PODCAST · religion
Meditações Cristãs
by Metanoia Valley
Meditações Cristãs Guiadas baseadas na palavra de Deus
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Fruto do Espírito - Episódio 10 - Domínio Próprio
Como cidade derrubada, que não tem muralhas, assim é aquele que não tem domínio próprio. (Provérbios 25:28) Bem vindo ao décimo e último episódio desta nossa série de meditações sobre o fruto do Espírito. Hoje vamos meditar sobre o domínio próprio, começando, desde já, a relaxar, em busca de uma tranquilidade mental para o nosso estudo. O Domínio Próprio, por ser ligado às nossas reações, deve ser algo que a gente consiga trazer à mente nos momentos em que normalmente surgiria a raiva. Como já vimos em outros episódios, a meditação proporciona uma diminuição da atuação do sistema límbico, fazendo com que a pessoa tenha reações menos emocionais. No entanto, como foi falado no episódio anterior, somente a meditação tradicional não é suficiente para balancear o cérebro e trazer a resposta completa, em espírito e em verdade. Imagine uma imagem de uma cidade cujas paredes foram quase destruídas, ficando sem defesa contra um inimigo; assim é o homem que não tem controle sobre seu espírito. Ele não tem defesa contra a raiva, a luxúria e as outras emoções desenfreadas que destroem a personalidade. Domínio, do grego enkrateia, deriva de en, que significa “na esfera de” e krátos, "domínio, maestria", - significando, em sua origem, poder ou domínio sobre alguma coisa ou sobre alguém. Durante o período Socrático da filosofia, três discípulos de Sócrates, entre eles Platão, transformaram o que era um adjetivo em um substantivo, que deixou de ter o significado de poder sobre algo ou alguém para passar a significar domínio sobre si mesmo, poder sobre suas próprias paixões e instintos, autocontrole. Aristóteles, discípulo de Platão, definiu que o oposto de domínio próprio seria justamente a falta de comando sobre si mesmo; seria o estado de realizar o que se sabe não ser uma escolha positiva por causa de suas consequências, mas, mesmo assim, fazer essas escolhas para satisfação dos prazeres imediatos. O domínio próprio, ou a temperança, seria então o estado de realizar o que se sabe ser uma escolha positiva por conta de suas consequências, também positivas. Ainda no contexto filosófico, para Xenofonte, um dos discípulos de Sócrates, o domínio próprio era o fundamento de todas as virtudes, diferente do apóstolo Paulo, que considerava o amor como a base de todo o fruto. O livro Vincent - Estudo No Vocabulário Grego Do Novo Testamento acrescenta ainda que a temperança significa segurar nas mãos as paixões e os desejos. De acordo com I João, 2:16, essas paixões são tudo o que há no mundo — os desejos da carne, os desejos dos olhos e a soberba da vida, coisas que não procedem do Pai, mas do mundo. E talvez aí esteja a chave para o Domínio Próprio. José, quando esteve no Egito foi tentado pela mulher do senhor da casa onde trabalhava. Gênesis, capítulo 39, versículos 11 e 12 contam a seguinte história: Sucedeu num certo dia que ele veio à casa para fazer seu serviço; e nenhum dos da casa estava ali; E ela lhe pegou pela sua roupa, dizendo: Deita-te comigo. E ele deixou a sua roupa na mão dela, e fugiu, e saiu para fora. José, ao ver que poderia ser atraído para o pecado, teve domínio próprio e fugiu. E é o que devemos fazer diariamente, oferecendo nossos olhos, nosso corpo, nossa mente, em sacrifício contra as tentações do mundo, exercendo controle sobre todos nossos sentidos e sentimentos para que possamos passar pela estreita porta e pelo apertado caminho que conduz para a vida. Isso se assemelha em alguma situação que você já viveu? Como cidade fortificada, rodeada por muralhas, imune às paixões do mundo, assim é aquele que tem domínio próprio. (Provérbios 25:28)
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Fruto do Espírito - Episódio 9 - Mansidão
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. (Mateus 5:5) Bem vindo ao episódio 9 desta nossa série de meditações sobre o fruto do Espírito. Hoje vamos meditar sobre a mansidão. Na literatura grega, o termo mansidão era às vezes usado para demonstrar uma preocupação fingida e hipócrita pelos outros, motivada pelo interesse próprio. Porém, Aristóteles, quem sabe numa aproximação com o Deus desconhecido para eles, deu uma definição um pouco diversa: mansidão seria o meio termo entre estar com muita raiva e nunca estar com raiva. Seria a qualidade do homem cuja raiva é tão controlada que ele está sempre com raiva na hora certa e nunca na hora errada. Seria o homem que nunca fica zangado com qualquer acusação pessoal que possa receber, mas que é capaz de sentir raiva justificada quando vê os outros serem injustiçados. Para o cristão, assim como defendeu parcialmente Aristóteles, a mansidão leva ao entendimento e diferenciação entre o mal que é feito contra ele e o mal que é feito contra outros e contra Deus. No entanto, o que diferencia o entendimento cristão sobre mansidão do entendimento grego é que essa qualidade pode vir somente por uma inspiração do Espírito Santo, que direciona e capacita para agir de acordo com a vontade de Deus. Em oposição àqueles que repelem calorosamente qualquer ataque, e cuja mão está sempre pronta para vingar ferimentos, o manso vive em paz, como prova da verdadeira grandeza da alma, de um coração grande demais para ser movido por pequenos insultos. Mas vamos deixar bem claro que mansidão não significa ser saco de pancadas. O cristão deve viver na paz que a mansidão traz simplesmente por saber que é amado por Deus e por sentir esse amor. Além disso, por estar sendo guiado pelo Espírito Santo, o homem manso coloca sua mente no propósito de Deus e não em seu próprio conforto, ambição ou reputação. Deste modo, ele oferecerá resistência implacável ao mal em defesa de Deus, mas reagirá com paciência, bondade e gentileza quando outros o atacarem. De acordo com Albert Barnes, Cristo era o próprio modelo de mansidão. Ninguém suportou mais injustiças, ou as suportou mais pacientemente do que ele, não pressionando seus direitos em bons ou maus momentos, nem limitando os direitos de outros para garantir seus próprios. Em suma, o homem manso Consegue diferenciar sua luta, que não é contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os príncipes das trevas deste século. A mansidão o leva a entender o que se passa por detrás das maldades recebidas, da cegueira, das influências e, por fim, o manso, numa resposta divinamente equilibrada, poderá apenas dizer: perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem.
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Fruto do Espírito - Episódio 8 - Fidelidade
Bem vindo ao episódio 8 desta nossa série de meditações sobre o fruto do Espírito. Hoje vamos meditar sobre a fidelidade que, de acordo com William Barclay, pode também ser traduzida por confiabilidade. Segundo Albert Barnes, a palavra fidelidade pode ser usada aqui no sentido de que o cristão é um homem fiel: fiel à sua palavra e às suas promessas; um homem em quem se pode confiar. A verdadeira religião torna o homem fiel. Então, o cristão é fiel como homem,como vizinho, amigo, pai, marido, filho. Ele é fiel aos seus contratos; fiel aos compromissos assumidos. Como o fruto do espírito deriva exatamente de uma mente renovada pela atuação do Espírito Santo, é Ele quem deve controlar e dirigir nossos sentimentos em relação às pessoas. No entanto, no mundo em que vivemos, em que o egocentrismo está sendo grandemente promovido, com a insistente campanha de que todos merecem ser felizes, o que implicitamente inclui a ideia de que essa felicidade deveria vir a qualquer custo, manter-se fiel aos princípios de Deus tem se tornado difícil para algumas pessoas. No entanto, como todas as nossas ações são gestadas na nossa mente, para que alguém consiga se manter fiel à sua própria palavra, à sua esposa, aos seus amigos, primeiramente deve ser fiel à vontade de Deus. Parte da dificuldade de se manter fiel a alguma pessoa ou a um princípio tem a ver com as nossas funções cerebrais. Mesmo para os grandes conhecedores da Bíblia e grandes santos da história cristã, por terem sido pressionados pelas influências do mundo, muitas vezes é difícil não praticarem o bem que almejam, mas o mal que não querem realizar, esse seguem praticando, parafraseando Paulo em sua carta aos romanos (7.19).
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Fruto do Espírito - Episódio 7 - Bondade
Bem vindo ao episódio 7 desta nossa série de meditações sobre o fruto do Espírito! Hoje vamos meditar sobre a bondade, que é uma característica que está acima da excelência de caráter; sendo, sim, o caráter energizado, que se expressa no bem ativo. Não faz parte do caráter humano ser bom, crescemos com um certo egocentrismo, logo, dependemos do Espírito para alcançar essa bondade. A filosofia abordou e ainda aborda esse tema, mas sempre esbarra no mesmo problema: o relativismo. O que é bom para alguns, não necessariamente é bom para outros. E de fato, a bondade é um termo que, aparentemente, é estritamente bíblico, ou seja, não parece ter espaço em nenhum texto grego secular da época, justamente por ter esse caráter que vem de Deus e se mostra na excelência espiritual. A palavra grega, agathosune, à primeira vista parece muito semelhante a chrestotes ("benignidade"). No entanto, um exame mais detalhado de seu uso nas Escrituras revela uma palavra que indica atividade ativa e zelosa em se fazer o bem, enquanto benignidade ou gentileza (chrestotes) é algo mais passivo. O comentário da Bíblia de estudo diário de William Barclay sobre Gálatas fala dessas duas palavras: É bondade [agathosune] a palavra mais ampla para bondade; que é definida como "virtude equipada em todos os pontos". Qual é a diferença? Bondade pode, e deve, repreender e disciplinar; gentileza só pode ajudar. Richard Trench, arcebispo anglicano do século XIX (1807 - 1886) diz que Jesus mostrou bondade quando Ele limpou o Templo e expulsou aqueles que o estavam transformando em um bazar; mas Ele mostrou gentileza quando Ele foi amável com a mulher pecadora que ungiu Seus pés. O cristão precisa daquela bondade que, ao mesmo tempo, pode ser boa e forte. (p. 51) Bondade é, portanto, algo ativo, podendo chegar a ser agressivo, não dispensando a astúcia e a repreensão para produzir o bem nos outros. Assim, Deus pode corrigir, às vezes, muito severamente, e essa é a sua bondade em ação. Do mesmo modo, os pais podem e devem corrigir seus filhos, e isso é bom porque ajuda a produzir um adulto responsável. Na palavra "bondade", as qualidades internas de virtude, excelência de caráter, moralidade e atitude que vemos no comportamento de uma pessoa vêm à tona. Porém, como já foi dito, essa excelência de caráter é relativa, depende de toda uma gama de fatores sócio-culturais. No entanto, o caráter de Deus é único, atemporal e imutável, podendo ser conhecido através da Sua palavra.
