machado (bateria), Samuel (baixo), Chiquinho (teclado e sampler) e Rafa (flauta) estão se despedindo da cena independente é a mudança para São Paulo, marcada para o ano que vem. - Lá vai aumentar a possibilidade de circular pelo interior e ampliar nosso público - diz Campello. Certos hábitos, porém, não se abandonam. "Homem-espuma" está sendo lançado pela gravadora Trama, mas, como o primeiro CD, pode ser baixado de graça no site (www.mombojo.com.br). - A internet foi uma excelente ferramenta de divulgação que encontramos - opina Felipe S. Graças à rede e ao boca-a-boca, que aumenta a cada show, nas apresentações do Mombojó é normal ver o público cantando junto todas as músicas. Nada que se compare - por enquanto - ao sucesso da Del Rey. Na bem-sucedida banda paralela, que ajuda a pagar as contas, o repertório é exclusivamente de covers de Roberto Carlos. - Em Recife, o Mombojó se apresenta a cada seis meses. A Del Rey toca toda semana. Fazemos shows em aniversário de 15 anos, casamento, formatura... - conta Felipe. A música que dá nome ao novo CD surgiu em 2004, depois de um grave acidente de carro quase tirar Marcello Campello de cena. "’Homem-espuma’ fala da efemeridade da vida. Num dia você está vivo. No outro, morre. Vira espuma. Meu acidente deixou todo mundo chocado. Felipe fez a música nesse clima. Eu me identifico muito com ela", diz Campello. Constantemente comparado ao Los Hermanos, o Mombojó cultiva uma admiração artística e profissional pelos cariocas. "Eles estão bem sem forçar a barra. Nem todo mundo age assim. O D2, por exemplo, está crescendo. Mas eu já vi um show dele em São Paulo num lugar enorme em que só foram 400 pessoas. Isso é dar um passo maior do que a perna", alfineta Felipe S. O Mombojó se apresenta, às 23h, no sábado, na Marina da Glória, abrindo para Patti Smith e Yeah Yeah Yeahs. O ingresso custa salgados R$120. (por Herica Marmo do Jornal Extra/RJ) Pra ouvir: O Mais Vendido (Eu quase nunca coloco a faixa título, ou a mais tocada, aqui, mas aí vão meus desejos que esse show bombe!)
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PARABÉNS, Luiz Carlos Sá!!!
Que fã sou eu que já ia esquecendo do seu aniversário??? Retornando do cinema onde fomos ver Wood & Stock, Sexo, orégano e rock'n'roll, lembrei da data de hoje: ANIVERSÁRIO DO DR. PEREIRA ( como o R. adorou isso...rs...só o chama assim)! Parabéns, felicidades ( sempre), esse olhar de menino ( sempre), muita luz pra criar essas coisas lindas que sempre me surpreendem!!! De presente, para escutar: Só tem amor ( Campanha da Pepsi inesquecível!)
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Show Sá, Rodrix & Guarabyra em Goiânia/GO
Data: Terça-feira, 24 de Outubro de 2006 Hora: 18:30 Local: Flamboyant Shopping Center Cidade: Goiânia/GO Detalhes: Flamboyant In Concert: último show da temporada será com Sá, Rodrix & Guarabyra!! Na Praça 2 do Shopping, gratuito!!! ( acho, isso é somente um palpite, que se deva retirar ingressos antecipados) Foto: Show do SESC/Itaquera/SP ( agosto/2006) Cedida pela Rita Pra escutar: Agua Corrente (do Pirão de Peixe com Pimenta)
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NOVIDADES DE GUARABYRA (Entrevista hoje na TV Gazeta)
No programa Todo Seu, de Ronnie Von, TV Gazeta, de 22:00 às 24:00h. Pela Net, em São Paulo, Canal 11. Pela Directv, no Brasil, Canal 225. Ou via satélite, na freqüência 1040-H. As novidades são sobre o novo CD solo e a mudança de ares que irá promover ao seguir de malas, bagagens, Pc e violão pro litoral paulista, onde pretende se radicar, abrir um restaurante, escrever livros, finalizar canções, etc( os dois últimos são por minha conta e risco!). Acho que tb ele estava precisando de uma "Nova canção da estrada"!!! Desejamos, de coração, sorte ao Gut na nova vida! Se tudo der certo, em breve atracaremos no cais dessa praia ( sem trocadilhos)!! ***** A canção veio como um presente: buscava há dias, semanas, quase meses. De repente algo piscou, e ela estava lá! Até desconfiei...logo hoje???!!! E aí chegou a PORTA DO FAROL, do disco Paraíso Agora. Presságio?? Que sejam bons os presságios que a tenham trazido !