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Fruto do Espírito - Episódio 6 - Benignidade
Episódio 6 - Benignidade O amor em contribuir para a felicidade de outros é a benignidade A bondade reflete a benevolência em ação, a bondade que dispõe a pessoa para fazer o bem, mas não uma bondade qualitativamente, mas uma bondade em ação e expressa em atos. Bondade é aquele temperamento ou disposição que se deleita em contribuir para a felicidade de outros, que é exercida com alegria em satisfazer seus desejos e que supre suas necessidades ou alivia suas angústias. A gentileza não é apenas uma disposição doce, mas um traço de serviço. Chrestotes, se traduzido do grego, a palavra, que deriva de xrestos, útil, lucrativo, quer dizer propriamente utilizável, ou seja, adequado para uso, para o que é realmente necessário, útil. Essa bondade útil se refere a atender às necessidades reais, à maneira de Deus, no tempo Dele. Para Richard Trench, é uma "bela palavra, pois é a expressão de uma bela graça ... que permeia e penetra toda a natureza, suavizando ali tudo o que teria sido severo e austero, uma bondade que não tem borda, nem nitidez (no edge, no sharpness in it)... Jesus disse para que façamos aos outros o mesmo que gostaríamos que eles fizessem conosco. Que bem teria em fazer o bem somente a quem nos faz o bem? Por isso ele diz para amarmos nossos inimigos, fazermos o bem, emprestar, sem esperar nada em troca. Para John MacArthur, esse bem, essa gentileza, conota a bondade genuína, a generosidade de coração, uma das virtudes de Deus: Lembra-te de mim, segundo a tua misericórdia, por causa da tua bondade, ó Senhor. (Salmos 25:7) Jesus usou a forma adjetiva (chrestos) em Seu famoso convite para "todos os que estão cansados e sobrecarregados" para virem a Ele, tomarem Seu jugo e aprenderem Dele, para Seu "o jugo é fácil (chrestos) e a carga (dele) é leve." (Mt 11:28, 29, 30) O jugo de Jesus é agradável, benéfico, útil e não causa desconforto. O dicionário da Bíblia Tyndale resume "bondade" como "estado de ser que inclui os atributos de afeição amorosa, simpatia, amizade, paciência, gentileza, gentileza e bondade. A bondade é uma qualidade demonstrada na maneira como uma pessoa fala e age. É mais volitiva do que emocional." E a gentileza extrapola os limites da igreja cristã e permeia também a escola filosófica vigente à época de Jesus, o Estoicismo. Como disse Marco Aurélio: “Mesmo para o pior ato da pessoa mais mal-intencionada. Se você continuar mostrando bondade e der uma segunda chance, você estará gentilmente mostrando onde eles erraram.” Por fim, a gentileza só é possível para pessoas de grande força. Se você tem essa força, use-a. “O amor é paciente, o amor é bondoso (chresteuomai). Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.” 1 Coríntios 13:4
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Fruto do Espírito - Episódio 5 - Paciência
"A paciência é a suprema sabedoria" é o que afirmava Zenão de Cítio, o fundador do estoicismo. Olá! Bem vindo ao episódio 5 desta nossa série de meditações baseadas no livro de Gálatas. E hoje, apesar de se falar muito sobre a paciência, que de acordo com Plutarco, outro filósofo grego, “tem muito mais poder que a força”, nosso foco será na longanimidade, a quarta virtude do fruto do Espírito. O mundo daquela época já vinha sofrendo há alguns séculos grandes influências gregas, em especial a organização dos estudos e a sua filosofia. No entanto, o apóstolo Paulo, ao trazer o assunto do fruto do espírito, diferencia muito bem a ideia de paciência da de longanimidade. A primeira, formada a partir da junção das palavras hipo (uma preposição que significa 'sob') e mêno (um verbo que significa 'permanecer' ou ‘tolerar’), traz a ideia de 'permanecer sob' circunstâncias difíceis - como quando não é possível escapar delas ou evitá-las. O Dicionário Expositivo de Vine de Palavras do Antigo e do Novo Testamento, dá o significado de 'suportar corajosamente (sob o sofrimento).' Já a segunda ideia, a de longanimidade, do grego makrothumia, está relacionada a outra palavra, composta por makros ('longe') e thumos ('ira' ou 'ferocidade') carregando a ideia de 'temperamento'. Assim, makrothumia significa permanecer em um estado de quietude emocional em face de circunstâncias desfavoráveis. São conceitos muito próximos um do outro, mas de acordo com o contexto podemos diferenciá-los, sendo que a palavra traduzida por paciência enfatiza a resistência em meio a circunstâncias difíceis, enquanto a palavra traduzida por longanimidade enfatiza a atitude ou estado de espírito que devemos ter durante os tempos difíceis. Porém, uma das diferenças mais claras é que, enquanto a paciência vem de um esforço humano, a longanimidade é um fruto de uma mente transformada. De fato, a longanimidade é um dos atributos de Deus, tardio em irar-se, e engloba a firmeza e a resistência de se manter longe da ira, da cólera, da raiva...
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Fruto do Espírito - Episódio 4 - Paz
Mas o que é a paz? Logo que comecei a frequentar a igreja, a saudação comum era “A Paz”... mas sinceramente, até começar a estudar o que é o fruto do espírito, não entendia muito bem o que queriam dizer com essa saudação. Vejamos então: Para os hebreus, shalom significa segurança, proteção, prosperidade e felicidade, porque a paz e a harmonia tornam e mantêm as coisas seguras e prósperas. Era uma saudação muito utilizada como uma bênção para aqueles amigos que estavam partindo para um lugar, desejando-lhes o bem. Já para os gregos, a paz, que deriva do verbo eiro, pode ser definida como totalidade, ou seja, quando todas as partes essenciais são unidas; no meio cristão, então, significa a dádiva da integridade de Deus. O que, de acordo com Albert Barnes, veio como resultado da reconciliação com Deus. Como está escrito em Isaías 57, versículos 18 a 21" (“Tenho visto os caminhos do meu povo, mas vou curá-lo; também o guiarei e tornarei a dar consolação, a ele e aos seus pranteadores. Como fruto dos seus lábios criei a paz, paz para os que estão longe e para os que estão perto”, diz o Senhor, “e eu o sararei. Mas os ímpios são como o mar agitado, que não se pode aquietar, cujas águas lançam de si lama e lodo. Para os ímpios, diz o meu Deus, não há paz.” (Isaías 57:18-21)) Os ímpios são como o mar agitado, pois nunca podem estar em repouso; estão sempre, como suas águas, lançando lama e sujeira, ou seja, o estado da mente de um pecador está longe da paz. Ele é frequentemente agitado, alarmado. Justamente por estar em constante conflito com Deus, sente que está alienado dEle. (Por isso, de acordo com Calvino, a Paz está em oposição direta a brigas e contendas, ambas obras da carne.) Em oposição a tudo isso, temos a paz, obra da justiça, e seu efeito é permanente tranquilidade e segurança. Como está registrado no evangelho de João, antes de Jesus partir ele disse que Deixaria a paz; a sua paz ele a daria aos discípulos, mas não como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo. (Jo 14:27) Isso porque a paz que vem de Deus não vem 1. Com os objetos e objetivos que os homens comumente perseguem, como prazer, fama e riqueza, que trazem consigo cuidado, ansiedade e remorso. Estes objetos e objetivos, mesmo quando alcançados, não atendem aos desejos da mente imortal e não são capazes de proporcionar a paz de que a alma precisa. 2. A paz que vem de Deus não é como a que os homens do mundo dão. Os homens saúdam com palavras vazias e lisonjeiras, mas sua amizade declarada pode não ter sinceridade. Você não pode ter certeza de que eles são sinceros, mas eu sou. 3. A paz que vem de Deus não é como sistemas de filosofia e de falsas religiões. Eles professam dar paz, mas esta paz não é real. Por mais bonita que seja, ela não tira o pecado e tampouco reconcilia a alma com Deus. 4. Mas a paz de Deus é aquela que satisfaz todas as necessidades da alma, silencia os alarmes da consciência, é fixa e segura em meio a todas as mudanças externas e permanecerá na hora da morte e para sempre. Quão desejável, em um mundo de ansiedade e cuidado, possuir essa paz! e como todos os que não o têm devem buscar aquilo que o mundo não pode dar nem tirar!
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Fruto do Espírito - Episódio 3 - Alegria
Olá! Seja bem vindo ao episódio 3 deste nosso estudo baseado na Epístola às igrejas da Galácia. A Bíblia diz que o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo. E a segunda virtude do fruto do Espírito, é a alegria, o amor regozijando. Não uma felicidade banal, ou vontade de sorrir, mas um regozijo produzido na mente pela influência do evangelho, através de uma transformação que o amor de Deus derramado em nosso coração produz. Alegria aparece em oposição a tristeza, como em Tiago 4:9; Ou então em oposição a sofrimento, aflição, conforme João 16:20 a 22, passagem em que Jesus explica que A mulher, quando está para dar à luz, fica triste, porque chegou a sua hora; mas, depois de nascida a criança, já não se lembra da aflição, pela alegria de ter trazido alguém ao mundo. Assim também agora vocês estão tristes. Mas eu os verei outra vez, e o coração de vocês ficará cheio de alegria, e ninguém poderá tirar essa alegria de vocês. (João 16:21,22) Mas a alegria sozinha não é ofruto completo e sim uma das virtudes deste fruto do Espírito, uma das uvas de um grande cacho, ou um gomo de uma mexerica, por isso deve vir sempre acompanhada de paz. De acordo com João Calvino, ao conectar paz e alegria, Paulo expressou o caráter desta; pois a consciência não se torna calma e alegre, a não ser quando sente que ela provém de Deus; não havendo alegria real, senão aquela que procede dessa paz. A alegria, que nasce do relacionamento com Deus, vem em oposição às emoções carnais, tal como a felicidade, para preencher um vazio espiritual e existencial que todos homens que vivem da carne e para a carne experimentam. E é justamente em oposição às tribulações trazidas pelas obras da carne que surge o fruto do espírito, pois a carne luta contra o Espírito, e o Espírito luta contra a carne, porque são opostos entre si. Sendo o Reino de Deus justiça, paz e alegria e estando este Reino dentro de nós, ou no meio de nós, conforme Lucas 17:20-21, essa alegria não está na experiências humanas, (de acordo com Albert Barnes) mas sim no amor de Deus, nas evidências do perdão, na comunhão com o Redentor e com o Espírito Santo, no serviço a Deus, na provação e na esperança do céu. “O amor de Deus foi derramado em nosso coração pelo Espírito Santo” e se transformou em um amor que está sempre se regozijando, numa alegria incessante, na consciência da graça de Deus. Permanecendo cheios do Espírito em todas situações, diante de todas aflições, teremos abundância de alegria.
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Fruto do Espírito - Episódio 2 - Amor
Seja bem vindo ao episódio 2 deste nosso estudo baseado na Epístola às igrejas da Galácia. Como vimos anteriormente, em síntese, esta carta trata da legalidade versus a espiritualidade que existia nas igrejas da região da Galácia. Como o alvo das meditações será o fruto do espírito, vamos passar por uma breve introdução ao capítulo 5 para chegarmos finalmente no que é o resultado de ser guiado e levado pelo Espírito Santo de Deus. Este capítulo tem como objetivo induzir os gálatas a renunciarem à sua conformidade com a lei judaica e a se tornarem inteiramente conformes com o evangelho que Paulo pregou a eles. Paulo relembra os gálatas de que eles foram chamados para a liberdade, que o evangelho os libertou. Ainda assim, de acordo com o teólogo do século Albert Barnes, Paulo percebeu como seria fácil abusarem dessa doutrina e viverem como se Cristo os tivesse libertado de toda e qualquer obrigação ou restrição da lei e, contra isso ele os adverte que essa liberdade não poderia dar ocasião às vontades da carne, mas sim que, como foi planejado, eles deveriam servir uns aos outros; e não cair na indulgência de paixões violentas, produzindo luta e ódio mútuo. Como resultado de se dar liberdade às paixões da carne, Paulo elenca o que seriam as obras da carne nos versículos 19 a 21, que seriam, em síntese, práticas, tanto sexuais, religiosas, de relacionamento, ou individuais, que desagradam a Deus e que vão de encontro ao Fruto do Espírito, fruto este que produz uma série de virtudes, sentimentos e afeições mais amáveis, contra as quais não poderia haver lei; Por fim, Paulo diz que aqueles que eram cristãos, de fato, crucificaram a carne. Eles eram obrigados a viver de acordo com os ensinos do Espírito, e Paulo, portanto, os exorta a deixar de lado toda glória vã e inveja, e viver em paz; sendo que toda a lei se cumpre em um só preceito: “Ame o seu próximo como a você mesmo.” E é baseado neste preceito que começaremos nosso estudo, a primeira virtude do fruto do espírito: o amor, que é o vínculo da perfeição (Colossenses 3:14), o elo que liga as qualidades dos homens, que envolve todas as virtudes e as unifica, as quais, sem o amor, são incompletas e insuficientes. E o amor, sendo a base dos dons, conforme lemos em Romanos, capítulo 12, versículos 9 a 21), também é a base do fruto do Espírito: O amor regozijando é a alegria O amor em repouso é a paz O amor exercendo paciência é a longanimidade O amor fazendo bem ao próximo é a benignidade O amor cumprindo sua palavra é a fidelidade O amor suportando as ofensas é a mansidão E o amor se controlando é o domínio próprio Portanto, que tudo o que vocês fizerem, que seja feito com amor. (1 Co 16:14)
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Fruto do Espírito - Episódio 1 - Introdução à Epístola de Gálatas
E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Seja muito bem vindo ao nosso novo programa de meditações bíblicas. Neste tempo, vamos aprender e meditar sobre o fruto do Espírito, descrito no livro de Gálatas. Esperamos que você aproveite e que termine este programa transformado pela palavra de Deus! Vamos lá! A magna carta da liberdade cristã é como a carta escrita por Paulo às igrejas da Galácia é chamada. E é nesta carta que será baseada a nossa nova série de meditações. Depois de já termos passado pelo Pai Nosso, pela carta de Paulo à igreja de Roma e também por alguns Salmos, chegou a hora de estudarmos um pouco algo que é muito comentado no mundo cristão: o fruto do espírito. Diferenciando bem liberdade de libertinagem, Paulo, ao invés de afrouxar os padrões, vai exatamente na direção oposta, tomando-nos pela mão e conduzindo por este caminho. Porque vocês, irmãos, foram chamados à liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à carne; pelo contrário, sejam servos uns dos outros, pelo amor. (5:13) Usando a judaização pretendida por um grupo de judeus convertidos como pano de fundo, em especial a circuncisão, o legalismo é confrontado, pois deu lugar à liberdade que Cristo nos libertou (5:1). Os que querem ser justificados pela Lei estão separados de Cristo, mas os que foram batizados no Espírito Santo vivem pela fé que é operada pelo amor. (...) A história da Galácia, região que hoje faz parte da Turquia, recebeu este nome por causa dos imigrantes gauleses que passaram a dominar a região no século III a.C. depois da grande e frustrada invasão celta na Macedônia. Não tendo conseguido dominar a região, acabaram por formar um território que passou a ser conhecido justamente por galácia. Esse nome se refere a como esse povo era chamado, os selvagens helenizados, ou então, “gauleses que se assentaram entre os gregos”, sendo “chamados de gallo-graeci por sua ligação com os gregos”, de acordo com o historiador grego do século 1º a.C. Diodoro Sículo. De gallo-graeci surgiu a Galácia. O povo que vivia ali era um povo guerreiro, respeitado por gregos e romanos, frequentemente contratado como mercenário, e lutando, por vezes, de ambos os lados em grandes batalhas da época. Porém, de uma aliança mal feita resultou uma série de derrotas, sendo que os gálatas acabaram obrigados a se assentarem permanentemente na região que haviam conquistado e rebatizado de Galácia. Cerca de 50 anos mais tarde, os gálatas foram dominados pelos romanos, passando a serem governados por eles por meio de monarcas locais, o que levou a região a um declínio muito grande. Como essas situações de enfraquecimento abrem margem a transformação, eles foram fortemente influenciados por outros reinos, particularmente, pelo Reino do Ponto, um Estado helenístico com forte estrutura social persa. Por fim, por volta do ano 20 a.C., a Galácia passou a ser uma província romana, mas ainda sob as fortes influências celtas, helênicas e, agora, romanas. Some-se a esses, os judeus que se espalharam pela Ásia menor na época da Diáspora e que permaneceram lá. Paulo esteve na montanhosa e deserta região por volta do ano 48 d.C. e fundou as igrejas de Ancira, Pessimo e Távio, além das igrejas de Antioquia da Pisídia, de Icônio, de Listra e Derbe, frutos da sua primeira incursão à região. Uma região de difícil acesso, com pouquíssimas árvores e um extremo calor no verão, com um inverno totalmente oposto e igualmente adverso, com temperaturas que chegavam a 20 graus negativos, além da presença de neve e tempestades. (...)
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Romanos 12 - Episódio 7 - Alegrem-se com os que se alegram e chorem com os que choram - Meditação
Meditação baseada nos versículos 14 e 15 da carta de Romanos - Alegrem-se com os que se alegram e chorem com os que choram
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Romanos 12 - Episódio 6 - Pratiquem a Hospitalidade - Meditação
Meditação baseada no versículo 13 da carta de Romanos, Ajudem a suprir as necessidades dos santos. Pratiquem a hospitalidade
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Romanos 12 - Episódio 5 - Abençoem e Não Amaldiçoem - Meditação
Meditação baseada no versículo 14 do capítulo 12 da carta de Paulo à igreja de Roma e no episódio 5 da nossa série.
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Romanos 12 - Episódio 4 - Presidência com Diligência e a Alegria na Esperança - Meditação
Meditação baseada nos versículos 11 e 12 do capítulo 12 da carta de Romanos - Presidência com Diligência e a Alegria na Esperança .
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Romanos 12 - Episódio 3 - Amor - Meditação
Meditação baseada nos versículos 9 e 10 do capitulo 12 da epístola de Paulo à igreja de Roma.
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Romanos 12 - Episódio 2 - Um Só Corpo - Meditação
Segunda parte do Episódio 2 da série baseada no capítulo 12 da carta de Romanos, a meditação.
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Romanos 12 - Episódio 1 - Sacrifício Vivo e a Transformação da Mente - Meditação
Segunda parte do Episódio 1 da série baseada no capítulo 12 da carta de Romanos, a meditação.