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NORUEGA, GELO e ALEGRIA
Vocês devem estar estranhando o título, mas esse é o nome do Samba Enredo ( acho que o primeiro e único), composto pelo Luiz Carlos Sá ( e Paulinho Machado). Essa pérola foi a Pi que achou, e o Juarez Pinheiro traz a estória atrás do samba: “"Noruega, Gelo e Alegria", na estrutura, é um samba-enredo. Mas na verdade foi uma brincadeira do Luis Carlos Sá. Não sei se a versão que ouvi da história está correta, mas parece que um diplomata gaiato, que percebeu a brincadeira, comentou ao cônsul/embaixador da Noruega. Este, ao tomar conhecimento da "homenagem", teria procurado o "Doutor Pereira" para agradecer em nome do povo de seu país. O "Bom Doutor", ao se ver nessa sinuca, teve de fazer as maiores contorções para explicar o espírito da música. Por sorte era dotado de senso de humor o norueguês, tendo entendido direitinho, e contraído uma bela amizade com o "Bom Doutor". Diz a lenda que esse encontro gerou boas gargalhadas e acarretou no consumo de boas doses da melhor vodca....finlandesa. Se não foi bem assim que aconteceu, publique-se a versão.” Aí vai, para apreciação de todos: "Noruega, gelo e alegria” ( Umas e Outras)
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Homem de Neanderthal
Este é o mês do Sá, mesmo! Há menos de 30 dias do aniversário, um presente dos céus chegando, tudo perfeito...esperamos! E finalmente consegui a última música do compacto lançado em 1970, com Luis Carlos Sá e a Charanga ( quem souber os componentes d'A Charanga, por favor, poste aqui!)! Aí vai o "O Homem de Neanderthall" ( todos créditos para oTito! ).
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Sá - Como tudo começou : MINHA (quase) EMPOLGANTE HISTÓRIA: SER OU NÃO SER?!
Consegui esse música hoje e a paixão foi imediata: tinha que colocar aqui, fazendo par com o texto do Sá que acabei de ler essa semana. Tudo estalando de novo! Divirtam-se: Episódio 1 – O Banco Minha mãe não se conformava com o filho que, na flor dos dezessete anos, vivia de violão debaixo do braço. Eu, Gilson e Máriozinho Pires subíamos e descíamos a rua Conde de Bonfim todas as noites, parando aqui e ali, na casa de amigos ou na rua mesmo pra tocar e cantar. Aporrinhávamos os pais das namoradas, as turmas rivais, os gerentes do clube, os guardas-noturnos (rolava isso na época...), todos e tudo: saíamos a bordo do jipe do Gílson arregaçando o Alto da Boa Vista, a Usina, a Muda, a praça Saenz Peña e – nos fins de semana – a própria e nesse tempo longínqua zona sul com o velho Di Giorgio 36 do meu pai, que, ao contrário da minha mãe, achava a maior graça nisso tudo. Não raro eu chegava em casa tarde da noite, de porre, mal conseguindo encarar o buzum na manhã seguinte pra ir ao distante Colégio Andrews, além-túnel. Isso não podia continuar, pensou mamãe, armando seu plano sinistro: eu teria que ter um... emprego! Ora, mas pra mim eu já tinha um emprego: era cantor e às vezes, na falta do Helio Celso, guitarrista do grupo Nouvelle Vague, que fazia bailinhos aqui e ali pelo bairro, arrecadando uma merreca suficiente pras cervejas e noites na filial tijucana da boate do