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Romanos 12 - Episódio 7 - Alegrem-se com os que se alegram e chorem com os que choram - Introdução
hoje estamos chegando ao fim do estudo. A ordem que seguimos não é idêntica à dos versículos na carta, mas julgamos que seria melhor vermos os versículos 15 e 14 no final, por acreditarmos que eles contém as prescrições mais difíceis de serem cumpridas. Grande parte dos outros versículos dizem respeito a ações. Vimos, por meio da abordagem um pouco mais aprofundada das palavras e dos seus significados, a parte mental e psicológica por trás dessas ações. Ainda assim, tratam-se de ações. Nestes dois últimos versículos que vamos estudar, é tratada somente a resposta mental, que é muito mais difícil de se controlar. Ninguém consegue obrigar a sua própria mente a agir de determinada maneira, a não ser que ela já tenha passado por um arrependimento, uma transformação e esteja num estágio avançado da renovação. Paulo instrui: Alegrem-se com os que se alegram e chorem com os que choram. (Romanos 12:15) Claramente, Paulo não fala: sorriam com os que se alegram, mas alegrem-se. Primeiramente, para que isso seja possível, não pode haver inveja no coração. Além disso, a real alegria só pode brotar numa pessoa com grande empatia, o que acontece somente quando passamos a odiar a maldade, sentindo pelos outros um real amor fraternal e sendo fervorosos no espírito, conforme o sentido que foi estudado no episódio 4: a vontade de trazer à tona o “melhor” de Deus, fervendo de interesse ou desejo, a ponto de a pessoa se tornar ardentemente apaixonada por essa ideia. Essa alegria genuína reflete também aquele pensamento de que somos membros uns dos outros, interdependentes, em um só corpo. O teólogo americano do seculo 19, Albert Barnes, explica que alcançado esse estágio, na alegria de um, todo o grupo se alegrará, com a alegria se expandindo sobre a face de toda a sociedade; e a união do corpo cristão tende a ampliar a esfera da felicidade e prolongar a alegria sentida. (Albert Barnes) Agora, a segunda parte do versículo diz respeito à tristeza, em, não somente se entristecer à distância enquanto o outro chora, mas fazer parte da vida dele. Após ver que Maria chorava pela morte de seu irmão Lázaro, Jesus chorou. Todos estamos sujeitos a aflições; Pertencemos à mesma família. Barnes ainda pondera quão triste seria um mundo sofredor se não houvesse ninguém que encarasse nossas mágoas com interesse ou com lágrimas. (Albert Barnes) (Tempo) Por fim, neste nosso estudo não exaustivo, temos o que considero o último estágio da transformação, o versículo 14: Abençoem aqueles que perseguem vocês; abençoem e não amaldiçoem. (Romanos 12:14) Não fazer mal a uma pessoa é relativamente fácil, basta se conter e não agir. Se uma pessoa me fecha no trânsito, basta eu frear, respirar e continuar o meu caminho, não é necessariamente automática a reação ruim a uma situação desagradável. Do mesmo modo, se um estranho me pede ajuda, sabendo eu da passagem de Hebreus 13:2, “Não se esqueçam da hospitalidade, pois alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos”, racionalmente vou oferecer ajuda pois posso estar acolhendo anjos, o que me seria benéfico. Fazendo uso das palavras de João Calvino: Paulo, “em breve [no versículo 19], [ele] dará instruções a respeito da retaliação dos ferimentos que possamos sofrer: mas aqui ele exige algo ainda mais difícil, que não devemos maldizer nossos inimigos, mas para desejar e orar a Deus para que todas as coisas sejam prósperas para eles, por mais que eles possam nos assediar e nos tratar cruelmente: e essa gentileza, mais difícil é para ser praticada, então com o mais intenso desejo, devemos lutar por ele; porque o Senhor nada ordena, no que diz respeito ao que ele não exige a nossa obediência ; nem é permitida qualquer desculpa, se formos destituídos daquela disposição, pela qual o Senhor teria seu povo para que fosse diferente dos ímpios e dos filhos deste mundo.” Calvino continua: “Eu disse que isso é mais difícil do que deixar de se vingar quando alguém é machucado (continua...)
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Salmo 103 - Meditação
Hoje vou te acompanhar nesta meditação guiada baseada no Salmo 103, que ajudará a te trazer harmonia, paz e saúde, qualidades fundamentais para se manter em equilíbrio.
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Salmo 37 - Meditação
Meditação guiada baseada no Salmo 37 e na oração da serenidade de Reinhold Niebuhr.
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Romanos 12 - Episódio 6 - Pratiquem a Hospitalidade - Introdução
No episódio de hoje, seguindo o versículo 13, vamos estudar sobre compartilhar com generosidade e nas necessidades. Cooperai com os santos nas suas necessidades Começando pelo começo, no versículo 13, na versão Nova Almeida Atualizada, a tradução do texto bíblico diz para que se ajude a suprir as necessidades. Na versão católica, para que se socorra às necessidades. Já na King James, a sugestão é para que cooperem com os santos nas suas necessidades, que talvez seja a que mais se aproxime do significado completo do original. Precisamos entender como deve ser difícil a vida de um tradutor que tem que, em uma só palavra, colocar o significado da palavra e o que essa ação representava na época. Saindo do contexto, a palavra inglesa Gentleman originalmente era usada para homens bem nascidos, homens de boa família ou nascimento. Hoje, passados 800 anos, seu significado é de homem de fino trato, aquele homem extremamente bem educado. Na tradução de um texto de dois mil anos atrás, de uma sociedade muito diferente da de hoje, podemos imaginar que a tarefa de um tradutor seja ainda mais árdua. No caso da palavra usada como cooperar, o original do grego era o verbo κοινωνέω, koinóneó, que tinha um significado um pouco mais profundo e duradouro do que as palavras ajuda ou socorro, como usamos atualmente; Significava algo como participar, ou compartilhar, como um associado, um participante. O substantivo derivado desse verbo significa literalmente parceria, uma ajuda contributiva ou participação. Também traz a ideia de comunhão, podendo chegar a ser uma comunhão espiritual, enfatizando o aspecto relacional da irmandade. Vemos que essa ajuda está de acordo com toda a ideia da carta, de que somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, devendo cooperar com nossa função, oferecendo não só um socorro pontual, mas uma irmandade em comunhão. (...) E com quem devemos cooperar? Cooperai com os santos nas suas necessidades. Neste ponto aparentemente todas versões apontam que a cooperação deve ser com os santos, com os fiéis. Isso pode parecer estranho, que ajudemos somente nossos irmãos, mas a continuação do versículo nos oferece a explicação. Por enquanto, vejamos quem são os santos. Santos, ἅγιος, hagios, propriamente, diferente, para o crente significa "semelhança da natureza com o Senhor" por ser "diferente do mundo". Neste sentido, podemos nos lembrar sobre o versículo 2 quando, após feito o sacrifício vivo, aquele que crê toma a forma do reino de Deus. Inclusive, esses são os destinatários da carta de Paulo: “A todos os amados de Deus que estão em Roma, chamados a serem santos”. E em que devemos cooperar? Cooperai com os santos nas suas necessidades. Para finalizar essa frase, nos resta a parte mais fácil, que é definir o que são necessidades. Aqui não há nenhum significado obscuro a ser revelado, necessidade é precisar de algo. Porém, a ideia que surge a partir daí, que os santos precisem de algo, vem para reforçar o corpo com diferentes membros, que de nada servem sozinhos. Todos precisam de algo e a função dos santos é a de cooperar em comunhão para que as necessidades sejam supridas. Além disso, como Paulo fala na carta aos Filipenses, quando ele passou por necessidades e recebeu socorro, sua felicidade não esteve na solução dos problemas, mas sim por o povo de Filipo ter se associado com ele, ter tido a comunhão, nas suas aflições. Portanto, essa comunhão entre aqueles que foram transformados, que vivem a partir de uma realidade divina, que dividem o mesmo senso comum e os mesmos ideais, para a solução de problemas, gera essa grande empatia comum. Passamos agora para a próxima ordenança de Paulo nesse versículo. Pratiquem a hospitalidade. Se a primeira tratou da convivência e comunhão entre os iguais, a segunda trata dos diferentes. Pratiquem a hospitalidade, φιλοξενία, philoxenia, que, propriamente, significa calor, ou simpatia, mostrada a estranhos. É uma palavra que aparece somente duas vezes(continua)
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Romanos 12 - Episódio 5 - Abençoem e Não Amaldiçoem - Introdução
Há algum tempo eu presenciei uma cena peculiar. Dois ciclistas foram fechados no trânsito por um carro. A motorista do carro ainda começou ofendê-los. A atitude considerada normal, seria xingar de volta, mas um dos ciclistas, ao invés disso, se desculpou, mesmo não tendo feito nada de errado. A motorista, então, ficou desconcertada e eu gosto de acreditar que o desfecho tenha sido ela arrependida do que fez, mas nunca saberemos. Hoje eu sei que a justiça não cabe a nós, pois está escrito que “A Deus pertence a vingança; ele é que retribuirá”. Talvez mesmo sem saber, esse ciclista seguiu o provérbio 15:1, tendo sua resposta branda desviado o furor da motorista. Passando agora para o texto da carta de Paulo, ele diz para que os romanos “não paguem a ninguém mal por mal; procurem fazer o bem diante de todos.” Antes, no capítulo 11, versículo 11, havia sido dito que a transgressão dos israelitas serviu para que a salvação chegasse também aos gentios, para fazer com que os judeus ficassem com ciúmes. Os judeus, vendo os gentios salvos, entenderiam e também seriam transformados. Pois bem, logo de início ele fala para não se pagar o mal com o mal, havendo um complemento na segunda parte do versículo 21, “(...) mas vença o mal com o bem”. A frase que precede a ideia de “não se pagar nenhum mal com outro mal”, é “não ser sábio aos próprios olhos”. Sabemos que a Bíblia tem diversas conexões e jamais deve ser lido um versículo fora de contexto, portanto, podemos extrair daí a ideia de que (i) não somos sábios o suficiente para impor vingança ou penalidades; (ii) portanto, devemos deixar isso com Deus; (iii) ficando a nosso cargo somente praticar o bem. Praticar o bem tem dois resultados, (i) um interno, que vai ao encontro dos primeiros versículos do capítulo, no que diz respeito a ter a mente renovada, ser transformado e discernir o que é a vontade de Deus; e (ii) um externo, que alcança o próximo. Gosto muito de uma frase exclamada por um personagem muito conhecido do público geral, o Seu Madruga: “a vingança nunca é plena, mata a alma e envenena”. No contexto do capítulo estudado, podemos entender que praticar o bem é um comportamento que trará o que em grego é denominado anakainósis, uma renovação mental alcançada pelo poder de Deus, passando de um estágio para outro superior, mais desenvolvido. Ao falar para o povo romano não se vingar, Paulo está distanciando aquele que sofreu a maldade de cair novamente nas graças da maldade. (Continua...)