Sargentelli, onde volta e meia tocavam meus ídolos bossanovísticos. Que mais eu queria? No fim desse mesmo ano passei no vestibular de Direito, o que abrandou a angústia materna. Mas achei a faculdade uma droga. Só o que me compensava era sair depois da aula com meus novos amigos, Gustavo e Jorginho, para fazer a mesma coisa que fazia no tempo de colégio: farra. Agora, as aulas eram noturnas e eu já tinha carro. Demorou! Vendo que eu “não tomava jeito” nem com a perspectiva de um futuro bacharelado, mamãe se apavorou e apelou com meu pai: -Sílvio, você tem que dar um jeito nesse menino! Um emprego! Pressionado, meu pai cedeu e descolou uma entrevista num banco do centro da cidade. Meu pai era uma pessoa que persuadia no papo: não consegui escapar. Fiz a entrevista e como estava “altamente recomendado”, fui efetivado no banco. A barra ia pesar: trabalhar de meio dia às seis, comer rapidinho e sair direto pra Faculdade Candido Mendes, ali na praça XV Até hoje me lembro do meu primeiro dia de “trabalho”, conforme definia minha mãe que nunca acreditou em nenhum emprego que não tenha marcação de ponto: Fui designado para o Departamento de Compensação, na sobreloja do prédio, que ficava ao lado da Galeria dos Empregados do Comércio, na Avenida Rio Branco, Rio. Era uma sala escura e comprida, com uma confusão de gente e telefones. Minha função era conferir os códigos dos cheques de outras praças. No começo achei até divertido: falava com o Brasil inteiro, as recepcionistas eram charmosas e o meu chefe era uma figura folclórica, de suspensórios, que sempre nos policiava com um olhar grave. Isso provocava em nós, funcionários, crises incontroláveis de riso quando ele, seu Aristides, esticava os suspensórios até o máximo e os deixava estalar de volta na imensa barriga: - Ele gosta é de apanhar! – dizia o Sérgio ao meu lado - Que nada! – retrucava Lurdes, loura de olhos muito azuis que levantava a galera só na passagem - ele gosta é de bater! No meio disso tudo o que realmente me intrigava era uma sala envidraçada que ficava ao fundo da nossa extensa galeria, com um cara solitário que aparecia de vez em quando. Ninguém ao certo sabia quem ele era ou o que fazia: - É gente do Sindicato! (falava o Paulinho, um magrelo de Vila Isabel) e nele ninguém põe a mão. Nesse entretempo, para relativo desgosto materno, a carreira musical só fazia progredir: minha amiga Luhli fora contratada pela Philips e, produzida por João Araújo e João Mello, gravara três músicas minhas, das quais uma, “Baleiro”, já começava a tocar nas rádios. Como se isso não bastasse, meu companheiro tijucano de esbórnia, Máriozinho Pires, filho do médico da EMI – Odeon, me apresentara a Milton Miranda, diretor artístico da gravadora. Milton se amarrou nas minhas músicas e em menos de um ano eu tinha hits nas rádios, cantados por Pery Ribeiro, Rosa Maria (hoje Colyn), MPB4 e Nara Leão. O primeiro grande sucesso foi com Pery, quando eu ainda estava no Banco. “Giramundo” tocava dia e noite no Brasil inteiro. Numa bela tarde, seu Aristides me chamou, esticando os inevitáveis suspensórios: Tem um sujeito aí querendo falar com você. Espantei-me. Quem iria me