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Romanos 12 - Episódio 4 - Presidência com Diligência e a Alegria na Esperança - Introdução
Hoje, vamos prosseguir no estudo, analisando os versículos 11 e 12, vendo o que podemos aprender com a presidência com diligência e a alegria na esperança. Logo no versículo 11, podemos ver muitos significados e tirar muitos entendimentos um tanto quanto reveladores e que reforçam o fundamento. A tradução bíblica da Nova Almeida Atualizada, diz: Quanto ao zelo, não sejam preguiçosos. Sejam fervorosos de espírito, servindo o Senhor. A versão King James já traz um sentido mais ligado à atenção: não sejais descuidados do zelo. Em duas outras traduções podemos ler: Na dedicação, não hesitantes; ou então, de forma ainda mais direta: O diligente, não hesitante. Precisamos nos lembrar sempre de que toda e qualquer ação deve estar fundamentada na vontade de Deus, que passou a ser conhecida e discernida com a renovação da mente, com o sacrifício vivo e com o culto lógico e racional. A partir daí podemos prosseguir. Primeiramente, o zelo, ou a dedicação, estão ligados ao versículo 8 do mesmo capítulo, que diz que “quem preside o faça com zelo, com dedicação”. Presidir, que também é traduzido como liderar, ou exercer liderança, tem o significado, para o grego, de "preestabelecido", referindo-se a um caráter pré-definido, e bem estabelecido, que fornece o modelo necessário para direcionar os outros, ou seja, para impactá-los positivamente por meio do exemplo. A liderança, portanto, se baseia num modelo pré-definido, que é a vontade de Deus. Seguindo esse molde, quem tem o dom da liderança deve liderar com diligência, ou zelo. Esse comportamento, não é de excesso de cuidado somente, mas um esforço para se extrair o “melhor” de alguém. Um pouco mais aprofundado, tem o sentido de obedecer rapidamente ao que o Senhor revela ser a Sua prioridade. Isso eleva o melhor acima do bom - o mais importante acima do importante - e o faz com sincera rapidez e intensidade. Resumidamente, temos que a liderança é feita a partir da vontade divina e deve ser feita com prioridade. Reforçando essa ideia, Paulo nos ensina que quem lidera não deve ser preguiçoso, mas, sim, fervoroso. Em oposição à diligência, o homem não pode ser hesitante, ou então relutante, mas sim estar profundamente comprometido com algo, de tal modo que, juntamente com esse comprometimento, surja um desejo de concretização. A pessoa deve colocar o coração em exercer a liderança, deve estar completamente empenhado nisso. Essa vontade de trazer à tona o “melhor” de Deus deve ser fervorosa, fervendo de interesse ou desejo, a ponto de a pessoa se tornar ardentemente apaixonada por essa ideia . Agora… o versículo 12, em que Paulo nos diz: Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação e perseverem na oração, poderia a grosso modo ser resumido em uma simples ideia: medita na palavra de Deus de dia e de noite. O conceito de esperança, ἐλπίς, elpis, para os gregos, trazia o sentido de “se antecipar” ou “se acolher bem algo”, ou, propriamente, “a expectativa do que é certo”. Enquanto alegrar-se, χαίρω, Kairó, trazia a ideia de se experimentar a graça, o favor de Deus. Ou então de se estar consciente de sua graça. Quem pôde discernir sobre a vontade de Deus, não tem motivo para não estar consciente do que o espera, logo, a alegria é uma consequência daquele que está sempre em contato com o evangelho. Para aqueles que sabem que está próximo o reino de Deus, onde cegos vêem, coxos andam e os surdos ouvem, que o sabem por estarem meditando e orando, não há motivos para perderem a esperança, mas devem ter coragem e bom ânimo. (Continua ...)
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Romanos 12 - Episódio 3 - Amor - Introdução
No episódio de hoje vamos abordar os versículos 9 e 10: O amor seja sem hipocrisia. Odeiem o mal e apeguem-se ao bem. Amem uns aos outros com amor fraternal. Quanto à honra, deem sempre preferência aos outros. O amor é um dom de Deus expresso de forma prática e adequada por meio do Espírito Santo, e funciona também como suporte para o exercício de todos os demais dons e manifestações do próprio Espírito. A renovação da mente passa por diversas esferas. Depois de nos colocarmos como parte de um corpo, precisamos passar para a próxima fase, que é amar se hipocrisia. Só uma mente renovada por Cristo consegue amar dessa forma. Gregos Para os gregos, o amor pode aparecer em quatro formas: O primeiro tipo de amor que podemos citar é o amor Éros, mais relacionado à sexualidade e ao romantismo, derivado do deus grego de mesmo nome. Ele é parte da essência humana e fundamental para o relacionamento de um casal, tendo sido celebrado por diversas vezes, como nos cânticos de Salomão. O segundo tipo de amor que aparece na Bíblia é o Stórge, que define o vínculo afetivo que se desenvolve naturalmente entre pais e filhos e irmãos e irmãs. É justamente esse amor que aparece no versículo 10 de Romanos 12 quando Paulo diz para que os homens dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. O terceiro amor é o amor philéo, decorrente de um poderoso vínculo emocional visto em amizades profundas. É o amor que aparece em João 15:12, quando Jesus dá aos seus discípulos um novo mandamento: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. O quarto tipo de amor para os gregos é o amor agape. Este termo define o amor imensurável e incomparável de Deus pela humanidade. É o amor divino que vem de Deus. O amor agape é perfeito, incondicional, sacrificial e puro. É o amor que se tem depois de se receber o Espírito Santo. É o amor que leva uma pessoa a se sacrificar para salvar as outras. Hebraico Antes dessa grande diferenciação dos tipos de amor na Bíblia, o hebraico usava somente uma forma, a palavra ahava (אהבה), sendo sua raiz formada pelas letras aleph (א), hei (ה), e vet (ב). A primeira parte desse vocábulo, formada apenas com hei e vet, ou seja hav, significa dar. Com a inclusão da letra alef, esta palavra se torna ahav (אהב), que significa que eu dou, mas ahav é também o termo hebraico para “amado”. (Jewishmag) Então, diferentemente do grego, que vê o amor como um sentimento, o hebraico vê o amor como uma ação, uma atitude. Como nos já citados versículos 12 e 13 de João 15, o maior ato de amor é o de dar a sua vida pelos seus amigos. A essência do amor, portanto, envolve ação. Amor não é algo que simplesmente acontece conosco, mas algo que nós criamos através de nossas ações, quando damos de nós mesmos, aos outros. (Chabad) Uma vez que não temos controle sobre o outro, o amor não começa com a outra pessoa; é preciso que comece em nós mesmos. O Evangelho de Mateus, no capítulo 16, versículos 24 e 25 relata que Jesus falou aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. (Mateus 16:24,25) (Continua ...)
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Romanos 12 - Episódio 2 - Um Só Corpo - Introdução
Alguma vez, você já se pegou valorizando alguma atitude ou serviço que geralmente não são valorizados? Eu, ao mesmo tempo em que sempre tive grande admiração por bons garçons, sentia que uma grande injustiça era cometida contra eles. Muitas vezes, eu ia a restaurantes em que os garçons tinham o dom de se lembrar do cliente, da sua comida favorita, da sua bebida predileta. Porém, esse dom não é tão valorizado pelo mundo quanto, por exemplo, o dom de desenvolver complexas fórmulas matemáticas que aumentam o retorno de investimentos financeiros. Essa desigualdade me chateava. O dom de tratar bem as pessoas, no nível de atendimento de restaurante, não recebe, nem financeira nem socialmente, a mesma valorização de se tratar bem o dinheiro. Vejamos o que Paulo tinha a dizer sobre a forma como nos vemos e vemos os outros. Auto-imagem Logo no versículo 3, a mente continua a ser tratada. O verbo φρονέω, phroneó, aparece quatro vezes, sozinho ou associado a algum prefixo, formando as ideias de 1. pensar de si mesmo além do que convém [ser pensado], que se opõe 2. a pensar de si mesmo com moderação. O verbo, propriamente, tem o significado de: regular de dentro para fora, como, a partir de uma perspectiva interna se sucede um comportamento externo correspondente. Essencialmente, equivale a como a opinião de si próprio se desenvolve numa ação. É uma ideia difícil de se traduzir, pois combina os aspectos viscerais, emocionais, e cognitivos do pensamento. As duas vezes em que o verbo aparece ligado a um sufixo, i. pensar além do que convém e ii. pensar com moderação, transmitem a ideia de que esses pensamentos acerca de si mesmo trazem comportamentos externos correspondentes. Pensar além do que convém, em grego, ὑπερφρονέω, huperphroneó, pode ser traduzido como “orgulhoso além do necessário” e a ideia completa do verbo leva a que essa perspectiva regula o comportamento da pessoa, levando-a a agir com altivez, sem humildade e sem um verdadeiro senso de realidade, de acordo com o professor e autor do livro O Léxico Grego do Novo Testamento, George Abbott-Smith. Em oposição, o verbo com o sufixo σωφρονέω, sóphroneó, passa não só a ideia de se pensar com moderação, mas astutamente. Para aquele que crê, reflete o que Deus define como a verdadeira moderação, (combinando as extremidades da verdade em ambos os lados de uma questão,) quais dons recebemos e o que pensamos sobre nós mesmos. Aprofundando um pouco mais, para se ter a ideia sobre a relevância desse pensamento, toda essa família de palavras gregas deriva da raiz sophro, sendo que soos significa “seguro” e phren significa “o que regula a vida”. Logo, todo esse pensamento, seja moderado ou orgulhoso, é o que vai regular nossa vida. O Corpo Depois de tanta teoria um tanto quanto profunda, vamos passar para algo mais dinâmico e prático. Nos versículos seguintes, temos uma ideia relativamente simples, de que, assim como num só corpo há muitos membros, cada um com a sua função, assim também nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros. Juntando as ideias, podemos passar para os dons: já sabemos que somos parte de um só corpo e que devemos pensar sobre nós mesmos com moderação, considerando os dons que recebemos, como eles regularão nossas atitudes e, então, moldarão o corpo de Cristo. (Continua...)