procurar naquela cloaca? -Você tem quinze minutos. Vou descontar do seu tempo de lanche. Saí e fui até a ponta da galeria, de frente pra tal sala envidraçada, onde me esperava um cara meio gorducho, de terno e gravata desarrumados: - Prazer. Sou Aloísio Santana, da Editora Vitale. Nós estamos interessados em editar suas músicas. De repente, pelo canto do olho, percebi que o Homem do Sindicato, lá na sala envidraçada, se levantava. Desviei o olhar do Aloísio e olhei pro cara, um magrelo alto de olhos claros e cabelo escorrido que me acenava um frenético “não”. Espantado pela reação do sujeito, hesitei: - Ah... Não sei... Aloísio me pareceu perplexo. Eu havia reagido intuitivamente à energia do cara da sala envidraçada. Não tinha uma idéia muito exata do que significava editar músicas e resolvera obedecer aos gestos de uma pessoa que parecia entender o que estava acontecendo ali do lado de fora. E o cara continuava a fazer gestos, sinalizando pra que eu mandasse o Aloísio embora. Foi o que fiz. - Olha, eu tenho que trabalhar... Dá pra você voltar depois do expediente? Aloísio concordou, decepcionado, e saiu. O sujeito da sala envidraçada abriu sua sagrada porta e veio ao meu encontro: - Olá. Você é quem? Fiquei besta. Quem era eu como? Ele insistiu: - Se o Aloísio Vaca Brava veio te procurar, você é compositor. Eu também sou. Sou o Durval Ferreira, você já ouviu falar de mim? Durval Ferreira! Um de meus ídolos bossanovísticos! Autor de “Chuva”, “São Salvador”, “Batida Diferente” e outros clássicos instrumentais da bossa nova que eu tentava – e nem sempre conseguia - tocar! Guitarrista que tinha inventado metade das levadas que eu tentava e – mais uma vez, nem sempre conseguia - imitar! Não acreditei: - Nossa... Durval! Cara, curto demais suas músicas... Aquela batida... Ele descartou rapidamente a tietagem: - Mas me conte. O que é que o doido do Vaca Brava quer contigo? A custo consegui dizer quem eu era e falar das minhas músicas. - “Giramundo” é seu? – ele gargalhou – não é à tôa que eles estão atrás de você! Em menos de uma hora, sob o distante mas persistente e perturbador olhar do seu Aristides, Durval explicou-me o complicado mecanismo das edições musicais e me aconselhou a pedir oitocentas pratas pela edição. Fiquei branco. Eram dez salários meus da época. - Pode pedir que ele vai te dar. Dito e feito. Quando Aloísio voltou no final do dia, fechamos por oitocentos bagarotes. Só então Durval saiu da sala, gozando e surpreendendo o Aloísio, que ainda não havia reparado na presença dele: - Aí, Vaca Brava, pensou que ia se dar bem? É meu peixe... Terminamos a noite os três tomando todas num bar da Cinelandia, às custas da Vitale. Uns dias depois, descontado o cheque, pedi demissão do Banco e cheguei em casa cheio de marra, dinheiro ao vivo na mão. E diante dos olhos arregalados de minha mãe e do mal disfarçado sorriso orgulhoso do meu pai, lasquei: - Pai, mãe, agora sim eu sou compositor. Profissional! Pena que dali em diante nunca mais foi tão moleza... *********** "O dia do grilo" - Luis Carlos Sá e A Charanga ( 1971) Foto: Show do Trio no Shopping Anália Franco(SP), dia 27/08/2006 Sá em primeiro plano.
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Discografia do Toninho Horta
Essa fiz bem rapidinho, em retribuição à alguém, e ficou tão boa que resolvi publicar: Como os links foram recolhidos por aí ( grata, Felício!), e na maioria não testados por mim, se não estiverem funcionado os links, basta deixar um recadinho. Disco Beto Guedes, Novelli, Toninho e Danilo Caymi (“do banheiro”) http://rapidshare.de/files/11268846/Beto_Guedes_e_outros__do_vinil_.zip.html 1979 Terra Dos Pássaros (True Space) http://rapidshare.de/files/19842558/Terra_dos_P_ssaros.zip.html 1980 Toninho Horta(EMI) http://rapidshare.de/files/19541515/Toninho_Horta.rar.html 1989 Moonstone( Polydor ) http://rapidshare.de/files/20237100/Toninho_Horta-Moonstone.rar.html 1989 Diamond Land (Verve/Forecast ) http://rapidshare.de/files/20973700/Diamond_Land.zip.html 1989 Toninho Horta & Flávio Venturini: No Circo Voador (Dubas ) http://rapidshare.de/files/20721848/1997_-_Flavio_Venturini_e_Toninho_Horta_-_No_Circo_Voador_-.zip.html 1992 Once I Loved (Polygram ) http://rapidshare.de/files/21147553/Once_I_Loved.zip.html 1993 Durango Kid (Big World) http://rapidshare.de/files/21147872/Durango_Kid.zip.html 1994 QUALQUER CANÇÃO CHICO BUARQUE http://rapidshare.de/files/21068144/Qualquer_Cancao_Chico_Buarque.zip.html 1995 Durango Kid, Vol. 2( Big World ) http://rapidshare.de/files/21150011/Durango_Kid_2.zip.html 1995 Foot on the Road (Polygram) http://rapidshare.de/files/22294832/_1994__Foot_On_The_Road.rar.html 1996 Sem Você: Toninho Horta & Joyce Collegium http://rapidshare.de/files/21125878/Joyce___Toninho_Horta_-_Sem_Voc_.zip.html 1997 Toninho Horta & Flávio Venturini (Dubas) http://rapidshare.de/files/20721848/1997_-_Flavio_Venturini_e_Toninho_Horta_-_No_Circo_Voador_-.zip.html 1997 From Belô to Seoul (True Space ) http://rapidshare.de/files/23497767/TONINHO_HORTA_FROM_BELO_TO_SEOUL.rar.html 1998 From Ton to Tom (Independente) http://rapidshare.de/files/20208327/toninho_horta_-_from_ton_to_tom_-_um_tributo_a_tom_jobim_-__1998_.rar.html 1999 - Nicola Stilo & Toninho Horta (via veneto) http://www.badongo.com/file/811191 2000 Serenade (Truspace ) http://rapidshare.de/files/21129703/Serenade-Durango_Kid.zip.html 2000 Quadros Modernos (Independente) http://rapidshare.de/files/21150248/Quadros_Modernos.zip.html 2004 - Com o pé no forró http://rapidshare.de/files/19490298/Toninho_Horta_-_Com_O_P__No_Forro.rar.html ************** Céu de Brasília (Show no Circo Voador , c/ Flávio Venturini, em 97)
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Novidades do Zé Rodrix -
Mais novidades do Zé Rodrix ( o homem tá igual ao funk “não pára, não pára, não pára , não!!!”): 1. Peça do Zé Rodrix ( e Miguel Paiva ) estréia no RJ LAVANDERIA BRASIL Escrita por Miguel Paiva e Zé Rodrix, a comédia que estreou no Teatro dos Grandes Atores faz uma crítica social por meio da história de um casal em crise financeira porque o marido não recorre a falcatruas. Paula Burlamaqui, Felipe Camargo, Marcos Breda e Marília Medina formam o elenco. Teatro dos Grandes Atores No Shopping Barra Square 2. SUCATA DE LUXO A banda fez show ontem com participações especiais do Zé Rodrix, do Carlos Malta e do Alex Góes. Muuuuuuuuuito gostoso o som da banda, swingado, o que está sendo rotulado de "samba funk"! Pra ter uma idéia gravaram com a Vitória Régia, a (ex)banda do Tim Maia. Não posso negar que fiquei curiossísima para conhecer o baterista: matemático PHD, professor apaixonado e compulsivo, e que desenvolve um método de estudo da matemática para deficientes visuais através de sons e ritmos, chamado “drummath” ( que sintomaticamente é matemática, em inglês, e parte do seu nome). Como resistir à isso???????? E andava com saudades do Carlos Malta! A versão deles para "Soy latino Americano" saiu muito melhor do que eu esperava ( cheque aí embaixo)! www.sucatadeluxo.com.br 3. Por último, mas não menos importante: Show do Sá, Rodrix e Guarabyra, dia 13/08/06 em Itaquera/SP ( SESC ITAQUERA) às 15 hrs. Houve um mal entendido, mas o horário confirmado é esse mesmo! FELIZ DIA DOS PAIS para o trio, particularmente para o Sá!