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Romanos 12 - Episódio 1 - Sacrifício Vivo e a Transformação da Mente - Introdução
Este programa está dividido em sete fases. A cada fase, teremos uma pequena aula introdutória e, então, partiremos para a meditação, para desenvolver e fixar o que foi aprendido. Preparamos ainda uma masterclass com uma introdução sobre a carta aos Romanos, apresentando conceitos sobre os dados históricos, teológicos, sociais e outros que envolvem a epístola e a época em que foi escrita. Se não a ouviu, sugerimos ouça para aproveitar melhor estas lições. Bom, a carta à igreja de Roma, que era composta por gentios e judeus que criam em Jesus Cristo, é considerada por muitos como a mais importante e completa das cartas escritas por Paulo. Ela esclarece alguns dos seus ensinamentos prévios, que geraram dúvidas, como os que constam em Atos 13, 15 e 21; e também tem por fim promover a união entre os judeus e gentios que compunham aquela igreja. Numa época em que a soberba e o egocentrismo estão em alta, vemos nos ensinamentos deste capítulo um antídoto para o mal deste século. Com isso em mente, passemos agora para alguns dos ensinamentos que podemos extrair do capítulo 12, dividindo-os em 7 etapas, começando hoje pelos versículos 1 e 2 e, tudo correndo bem, acabaremos transformados pela renovação da nossa mente, experimentando a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Nessa primeira fase, é justamente disso que vamos tratar: da renovação da mente que leva a uma transformação. Importante falarmos que este capítulo 12 trata como o cristão deve se relacionar com Deus e com a igreja. Portanto, veremos muitas instruções que devem alterar os comportamentos das pessoas. Logo de cara, Paulo pede algo que pode soar impossível para a maioria, que o corpo seja oferecido em sacrifício vivo, sendo que este seria o culto racional. Primeiramente, começaremos entendendo o significado de “Sacrifício vivo”. Essa espressão pode causar estranheza a um desavisado, visto que um sacrifício normalmente traz à mente a ideia de morte. Mas, neste caso, como o adjetivo vivo esclarece, ninguém precisa morrer fisicamente, mas sim abrir mão das tentações mundanas. Como Paulo falou um pouco antes na sua carta, no capítulo 6, a igreja de Roma viveu uma transformação. Antes eram escravos do pecado, mas tendo adquirido conhecimento da verdade e passado a seguir a doutrina de Deus, foram libertos, transformando-se, assim, em servos da justiça. Então, assim como antes eles eram cativos da impureza e da maldade, depois de começarem a seguir a doutrina de Deus, deveriam passar a se oferecer como escravos (doulos) da justiça. O verbo oferecer aqui tem um significado mais profundo do que o que usamos, por exemplo, em “oferecer uma xícara de café”. Conforme as regras cerimoniais da época, era o sacerdote que executava os sacrifícios, então as pessoas levavam o animal que queriam que fosse sacrificado e o ofereciam, para que o sacerdote realizasse o serviço. Depois de entregue, ou oferecido, o animal não podia ser pego de volta. Logo, se alguém se oferece em sacrifício, está consumado. Sua explicação para a transformação que a igreja viveu é que, livres do pecado, sendo então servos da justiça, o fruto que colhem é a santificação. Uma pessoa não pode amar dois senhores, se ama um odeia o outro. Se uma pessoa ama o pecado, se é serva do pecado, logo odeia a justiça. Uma vez ser serva da justiça, odeia o pecado. Trocando em miúdos, oferecer o corpo em sacrifício vivo significa começar a odiar o pecado e a amar a justiça, ficando, assim, morto para o pecado mas vivo para a justiça.(...)
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Pai Nosso - Oitava Fase - Mal
As três primeiras súplicas do Pai Nosso nos levaram em direção a Deus: vosso nome, vosso reino, vossa vontade! A segunda série de súplicas apresentou nossas expectativas, sobre nós e sobre este mundo. Reconhecemos a realidade de um reino de Deus, assim como Sua vontade. O pão e o perdão foram os pedidos em relação à nossa vida, para alimentá-la e para curá-la. Chegamos finalmente às duas últimas, com pedidos que se referem ao caminho a ser percorrido para que alcancemos a vitória, apesar das aflições: ficarmos longe das tentações e livres do mal. A tentação é algo que está presente praticamente desde a criação do mundo. Em sua primeira aparição, na forma de uma serpente, foi oferecida a falsa possibilidade aos homens de que se abririam-lhes os seus olhos, assim eles passariam a ser como Deus, sabendo o bem e o mal. Saindo do primeiro livro da Bíblia e indo para o último, Apocalipse conta que Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram(...). E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos. (Apocalipse 12:7-9) Do início ao fim da Bíblia, a sedução, a tentação, está presente na terra, um mundo de trevas que jaz no maligno. Em consequência, todos estamos expostos à influência dos dominadores deste mundo, da velha serpente, e sozinhos não conseguimos escapar dela. Na verdade, toda ação nossa acaba nos levando em direção a alguma tentação. Em toda resposta do ambiente reside uma possibilidade de descrença ou de desobediência. Na oração do Pai Nosso, que foi originalmente escrita em grego, o pedido que se faz é para que eu não seja levado à tentação, em direção a ela. Em oposição a isso, com o uso da conjunção adversativa mas, que sejamos libertos do mal. Então, em oposição à possibilidade apresentada em Gêneses de sermos como Deus, se encontra o significado da passagem de Apocalipse: é o arcanjo Miguel que peleja contra o tentador. Seu nome, Miguel, deriva de uma frase hebraica que pode ser traduzida como: "não há ninguém tão famoso e poderoso como Deus". Ou seja, a resposta para essas últimas súplicas, de não cairmos em tentação e sermos livrados do mal, está justamente no próprio Pai Nosso. Como num loop, como se orássemos sem cessar, a resposta estaria justamente nas súplicas iniciais: Na humildade perante o Pai. Nos pensamentos direcionados ao reino de Deus. No amor fraternal, com mais honras aos outros do que a nós mesmos. Um alimento físico e mental diário. Um arrependimento diante dos erros. Uma aproximação maior do caráter de Deus. Assim, estaremos livres do mal. Chegamos aqui ao final do nosso programa. Obrigado por nos acompanhar nessa jornada através dessas meditações guiadas baseadas na oração do Pai Nosso. Esperamos sinceramente que tenha aproveitado muito, assim como nós aproveitamos preparando este material. Lembre-se de que a meditação, assim como o caminho que nos leva a Deus, depende da prática e da repetição, vigiando e orando sempre. Esperamos te reencontrar em breve. Muito obrigado.
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Pai Nosso - Sétima Fase - Perdão
Desde 2017 o GEMCA - Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular, ligado à Sociedade Brasileira de Cardiologia, realiza pesquisas relacionadas à espiritualidade aplicada na medicina, sendo que o perdão é uma das áreas de pesquisas. Nesses estudos, mapeamentos do cérebro, com exames de imagem, encontraram, durante episódios de emoções muito fortes, alterações químicas decorridas de situações muito parecidas com as que necessitam de perdão. Sabendo que é do cérebro que partem estímulos nervosos para o resto do corpo e, sobretudo, para o coração, os pesquisadores entenderam que essas situações estressantes, traumáticas e que geram mágoa e raiva causam impacto no sistema cardíaco. Os pesquisadores disseram que “Em alguém com raiva crônica, o cérebro fica modificado”, e que conseguiram “ver, no diagnóstico por imagem, essas alterações”. Isso sobrecarrega o coração, levando a episódios de infarto. Na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, um estudo que contou com 202 informantes entre 19 e 29 anos, mostrou, pela primeira vez, que o perdão tem efeito de longo prazo para a saúde do coração. Esse estudo esteve ligado aos marcadores de estresse e aos hormônios que nos deixam em constante estado de alerta, prejudicando nosso repouso e nossa paz interna. Quando um momento traumático é registrado pela nossa mente e nossa memória recupera com frequência esses sentimentos, essas emoções negativas causam um efeito permanente de desgaste da nossa saúde física. As memórias reativam a química do organismo, como se a pessoa estivesse vivendo o tempo todo a dor, e o corpo acaba liberando os mesmos hormônios. Pensar na pessoa que nos feriu gasta energia cognitiva, afeta nossos cérebros e corpos, aumenta os níveis de hormônios do estresse em nossa corrente sanguínea e pode elevar a nossa pressão arterial, contribuindo para o ganho de peso. Ela afeta nossa capacidade de se concentrar e guardar novas memórias. Guardar mágoa cria uma névoa em torno de sua mente e um peso em seu corpo. Isso é mais que uma metáfora, porque estudos descobriram que as pessoas podem saltar mais alto depois que, conscientemente, perdoaram alguém. Outros estudos mostraram que pessoas que pensavam sobre um rancor viram tarefas físicas se tornarem mais exigentes. No grego, o verbo para perdão que aparece na oração do pai nosso é aphiémi (afiimi), que significa propriamente mandar embora; liberação. Pode ainda ser definido como deixar em paz ou permitir. É um verbo transitivo direto, ou seja, que necessita de um complemento, de algo para ser perdoado. Jesus ensina, na versão do evangelho de Mateus, que são nossas dívidas, ou ofensas, ou ainda débitos que devem ser perdoados. Palavras que derivam do verbo opheiló, (Ofiló) dever. Já na versão de Lucas, o perdão é para os pecados. Pecado vem da palavra grega hamartia, (Amartía) (a significa não e méros quer dizer parte), o que é traduzido como erro. Deriva do verbo hamartanó, (Amartano) errar o alvo, errar, pecar. Assim como as outras pessoas comentem erros diante de nós, nós também cometemos erros diante dos homens e, pior, diante de Deus. Quando os erros partem dos outros, cabe a nós liberarmos perdão. Quando os erros são nossos, cabe a nós pedirmos perdão. Diferentemente de remorso, o pedido de perdão sincero exige que entendamos esse erro, o vejamos como erro e, deste modo, tenhamos arrependimento...
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Pai Nosso - Sexta Fase - Pão
As três primeiras súplicas do Pai Nosso nos levaram em direção a Deus: vosso nome, vosso reino, vossa vontade. A segunda série de súplicas vai apresentar nossas expectativas, sobre nós e sobre este mundo. São pedidos referentes à nossa vida, para alimentá-la e para curá-la. O trigo, atualmente, é o segundo alimento mais consumido do mundo, ficando atrás do arroz. Era um elemento básico da dieta hebraica e parte intrínseca da sua cultura, sendo tema de passagens bíblicas importantes, como a parábola do joio e do trigo. Quando Moisés dá a descrição da terra prometida em Deuteronômio 8:8, ela é apresentada como boa terra, terra de ribeiros de águas, de fontes, e de mananciais, que saem dos vales e das montanhas; é terra de trigo. Passando da matéria prima para o produto final, a produção do pão naquela época não era algo simples. Havia os processos manuais do plantio do trigo, da sua colheita e da moagem. Depois, deveria ser peneirado, transformado em massa, amassado, feito em forma de bolos, e então assado. O pão é citado em Salmos 127:2 como o pão que conseguiram com tanto esforço, ou o pão de dores. Sua produção foi difícil desde Gênesis 3:19: Com o suor do teu rosto comerás o teu pão. O pão aparece para o hebreu como uma comida tão fundamental, tão diretamente ligada à ação primária de sustento físico do corpo, que na língua hebraica, o pão (lechem) deriva diretamente do verbo comer, ou usar como comida (lacham). Mas esse conceito não é ligado somente à parte física. Se considerarmos as letras que formam a palavra lechem, pão, a primeira letra, lamed, significa aprender e ensinar. Seu conceito está ligado à ânsia de se interiorizar o conhecimento. A segunda letra, ח, o chet, (pronuncia ret) traz o conceito da dialética de "ir e vir" entre a unidade absoluta de Deus e a aparente pluralidade da Criação. Está ligada ao medo e à força da vida. A última letra, o Mem, traz o conceito do brotar da sabedoria, e está ligado à água. Da junção dessas letras, o significado de pão está relacionado com o conhecimento, com a sabedoria, mas sempre com uma dualidade de se ensinar e de aprender. De ir e de vir. De medo e de força. Quando o diabo tenta Jesus no deserto, sugerindo que ele transformasse pedras em pães, Jesus responde com uma passagem de Deuteronômio, dizendo que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor, a mesma passagem em que a terra prometida é citada, a terra de trigo. Jesus mostra que o sustento físico vem do pão, mas o sustento espiritual vem da palavra de Deus. No grego, língua em que o novo testamento foi escrito, a palavra que designa pão (artos) está ligada ao verbo airó, que significa aumentar, elevar, sustentar. Nas tentações do deserto, este verbo aparece quando o diabo diz que os anjos tomariam Jesus nas mãos caso ele pulasse, que eles o sustentariam nas suas mãos. Os anjos sustentariam Jesus assim como o pão o sustentaria. Na mesma dualidade da palavra no hebraico, o pão sustenta tanto física quanto espiritualmente. Além disso, sendo a refeição uma espécie de Eucaristia para os judeus, o pão, que era partido e partilhado entre a família, significava, além da provisão diária, a comunhão. Voltando agora para o texto da oração, vemos que não há ostentação, mas sim uma comida simples e ordinária. Não se pede comida para fazer estoque, mas sim o pão do dia para o dia.
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Pai Nosso - Quinta Fase - Vontade
Hoje vamos explorarmos o conceito da vontade de Deus e meditar nessa ideia. A Bíblia começa relatando que no princípio, criou Deus o céu e a terra. E disse Deus: Haja Luz. Cada dia criativo começa com a fala de Deus. A criação da luz, dos mares, das plantas, dos animais e dos homens, tudo se deu conforme a sua vontade, através da sua palavra. Ao final de cada dia, viu Deus que aquilo que fora criado era bom. Ao final da sua criação, Deus viu que tudo aquilo era bom. Deus, então, amou o mundo. E nos amou primeiro. O tempo passou e, com o livre arbítrio, o homem acabou se afastando de tudo aquilo que era bom, mas a vontade de Deus permaneceu boa. Com as inquietações da alma e os ruídos do mundo, o homem se afastou ainda mais de Deus, caindo em tentação e aflições. O apóstolo Paulo, ciente de todas as aflições que o mundo causa, em sua carta aos romanos, lhes apresenta uma transformação através da renovação do entendimento para que possam experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. A vontade de um pai para o seu filho é de plenitude, de segurança, de sustento. Mas para isso precisamos estar na nossa posição de filho, de herdeiro maduro, de sucessor. Como filhos muitas vezes imaturos, não conseguimos ver o fim, por isso tendemos a achar que a vontade de Deus pode não ser perfeita. Quando conseguimos silenciar os ruídos do mundo, podemos ver a obra completa. (Vendo a obra completa, passaremos a aceitar o seu meio.) Através da leitura da Bíblia e da meditação na palavra de Deus, a vontade dEle vai se revelando. Deus não quer que nenhum de nós se perca, mas, justamente por termos o livre arbítrio, podemos escolher se agimos como filhos maduros ou imaturos, seguindo ou não as vontades de Deus. Deus deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade (1 Timóteo 2:4), que é alcançado através do conhecimento da palavra de Deus e da meditação nela. Deus deseja que nós sejamos santos, porque Ele é santo" (1 Pedro 1:15-16). Assim, não nos conformaremos com este mundo e seguiremos nos apresentando em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Romanos 12:1,2). Deus deseja que todos os homens se amem, assim como ele amou o mundo e nos amou. Essa é a boa vontade de Deus.
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Pai Nosso - Quarta Fase - Reino
Hoje vamos aprender e meditar a respeito da segunda súplica: venha a nós o vosso Reino. Desde que foi escrito o livro de Deuteronômio (8.14), cujo nome, de acordo com o Hebraico, significa "palavras ditas [por Moisés]", ou, segundo a Septuaginta "uma segunda lei", fica claro que Deus nunca quis colocar um rei para governar Israel, Ele gostaria que o povo continuasse O seguindo apenas. No entanto, já agindo conforme o mundo e os povos que o cercavam, Israel pediu um rei (conforme está escrito em 1 Samuel 8,20). Deus, através das palavras de Moisés, já previa que o rei colocado não seria um bom governante, mas mesmo assim deu algumas regras para que sua vontade fosse cumprida. O rei tinha que ser um homem apegado à Palavra de Deus. Tinha que (1) fazer uma cópia da lei para seu uso pessoal, (2) mantê-la à mão o tempo todo, (3) lê-la todos os dias e (4) obedecê-la completamente. Por meio deste processo aprenderia o respeito a Deus e como implementar Sua vontade na Terra. Seria um Rei Regente. O povo hebreu se deixou levar pelo conceito humano de reino, que seria comida e bebida, guerra e conquistas, e não entendeu que o Reino de Deus é justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. (Romanos 14:17) Quis um rei humano, não um rei celestial que aplicasse sua perfeita vontade. Depois de Jesus ter sido batizado por João Batista e tentado no deserto pelo diabo, ele começou a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. A Bíblia conta que o povo, que estava assentado em trevas, Viu uma grande luz; aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou. (Mateus 4:16-17) Com as pregações de João Batista e os ensinamentos de Jesus, então, a ideia de reino celestial é reapresentada. Ambos, ao anunciarem a chegada do Reino de Deus, começam dizendo: Arrependei-vos. Na tradução do grego, o verbo metanoéo, ligado ao substantivo metanoia, junta o sentido literal "mudar de mentalidade" ao sentido moral "arrepender-se". No cerne da palavra está o vocábulo nous (que significa mente): portanto, a essência da ideia é que primeiro haja mudança mental, e depois o arrependimento é um sintoma. Mais tarde Paulo também ensinaria que, para que pudéssemos experimentar a vontade de Deus, não poderíamos nos conformar com este mundo. Para isso, segundo Paulo, seria preciso passar por uma renovação do nosso entendimento. Jesus usou a palavra reino por ser o conceito de governo conhecido à época. Porém, ao se ter um Deus - Pai como rei, o reino seria algo diferente daqueles conhecidos. Seria um reino onde o Rei quer uma vida plena a seus súditos; Onde o Rei quer que sua perfeita vontade seja conhecida, entendida e esteja sempre presente. Onde o Rei não tenha súditos, mas sim filhos. Filhos que compartilhem a mesma natureza de seu pai. Filhos que se assemelhem cada vez mais com o caráter de Deus. Filhos que vivam em conformidade com a natureza do Pai e com o seu reino.