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Toninho Horta & Rudi Berger
Devo estar na TPM, mas música boa me dá vontade de chorar mesmo! E foi o que aconteceu ontem...como é genial o Toninho!!! E a Lena , e o Yury, e todos os outros...e o prazer de conhecer o Rudi Berger (admito minhas limitações: violinista em jazz, parei no Stephany Grapelli e no Jean Luc Ponty , ambos há quase 30 anos atrás). Como é que ele vivia no Brasil e eu não o conhecia????? Toninho Horta & Rudi Berger na foto Pra ouvir: "Where are you" Rudi Berger interpretado pelo Toninho & Orquestra Fantasma do CD "Foot on the road", de 1994
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Ama teu Vizinho
Ama seu vizinho como a ti mesmo, foi feita quando os três dividiam um apartamento ( acho que estava mais para comunidade) em Ipanema. Devia ser igual à comuna do Sérgio e da Carmem Cynira, um entra e sai de “parceiros” dividindo sofás, geladeiras, colchões e pq não...roupas. O que a “história” conta é que o pobre do vizinho homenageado era o Domingos de Oliveira, e certamente entre as crianças citadas está a Maria Mariana, tadinha! Aqui eu dedico essa canção aos meus pobres nobres vizinhos, Sura Berditchevsky e Othon Bastos, e os plebeus tb, como a Paula e meu odioso síndico, afinal o movimento aqui só morre por algumas poucas horas, quando o sono silencia a todos! OBS: Hoje em especial vai para outra Paula , cujo talento musical descobri hoje meio por acaso, durante o show do Sucata de Luxo. Ama teu Vizinho Sá, Rodrix & Guarabyra
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Discografia de Luiz Carlos Sá
O Sá é um compositor prolífico, e a cada descoberta me espanto...tanto quanto um adolescente explorando seu trabalho. A última descoberta foi por acaso, quando me foi solicitada uma música de um compacto que não consta na sua discografia ( não na disponível): ele teve algumas canções gravadas por um grupo da jovem guarda chamado Los Lobos! É dele a obra prima "Criaturas da Noite", e tb "O Burro Cor de Rosa" com o Serguei! 1. Inaiá/Rei do quilombo (1966) RCA Compacto simples 2. Milhões de anos luz além (1970) Compacto simples 3. "O Homem de Neanderthal" / "Povo do Ar" Odeon Compacto simples ( 1971) 4. Viajante/Ribeirão (1972) Odeon Compacto simples ************** "O Povo do Ar" - Luiz Carlos Sá
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Retomando a discografia: PARAÍSO AGORA ( 1984)
9 O paraíso agora (1984) RCA Victor LP 1.Capitão Meia-noite (Luiz Carlos Sá - Guarabyra) 2 Cheiro mineiro de flor (Luiz Carlos Sá - Guarabyra) 3 Fogo caipira (Luiz Carlos Sá - Guarabyra) 4 Portal do farol (Luiz Carlos Sá - Guarabyra) 5 A longa noite (Luiz Carlos Sá - Guarabyra) 6 Animais domésticos (Luiz Carlos Sá - Guarabyra) 7 Quando provei teu doce (Luiz Carlos Sá - Guarabyra) 8 Minha companhia (Luiz Carlos Sá - Guarabyra) 9 Fogo-pagô (Luiz Carlos Sá - Guarabyra) 10 Paraíso agora (Luiz Carlos Sá - Guarabyra) http://rapidshare.com/files/161140/Paraiso_Agora.rar.html (Agradecimentos à Lizete!) Pra escutar : Paraíso Agora
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