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Pai Nosso - Terceira Fase - Santificado
Hoje vamos nos focar na primeira súplica feita na oração: Santificado seja o vosso nome. Que o nome do Pai seja santificado. Depois de vermos as características de Deus, um pai que dá sustento e proteção, que provê, que sara, que traz paz; e também as características que se espera de um filho maduro, aquele que é fiel e humilde perante o Pai; vamos aprender que temos de honrar seu nome. A honra ao nome do pai expressa de maneira concreta o amor filial. Teresa de Lisieux, freira francesa do século 19, ensina que, em oposição à santificação do nome do Pai, existe a blasfêmia, que, nada mais é do que um meio de se desonrar a essência divina, parodiando-a impunemente, a fim de que o homem tenha de Deus somente uma caricatura. [Teresa de Lisieux, Manuscrito A 52r.] A blasfêmia significa um esquecimento da filiação divina e, portanto, um esquecimento de si mesmo. De acordo com o segundo mandamento dado por Deus a Moisés, não devemos pronunciar o nome do Senhor, nosso Deus, em vão (Ex 20,7). Essa lei não era para o nome de Deus não cair na boca do povo, mas sim para ele se manter santo, na tradução do hebraico qadash, ou seja, que o seu nome fosse separado da enfermidade humana, da impureza e do pecado; Nas antigas culturas do Oriente médio, um nome era muito mais do que um rótulo arbitrário que designava algo ou alguém. Um nome era a representação simbólica do caráter essencial de uma pessoa. Quando oro “Santificado seja o teu nome”, estou, através das palavras, dizendo e afirmando que o caráter de Deus, representado pelo seu nome, é sagrado. Magnificar e glorificar quem Ele é através dessa súplica nos traz uma conexão com suas características e caráter, aumentando nossa fé e confiança nas Suas direções. Em Mateus 6, o verbo grego para santificado, hagiazo, significa entregar ou reconhecer, ou então ser respeitado ou santificado. Os significados orbitam em volta de se reconhecer e respeitar. Como a primeira de uma série de três súplicas (santificar o nome, vir o reino, e se fazer a vontade) que nos levam em direção a Deus, reconhecer a santidade de Deus faz parte do nosso papel de filhos humildes. Nas palavras de São Cipriano, "quem poderia santificar a Deus, já que é Ele mesmo quem santifica? Mas, nos inspirando nesta palavra: ‘Santificai-vos e sede santos, porque eu sou santo’ (em Lv 11,44), nós pedimos que perseveremos naquilo que começamos a ser. Pedimos isto todos os dias, porque cometemos faltas todos os dias e devemos sempre buscar uma santificação sem cessar. [...] Recorremos, portanto, à oração para que esta santidade permaneça em nós” (De dominica oratione, 12). Bento XVI, ao comentar sobre o “Pai nosso”, nos convida a um exame de consciência, no modo como tratamos o nome de Deus: “como é que eu me relaciono com o santo nome de Deus? Como me situo com respeito diante dele? Como me preocupo com que a presença de Deus no meio de nós não seja jogada na lama, e que nos puxe para cima, para a sua pureza e santidade?” O que isso significa é que quando oro, "Santificado seja o teu nome", estou pedindo que a essência da santidade de Deus seja revelada e esteja presente em todas as minhas ações e pensamentos de forma que expressem quem Ele é, revelando a santidade de Deus. Minha oração diz que, no momento em que proferir essas palavras, estou dedicando tudo o que sou, tudo o que faço, todo relacionamento que tenho, cada conexão entre mim e a criação, estou dedicando tudo isso a honrar as características e o caráter de Deus. Santificar Seu nome significa tornar tudo sagrado!
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Pai Nosso - Segunda Fase - Filho
Hoje vamos nos focar na nossa posição de filhos de Deus. Se há um pai, é porque há também um filho. Depois de entendermos a posição do pai, tanto de Pai celestial como de um pai terreno, precisamos compreender nosso lugar neste reino. A primeira aparição da palavra filho se dá em Gênesis 3:16, quando Deus institui a dor de parto para as mulheres, multiplicando-a grandemente. Filhos aí aparece como a palavra hebraica Ben (בֵּן). Ben deriva do verbo Banah, que significa construir. Contidos nesta palavra estão os conceitos de pai, Ab, e também de irmão, Ach. Este último ainda tem o sentido figurado de semelhança. Podemos chegar a conclusão que o verbo construir carrega nele os conceitos de semelhança com o pai, ou seja, é uma construção baseada na figura do pai. Isso se faz óbvio quando lemos Gênesis 5:1, no dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez. Continuando na análise, a primeira letra da palavra Ben é Bet, que invoca todos os significados da palavra Aba (pai). A segunda teria, então, que trazer algum significado relacionado ao filho, e isso é feito através da letra Nun (no hebraico não existem vogais). De acordo com estudiosos do hebraico, Nun representa tanto a fidelidade quanto a recompensa pela fidelidade. Sua ortografia sugere que aquele que é humilde diante de Deus vai ficar de pé no final do dia (quando usado no início e meio das palavras, sua figura lembra uma pessoa ajoelhada (נ), no final da palavra, uma pessoa de pé (ן). Além disso, em aramaico, a língua que Jesus falava, a palavra Nun significava peixe, um símbolo de Jesus, o filho de Deus. Depois de tantas informações, podemos chegar a conclusão que o filho, construído à semelhança do pai, deve ser uma pessoa humilde e fiel. Ao final do dia, terá a recompensa pela fidelidade e se manterá de pé. Mas tudo isso tem a ver com a nossa posição de filhos e depende se somos filhos maduros ou imaturos. Conforme 1 Pedro, capítulo 5, versículos 6 e 7, indo ao encontro do significado da letra Nun, lemos Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. Ou então conforme Ezequiel 21:26: Tire o turbante e a coroa. Não será a mesma; os humildes serão exaltados, e os exaltados serão humilhados. Perceba que não se trata de uma pessoa ser humilhada, de ser rebaixada ou colocada em situações humilhantes, vexatórias, mas sim de ser humilde. Além da posição de filho que enxerga no pai a figura de liderança, que é humilde em relação às suas decisões, no grego do novo testamento, aparece uma diferenciação entre os tipos de filhos que podemos ser: Em Romanos 8:14, lemos Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus, a palavra para filhos é Huiós, propriamente, um filho, por nascimento ou adoção; figurativamente, qualquer pessoa que compartilhe a mesma natureza de seu pai. Na sequência, no versículo 16, a palavra filho aparece como teknon, propriamente, uma criança; (ou figurativamente) qualquer pessoa que viva em total dependência do Pai celestial. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus. No inglês, filho, aí, é traduzido como criança, mostrando a característica ainda imatura. (...)
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Pai Nosso - Primeira Fase - Pai
No português, a palavra pai tem sua origem na palavra latina Pater, que tem os significados de: Figura paternal Genitor Aquele que cuida de uma família Aquele que gerou Aquele que é responsável pela criação de alguém. O Hebraico, por ser um idioma ancestral, está diretamente calcado na agricultura e na pecuária, baseado na realidade do povo que vivia nos tempos em que ele foi criado e desenvolvido. Na época do antigo testamento, existiam cerca de 8 mil verbetes somente, fazendo com que as palavras no hebraico possuíssem muito mais significados do que as da língua portuguesa, cerca de vinte vezes mais. Muitas palavras têm nas próprias letras a origem do seu significado ou então um significado mais aprofundado, construindo conceitos e criando novas realidades. No caso da palavra pai, Ab, ela é formada pelas letras Alef e Bet. Por terem origem na agropecuária e na cultura nômade, as duas letras têm respectivamente sua origem no boi e na tenda. Originalmente o desenho era uma cabeça de boi com os chifres, e na tenda, a morada dos hebreus nômades. Alef representa autoridade e Bet representa casa e família. De uma junção dos dois significados, o pai era o touro da casa, aquele que provê o sustento, a força e a proteção da família. O pai representa a autoridade perante a família, aquele toma decisões pensando no bem estar dela. O pai pode ser representado visualmente na estrutura da tenda como o poste central dela. Aquele que provê sustentação para as peles que serviam de cobertura. Esse poste possuía duas pontas, uma como uma lança, que ia fincada na areia, e a outra bifurcada, que oferecia a sustentação para a cobertura. Uma ponta significava a segurança e defesa e a outra, a sustentação, assim como a figura do pai. No antigo testamento, Deus recebeu diversos nomes, começando pelo tetragrama que pronunciamos Jeová ou Javé ou Iavé; Aparece como El Shaddai para Abraão, um Deus todo-poderoso, ou A Rocha. Melquisedeque abençoa Abraão em nome do Deus Altíssimo; Para Isaías, aparece como Deus Eterno, pois sua palavra é eterna; Deus ainda é chamado de Jeová Jiré por Abraão, o Deus que provê; Jeová Rafá, o Deus que sara e; Jeová Shalom, Deus é paz. Todas essas belas características eram utilizadas sempre de um modo muito cerimonioso. Uma abordagem muito diferente àquela utilizada pelos judeus foi feita por Jesus, que introduziu uma novidade teológica ao chamar Deus de Pai, condensando todos os significados de Deus nesta única palavra, Pai, pois, no final, ele é a autoridade perante a família, aquele que dá sustento e proteção, que provê, que sara, que traz paz. Como o poste que sustenta a cobertura da casa, oferece segurança e sustentação para a sua e nossa grande família.
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Meditações Cristãs Guiadas baseadas na palavra de Deus
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